A Matemática do Prazer

16 - Teorema Elena


Notas iniciais
Oi gente linda! Sei que demorei, mas optei por focar no finalzinho do trimestre e suas provas (não que houvessem muitas opções, neste caso). Peço desculpas por todo o atraso e agradeço àqueles que tiveram paciência para aguardar e estão aqui lendo este capítulo agora. Estamos com uma nova capa na fic, notaram? E enfim a tão esperada viagem dos dois, não está um capítulo enorme, porém eu gostei dele. Como estou em semi-férias, não devo demorar muito para postar novamente. - Boa leitura! :)

– Então nas horas vagas você é modelo... ou você é modelo nas horas vagas? – perguntei de cenho franzido enquanto ele mirava a estrada com os olhos vítreos.

– Nenhuma das opções acima. – ele ri e desvia o olhar do para-brisa quando olha para mim. – Só sou modelo quando o dinheiro aperta muito e surge a oportunidade. – explica e se volta para frente novamente, no momento que me liberto da hipnose que ocorre toda vez que o fito, começo a raciocinar mediante seu comentário.

Sendo tão bonito e tento um físico definido, não imagino o porquê dele não ingressar de vez nessa carreira. Cada pequena descoberta sobre Damon invés de me esclarecer sobre sua personalidade, me deixa mais confusa.

– Por que não abraça o oficio de uma vez? – pergunto após um instante e observo como ela não costuma falar de aspectos pessoais pela pequena ruga que se forma em sua testa diante de minha pergunta.

– Abri mão de coisas demais pela música e não me enxergo largando isso por qualquer que seja a quantia que me ofereçam. Talvez eu nunca tenha me apaixonado pela profissão correta, talvez por eu não ter opções na época e tudo o que eu gostava de fazer era meu som. – ele parece um pouco perdido e cansado, no entanto leve enquanto contava-me.

– Simplesmente abandonou tudo o que tinha? – a fragilidade em minha voz era como vidro, porém toda a ansiedade por sua resposta encobria qualquer vestígio de sua existência.

– Não, demorei quase dois anos para largar a universidade de Direito. Quando decidi e tive coragem suficiente para confrontar meus pais sabia que era um caminho sem volta, minha família não lida muito bem com decepções, ou com pessoas que a causam, porém não me arrependo até hoje do que fiz. Estou feliz, mesmo que às vezes sinta falta deles, no entanto, minha vida seria um teatro de marionetes no qual eu permiti me amarrarem aos cordões se permanecesse do jeito que estava. Prefiro uma vida de poucas expectativas a uma de grandes ilusões. – ele se silencia depois do discurso mais livre de ironia e cinismo que ouvira dele até hoje. Cada sílaba se impregnava de sinceridade cruel e uma incrível fibra. Eu via um sábio vivendo uma vida instável de adolescente.

Percebi que Damon era um homem admirável sob camadas de uma película mutante que ele criara para si. Ao mesmo tempo em que me identificava com ele, eu me divergia. Nossas vidas pareciam tão iguais, exceto pelo desfecho que se discrepavam tanto, o invejava à medida que me orgulhava de sua bravura.

– Parabéns, Damon, pelas escolhas que tomou! – Sinto todo esse meu sentimento se acumular no sorriso que delineou meus lábios e desembaçou meus olhos que viam um grande homem por trás da atitude de menino brincalhão.

Ele se vira para mim novamente e sinto sua surpresa e irritante curiosidade borbulhar pelo motivo minha ação.

– Queria poder ser assim... – sussurro. Olho pela janela observando a paisagem singular em relação à selva de pedra que era New York.

– Oh! Você pode. – o som aveludado que sai de sua boca captura meus olhos imediatamente, me fazendo, quase que obrigatoriamente, virar-me para ele. – Mas jamais conseguiria... – responde com um sorriso maroto que espantava qualquer nostalgia existente, do jeito que era contagiante. – Sou único, incomparável e original. Nunca será tão charmosa como eu sou. – caio na risada imediatamente, já que contrariou todas as minhas expectativas que apostavam que falaria um assunto sério. Damon era a definição de bipolar.

– Tem razão. Teria que desperdiçar o muito que tenho para rebaixar ao seu nível de charme. – pisco para ele que rola os olhos bufando, vejo o quanto reprime o riso.

– Outch! Só a navalha hoje, Elena? Assim, você fere meu coração. – dou um tapa nele que atuava ridiculamente, me pondo como vilã.

– Isso tem mais a ver com o seu orgulho a seu coração, pobre Damon. – digo da mesma forma que ele. – Talvez devesse parar no próximo posto para comprar um Band-aid para o seu coração. – ironizo e ele me dá língua.

– Desse jeito não sobra nem orgulho, nem coração. – resmunga, me arrancando risadas. Ele dá seta para entrar em um típico posto da interestadual que se assomava logo à frente.

– Eu estava brincando, Damon. – falo enquanto ele entra no terreno do posto e estaciona perto de uma edificação que possivelmente era a loja de conveniência.

– Mas não se brinca com um cara de bexiga cheia. – diz simplesmente enquanto bate a porta e se afasta. O perco de vista quando vira em um corredor à esquerda que dava acesso aos banheiros, segundo a placa ostentada acima da entrada.

Olho ao redor e penso no que vou fazer quando chegar à Filadélfia, simplesmente bater na porta de Rod e perguntar se ele tinha deixado de ser um louco com uma estranha relação com seu cão, por acaso, nos últimos quatro anos? Eu deveria sondar ao seu redor, primeiro, e forjar uma situação para que nos encontremos.

Era um bom plano, porém a lembrança de como ocorreu nosso “rompimento” – se é que sexo casual era classificado como compromisso – invadiu minha mente e me pus a relembrar aquele momento, recordando de sua personalidade e se eu realmente tinha gostado dele.

“Era uma sexta-feira e eu já estava pronta para sair com minhas colegas de calsse logo após a aula – tinha matado a última do dia para me arrumar. Iriamos a uma balada de nível esta noite, de acordo com o que Mariah falou, e estava com uma animação anormal, acima do que era habitual até para mim. Queria me esbaldar esta noite.

Logo que chegamos, fomos para o inicio da fila e sem muito esforço e com um pequeno abuso de charme, conseguimos furar e entrar imediatamente. Cinco mulheres bonitas eram um prato cheio para os seguranças e sabíamos que os donos desse tipo de balada queria a casa cheia de belas mulheres.

Por volta da uma da manhã eu o avistei sentado em um divã e ele olhou para mim, estava vestido como se não se importasse realmente com o que usava – ao contrário daqueles metrossexuais que minhas amigas adoravam – e o estilo surrado me dava calor em olhar, ou talvez o calor fosse pelo fato de aceitar diversas bebidas de qualquer cara que quisesse me pagar uma.

Passado o ponto em que eu não sabia a hora mais e já estava em estado semiconsciente de minhas ações, me vi ao seu lado e ele sempre foi bem objetivo, perguntou se eu queria um drink ou se eu queria dar uma voltinha. Já o tinha visto outras vezes, ele costumava frequentar a redondeza do campus e seus bares, nunca o tinha achado interessante, no entanto, mas algo nele estava me atraindo.

Mesmo que desejasse o drink, escolhi ‘dar uma volta’ e ele pegou minha mão e me girou em torno de mim mesma, quando o olhei em seus olhos verdes novamente eu estava confusa e até divertida pela forma que fui enganada por ele. Após rir de mim e elogiar-me, Rod se apresentou, enfim, e começou a conversar comigo.

Em menos de dez minutos ele já tinha me convencido de duas coisas: uma era que ele era o cara do tipo macho; a segunda foi acompanha-lo até sua casa. Naquela época eu não me importava com sexo casual e não sabia da existência desse papo de números de parceiros, muito menos que poderia me tornar uma eterna solitária por isso.

Não tinha o costume de transar com alguém que tinha conhecido na noite, mas estava necessitada desde que tinha terminado meu último romance, dois meses antes do ocorrido. No apartamento dele me apresentou seu cão, Buddy, era um grande dálmata e seus olhos eram claros. Não notei muito sua presença, já que me concentrava nos lábios de Rod em minha pele, porém quando fui arrastada para o quarto, Buddy seguiu seu dono e durante todo o ato, mesmo bêbada, sentia os olhos daquele cão em mim e no homem entre minhas pernas.

Quando acordei na manhã seguinte Rod foi comprar café e me indicou o local onde o remédio para ressaca estava guardado. Ele não parecia um cara carinhoso, somente extremamente direto e sério. Buddy estava deitado no tapete ao lado da cama e permaneceu me olhando o tempo todo, mas sem nenhuma menção de me atacar. Sua expressão era quase... humana e isso me arrepiava.

Fiquei com Rod mais algumas vezes – todas as vezes que nos encontrávamos, na verdade. E era a mesma coisa, Buddy lá, Rod mandando ver e eu desconfortável – mas era inegável que era ótimo. Até expressei meu desconforto a Rod, pois toda vez que eu gemia, Buddy ronronava, e toda vez que tinha um orgasmo, ele latia. Rod falou que era besteira minha e que ele não mandaria o cachorro sair, uma vez que eu que estava invadindo o espaço dele – sim, Buddy dormia na cama.

Um mês se passou e eu e Rod estávamos cada vez mais frequentes – por volta de três a quatro vezes por semana nós dormíamos juntos e sempre em sua casa, visto que eu morava em um dormitório universitário. Eu fielmente acreditava que estávamos prestes a avançar para algo mais, mas toda vez que transávamos Rod se levantava simplesmente e saia do quarto, me deixando só na cama. Bem, somente com a companhia do voyeur canino.

A partir daí passei chorar com a insensibilidade que Rod expressava algumas vezes que fazíamos sexo e foi em uma dessas vezes que Buddy se aproximou de mim, que soluçava em silencio, e lambeu minha mão, como se entendesse meu lado e dissesse que ficaria tudo bem. Fiquei abraçada a ele por um grande tempo, mas assim que ouvi Rod retornar, Buddy se afastava e eu ficava com o coração apertado.

Passei a ligar para Rod marcando de sairmos – o que era incomum, pois era ele que me ligava ou nos encontrávamos e ficávamos juntos –, secretamente eu queria ter meus momentos com o Buddy enquanto Rod não estava lá e quando estava eu queria ter o que Rod melhor fazia. O sexo era bom, muito bom.

Enfim percebi minha ansiedade de abraçar o dálmata e contar sobre tudo o que sentia e o interlocutor parecer meu terapeuta animal.

Uma noite, no ápice da paixão, Rod me deu uma estocada bem forte, e mesmo gostando, eu soltei um baixo gemido de dor, pois o tamanho que seu pênis junto com a força que se arremeteu, me causou um leve desconforto. Inesperadamente Buddy rosnou para o dono e ameaçou o morder em minha defesa. Naquele momento via-se claramente o sentimento de traição que Rod sentia ao olhar para o amado cão.

Meu caso com Rod durou somente mais duas semanas, ele me falou que estava se interessando por uma menina e que não podia continuar comigo. Típico fora, mas a tristeza não foi só por perder Rod, ele conseguia ser grosso a maioria do tempo, e sim o pequeno Buddy. Sempre tive a impressão que Rod ‘terminou’ comigo por ciúmes de seu cachorro e eu. Havia um tipo de obsessão com o modo em que ele tratava Buddy.”

Ele saiu da cidade pouco tempo depois – e não tinha noticias dele até então –, levando meus dois melhores amigos, o dálmata de olhos claros e o seu...

– Elena!? – virei na direção da voz divertida e irritada de Damon.

– Sim? – atendo rápido e alvoroçada, já que fui interrompida subitamente.

– Quer alguma coisa para comer na viagem? – questiona enquanto segura a porta aberta, noto ao olha-lo devidamente.

– Hum... Quero um Doritos e talvez uma Coca-Cola para acompanhar. – sugiro sorrindo para ele.

– Certo. Espere só um instante e pare de viajar na maionese. – diz brincando e fecha a porta. Meneio a cabeça com sua atitude. Damon, de certa forma, era carinhoso comigo de maneira que não era com as outras mulheres que vi com ele, por certo esse comportamento deve-se ao fato de eu só poder ser amiga dele.

Quando retorna ao carro, me entrega o meu pedido e joga um saco branco no banco de trás, em um silêncio, deduzindo por sua expressão as coisas estavam saindo como o planejado, feliz. Dou de ombros abrindo o saco de salgadinho e ele arranca com o carro.

Abro a lata de refrigerante, tomo um gole e coloco no porta-copos do carro e me recosto contra a porta para poder ter uma visão de sua face compenetrada enquanto dirige.

– Está servido? – pergunto oferecendo o saco de Doritos. Vejo seu sorriso de lado abrir revelando a fileira de dentes branquinhos. Não sei o porquê, mas tenho uma leve impressão que Damon pensa em sacanagem o tempo todo.

– Só se me der na boquinha! – vira a cabeça para me olhar com o azul implorante de seus olhos. Mordo meu lábio inferior com sua feição tão inocente e provocativa ao mesmo tempo.

– Você tem o mesmo olhar do Gato de Botas. – digo rolando os olhos e me inclino para dar em sua boca o salgadinho.

– Porque temos muito em comum. – diz e pausa enquanto mastiga. – Por exemplo, somos ambos da mesma espécie. – completa após engolir e me lança uma piscadinha de olho que me faz rir.

– Vai nessa. – respondo. Tomo outro gole da coca à medida que penso no próximo assunto, viajar em silêncio é um saco. – Hum? Falta quanto para chegarmos? – “Sério, Elena? Você é muito criativa!” Me repreendo.

– Pouco mais de três horas na velocidade em que estamos, mas se você quiser consigo fazer o trajeto em menos de uma. – se vira para mim excitado pela possibilidade de usar toda potência do motor V8.

– Estou bem com todos os meus membros fixados em meu corpo, obrigada. – ironizo em forma de censura. Damon era doido demais para eu permitir que ele ultrapasse os cem quilômetros por hora.

– O que é a vida sem uma aventura? – Damon fala de forma animada.

– Pode ser tediosa, mas é uma vida e prefiro não ariscar com ela. – Articulo enquanto, distraída, mecho no som para tentar sintonizar em alguma rádio.

– Você precisa aprender a arriscar! – Damon exclama e afasta minhas mãos para terminar o que comecei.

– E imagino que você seja a pessoa certa para me ensinar isso? – indago impulsivamente e o vejo pausar na tarefa por um instante antes que aperte o botão em que sua mão pairava, o jazz melódico invade o carro suavemente. Recrimino-me em silencio com os olhos presos em sua figura que se afasta do painel e inclina-se contra o banco de couro bege do carro. Assim que nossos olhos se prendem ao outro, meus ouvidos só escutam sua voz grave e aveludada, porém baixa.

– Seria um prazer lhe apresentar aos mais diversos riscos, Elena. – não tenho voz para responder, mas, sim, força o suficiente para me libertar de seu olhar e prender o meu para além do para-brisa. O clima no carro fecha e só tenho fôlego para quebra-lo.

– Como o risco de você bater o carro? – brinco a fim de dissipar toda essa tensão que paira em algum lugar entre as terminações nervosas de minha pele e ele.

– Não era o que eu estava em mente, mas também serve. – por fim olho para ele e lá está. O sorriso, aquele sorriso safado que está no lugar certo, na pessoa perfeita e na ocasião apropriada, faz minha nuca arrepiar e a chama da excitação acender em mim. Em nenhum momento parece que ele se afeta. Na realidade sinto que ele está em um pedestal, um deus grego que fica a muito do chão, inalcançável e glorioso, somente brincando com as sensações dos mortais.

Oh! Porque Deus fez os homens um enigma para mim? Depois chamam das mulheres de complicadas. Talvez eu seja complicada demais e a cognição se interrompa no intervalo entre a saída de meu cérebro e minhas ações. Talvez por isso eu esteja na situação atual. Talvez por isso tenha tido tantos homens. Talvez por isso meu relacionamento com eles terminasse. Talvez por isso estou indo para a Filadélfia tentar reatar com algum ex-namorado. Talvez eu só gostasse que homens que não prestam. Talvez por isso eu me sinta atraída por Damon. Talvez isso seja gasto de tempo. Talvez eu não devesse perder a esperança. Talvez eu tenha que tentar para saber.

– Talvez você devesse dormir... – a sugestão de Damon me assusta e isso é perceptível em minha feição de acordo com sua gargalhada. Assinto lentamente enquanto me viro no banco a fim de ficar mais confortável. – Acho que seria bom descansar a mente. – olho para ele que fala e fecho os olhos para dormir, concordando silenciosamente com o que diz.

Talvez eu devesse que parar com minhas teorias, afinal...

Notas finais
E então? Curtiram? No próximo já será o encontro entre Elena e o ex-boyfriend dela. Não se esqueçam de comentar! Alguém está afim de recomendar e tal? Amei bastante as que recebi até agora e aproveito para agradecer a BrunaSomerhalder pela recomendação. Is this! Kisses n' bites! >