A Matemática do Prazer

20 - Predição Demonstrativa


Notas iniciais
Hey, amores! Peço perdão, mas estava com problemas em casa há um tempo e meio mal, aí acumula com volta às aulas e não se tem tempo ou inspiração para nada. Os comentários diminuíram, mas não vou cobrar nada de vocês já que estou em dívida! :) Agradeço a nova recomendação da Madison Sommers, muito linda e me emocionei muito! Obrigada!

Termino e colocar meu vestido leve e fresquinho, numa cor azul-jeans, curtíssimo; coloco minha bota de cano curto marrom e alguns acessórios dourados. Lavo meu rosto, novamente, estava terminantemente grogue, mas me mantinha em pé, animada, pois não queria sequer imaginar ficar pensando sobre o dilema de vida que me encontrava nas ultimas duas semanas. Seria ótimo me distrair, especialmente, hoje que estava com os nervos atacados.

Acho que estou para ficar menstruada. “Sensível demais” não são palavras que combinam com Elena Gilbert, não como ultimamente; e TPM nunca foi algo que me afetasse. Excesso de homem na vida afetou meus hormônios!, ralho mentalmente e franzo o cenho para o espelho com desgosto.

Passo pouca maquiagem, mas o suficiente para me dar um ar saudável e desperto. Alguma base e pó compacto, necessários para minhas olheiras, combinados com um rímel preto e blush coral deram conta de minha cara de cadáver.

Quando Damon falou em colocar o celular para despertar antes do almoço eu pensei que isso seria em torno das dez da manhã, nunca que imaginaria que a hora escolhida por ele para levantarmos seria antes do café da manhã, também.

Saio do banheiro e aguardo Damon tomar seu banho e vestir-se enquanto assisto alguns desenhos matinais. Assim que ele volta, eu me levanto para irmos enquanto conversamos banalidades até o estacionamento privado em que ele colocou o carro e rachamos o valor do pernoite no local. No caminho até lá decidimos tomar café-da-manhã no Starbucks antes de irmos ao “lugar misterioso”.

– Por que está me levando lá? – Questiono quando me apressa a terminar meu chocolate quente alegando querer chegar antes que o horário de visitas inicie. Só eram nove e vinte e quatro da manhã!

– Porque acho que irá gostar e estava curiosa demais sobre a origem de minha mancha de tinta ontem. – Dá de ombros com um sorriso ao ver minha xícara vazia finalmente.

– Sim, mas queria saber o porquê deste tão lugar ser tão importante a ponto de te fazer se deslocar de Nova York à Pensilvânia. – sou mais especifica ao questiona-lo desta vez. Levanto-me com ele e seguimos até o balcão.

– No caminho eu posso te explicar? Ou sua curiosidade é tamanha que nem por cinco minutos consegue conte-la? – ergue uma sobrancelha para mim de modo leve, mas sinto que o assunto é pesado e me inquieto ao imaginar que estou forçando a barra e bisbilhotando algo pessoal. – Deixe que eu pague. – intercepta minha mão que segurava um cartão de crédito rumo a da atendente que estava estendida. Não insisto nisso e decido responde-lo.

– Tudo bem, eu sei esperar. – assinto com um sorriso educado quando ele volta para mim, me guiando pelos ombros até a saída. No carro, diria que não era necessário me contar suas razões, já que me fazia à gentileza de permitir que eu vá junto ao tal lugar.

Caminhamos até o estacionamento da lanchonete e entramos no carro. Concentro-me, em silêncio, a afivelar corretamente o cinto. Estou mais acostumada com a ideia de que Damon tivesse um carro daquele agora que sei de sua procedência bem remunerada, já me sinto à vontade no veiculo e segura para tocar em algo sem que o destrua.

– Você ainda quer saber por que estou indo lá? – a voz dele é baixa e uniforme.

– Sim, mas não precisa me contar. – sou gentil. Não quero pressiona-lo a nada. – Todos temos segredos.

– E quais são os seus, Srta. Gilbert? – Pergunta com um tom brincalhão com os olhos azuis dançando entre mim e a ignição quando dá partida.

– São tenebrosos demais para a sua compreensão! – faço chacota para aliviar a tensão acumulada nos ombros largos que agora observo enquanto ele cai na risada olhando, atento, para a preferencial vazia para fazer o retorno.

– Bom, que tal eu falar do meu passado e você do seu? – ele vira o rosto para mim com um sorriso de lado e eu assinto com um sorriso largo espontaneamente. Não faria mal, era uma forma de nos conhecermos também.

– Certo. Quando você quiser... – incentivo para que prossiga.

– Há dez anos eu não era filho único. Esse é o motivo de eu vir até aqui. – Damon despeja de forma veloz, mas sem volume, tenho que me esforçar para compreender o que fala. Seu tom grave e aveludado confessa sem nenhum humor, por isso quando se cala por um instante de troca de olhares estou surpresa com a informação nova, não qual não duvidava da veracidade pela seriedade que falou.

– Vai me levar para ver seu irmão? – digo, confusa.

– Não, minha irmã faleceu. – explica e vejo saudades nos olhos celestes.

– Temos que ir a uma floricultura, Damon, se formos visita-la na sepultura. – sou afetuosa e compreensiva ao falar, para respeitar sua dor. Ponho a mão em sua coxa coberta pelo jeans e aperto de leve.

– Não, Lena. Ela foi enterrada em Nova York. – diz após um suspiro e tira uma das mãos do volante e envolve, com seus longos dedos, a minha. Entrelaça nossos dedos por alguns momentos enquanto parece pensar olhando para o horizonte, além do para-brisa. Não ouso tirar minha mão ou meus olhos dele.

Não entendo, se aonde vamos não tem a ver com sua irmã falecida, porque tocou no assunto?, penso olhando seu perfil anguloso atentamente, iluminado pelos raios de sol da manhã que infiltravam o carro em movimento.

– Então... – ia questiona-lo sobre isso, minhas sobrancelhas então erguidas com a incerteza, mas desisto, deixando minha voz morrer simplesmente. Quando chegarmos, eu descobrirei.

– O lugar aonde vamos, envolve uma promessa a April. – Damon explica minha dúvida interrompida e assinto. Com os olhos presos nele, como estava, conseguia ver pelas brechas o homem que tinha sofrido mais do que eu imaginara, mas conseguia ser feliz a sua forma.

Ele solta minha mão para dar seta e a recolho imediatamente, cortando o contato visual, a passando disfarçadamente em meu vestido para tirar a umidade que acumulara na palma à medida que foco meu olhar para baixo. Mas que diabos! Por que minha mão estava suando?

– Chegamos! – Ele anuncia e por fim meus olhos param de observar minhas pernas para ver além do vidro a minha frente. A enorme edificação em tons de branco e rosa chá tinha uma placa de boa dimensão, ao fim da rampa de acesso, com a função apresentar o Hospital Infantil da Filadélfia; abaixo do nome havia uma frase bíblica em seguida de uma referência a um prêmio como o melhor hospital em combate ao câncer infantil dos Estados Unidos.

Sinto um frio em meu peito quando ligo uma situação à outra. Oh céus! April havia morrido de câncer! Meus olhos esgueiram-se para Damon que não parece querer me encarar enquanto ativa o alarme do carro.

– Damon... – sussurro quando chego ao seu lado e ele assente silenciosamente respondendo a pergunta em meus olhos. Ele tomou a iniciativa de pegar minha mão e eu não neguei. Não me imagino perdendo Katherine para uma fatalidade dessas, seria insuportável! Suponho como deve ter sido para Damon.

– Vamos entrar, sim? – Ele sorri com tranquilidade e começamos a seguir pela rampa até a entrada e adentramos a recepção movimentada. – Espere um pouco aqui. – Ele se vira para mim e me encara nos olhos antes de se afastar até o fundo do extenso local para falar com um rapaz sentado separadamente em uma mesa de madeira.

Olho ao redor para pais e mães com semblantes preocupados e angustiados ao lado de crianças de diversas idades. Era silencioso, exceto pelo som do painel ao apitar uma nova senha e dos murmúrios das atendentes ao conversarem com os responsáveis nos guichés.

Aquelas pessoas me despertavam um sentimento que não conseguia dizer, mas gritava para que, de alguma forma, eu encontrasse um jeito de ajuda-los em suas lutas pessoais. Era o enorme ímpeto da filantropia; a vontade de fazer o impossível para conseguir salvar, aliviar, proteger eles de algo que nós não tínhamos controle.

O sentimento fez bem, porém também fez mal por não ser capaz de fornecer aquilo que, desesperadamente, buscavam, precisavam, não para eles, mas para seus filhos.

– Você está bem? – Damon sussurra ao meu lado, mas não me viro para olha-lo, encaro as crianças que brincavam juntas do outro lado, algumas tinham lenços na cabeça.

– Queria cura-los. – respondo a ele e ele envolve meus ombros com seu enorme braço.

– Eu também. – sua voz é rouca e nostálgica e o som me faz virar para observá-lo imediatamente. Seus olhos azuis caem sobre mim depois de um suspiro. – Mas podemos ajuda-los. – Ele é doce com essas palavras.

– É o que vamos fazer aqui? – questiono.

– Vamos esperar o diretor do hospital poder nos receber e depois visitar uma ala. – Damon foi simples ao responder e começa a me puxar em direção às portas de vidro duplas que dão para um corredor elegante, ao contrário das portas idênticas do lado oposto que mostram jalecos esvoaçantes transitando velozmente de um lado a outro para atender os pacientes que já estavam sendo tratados e os que chegavam.

Assim que nos sentamos em algo que considerava se enquadrar nos padrões de sua sala de espera, após transitar brevemente pelos corredores brancos, me permito perguntar:

– Foi de qual tipo? – o volume reduzido não é empecilho para ele ouvir na sala quase vazia – além de nós e de uma secretária de aparentemente uns trinta anos, havia outros três homens mais velhos e vestidos socialmente –, mesmo não explicando de qual assunto me referia, sabia que ele entendeu.

– Leucemia aos doze anos. – respondeu em um zumbir baixo.

– E como você ajuda os outros? – Já tinha ouvido falar que leucemia era um dos piores tipos de câncer, pois consumia muito do portador que ficava tanto debilitado, quanto sem forças quando havia as crises à medida que a doença avançava.

– Bom, mesmo com todo meu desentendimento com a minha família, minha mãe ficou especialmente ligada a mim depois que April se foi e acha que se me der dinheiro mensalmente, compensa alguma coisa. – Sua voz é desgostosa com a ideia, mas seu semblante não parecia perturbado com isso. – Não posso culpa-la por acreditar que isso significa algo, ela teve muitos problemas de saúde quando minha irmã faleceu, meu pai também, mas mesmo assim eles acreditam em legado e toda aquela história de profissão hereditária e não há quem tire da cabeça deles de que eu não abandonei advocacia por estar chocado com a morte dela. – Dá um suspiro.

– Lamento muito, Damon. – sussurro. Era por toda aquela situação que disse aquilo, quando a família unida era o precisavam para superar a perda, seus pais não abriram mãos de noções arcaicas sobre a vida do próprio filho. Isso me lembrava de minha mãe.

– Está tudo bem. A “mesada” dela é o meio que uso para cumprir a promessa a April de ajudar sempre que pudesse pessoas como ela, que não escolheram ou merecem uma sina tão cruel. – Dá um sorriso triste, nostálgico, como se lembrasse de quando fez a promessa, e tinha certeza de que era isso que estava em sua mente.

Em pensamento, eu tentava imaginar um Damon mais jovem e angustiado, por baixo de toda espontaneidade, prometendo a uma jovenzinha parecida com ele de que faria o melhor de si para evitar fins como o dela. Era uma cena digna de cinema, como daqueles filmes de sempre me fazem chorar. Passo o dedo discretamente sob os olhos margeados.

– Acho muito legal o que faz Damon. – Ele me olha de soslaio com um leve repuxar de lábios para que o sorriso não se ausentasse nem com os olhos de diamante envoltos de água, como os meus a pouco estavam. – Agora vê que há mais em você do que acredita? – Falo com falsa severidade, conseguindo sugar um sorriso de verdade dele.

– Não vou mais discutir isso. Não quebrarei a sua imagem fictícia sobre mim, Iludida Gilbert! – brinca me dando um empurrão suave com o ombro.

– Ora essa, Damon Salvatore! Você ajuda crianças com câncer! Faça-me o favor, ok? – o reprendo mesmo que ele diga que não quer discutir.

– Isso não anula todas as coisas ruins, Elena, nem justifica. – prendo a respiração com isso que não dá brechas a argumentos, não sabia o que falar. Sua expressão resignada e descontente me quebra. Quem era esse homem que via a minha frente? Será que nunca o desvendarei?

– Lhe engrandece, te faz humano. – aponto com um sorriso otimista e com a voz gentil, passo minha mão por seu braço para demonstrar apoio. Ele não responde e olha para outro lado da sala em direção a porta, mas posso jurar que vi um sorriso reprimido pela visão que tinha de seu perfil.

– Damon Salvatore? – A recepcionista chama, olhando para um bloco de notas em sua mão.

– Eu. – Damon responde em bom tom e se ergue da cadeira me dando um momento para descruzar as pernas com cuidado para que o senhor que olhava do lado oposto não tivesse uma visão privilegiada de minha calcinha. Damon me estende a mão, me içando do assento e começa a caminhar até a moça, me guiando enquanto eu repuxava o vestido um pouco para baixo para garantir não mostrar muito, não me vestiria assim se soubesse que iria a um hospital.

– Bom vê-lo aqui mais uma vez, senhor. – Ela sorri para ele e depois para mim. Parecia-me extremamente gentil. – O diretor Phillips já lhe aguarda.

– Obrigado, Bárbara. – Agradece cordialmente e lhe dou um sorriso de despedida seguindo Damon assim que começa a andar.

– Damon, bom vê-lo novamente. – O homem por trás da mesa farta de papeis cumprimenta-nos assim que entramos. – Sentem-se. – Fala após um aperto de mãos e me acomodo na cadeira de veludo, muito confortável, ao lado de Damon. – E você, senhorita? – Ele sorri para mim assim que se senta em sua própria cadeira.

– Sou Elena, sou amiga de Damon. – me apresento.

– Oh, sim. Espero que os dois tenham gostado dos avanços em sua visita às instalações ontem. – Fala com contentamento e um sorriso educado o tempo todo estampado em seus lábios. Olho confusa para Damon que sorri para mim ao ver-me encara-lo.

– Fiquei muito satisfeito sim, Sr. Phillips. Elena teve um compromisso ontem e não teve a oportunidade de ver o local, mas hoje a mostrarei alguns setores, se permitir. – Expõe com condescendência.

– É claro que podem. – Ele sorri para nós. – Ficará encantada com as crianças, senhorita Elena.

– Tenho certeza disso. – Respondo feliz por poder ter um tour pelo lugar.

Ambos conversaram um pouco e eu até sugeri algumas coisas durante o diálogo como soluções para alguns problemas que surgiam enquanto debatiam amistosos sobre futuros projetos e então Damon fez a doação trimestral para o hospital com o dinheiro que sua mãe depositava em sua conta e pelos meus cálculos silenciosos com a surpresa da quantia que somava vinte mil dólares ao mês.

Bom, era abrir mão de bastante dinheiro, mas talvez não, depende do propósito que te leva a isto e da perspectiva. Damon era nobre o bastante para manter a promessa à irmã mesmo depois de ser afastado da família. Sorrio com um sentimento que o faz largo borbulhando sobre a superfície ao observá-lo conversar com o diretor ao se despedir e se virar para mim sorrindo puro, sem nada que infectasse aquele gesto, sem tristeza, cinismo, malicia ou ironia; eu sentia Damon mais livre assim, enquanto o observava com carinho.

– Até a próxima vez, senhorita Elena. – me cumprimenta em um adeus educado que retribuo da maneira que posso naquele instante.

– Claro! Até outra oportunidade, senhor diretor. – digo de forma gentil e aperto a mão que me estende. Ele repete o gesto com Damon e saímos da sala.

Acenamos para Bárbara quando passamos por ela que avisou que um enfermeiro estava nos aguardando na ala leste para nos mostrar o que quiséssemos, agradecemos e deixei Damon me guiar, já que não fazia menor ideia de onde se localizava.

Caminhamos lentamente, olhando as salas pelo caminho que, convenientemente, tinham uma parede de vidro alinhada ao corredor, permitindo quem passasse ver o interior. Passamos por algumas brinquedotecas, salas de fisioterapia e quimioterapia – a última foi capaz de me arrancar um arrepio de minha espinha – até que chegamos na tal ala e um jovem de aproximou de nós.

– Olá, sou Riley; enfermeiro estagiário e fui mandado para acompanhar vocês pelas dependências do hospital. – Se apresentou com um sorriso que logo retribuí e deixei Damon nos apresentar.

– O que gostariam de ver? – Ele pergunta após o breve diálogo inicial.

– Bom, eu não sei. – respondo hesitante e me viro para Damon que me encara com um sorriso. – Você já veio aqui tantas vezes... O que sugere? – Peço com doçura para convencê-lo ao ver sua feição sapeca para meu lado.

– Que tal começarmos pelos nerds? – Damon diz a Riley que arqueia uma sobrancelha sorrindo.

– Certamente. – Fala feliz. Acho que não deve ir muito lá, mas gosta bastante por sua aparência animada, deve ser por ser estagiário.

Fomos até um laboratório enorme, que a primeira vista achei que realizavam os exames colhidos no hospital, mas mais tarde descobrir se tratar de um centro de pesquisas experimentais.

O chefe do laboratório foi muito atencioso conosco e já conhecia Damon há tampo, foi prestativo ao me explicar o básico que faziam ali e permitiu que Riley explicasse o projeto principal que estavam desenvolvendo ali, com a ajuda dos contribuintes como Damon e com auxilio do governo, que estava próximo de ser replicado em larga escala.

Damon sorria orgulhoso quando eu, surpresa, descobri o porquê do hospital ter ganhado o prêmio que era descrito na placa de entrada e eu finalmente acreditava que seriam cotados para o prêmio Nobel quando o tratamento fosse distribuído.

Em 2012 o tratamento em fases de testes iniciais foi submetido a prova final: um voluntário humano. Emily de sete anos não reagia a nenhum tipo de tratamento convencional para a Leucemia, os pais, desesperados, optaram pelo tratamento desenvolvido pelo hospital que consiste da extração de milhares de leucócitos do paciente e inserem novos genes que modificam os glóbulos brancos para que reconheça as células cancerígenas no sangue e sejam capazes de defender o organismo da doença, atacando o tumor.

Foi um sucesso na pequenina! Porém quando outros onze pacientes passaram pelo mesmo procedimento, nem todos de livraram da Leucemia e por ser um tratamento de risco, por usar uma versão enfraquecida do vírus do HIV tem que ter um longo estudo de dosagens e reações para cada doente.

Achei extremamente interessante e invariavelmente, uma grande vitória. Agora eles estavam tentando descobrir porque em alguns não funciona e aperfeiçoando o método. Fiquei muito feliz pelas possibilidades que esse estudo representa, só queria que o tivessem desenvolvido antes, talvez April estivesse aqui.

Me peguei observando Damon e perguntando-me se ele pensava o mesmo ou se já tivesse superado a perda da irmã. O olhando entusiasmado assim com os avanços eu não sabia dizer.

Tão rápido quanto fomos recebidos, nos despedimos alegres e seguimos para outra ala, a que os pacientes ficavam internados. No domingo eles recebiam visitas de uma fundação; os voluntários vinham ao hospital e brincavam com as crianças, faziam palhaçadas e tudo mais para aliviar as crianças. Era uma barra muito pesada para criancinhas enfrentarem sozinhos, mereciam diversão.

Participamos de algumas brincadeiras junto com os voluntários e foi muito engraçado ver Damon e Riley atuando no teatro improvisado para as crianças.

No meu colo estava o Joseph, tinha quatro anos e perdeu os pais quando bebê, seus avós cuidavam dele que tinha Neuroblastoma próximo a coluna vertebral e estava na quimioterapia, sua avó me contou que cogitavam o transplante de medula pois temiam que a paralisia das pernas se tornasse definitiva se tardassem.

Era um menino tão alegre, tão cheio de vida e doce. Deu-me um aperto no coração vê-lo tão jovem e já tão sofrido. Ficamos brincando por muito tempo, percebi que ele tinha uma leve dificuldade na fala e soube que há seis meses ele ainda não tinha conseguido falar, mas graças à fonoaudióloga do hospital ele já estava se desenvolvendo.

Quando Damon me chamou, me despedi do meu companheiro de brincadeiras e Damon falou que a próxima vez que viéssemos eles dois jogariam futebol. Estava com tanta pena das crianças ali, algumas tinham tanto sonhos, a maioria dos cânceres tinha cura no caso infantil mesmo com algumas sequelas. Consolei-me com a informação de Riley e fiquei radiante em saber que Damon pretendia voltar comigo e em três meses veria Joseph novamente.

Fomos até o jardim no hospital onde tinha uma lanchonete e comemos por lá, com a visita e as crianças tínhamos perdido o horário do almoço e já eram duas da tarde. Nem senti as horas passarem.

Nos despedimos de Riley e agradecemos a atenção, seguimos até o estacionamento e de lá para o hotel pegar nossas bagagens para seguirmos viajem para Nova York, no trajeto conversamos sobre as coisas legais que vimos no hospital.

Minhas coisas já estavam parcialmente organizadas então só coloquei o que faltava na mala e Damon em sua mochila, fizemos o check-out com a mesma recepcionista que agora estava dando em cima de Damon.

Damon pôs nossas coisas no bagageiro enquanto entrei no carro. Aproveitei que a chave estava na ignição para ligar o ar-condicionado e arregacei as mangas frouxas de meu vestido, estava realmente calor agora que estávamos fora do hospital, lá tinha um ar glacial que compensava bem o calor do exterior, mas quando sob o sol eu já tinha suado bicas em pouco tempo.

Com pouco tempo de estrada, me senti à vontade com a conversa descontraída que tínhamos para ter coragem de perguntar a ele algo que me vinha à mente desde cedo.

– Damon, será que você me deixa perguntar algo pessoal? – meu sorriso leve o deixou desconfiado, desviando da estrada para mim com um olhar confuso que, ao se tornar malicioso logo em seguida, não pude evitar corar sem ao menos saber por quê.

– Sem chances, Elena! Não vou te contar quantos centímetros tem o meu pênis. Meça você mesma! – Ele falou com naturalidade, mas a ponta de ironia e escárnio contagiou tudo e me largou sem falas e de olhos esbugalhados. Ora essa! Não será Damon o homem que me deixará envergonhada quanto a sexo!, acuso meu subconsciente pelas reações involuntárias, entretanto meu cérebro rebate me dizendo que não era a primeira vez que Damon conseguia isso de mim.

– Não é sobre isso! Idiota! – respondo batendo em sua perna. Tive medo de bater em seu braço que fazê-lo virar o volante e bater com o carro.

– Então o que é? – seu sorriso era corrompido, insinuante.

– Ah! Deixa pra lá! – cruzo os braços e olho para a paisagem que começava a vencer as edificações e mostras vestígios naturais.

– Fale. – pede quietamente. O olho e ele está contendo um sorriso com minha reação.

– Eu queria saber se você se sente mal por April não ter vivido o suficiente para tentar o tratamento do hospital. – sussurro. Acho que fui inconveniente, porque não queria que ele ficasse fechado e triste, mas a questão martelava em minha mente.

– Bom, sem dúvidas eu gostaria que April tivesse viva para isso, mas não me sinto mal por isso. Ela teve o seu tempo aqui na terra e acredito que tudo acontece por uma razão. – aliviada, percebo que ele não ficou mexido com o assunto, mas respondeu com sinceridade.

– Também acredito nisso. – falo distraída, repassando em minha mente os momentos que passei nesta cidade ao passar pela placa que sinalizava que estávamos saindo da Filadélfia, até que me ocorre algo. – Damon, pare no acostamento. – ordeno sem olhar para ele, que reduz e obedece em dúvida.

– Mas por quê? Elena... – ele para quando eu já estou fora do carro. Já do seu lado eu bato no vidro fumê que desce revelando seu semblante divertido e confuso.

– Passa a chave. – Estendo a mão. – Hoje você volta de carona. – sorrio faceira para ele com minha pose de mandona.

– Nem a pau, Lena. – diz provocador e pausadamente, seu sorriso de lado estava ali por minha brincadeira.

– Oh, vamos ver. – me inclino sobre o vidro e passo minha cabeça para o interior do carro pela abertura da janela.

– Oh delicia! – ouço o grito do carro que passou assobiando por minhas costas, buzinado alto e sem virar rolo os olhos para ele, mesmo que só Damon pudesse ver meu rosto no momento.

– Vamos logo, Damon. – falo em tom brigão. – Senão ficaremos a tarde inteira aqui comigo debruçada no vidro e pagando calcinha na estrada. – argumento, teimosa.

– Certo, certo. – bufa. – Só não saio cantando pneu e te deixando aqui porque eu gosto de você, mas tu é insuportável! – reclama enquanto tira o sinto de segurança. Me afasto sorrindo para ele abrir a porta e me jogo em Damon dando um abraço, comemorando. – Só não seja barbeira e não arranhe nada, não tenho dinheiro para concertar. – diz resmungão, mas envolve meu corpo com os braços.

– Obrigada! – exclamo batendo a porta o carro e o deixando rindo de mim na estrada. – Anda, entre logo! – falo antes de fechar o vidro do motorista e ele se senta ao meu lado.

– Já que é assim, vamos ouvir meu cd do Iron Maiden! – anuncia pegado a caixa de cds no porta-luvas. Sorrio com sua tentativa de me incomodar. Abaixo para abrir o zíper de minhas botas, já que não gosto de dirigir de sapato.

– Perfeito! – dou-lhe um sorriso amplo. Ele revira os olhos e põe do mesmo jeito. Chuto minhas botas para debaixo do banco do motorista assim que termino e posiciono meus pés nus sobre os pedais.

– Vai dirigir descalça? – Ele questiona de forma assombrada. Olho para ele como em diz ‘e daí?’ e o faço bufar e se render com uma expressão nada boa. Homens têm mais ciúmes de seus brinquedos do que de duas mulheres! – Só não nos mate com isso, ok? – esbraveja com seriedade.

– Vou pensar no caso. – digo para irrita-lo e viro a ignição.

Arranco com o carro sentindo a maciez do potente sobre meu comando e isso é ótimo. Damon começa reclamar que é entediante ir de carona. Bem-vindo com clube! Torço a boca.

– Está parecendo um velho, Damon! Agora vê como é chato passar a viagem inteira sem fazer nada. – sorrio vingativa para ele.

– Não sei por que deixei você usar meu carro, só fica me zoando! – dramatiza. Não respondo e continuo dirigindo com tranquilidade, sem querer fazer o carro de sanfona em algum poste como ele, na vinda, de tanto correr.

– Nesse ritmo chegaremos para a páscoa em Nova York. – aponta, incriminador.

– Ótimo! Agora fique quietinho e durma, Damon! – sequer desvio o olhar da estrada com o sol começando a descer à oeste. Com tantos resmungos ponderei se estava valendo a pena dirigir a Maserati, piso um pouco além no acelerador para fazer uma curva e o ronco do motor invade o interior do carro por breves segundos. É, vale a pena!

Meia hora se passa e agora ele pôs um cd do Ramones e curto o som quieta. Damon devora um pacote de jujubas e me dá na boca somente as verdes.

– Elena, você está me devendo a sua parte do acordo! – acusa do nada.

– Hã? – indago de forma perdida.

– Você tem que me contar sobre a sua vida! – lembra-me e me dá um tapa na cabeça de leve.

– Ah sim! – relembro nossa conversa no Starbucks hoje de manhã. – Pode perguntar... – sorrio de forma tranquila.

É mais fácil contar sua vida para alguém que quer ouvir, compreende e não julga o que fez ou passou. Assim se seguiu até o Brooklyn.

Estacionei na vaga do seu apartamento seriamente decidida a comprar um carro, mesmo que usado, para mim. É muito mais prático que pegar metrô ou táxi.

Enquanto punha de volta minhas botas, Damon pegou todas as malas e subimos rindo os quatorze lances de escada. Outra decisão que tomei foi de comprar logo outra porta para meu apartamento, era muito desgastante abrir cadeado e passar corrente toda vez que tinha que usar a porta.

Damon deixou minhas malas na sala e nos despedimos com um beijo no rosto e ele se foi. Senti falta das sensações que tive com ele na última vez que nos beijamos, naquele selinho mínimo ontem. Afastei isso de minha mente. Isso que abstinência masculina faz com uma mulher!, reclamo mentalmente.

Fui direto para o chuveiro e coloquei uma camisola após meu relaxante banho que fiz questão se usar a banheira. Que se foda a conta de água! Desfiz minhas malas.

Com tudo organizado, opto por macarrão instantâneo como jantar e enquanto a água fervia fui verificar a secretária eletrônica que estava com a luz vermelha de mensagens acesa.

Dezesete mensagens. Putz grila! Aperto para escutar a mais recente.

“Elena Gilbert! Já não sei quantas mensagens já deixei, mas pelo jeito você não está mesmo em casa. Fique sabendo que teremos uma conversa séria. Como você é demitida e não conta para sua mãe? Acho bom me ligar logo!”

Bosta! Não acredito nisso! Quem contou para Isobel? Só me veio a cabeça a imagem de Katherine. Droga! Teria que aguentar minha mãe agora falando que nem segurar um emprego eu conseguia.

Fiquei receosa de escutar outra mensagem, mas a que antecede a de mamãe, incrivelmente, não pertence a ela. Papai.

“Elena, é Alaric. Só estou ligando para avisar que estou indo para Nova York em duas semanas. Deu tudo certo com a Jenna. Assim que puder me liga que tenho uma surpresa para te contar! Beijos minha borboletinha!”

Sorrio com sua mensagem, mas estava cansada demais para ouvir as outras, retornar ou até apagar as restantes. Só terminei de fazer meu jantar pré-cozido e relaxei no sofá assistindo qualquer coisa.

Enquanto comia, decidi também que não desistiria de forma alguma de achar o cara certo para mim e que continuaria indo atrás dos meus ex-namorados um a um, mas seria mais seletiva.

Mais tarde, tomei a última decisão do dia. Damon era uma pessoa diferente do que esperavam, mas ainda fazia jus à fama. De qualquer forma, fiquei feliz de ser ele a ir comigo naquela viajem, talvez outra pessoa não me ajudaria tanto assim.

Notas finais
Amores, o que acharam? Esse foi um pouco um capítulo de transição e outro pouco de fortificação para a amizade dos dois. A história da Emily e o projeto contra câncer infantil na Filadélfia não reais. Se alguém se interessar, há essa reportagem aqui: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/12/americanos-anunciam-sucesso-de-tratamento-de-leucemia-em-crianca.html Estou esperando vocês nos comentários, favoritos e recomendações! Espero em breve voltar com mais um pouco desta história! :) Logo respondo as reviews do capítulo passado. Kisses n' bites, linduxos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.