Notas iniciais
Eis o capítulo 1 para vocês! Espero que gostam ^^ Boa leitura!!!

Naquele dia, os dois haviam combinado de encontrarem-se dali a uma semana para traçar o plano para que Bárbara pudesse se infiltrar no território dos Vampiros. Ela passara a semana inteira pensando naquilo, talvez na besteira que havia feito. Não prestou atenção em nada do que lhe disseram e tampouco era capaz de se lembrar do que tinha feito nos últimos cinco dias com detalhes. A jovem apenas ficava vidrada em um ponto aleatório do ambiente, pensando na história que Luke a contara e como seria salvar um Lobo de Vampiros. Apesar de já conhecer esses dois seres há algum tempo, ainda era muito estranho para ela acreditar na existência de algo sobrenatural daquela forma.

E lá estava ela, de madrugada, andando por entre as árvores altas e galhos obscuros. Bárbara já imaginava o momento em que bateria a cabeça em um deles e cairia desmaiada. Procurou afastar tais pensamentos, pois sua mente já estava lhe pregando peças. Ouviu um farfalhar de folhas suspeito e seu coração bateu forte. Olhou ao redor de si mesma, para o breu da floresta, e não viu nada. Por via das dúvidas, abaixou-se e tirou, lentamente, o canivete de sua bota, ainda observando minuciosamente o ambiente. Ouviu outro farfalhar de folhas e, dessa vez, ela sentiu alguém passar por ela como um raio, deixando apenas uma brisa gélida.

Sem coragem para enfrentar o que quer que fosse, saiu correndo em direção ao território dos lobos. Não estava muito longe, afinal. Quanto mais corria, mais a adrenalina em seu corpo aumentava e ela parecia ter mais energia. Estava muito perto, quando percebeu. Já não havia mais barulho algum. Teria imaginado tudo aquilo?

Pulou para dentro do solo lupino e guardou o canivete. A divisa entre a floresta e o território dos lobos era óbvia. Enquanto os Vampiros possuíam uma espécie de castelo subterrâneo, pelo que Luke lhe dissera, os Lobos tinham uma clareira com algumas casas simples espalhadas pelo campo esverdeado. Bárbara conseguia se sentir segura ali, apesar de saber que não pertencia ao lugar.

Andou um pouco até a casa que ela sabia ser de seu amigo. Já era muito tarde e não havia ninguém na clareira. Então, ao chegar, bateu na porta e identificou-se em uma voz relativamente baixa, por não ter certeza de que todos os Lobos poderiam saber o que ela faria. Em poucos segundos, a porta se abriu, fazendo uma luz amarela refletir do lado de fora. Bárbara viu Luke sorrindo e soube que ele pensara que ela não apareceria. Sorriu de volta e entrou na casa pelo pequeno vão que ele abriu.

Lá dentro, havia várias camas beliche e uma mesa redonda no centro. Apenas mais um lobo estava lá, ao redor da mesa, e este nem mesmo a olhou. Bárbara deu de ombros e aproximou-se também. Percebeu que eles estavam desenhando algum tipo de estratégia. Haviam mapas rabiscados e esquemas que envolviam muitas letras “B” e “D”.

— Bárbara, este é o nosso plano — Luke disse e aproximou-se também. Ao apoiar as mãos na superfície, pareceu lembrar-se da presença do outro Lobo. — Ah! Este é Gabe, nosso vice-líder.

O homem apenas olhou para os dois e parou seu olhar em Bárbara por um tempo, voltando para a mesa logo em seguida. Luke começou a explicar para a garota tudo que eles haviam planejado e, na visão dela, tudo parecia muito seguro.

— Então, tudo isso apenas será possível se você fingir-se de Vampira.

Ela arregalou os olhos, incrédula.

— Como eu vou fazer isso? Acha que eles não vão perceber que eu não bebo sangue? — ao ver o olhar sugestivo de Luke, deu-lhe um tapa infantil no braço. — Nem pense nisso! Eu não vou beber sangue. Sou humana e sempre serei.

Luke soltou uma risada rápida e continuou.

— Com a ajuda de Dylan, você consegue e sabe disso. Os Vampiros quase não sentem diferença de cheiro entre humanos e sanguessugas — explicou; o apelido que eles atribuíram aos Vampiros lhe arrancando um pequeno riso, porém, fazendo-a sentir-se ainda mais enrolada naquela história. — Apenas vão perceber se você tiver algum comportamento estranho.

— Como morrer, por exemplo? — ironizou, irritada. — Ou talvez não ter dentes que viram presas?

O Lobo revirou os olhos.

— Luke disse que você terá ajuda de um Vampiro — finalmente Gabe manifestou-se. — Seria praticamente impossível sem um, pois você não conhece o território deles e não saberá como encontrar Ian.

Bárbara abriu um sorriso amarelo e sem graça e suspirou pesadamente.

— Sobre isso…

Luke bufou e fuzilou-a com o olhar.

— Ainda não falou com Dylan? — a voz de Luke exalava repreensão.

Bárbara foi rápida em justificar-se.

— Não. Mas como você espera que eu encontre aquele desgraçado? — inquiriu, tentando desviar a culpa de si mesma.

No entanto, para seu azar, Luke não cairia naquela.

— Não sei, apenas o encontre e fale com ele — disse, curto e grosso. — Você não sabe em que boate ele costuma estar na cidade para se alimentar? Pode ir até lá. Você é esperta, vai conseguir.

A jovem assentiu, sem a menor vontade de fazer aquilo. Não seria nada fácil pedir a ajuda de Dylan. Do jeito que ele era arrogante e prepotente, se não a matasse “sem querer” no meio da missão, encontraria uma forma de infernizá-la por toda a vida apenas por ter pedido ajuda a ele.

Despediu-se de Luke algum tempo depois e disse que voltaria ali assim que tivesse falado com Dylan. Poderia facilmente nunca mais voltar, mas era leal demais ao seu melhor amigo.

Bárbara nunca fora muito fã de sair a noite. Porém, desde que conhecera Luke, sair no meio da madrugada para encontrá-lo se tornou um hábito. A jovem sabia dos perigos que corria ao se infiltrar na floresta tarde da noite, sabia das consequências de ter um amigo Lobo. Mas ela simplesmente não ligava. Talvez porque ela gostasse da sensação de perigo, da adrenalina que corria por suas veias sempre que ela sentia-se observada. Talvez porque ela gostasse de saber que era uma das poucas pessoas que sabia sobre a existência dos Lobos e Vampiros.

Luke havia lhe mostrado o mundo no qual vivia e, mesmo não sendo como ele, Bárbara queria fazer parte daquilo, daquele mundo. Era como se, ali, ela se sentisse… Diferente, onde ela não era só uma garota comum, formada em jornalismo e sem amigos. Ali ela tinha amigos. E, no fundo, Bárbara sabia que havia aceitado participar daquela loucura porque, finalmente, faria parte de algo. Algo grande.

Salvar o líder dos Lobos era uma tarefa e tanto, e isso a deixava com a sensação de que poderia ser alguém, fazer algo por alguém.

E foi pensando nisso que Bárbara se viu diante de uma das boates mais movimentadas da Virginia, uma pequena cidade localizada no estado americano de Minnesota, no Condado de St. Louis.

O barulho que vinha lá de dentro chegava a lhe incomodar. Deus! Como ela odiava boates. Nunca tivera amigos para ir a tal lugar, curtir e se divertir. Sempre ficava enfurnada em seu quarto lendo livros e estudando.

Bárbara não se envergonhava de admitir que sua vida social era praticamente nula, porque aquela era a sua vida, e ela não se importava com o que os outros iriam pensar. Mas depois de conhecer Luke e todo o seu mundo de faz de conta, a jovem não era mais a mesma.

Apesar de os outros Lobos não gostarem dela, porque tinham medo de que ela pudesse espalhar sobre a existência de sua espécie, mesmo ela jurando que nunca o faria, Bárbara já não sentia-se excluída. Ela tinha Luke e era mais do que suficiente.

Perdeu a conta de quanto tempo ficou do lado de fora, apenas tomando coragem para, finalmente, entrar no local à procura de Dylan. A possibilidade de não o encontrar era grande, e ela torcia por isso. Não fazia ideia do que dizer a Dylan quando o encontrasse e, quanto mais prolongasse o encontro, melhor.

Bárbara Baker nunca fora muito boa com palavras. Ela sempre se embolava e dizia coisas sem o menor sentido. E parecer uma idiota na frente do Vampiro que adorava infernizar sua vida não era algo que estivesse em seus planos.

Enquanto procurava o Vampiro no meio de várias pessoas dançando, bebendo e se agarrando, Bárbara pensava numa maneira de abordar Dylan sem parecer uma lunática com anseio pela morte. Porque era isso que aconteceria se o plano de Luke e Gabe falhasse. Ela morreria.

Procurou pelo rapaz por todos os cantos daquela boate, porém, não obteve sucesso. Sentiu-se frustrada e aliviada ao mesmo tempo, e não pensou duas vezes antes de girar em seus calcanhares e ir em direção à saída.

Contudo, aquele poderia ter sido o seu pior erro. Ao virar-se para a porta, ela avistou o que vinha sendo o seu pior pesadelo daquela semana entrar pela porta, animado e sorrindo.

Notas finais
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