A Matemática do Prazer

4 - Parábola do Desemprego


Notas iniciais
Hello fofas!!! Desculpem o atraso, esta semana foi terrivelmente lotada! Postando agora! Poucos reviews para a quantidade de leitores. Poxa, incentiva! Respondo em breve as reviews! - Boa leitura!

Acordei cedo, como de costume. Meu dia começava, para mim, de extremo mau humor devido ao motivo de despertar nessa madrugada de segunda-feira: Emprego.

Mesmo eu agostando um pouco do que faço, ainda era extremamente entediante, e não me fazia tão feliz quanto meus hobbies, mas o dinheiro era necessário e não era de todo ruim, exceto por meu chefe estranho...

Meu sonho era ser arquiteta ou design quando mais jovem, porém minha mãe fez pressão dizendo que publicidade era um meio em expansão e mais mil e um argumentos que eu não sei por que aceitei e segui o “conselho”. Não era infeliz, no entanto, com isso eu poderia usar minha imaginação para criar propagandas e slogans na empresa de Marketing que trabalho, não tanto quanto usava em meus desenhos ou textos.

Fui igual múmia para o banheiro, morta de cansaço com a noite de sono inquieto e de acordar com a disposição de meu vizinho para transar a noite inteira. Coitada, quem quer que seja ela não conseguiria andar nesta manhã, sem dúvidas.

Meu Deus!

Tomei banho frio e esfreguei meus olhos até arderem tentando tirar o sono deles, comecei a pular feito demente pelo apê tentando expulsar a letargia de meu corpo, fiz alguns polichinelos enquanto o café era processado na cafeteira e tomei com cuidado de não deixar respingar em minha roupa, pois hoje apresentaria uma proposta de Layout para uma empreendedora automotiva.

Peguei meu portfólio e meu netbook os colocando em minha mochila surradinha, enfiei meu celular no meu decote enquanto calcava os sapatos ao mesmo tempo em que corria pela casa procurando minha chave.

A encontrei ao lado do vaso de orquídeas em minha pequena sacada. Como ela foi parar lá, só o manicômio sabe, por que minha mente tá que tá ultimamente.

Saí de casa a passos rápidos em direção à estação de metrô, com medo de perder o horário do expresso das 7h30min para Manhattan, senão perderia a hora com o trem parador.

Andei as três quadras até a entrada para o subterrâneo como se estivesse querendo ganhar do Usain Bolt nas olimpíadas. Passei a roleta igual doida e empurrei uma menininha de uniforme que estava atrasando a fila sem olhar pra onde andava de tão concentrada no telefone.

Acabei indo em pé mais um muito gentil e tarado senhor segurou minhas “coisas” tão bem que até apalpou os meus peitos vez o outra. Quando deu meu ponto eu estava mais do que disposta a sair junto com a apinhada de gente que lotava o expresso.

Caminhei até a 9th avenida e me identifiquei como funcionária na portaria do edifício, passei pela costumeira revista e detectores de metal. Já no elevador olhei as horas em uma TV pequenininha e vi que por apenas quatro minutos eu não estava atrasada. Ufa!

As portas abriram e a ampla e silenciosa sala subdividida em pequenos micro-escritórios me fizeram comtemplar minha realidade. Aquele era o meu ridículo, humilde e muito suado emprego.

Fui caminhando até minha mesa tranquilamente e vi meus colegas de profissão amontoados próximos a meu cubículo olhando em direção à sala do coordenador gráfico, o chefe deste departamento.

Cloe se virou para mim e sorriu.

– E aí gente? Fim de semana bom? – os cumprimentei colocando a mochila em cima da mesa.

– Foi legal, Elena. – Anthony olhou para Cloe com malícia e a mesma corou.

– Uou! O que rolou? – perguntei com um sorriso.

– Caladas! – Dave exigiu ainda observando a sala de vidro. Olhei naquela direção mais atentamente e vi Kol gesticular com Rudolf (coordenador geral, ou seja, seu chefe), freneticamente. O outro retrucava e Kol se sentou a mesa, e levou os dedos ao nariz e assentiu.

O outro falou algo e ele se levantou e foi até as bolachas no canto da sala pegando uma e comendo, após isso levou as mãos ao nariz novamente – um movimento repetidamente comum e que todos já havíamos o pegado fazendo, o motivo ninguém sabia –, se virou para o senhor mais velho e falou algo, esse gesticulou em concordância e saiu da sala fazendo todos que observavam disfarçar sutilmente, fingindo fazer algo de útil e não ficar postando no Facebook a manhã inteira.

– Coçando ou cheirando? – Anthony perguntou se inclinando sobre mim.

– Vinte dólares que ele está coçando, cara! – Dave falou com ele que se virou em sua direção. Liguei o meu computador os observando.

– Vinte do contrário. – Thony o olhou com um sorriso.

– Meninos... – Cloe falou rolando os olhos.

– Elena, o que você acha? – Dave falou olhando meu monitor.

– Hã... – comecei a pensar, mas ouvi uma voz me chamando. Virei em direção ao som com um sorriso educadamente falso já sabendo quem era.

– Elena!

– Sim, Kol? – respondi com um sorriso. Ele me olhou de norte a sul e voltou ao meu rosto.

– Venha à minha sala. – ele falou e sumiu atrás do vidro da porta e eu me virei novamente para os meus colegas de cubículo.

– Woooww! – eles falaram rindo enquanto me levantava.

– Cuidado com as cantadas de broxa. – Dave sussurrou e eu ri.

– Pode crer. – falei passando certeza, porém tremi na base ao pensar em como dar mais dos meus foras no meu chefe, da última vez tive que falar que era lésbica. Dei três batidinhas na porta antes de abrir.

– Posso? – perguntei com o olhar baixo.

– Entre. – ele respondeu desviando o olhar do computador, provavelmente um site pornô ou algo do gênero, não seria a primeira vez que ele mexia naquilo e eu via de relance o conteúdo.

Sorri amarelo e caminhei suavemente até o acento de couro e me sentei de frente para ele.

– Bom dia, Elena! – ele falou me olhando novamente, porém com a malícia mais explícita na voz e no olhar. – Linda como sempre.

– Er... Obrigada. – não quis parecer indelicada, mas fiquei um pouco mais desconfortável, cruzei as pernas e o vi olhando atentamente. – Para que o senhor me chamou?

– Hum. Tenho que conversar com você... – ele falou se recostando no couro macio de sua cadeira executiva. – Mas, só por curiosidade... – ele franziu as duas sobrancelhas olhando para cima. – Você continua sendo lésbica ou...? – ele deu de ombros e me olhou.

– Ah! – exclamei entendendo o ponto da sua história. – Não me sinto confortável falando de minha vida pessoal... Se for para isso que me chamou... – descruzei as pernas e fiz menção de me levantar. – Ainda continuo. – menti. – Se for para isso que estou aqui... – Me afastei e virei para saída.

– Não! – Kol exclamou e eu parei e me virei. – Eu juro que é sobre trabalho, não é por ser lésbica que eu te chamei aqui... – ele reclinou o pescoço para o lado e olhou o monitor novamente. – Mesmo sendo um puto desperdício. – comentou sussurrando para si enquanto passava os dedos pelo nariz. Franzi o cenho. Que sem noção! Ele limpou a garganta e falou mais alto, agora com a intenção de eu ouvir. – Temos que ter uma conversa séria. – ele deu um sorriso bizarro apontando para a poltrona e eu me sentei novamente na cadeira com medo daquele homem estranho. Ele apoiou os dois braços em cima da mesa e descansou o queixo nelas, não sei se já estava paranoica, mas tinha quase certeza de que ele estava com a esquesitice do nariz novamente.

– Tudo bem!? – falei hesitante. – Então o que o senhor que conversar? – perguntei o encarando.

– Ok. – Ele se reclinou novamente e me olhou juntando a sobrancelha como se me avaliasse e meneou a cabeça como se lamentasse. Que medo desse cara, mano! Em dois anos de empresa eu nunca pensei que fosse tão doido, mesmo com as demonstrações claras e frequentes. – Estamos com alguns problemas de verba, Elena.

– Ah sim. – murmurei sem saber o que tinha haver com isso. – Fiquei sabendo que Charles perdeu um contrato, mas não que fosse tão alto... – comentei. Na verdade eu sabia o que tinha acontecido com Charles, ele só tinha perdido um contrato com uma pequena empresa, nenhum dos grandes contratos nacionais e internacionais da Publisher estava em risco.

– É isso! – ele pareceu ter adquirido uma desculpa, mordi o lábio, desconfiada, quase poderia pensar que ele estava... Não, não havia possibilidades. Relaxei a postura um pouco, obtendo tranquilidade.

– Bom, espero que esse desfalque seja coberto hoje quando eu apresentar meu projeto para a Ford. – falei dando corda ao assunto, mais do que certa de que ele me chamara ali para me pressionar a conseguir uma parceria.

– Bom, Elena, na verdade... – ele se debruçou por sobre a mesa e me olhou. – Estamos fazendo um corte... – arqueei uma sobrancelha para ele. Sério isso? – De funcionários. – Engoli em seco e soltei um sorriso amarelo.

– Outch! Lamento. – limpei a garganta. – E já fizeram o levantamento de funcionários? – Por favor! Que não seja eu! Clamei contrariando a lógica mais do que clara que se estava ali tendo aquela conversa, eu era uma “felizarda”.

– Sim... – ele olhou para meus seios como se si despedisse da visão que eles proporcionavam. Filho da puta! Meu rosto adquiriu uma carranca sutil. – Eu lamento Elena, você foi uma funcionaria excepcional, mas a partir de agora teremos que dizer adeus à bons profissionais. – Ele falou o tão ensaiado discurso. Se eu fosse tão excepcional e boa assim não estaria sendo DEMITIDA agora! Tive vontade de gritar com ele, mas mantive o bom senso.

– Oh! Compreendo. – Murmurei sem entender o que eu mesma queria dizer. Respirei fundo e esbocei o sorriso mais falso que dei na minha vida. – E quem mais foi cortado? – ele pareceu despreparado para a pergunta.

– Até agora...? – assenti. – Só você! – ele sorriu como se estivéssemos contando piadas um para o outro.

– Hum. Estranho... – falei somente, mas internamente estava com um impulso louco de rodar a baiana naquele escritório e só parar na camisa de força; não me arrependeria de nada. – Bom, acho que temos que cancelar com a Ford já que não teremos a apresentação da campanha... – tentei desviar o rumo de meus pensamentos e da conversa.

– Ah, quanto a isso, precisarei que você me entregue o seu portfólio... Completo. – Arregalei os olhos.

– Você está louco? – ele negou com a cabeça. – Toda a minha vida e meu trabalho estão naquilo. – a parte da vida era mentira, mas ele não precisava saber. – Você quer pegar o meu trabalho para si após me demitir? – fiz soar como realmente era: uma injustiça e uma loucura.

– Infelizmente. – ele não parecia lamentar... – No contrato de admissão que você assinou com a Publisher, toda campanha publicitaria, trabalho ou acréscimo gráfico desenvolvido durante o período de efetivação, pertencem a empresa... – ele recitou e eu lembrava-me vagamente de uma cláusula dessas, mas não achei que pudesse me afetar. – Não sei que drogas você tinha fumado, mas deveria ter exigido a remoção desse artigo do contrato imediatamente, mas agora... Não posso fazer nada. Além de lhe dar uma boa recomendação e uma chance para você mudar sua opção sexual. – ele sorriu para mim com otimismo. – O que acha? – Sorri radiante para ele.

– Acho que você deveria ir tomar bem alegremente no centro do olho do seu cu rolamente arrombado! – falei com a voz assustadoramente doce. – Prefiro dar pra uma girafa a você. – levantei já no cume de minha loucura. Rindo para ele, acho que estava em estado de choque, sei lá... – Cheirador de dedo! – eu gargalhava inacreditavelmente, com a impossibilidade da situação. Ele me olhou assustado.

– Como você sabe disso? – ri escandalosamente, percebi pela visão periférica que muitos pararam de trabalhar para observar minha dança bizarra do desemprego.

– RÁ! Como não saber? Todos já perceberam que você enfia o dedo na rosca pra lamber o creme, se é que me entende! – falei e pisquei. E me inclinei para ele e sussurrei. – Não de preocupe, seu segredo está guardado! – pisquei confidente.

– Já chega Srta. Gilbert. Você está se exaltando! – ele falou totalmente vermelho.

– Estou pouco me fodendo! – falei andando de costas até a porta e mostrei os dedos do meio para ele. – Aqui a minha opinião sobre você e essa empresa ladrona de merda.

– Vou chamar a segurança! – ameaçou.

– Chama que ninguém cala minha indignação! – gritei. Parecia estar possuída pelo jeito que me movia. – Eu vou processar! Vou processar você, o Charles, o presidente da companhia e a tiazinha da limpeza que sempre deixava papel no meu lixo na hora da faxina. – enumerei nos dedos. – Quer saber? Vá à merda! Eu nunca gostei de publicidade mesmo! Que o diabo lhe pague e foda muito gostoso seu cuzinho lambrecado de merda! E lhe faça aprender a não entrar em site pornô no horário do expediente! – falei tudo o que me veio na cabeça.

Ele me olhava boquiaberto. Respirei fundo e sorri. Abri a porta e olhei para ele antes de sair.

– Paz e amor, boiola! – fiz sinal hippie – Vá tomar no cu! – dei uma banana para ele e sai rindo atoa, mesmo estando totalmente fodida e sem onde cair morta agora, me sentia livre, e pelo tempo de trabalho dava pra eu tirar até seguro desemprego, estava tudo na paz! Tranquilizei-me.

Cantarolei alto enquanto recolhia minhas coisas e todos me olhavam nem que seja de soslaio após o meu show. Cloe me falou que o portfólio era entregue no RH quando eu assinasse minha demissão e fiquei relax. Ganharia rescisão, FGTS e tal; só me indignei com a falta de caráter que a empresa tinha em me demitir e ainda querer usar minhas propostas para firmar contrato com a Ford.

Saí da sala como uma heroína, todos me aplaudiram e me senti membro da Liga da Justiça à serviço dos pobres e indefesos trabalhadores em prol da honestidade, ética e cumprimento da lei. Ri comigo mesma com a minha caixinha de papelão da “Bom Bril” na mão e fui falar com Lucy do RH.

Todos no prédio pareceram saber do meu espetáculo, pois me lançaram sorrisos orgulhosos quando passava.

Lucy estava imprimindo um maço de papéis para eu assinar. Pelo menos os direitos civis eu teria. Tamborinava meus dedos ao mármore, à sua espera, quando vi que a menos de meio metro de onde estava tinha um picotador de papel elétrico. Oh beleza!

Lucy voltou e me estendeu a caneta, rubriquei e assinei onde estava indicado sem desviar a atenção da máquina.

– Elena, eu achei incrível o que você fez! – Ela murmurou para mim enquanto lhe estendia a pilha de papeis devidamente assinados.

– Obrigada. – sorri de leve.

– Sei que deve estar puta, mas é nessa hora que você me entrega o portfólio, lamento muito. – ela disse eu sorri.

– Eu também! – sorri mais abertamente. Erguendo o braço que segurava a pasta e avançando para além da bancada. – Por isso! – falei e abri minha mão deixando a gravidade agir sobre a pasta a pousando sobre o cortador que destroçou tudo antes que ela pudesse reagir. Nenhum papel dizia que teria que ser intacto.

– Mas. Mas... Mas! – ela abria e fechava a boca, sorri e coloquei meus óculos de sol, puro estilo! Pisquei para ela.

– Ops! – ri. – Tchau, Lucy! – virei-me e comecei a caminhar me achando a imperadora da trollagem. – Acho que tenho problemas de coordenação motora! Manda um oi pro Charles e um vibrador pro Kol. – alcancei as portas automáticas e todos ainda estavam paralisados. – Adeus OTÁÁÁRIOSS! – berrei e dei dedo para eles enquanto saia. – Sou soberana! 2bjs!

Saí em estado de flutuação esporádica, com uma demissão das costas, contas no correio e uma caixa de papelão à tira colo me sentindo a Gisele Bündchen do gueto enquanto desfilava pelas ruas rumo o metrô.

Notas finais
Ok! Me diverti com o capt! rsrs' O que acharam queridos??? Comentem para a tia Isa! ^^ Agora assunto "legal", meu niver é dia 08/03, sim, nasci no dia internacional da mulher! u.u #lixa! brinks! kkkkk' Me deem de presente um bocado de comments, fofas que eu as presenteio de volta! >< kkkk' Amocês gatas!