A Mediadora: O estopim de uma guerra
3 Capítulo 2
Notas iniciais
O Vampiro ainda não tinha notado a garota que estava lhe observando e, ao entrar na boate, estava sorridente e animado, provavelmente devida à chance de se alimentar do sangue novo que aquele local lhe oferecia todos os dias. Dylan falava com os funcionários do local e cumprimentava algumas pessoas que estavam se divertindo, o que fez a morena pensar se ele não possuía algum tipo de acordo para que pudesse saciar a sua sede livremente por ali.
Entretanto, a felicidade do Vampiro não durou muito tempo. Ao que os seus olhos encontraram-se com os de Bárbara, seu sorriso se desfez imediatamente, e ele adquiriu uma expressão um tanto surpresa. Bárbara queria correr e dizer à Luke que não o tinha encontrado, mas sabia que, uma vez que assumira o compromisso de ajudar, precisava ir até o final.
Em questão de alguns segundos, porém, o sorriso voltou ao rosto de Dylan, mas agora não parecia genuíno e radiante e, sim, cheio de sarcasmo. Dylan andou até a jovem, desviando de algumas pessoas que passavam com bebidas e dançavam loucamente. Bárbara pensou que, talvez, estivesse com uma expressão apavorada, então, tentou relaxar os seus músculos. Afinal, era só o Dylan.
— O que a traz aqui, humana? — ele indagou; o sorriso ainda dançando em seus lábios.
Bárbara olhou ao redor, tentando pensar em uma maneira de ser direta e clara no que queria. A melhor forma era usar das mesmas armas que ele.
— Eu preciso da sua ajuda — disse, sem rodeios. A expressão falsamente agradável de Dylan mudou para surpresa e incredulidade.
— E o que a faz pensar que eu te ajudaria? — retrucou Dylan com uma sobrancelha arqueada.
Nem mesmo Bárbara sabia a resposta para aquela pergunta, então respirou profundamente, tentando colocar os pensamentos em ordem.
— Será que podemos conversar em um lugar mais calmo? — a morena pediu, sentindo-se uma completa idiota por estar na frente de Dylan O’Hare lhe pedindo algo.
O Vampiro lhe observou por alguns segundos, ponderando seu pedido, deixando a garota impaciente.
Ele, então, fez um sinal para que Bárbara o acompanhasse, dando as costas para ela e se enfiando no mar de pessoas que estavam na boate.
Não querendo perdê-lo de vista, a garota o seguiu, sentindo-se levemente mais aliviado por Dylan ter aceitado conversar. Já era um começo.
Dylan a levou até uma porta nos fundos da boate, que dava para um beco imundo e frio, onde algumas pessoas iam para fumar. Para a sorte dos dois, não havia ninguém ali.
A música alta da boate era abafada pela porta, e o cheiro de cigarro que emanava do beco fazia o nariz de Bárbara coçar. Observou o Vampiro à sua frente, com os cabelos castanhos escuros caídos na testa, olhos tão azuis quanto o mar do Caribe e a pele pálida.
— Sou todo ouvidos — Dylan guardou as mãos no bolso da calça jeans que usava, tombando levemente a cabeça enquanto esperava a garota dizer o que queria.
Ela tinha uma expressão engraçada estampada no rosto, quase como se fosse vomitar a qualquer momento.
— Preciso da sua ajuda para resgatar Ian — sua voz soou rápida demais, preferindo ir direto ao ponto, pois temia não conseguir cumprir a tarefa se enrolasse muito.
Uma expressão confusa tomou conta do rosto do Vampiro, fazendo Bárbara respirar fundo, pois não queria repetir tudo de novo. Já havia sido difícil o bastante proferir aquelas palavras uma única vez. Porém, não foi necessário, ao passo que a gargalhada carregada de ironia de Dylan preencheu todo o beco.
— Você é uma pessoa engraçada, Baker — respondeu Dylan, controlando o riso. — Se já terminou a piada, eu tenho mais o que fazer.
Ele deu um passo em direção à porta, dando as costas para a garota, que tinha os olhos arregalados de frustração.
— Eu estou falando sério, Dylan — interveio a garota, segurando o braço do Vampiro para impedi-lo de se afastar, sentindo os músculos do mesmo por baixo do couro da jaqueta que ele usava. — Preciso da sua ajuda.
A voz da morena soou baixa, quase desesperada. Não tinha ideia do que iria fazer se Dylan recusasse lhe ajudar.
— Isso é algo que eu não posso fazer — Dylan se virou para ela com o olhar vazio, sem demonstrar o divertimento de antes.
— Dylan, por favor! Você é a única pessoa que pode me ajudar — a voz da garota estava carregada de súplica, desesperada. — Sei que você é contra a guerra entre Lobos e Vampiros, e a unica forma de impedir é se Ian voltar para o seu bando o quanto antes — Bárbara olhou fundo nos olhos do Vampiro, sentindo todo o corpo estremecer devido ao frio que fazia naquela noite. — Eu não teria vindo até aqui pedir a sua ajuda se não fosse realmente necessário.
O silêncio de Dylan estava deixando a garota completamente agoniada. O desespero estava presente em cada célula de seu corpo.
— Baker, você perdeu o seu tempo vindo até aqui — Dylan desviou-se dos dedos da garota, dando as costas para ela novamente. Ele ainda pôde ouvi-la sussurrar um por favor completamente desesperado, mas ele não daria o braço a torcer. — Você terá que procurar outro Vampiro para lhe ajudar — Dylan, então, deu passos rápidos até a porta, virando-se para a garota, que o observava com o ar derrotado, antes de sumir para dentro da boate. — Sinto muito.
[...]
Dylan havia perdido a conta de quantos copos de uísque havia tomado. A imagem dos olhos suplicantes de Bárbara Baker estavam atormentando-o.
Lembrava-se bem da pontada no peito que sentiu ao vê-la caminhando, cabisbaixa, no meio do amontoado de pessoa que dançavam como se não houvesse amanhã; os passos a levando para fora do local.
Ele tentou não se importar, mas falhou miseravelmente, então, encher a cara fora a única solução que encontrou para se livrar daquela imagem.
Porém, aquele líquido de cor âmbar não estava resolvendo muita coisa. Então ele largou o copo em cima do balcão do bar onde estava encostado e se enfiou no meio da pista de dança, decidido a encontrar uma presa. O sangue seria o único capaz de limpar sua mente.
[...]
Bárbara Baker estava andando pelas ruas escuras de Virginia. Não havia ninguém àquela hora da noite e poderia ser perigoso estar ali, mas ela não se importava. A luz da lua iluminava o asfalto negro e levemente molhado pela chuva fraca que caíra há poucas horas, e a morena seguia o seu instinto de localização para voltar para casa.
À medida que ela sentia a sola de seus pés chocando-se contra o chão, os seus pensamentos iam voando para longe do caminho que estava trilhando. Ela lembrava-se de cada segundo da conversa com Dylan e se perguntava se, de alguma forma, não poderia ter sido mais convincente. Mas por que ele tinha que ser tão cabeça dura? Por que ele não poderia, simplesmente, aceitar ajudá-la?
Caso ele fosse a favor da guerra, Bárbara entenderia. Contudo, ele tinha os mesmos interesses que ela naquela história, ela sabia bem disso.
Independente de qualquer coisa, a jovem morena só pensava em Luke e em como ela não poderia mais ajudá-lo a salvar o líder de seu bando. Entretanto, Baker também não podia negar que sentia uma faísca de alívio em seu peito. Pelo menos assim, ela estava mais segura e, provavelmente, livre de uma morte prematura.
— Baker — Bárbara virou-se imediatamente ao ouvir seu nome, assustando-se um pouco. Não estava sozinha, afinal. Então, viu Dylan parado a alguns metros dela; as mãos dentro do bolso e os cabelos sendo bagunçados pelo vento gelado que soprava. — Acho que nós podemos conversar melhor sobre a sua proposta.
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