A Mecânica

1 Capítulo Único - Peças


Notas iniciais
One-Shot NaruSaku em repostagem❤ Publiquei-a inicialmente no Spirit, onde sou a Merlin_Asuna. Espero que gostem!

— Mais que perfeito!

— Realmente gostou?

— Amei demais! — ela vira na minha direção os papéis que eu havia entregado, como se eu nunca os tivesse visto. Sorrindo animada, indaga: — Quando eu vou poder usar isso?

— Primeiramente… — pego os desenhos de volta. — preciso ver se a equipe vai aprovar. E segundamente…

— Óbvio que vão aprovar, idiota. Continue.

— Segundamente, nada garante que você vai ser a modelo.

— Tá duvidando de mim, Naruto? — ela cruza os braços. — Para sua informação, você pode até estar acostumado, mas a minha beleza é extremamente peculiar. Se eu não desfilar nesse evento, pode fechar essa empresa!

— Até parece, Karin. — dou uma risada. — O que você tem de diferente é, no máximo, esses seus olhos vermelhos estranhos. — provoco-a.

— Ah, claro, e todo dia você sai na rua e acha uma ruiva deusa como eu por aí…

— Ruiva? Eu vejo uma todo dia mesmo. — brinco.

— Vou falar pra tia Kushina que você tá menosprezando o cabelo vermelho dela. — levanto uma sobrancelha e ela dá um sorriso de canto. — Quem diria, o próprio filho dela dizendo o ruivo é super comum… tão vaidosa, ela não vai gostar nadinha.

— Karin, você me deu uma ideia! — estalo os dedos e abro um sorriso que deixa minha prima desconfiada. — Realmente, ruivo é diferente, mamãe sempre me disse isso. Então, indo pelas opções ruivas mais promissoras… — Karin mexe nos cabelos, crente de que eu vou propor o desfile a ela e então completo: — … que tal mamãe desfilar?

Minha prima cerra os olhos em minha direção, aceitando o embate. Sempre que nos encontramos, passamos 90% do tempo nos provocando sem parar, e eu adoro isso. Karin é a única filha de minha tia e fomos criados quase juntos, ou seja, ela é como uma irmã pra mim. Eu sempre me divirto com ela por perto, desde que éramos pirralhos. A mulher descruza os braços e pousa as mãos na cintura, como se tivesse pensado em algo muito bom.

— Ah, agora já acha o ruivo peculiar? O que alguém não faz pra não apanhar da mãe, né? — Karin se aproxima com um ar convencido. — Sobre o desfile, se conseguir convencê-la a ir, o mérito é todo seu.

— Mamãe é a mulher mais vaidosa do mundo, duvido que ela recuse.

— Mesmo que isso signifique a destruição do sonho de sua única sobrinha? — ela faz um biquinho ao parar na minha frente. Em seguida, abre um grande sorriso debochado, sabendo o resultado de nosso embate.

Desgraçada.

Se eu realmente chamasse mamãe pro desfile e ela ficasse sabendo que de alguma forma, mesmo que minimamente, Karin estaria concorrendo ao posto, sem sombras de dúvidas ela deixaria minha prima ser a modelo. Afinal, mamãe sempre diz que ela é sua filha do coração.

Droga, parece que ela ganhou essa.

Mas eu vou enrolar até fazer ela perder.

— Acontece que todos nós sabemos que desfilar não é seu sonho, afinal, você trabalha com isso.

— Amado, cada vez que sigo à uma passarela — ela põe as mãos no peito e faz uma voz teatral. — sinto um novo sonho nascer e se realizar!

— Ah, claro. — dou uma risada. — Karin, você já foi melhor nisso.

— E você já foi um bom perdedor. Admite que esse desfile já é meu.

— Na verdade, é da mamãe. Há um requisito que deixa bem claro que caso seja ruiva, ela precisa ter olhos azuis como o estilista.

— E depois eu que já fui melhor nisso... — Karin dá uma gargalhada e ajeita os cabelos. — Só acredito se eu ver no contrato. E se você sabotar o documento e colocar essa cláusula, vou te explicar um negócio, priminho: existem lentes que me deixam com os olhos mais azuis que esses seus sem sal aí. Sinto muito, você perdeu.

— Ai, ai, Karin… — dou uma risada fungada, aceitando a derrota. — Agora falando sério, é bem provável que você seja selecionada. Só vai depender dos patrocinadores.

— Que bom! — ela dá um pulinho, batendo palmas. — E é claro que o meu amado priminho, tão especial, o meu primo favorito…

— E único também.

— … vai ajudar sua modelo preferida a pegar esse desfile e arrasar com suas novas peças, não é?

— Se os patrocinadores quiserem outra pessoa, não verei outra opção. — dou de ombros com um sorriso sacana. Karin faz um biquinho e então sorri também.

— Sei que você me ama. Agora corre, homem de Deus, ou você vai se atrasar.

Verifico meu relógio de pulso e confirmo: faltam apenas quinze minutos para o início da reunião. Abro a porta de minha sala para seguir até o andar inferior, onde tudo será realizado.

— Espera, Naruto, eu já vou indo… vai querer que eu te espere pra pegar uma carona? — Karin oferece enquanto me despeço dela.

— Não, não se preocupa, hoje eu vim no meu carro.

— Ah, okay. Até mais, então. — a ruiva pega sua bolsa e para em minha frente. — E não esquece, hein? Karin Uzumaki, a melhor modelo que você já conheceu. — dou um sorriso torto e então nos abraçamos em despedida. — Tchauzinho, primo.

Em geral, a reunião foi bastante produtiva. Como imaginei, os patrocinadores aceitaram a sugestão de Karin para ser a modelo principal do desfile de minha nova linha de peças. Segundo eles, novas roupas Naruto Uzumaki apresentadas diretamente pela única prima do estilista — que também é dono da empresa de confecções que colocará as ideias em prática. — seria simplesmente sensacional. E com a aprovação dos colaboradores, marcamos a data do desfile.

Após a finalização da reunião, verifico e atualizo minha agenda: como sempre antes de um importante desfile, está absolutamente lotada. Nesses dias eu vou trabalhar pra caramba, mas o resultado será, sem dúvidas, magnífico. Até eu estou impressionado com a qualidade das peças que desenhei! A inspiração foi um sonho que tive com várias entidades coloridas de várias caudas, e como eu não sou do tipo que deixa ideias passarem batidas, coloquei-as em forma de roupas. Karin amou a da raposa, assim como eu. Será a principal peça do desfile, e parando pra pensar, até que combina com a cor vermelha dos cabelos e olhos dela.

Vai dar um trabalhão, mas tenho certeza que valerá a pena. Minha empresa de confecções responsável por todas as peças de minha marca estará atolada não somente na concretização das novas ideias, como também na organização da festa de lançamento — e do desfile, portanto.

Decido voltar para casa às oito da noite, para aproveitar minha última noite de sono bem dormido antes da maratona que virá. Saio da empresa ao me despedir dos últimos funcionários ainda presentes e sigo em meu carro até meu apartamento, cantarolando uma música aleatória.

Mas como o destino parece odiar todas as minhas tentativas de dormir em paz como um anjinho, meu carro começa a fazer uns barulhos estranhos no trajeto. Era só o que me faltava, francamente...

Toda santa vez que eu não me ocupo à noite no trabalho — ou em safadeza, porque também sou filho de Deus. — acontece alguma coisa que me obriga a não ir dormir em paz. Seja briga dos vizinhos com o síndico, trânsito parado, visita surpresa dos meus pais, assuntos inacabados da empresa ou até mesmo um princípio de incêndio em casa após uma tentativa de flambar uma carne, eu nunca consigo dormir cedo.

Eu deveria parar de tentar, sinceramente.

E hoje, pra não perder o costume, o universo decidiu fazer o meu carro morrer. Primeiro uns barulhos estranhos, depois começou a andar devagar, e agora parece estar nas últimas. Vou tentar chegar em uma oficina mecânica antes que fique ilhado em uma das ruas noturnas de Konoha.

Já que o mundo não me odeia tanto, consegui chegar uma oficina próxima. O rapaz que me recebeu rapidamente colocou meu carro em um elevador automotivo, deixando-o completamente suspenso. Espero que isso não demore muito, eu preciso do meu carro nos meus compromissos diários. Observo-o por algum tempo e então saio do estabelecimento para comprar algo para comer em uma lanchonete próxima. Aproveito para responder algumas mensagens de texto de funcionários da empresa e outras de jornalistas curiosos por dicas de como seriam meus 'modelitos', como eles chamam.

Obviamente me esquivo de suas perguntas e ao responder todos, decido fazer uma live para meus seguidores contando a triste história do estilista que só queria chegar cedo em casa. Acabo parando pra responder perguntas e quando me dou conta, já são onze horas da noite. Passei três horas só nisso! Perdi completamente a noção do tempo. Corro para a oficina, que já estava praticamente fechada, só com uma luzinha dentro e um funcionário tratando justamente do meu carro. Pelo tempo que se passou, creio que já deve estar tudo certo. Me aproximo e pergunto:

— E então, daqui a pouco poderei ir?

O mecânico se mexe um pouco e então arrasta o equipamento de rodas sobre o qual estava apoiado para fora do carro, na direção oposta de onde eu estava, o que — junto com a baixa iluminação do local. — me impediu de enxergá-lo.

Mas levei um grande susto quando escutei a voz que me respondeu.

— Olhe, seu carro está com mais problemas do que parece.

Uma voz de mulher! Me aproximei rapidamente do lado do carro de onde o som doce se fez presente e então a observei.

Usava um macacão comum de mecânico, botas rústicas e um chapéu cinza na cabeça, o que escondia seus cabelos. Estava suja de graxa e óleo em alguns pontos do corpo, mas suas unhas, — não deixei de notar. — embora sujas, estavam muito bem pintadas de rosa com detalhes de flores. Ela guardava em uma caixa os equipamentos que estava usando há pouco em meu carro enquanto dizia:

— Esse seu carro é um Volvo V40, o que significa que as peças dele são terríveis de encontrar. Quanto tempo faz que você não passa em uma oficina? O amortecedor disso aqui tá acabado, não tem outro jeito senão trocar. E a bateria também tá nas últimas. Sinto muito, você não vai sair daqui com ele… — ela levanta a cabeça e paralisa. — … hoje. — completa lentamente.

Eu também paraliso por alguns instantes. Mesmo com chapéu e o rosto sujo por um pouco de graxa, é notável a delicadeza da pele alva da moça, o que aliado aos olhos verdes brilhantes que encontraram os meus me faz concluir imediatamente:

Caraca, que mulher mais linda.

Ela se levanta e coloca a caixa que segurava sobre uma mesa e eu acordo temporariamente de meu transe. Espera, o que foi que ela disse?

— Como assim eu não vou poder levar meu carro hoje?

— É a vida. Isso aqui não anda de jeito nenhum agora.

— Mas eu preciso dele!

— Fazer o quê, né? — ela semicerra os olhos. — Me diz uma coisa, qual o seu nome?

— Naruto. — respondo irritado. — Por que a pergunta?

— Nada, nadinha. — a mecânica dá um sorriso de canto. — Prazer, sou a Sakura.

Não é possível que essa mulher consiga ficar tão linda só dando um sorriso de canto. Mas foco no meu veículo, ele é um dos meus instrumentos de trabalho, eu preciso dele funcionando perfeitamente amanhã cedo!

— Sakura, você tem certeza do que está dizendo?

— Absoluta. Agora, se não confiar na palavra de uma mecânica mulher, o Shikamaru ainda tá lá dentro, pode perguntar pra ele.

— Não é isso, desculpe se pareceu esse tipo de coisa! — explico rapidamente. — Desculpe mesmo. É que eu preciso desse carro… em quantos dias poderei tê-lo de volta?

— Para comprar e posicionar as peças… creio que uns cinco ou seis dias. Quase uma semana. — ela diz curta e grossa.

— Ah, droga…

— Bem, com licença… — Sakura diz e retira o chapéu. Seus cabelos curtos caem e enfeitam-lhe o rosto em uma incrível coloração rósea que contrasta perfeitamente com sua pele e seus olhos esmeraldas.

Mas que mulher linda, meu Deus!

Ela observa meu espanto — para variar, sou péssimo em esconder. — e abre um sorriso. A mecânica também fixa o olhar em mim, varrendo meu corpo com as orbes verdes e então se afasta. Fico observando sua entrada em uma sala e percebo que não vi quanto vou pagar pelo serviço. Olhe só, parece que vou ter que esperá-la.

Isso não me parece nada mal.

Poucos minutos depois, ela retorna. Dessa vez, usava um short curto jeans e uma blusa preta colada que seguia até seu pescoço, mas deixava seus braços completamente descobertos.

Só tenho uma coisa a declarar: minha nossa senhora da beleza, essa mulher não é só linda não, ela é um verdadeiro espetáculo. Definitivamente, estou diante de uma das maravilhas da natureza.

Ela percebe meu olhar sobre si e se aproxima com um sorrisinho.

— Esqueci algo, Naruto? — ela indaga, sussurrando a última palavra.

Retiro lentamente minha jaqueta jeans, ficando somente com minha camisa laranja de mangas curtas. Não deixo de observar o olhar dela por mim novamente.

— Não sei quanto tenho que pagar pelo serviço.

— Mas ainda não terminei o serviço. — ela arqueia uma sobrancelha. — Ainda temos que trocar as peças.

— Trocar as peças, hein? — dou um passo em sua direção. — Mas será que vai sair muito caro?

— Imagino que não. Posso fazer um orçamento para você… — ela começa a falar e então seus olhos começam a passear pelo meu rosto e corpo e eu me aproximo ainda mais, adorando esse olhar avaliativo dela.

— Excelente. — em um movimento rápido, sussurro em seu ouvido. — Espero que não demore.

— Não vai. Não vai demorar nem um pouco.. — Sakura diz cada vez mais baixo e eu sinto seu corpo estremecer.

Nossos corpos já estão muito próximos e eu afasto meu rosto de seu ouvido devagarinho, com meu coração batendo cada vez mais forte. Uma de suas mãos pousa sobre meu ombro e ela afasta um pouco minha cabeça, respirando fundo.

— Me diz uma coisa… você é o estilista Naruto Uzumaki?

— Sim… me conhece? — ao confirmar, o rosto dela cora, tomando uma expressão surpresa. Dou uma risada com sua reação.

— O que foi? Vai dizer também que homem não tem que costurar e cuidar de roupas? — brinco com um dos preconceitos que passo em minha profissão.

— O quê? Claro que não, bobo. — ela dá uma risada. — Já parou para pensar que acabou de dizer isso à uma mulher que é mecânica de automóveis?

— Para falar a verdade, é a primeira vez que vejo uma mulher trabalhando nisso. — e também é a primeira vez que vejo alguém tão linda.

— Ah, meu pai sempre trabalhou como mecânico, eu gostava da profissão e quando vi, já estava aqui.

— Entendi… — sorrio de canto e nossos olhares se encontram. A tensão que se forma entre nós passa a aumentar descontroladamente e a mão dela sobre meu ombro começa a trazer minha cabeça novamente para perto de si.

— Convenhamos que não é sobre trabalho que queremos falar, não é? — Sakura diz baixinho e morde os lábios inferiores.

Ah, essa mecânica tá começando a me deixar louco.

— Definitivamente quero tratar de outros assuntos com você. — digo, posicionando minha mão em suas costas suavemente.

— Que tal começar, então? — a outra mão dela toca em meu rosto e um sorriso malicioso enfeita-lhe a face. — Estou curiosa.

Não perco tempo. Meus braços rapidamente envolvem sua cintura em um abraço apertado e nossos lábios se encontram violentamente em um beijo desejoso. As mãos dela rapidamente saem de meu rosto e pescoço e começam a adentrar minha camisa e eu desvio uma de minhas mãos para sua nuca, a fim de aprofundar o beijo.

Subitamente Sakura gira nossos corpos e senta sobre o capô de meu carro e eu aproveito a situação para me debruçar aos poucos sobre ela. Nossas línguas se misturam em uma dança frenética, repleta de prazer e nossas respirações ofegantes externam um pouco do calor que subia por ambos os corpos indiscriminadamente.

Uma de suas pernas envolve minha cintura e eu a agarro sem pestanejar. A mulher solta uma risadinha quando o faço e ainda sobre o capô, começa a retirar minha camisa laranja. Sorrio enquanto percorro suas curvas com as mãos antes de retirar por completo a vestimenta.

Novamente me debruço sobre a mulher, subindo também no capô do carro, onde começo a beijar-lhe o pescoço e ela começa a arranhar minhas costas com suas unhas ao passo em que mordisca minha orelha, deixando meu corpo inteiramente arrepiado e excitado.

— Hm. Com licença. — uma voz masculina pigarreia e chama nossa atenção em um canto. O rapaz põe as mãos dentro de seu bolso e nos encara preguiçosamente.

Imediatamente me afasto de Sakura e ela desce do capô do carro com o rosto vernelho. Por um instante, esqueci completamente que isso ainda é uma oficina mecânica. Constrangidos, nos entreolhamos e ela simplesmente diz com um sorriso amarelo:

— Ah, Shikamaru? Tinha esquecido que você ainda estava aí…

— Eu percebi, dona Haruno. — o homem diz as últimas palavras com alguma ironia e se aproxima com ar brincalhão. — Pensei que você tivesse fechado a loja, Sakura. Alguém vai ter que fazer isso e eu já vou indo.

— Tá bom, eu já vou. — ela responde e corre até uma bolsa sobre uma cadeira em um canto enquanto eu pego minha camisa do chão e a recoloco com a jaqueta.

— Vou te esperar na porta. — o tal de Shikamaru afirma, recebendo um olhar irritado dela. Sorrindo, ele vira o rosto para mim e completa: — Só para garantir.

— Ah, eu… — tento dizer algo, mas não consigo. A mecânica sorri para mim e coloca uma mecha de seus cabelos róseos atrás das orelhas. Eu passo minha mão pelo pescoço, ainda envergonhado pelo flagrante, quando me lembro de algo.

Como eu vou voltar pra casa? Verifico o relógio e confirmo que já passa e muito da meia noite. Ah, maravilha…

— Droga, será mesmo que vou ter que ligar pra Karin? — murmuro irritado comigo mesmo e puxo meu celular.

— Ei… Karin é sua namorada? — Sakura se aproxima em um lampejo, claramente apavorada. — Eu não sabia que você é comprometido!

Dou uma risada alta com sua reação.

— E não sou. Ela é minha prima. Realmente acha que sou um cafajeste?

— Nunca se sabe o que esperar de gente que nem você. — ela rebate, irritada por minha risada.

— Gente que nem eu? Como assim?

— Famoso… — ao terminar, a rosada franze a testa e pega seu celular, que vibrava, de dentro da bolsa. Atende a ligação e começa a falar com alguém:

— Vai sair pra onde, sua maluca? — ela coloca uma mão na cintura e eu fico observando suas expressões, admirando a beleza dessa mulher incrível. — Olha, já é a terceira vez que você passa a noite fora nessa história de festa em casa de amigos. Será que dá pra lembrar que a irmã mais velha aqui é você? Não é minha função ser a voz da razão, dona Ino Haruno. — então ela solta uma gargalhada e prossegue: — Boa tentativa. Estou saindo do trabalho agora, maninha preocupada. Deixou a chave onde? Eu não trouxe minha cópia. — passa um tempo escutando a resposta do outro lado da linha e finaliza: — Tudo bem, já vou indo. Promete que vai se cuidar? Beijo, Ino. Divirta-se, mas não faz besteira.

Após a ligação, Sakura me flagra a observando e se aproxima. Nos encaramos novamente, a aura de desejo começou a se formar pela segunda vez e ela suspira e pega em meu pescoço dizendo:

— Foi muito bom, Naruto.

— Eu digo o mesmo. — passo minha mão por seu rosto delicado. — Você já vai?

— Tem um fiscal na porta agora. Vamos logo, ou ele vai te trancar aqui.

— Acho que é mais fácil ficar aqui, já que não tenho como voltar pra casa.

— Como assim?

— Minha prima provavelmente não vai querer me buscar e meu celular vai descarregar, não poderei pedir um carro por aplicativo. Acho que vai ser ônibus mesmo.

— Não acredito! — a mulher dá uma risada comprida. — O famoso estilista Naruto Uzumaki andando de ônibus…

— Ei! — cutuco-a brincalhão. — Nem vem com esse preconceito com gente 'famosa'. Não tenho problema com ônibus, pego sem problemas.

— Galera, preciso fechar… — Shikamaru repete impaciente na porta do estabelecimento.

— Já estamos indo! — Sakura responde e então seu rosto se ilumina. — Ei, se você não tem problema com essas coisas… tenho uma proposta a te fazer.

— Qual?

— Meu apartamento está disponível. Se quiser uma carona…

— Excelente ideia. — sorrio malicioso e ela repete o gesto, me levando até uma moto.

Subimos no veículo e rapidamente chegamos ao prédio onde Sakura mora. Ao chegarmos em seu apartamento, entramos devagar e ela diz, ligando as luzes:

— Ah, desculpe a bagunça, minha irmã é toda desorganizada. Isso aqui é bem simples, mas conseguimos com muito trabalho e…

Quem disse que eu pelo menos olhei a casa? Me aproximei dela rapidamente e puxei-a pela cintura ao meu encontro e tomei seus lábios sem pudor algum. Ela imediatamente corresponde e começa me puxar pela gola da jaqueta, aprofundando ainda mais o beijo ensandecido que trocávamos.

Sem que eu perceba, minha jaqueta foi parar no chão. Prenso Sakura contra a parede de sua residência e pouso meu rosto na curva de seu pescoço, fazendo-a se arrepiar e soltar uma risadinha. A mulher levanta a perna e prende a coxa em minha cintura, e eu aproveito a deixa para apertar aquela região de seu corpo enquanto ela acaricia meus cabelos firmemente, quase os puxando.

— E pensar que… — Sakura sussurra em determinado momento e eu foco em seus olhos verdes. — … eu já vi na internet que você era gay. — ela dá uma risada comprida ao finalizar.

— Todo estilista passa por isso. — digo rápido e beijo-a novamente. — Mas se ainda tiver alguma dúvida, eu posso dar um jeito nisso. — sussurro em seu ouvido.

Sakura me afasta aos poucos e anda por um corredor me chamando com o movimento de um dedo. Sigo-a e chegamos em seu quarto.

— Prove. — ela ordena, lambendo os lábios e finalizando com um meio sorriso e eu imediatamente a obedeço. Agarro-a pela cintura, e misturo meus lábios com os dela fervorosamente.

Nos deitamos na cama, comigo sobre ela e rapidamente minha camisa laranja é novamente descartada, como ocorreu na oficina. Sorrimos um para o outro entre os beijos, apreciando a sincronia deliciosa e quente que nos envolve nesse momento.

Giramos nossos corpos sobre a cama e Sakura, agora em cima de mim, retira sua camisa em um gesto só, ficando somente de sutiã, atiçando minha loucura. Suas mãos deslizam pelo meu abdômen enquanto as minhas dançam por sua cintura até a altura de seus seios, onde começo a tentar retirar a peça que ainda restava.

Nos beijamos mais uma vez e ela começa a rebolar sobre meu membro, ainda de shorts, me fazendo tirar o item jeans que eu usava em um impulso ensandecido. Rindo, Sakura retira os seus próprios e então seus quadris começam a avançar contra os meus, me deixando completamente enlouquecido, e nós tratamos de acabar com as últimas e desnecessárias peças íntimas que ainda ousavam nos atrapalhar. O prazer nos invade por completo e nos entregamos aos nossos desejos com furor sem o menor resquício de hesitação. Parece que minha sina de não dormir cedo se manterá — essa noite promete.

Quem diria que uma mera troca de peças poderia ser tão divertida?

Notas finais
Espero que tenham curtido!❤
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!