A Meia Irmã
10 X
Notas iniciais
Soluçando em meu peito, Hannah segurava com força meu unifrome. Eu esatava assustado, porque ela estava chorando? E seus olhos, porque a pupíla estava dilatada?
Não sei o que pensei aquela hora, mas comecei a acariciá-la pelos longos fios negros de sua cabeça, ela continuava a chorar.
- Hannah, olhe para mim. — digo numa tentaiva de ver seus olhos.
Hannah se recusou.
- Vamos lá Hannah. — falo dando pequenos tapas de leve na cabeça dela.
Ela tira a cabeça de meu peito ainda soluçando, meu uniforme estava com pequenas porções de águas simétricas. Hannah estava com os olhos marejados, ela não era do tipo de soltar cachoeiras de lágrimas, seus olhos estavam na cor cinzenta de sempre, eles haviam voltado ao normal.
- Hannah, por que seus olhos... — falo me sentando na cama passando a mão na cabeça, eu estava confuso.
- Não é da sua conta. — disse Hannah fraca, soluçando, exugando uma lágrima no canto de seu olho e sai do quarto.
Coloco o telefone no lugar e vou para meu quarto, vejo Hannah fechando a porta, ainda soluçando, quando me vê abre um sorriso e fecha a porta.
No tempo em que fiquei no quarto, Hannah não abriu a porta, mas ouvi passos no telhado, ela com certeza estava lá fora. Abro a janela do meu quarto e subo para o telhado. Vejo Hannah sentada, abraçando os joelhos olhando para o céu, que depois da chuva de tarde, estava estrelado.
- Oi. — falo sentando do lado dela.
- Oi. — ela diz sem tirar os olhos do céu — Gosta das estrelas?
- Na verdade, quase nem as percebo. Do tempo que fico trancado no quarto, entretido com alguns livros.
- Ah, diferente de mim, elas são as minhas únicas companhias. Penso no céu como se fosse meus olhos interamente pretos, as estrelas são os brilhos que acho que tem no fundo deles penso como se fosse sentimentos bons. Meu olho cinza como você vê quase sempre são fachada, iguais aos do meu pai. Na verdade são buracos negros que veem coisas que quase ninguém pode ver.
Olho para ela, os olhos dela estavam como se fosse os de uma criança ao receber um briquedo novo.
'' Buracos negros que veem coisas que quase ninguém pode ver.''
– Hannah! O jantar está pronto! — grita Sabela — Chame o Tiago sim?
- Sim mamãe! — disse Hannah e depois, olhou para mim abrindo um sorriso dócil — Vamos?
Balanço a cabeça que sim com o mesmo sorriso que eu insistia em tentar fazer. Volto para meu quarto pela janela, e abro a porta junto com Hannah como se fosse uma coreografia, ela ainda estava sorrindo.
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Voltamos para a escola depois de dois dias em casa sem fazer nada. Eu e Hannah não nos falamos depois daquele dia no telhado, nem parecia que éramos quase irmãos. A escola estava a mesma coisa, faixas amarelas da polícia estavam ocupando o lugar do assassinato.
- E aí curioso? — disse Yuki me dando um leve tapa nas costas — Tô brincando, mas ficar ouvindo, ou tentar ouvir conversas dos outros é muito feio. Seu pai não lhe ensinou isso?
Yuki estava diferente, sem nenhum colar ou pulseira. Ela revelou seu longo cabelo preto no meio das costas e uma franja na altura das sobrancelhas. Yukio estava o mesmo, a única coisa que me chamou a atenção foi um piercing no lado inferior esquerdo do lábio. Parece que nesses dois dias, foram agitados para eles.
- Yukio! — falo abrindo um sorriso.
- Fala Tiagão!
Todos estavam alegres e diferentes aquele dia. Mas uma coisa ainda não entendia, o que Hannah quis dizer com ''Buracos negros'', talvez seus olhos com a pupíla dilatada, mas '' Veem coisa que quase ninguém vê?''. O que ela vê quando seus olhos estão daquele jeito?
Notas finais
~le eu aponto uma arma na minha cabeça e peço para meu irmão apertar o gatilho
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