A Matemática do Prazer
17 - Princípio da tentativa e erro
Notas iniciais
“Uma estratégia de resolução de problemas onde se faz uma escolha para viabilizar o resultado. Assim, procede-se várias vezes até que se chegue a alguma conclusão próxima ao objetivo para a resolução do problema.”
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– Por favor, a senhorita poderia me atender? – questiono a recepcionista do hotel vagabundo que estava aguardando há vinte minutos desocupar para me atender. Damon me deixou no saguão com as malas e se foi em busca de um estacionamento particular que garantisse a devolução caso roubassem seu carro. Homens e suas máquinas! Desde então estava aqui esperando esta vaca se prontificar a atender-me.
Até sairia dando um ataque com ela, porém não arriscaria ser expulsa do hotel, já que não tinha dinheiro para me hospedar em outro – os demais hotéis desta cidade pareciam ser todos de quatro estrelas pra cima.
– Só um instante que já lhe atenderei. – reponde com uma voz entediada e os olhos fixos no monitor à sua frente.
– Sim, você já me falou isso, há 17 minutos. Gostaria de saber se o seu “um minuto” está de acordo com o fuso-horário de Saturno, porque desse planeta que não é! – exijo com a fala com tanto doce que daria diabetes. A loira descolorida ergue os olhos a mim e observo que usa lentes de contato azuis. Uma mulher totalmente montada, artificial. Mas como ela estava, aparentemente, por volta dos trinta a quarenta anos não podia recrimina-la por se preocupar com os sinais da idade.
– A senhorita poderia aguardar só mais um instante? Estou finalizando a ficha de cadastro dos clientes anteriores, já lhe chamo para iniciar a sua. Poderia se sentar naqueles bancos, por gentileza? – seu tom é constante, mas sinto sob a superfície todo ácido e ironia no modo em que se refere a mim.
– E você? Poderia se sentar no quinto dos infernos? Talvez terminasse as fixas mais rapidamente se não estivesse conversando no Skype com algum cara qualquer! – Contesto sem nenhuma paciência ou cordialidade para com a referida vagabunda. Seus olhos semicerram em minha direção e além da raiva vejo que ela estava prestes a pedir para o segurança de meia-tigela retirar-me do hotel.
– Acho que não é a melhor forma de fazer a dama lhe atender, não é Elena? – sem me virar sabia que Damon tinha chegado e só por sua voz já deduzia como a situação o divertia imensamente.
Engulo o orgulho e concordo com a cabeça. Deixo-o tomar as rédeas da “negociação” com a dama enquanto perfuro seu perfil robusto com o olhar acusador. Traidor.
– A senhorita poderia dispor de um tempo para me atender, senhorita...? – Damon sorri quando percebe que a baranga lhe presta total atenção e verifica o nome dela no pequeno crachá prateado. – Colman! – Completa, satisfeito.
– Claro, rapaz. O que deseja? – A mulher responde e mesmo que ela parecesse não dar em cima dele ou algo do tipo, somente a forma prestativa que tratou Damon, atendendo-lhe de maneira devida, me encheu de raiva e indignação. O que fiz para não ser tratada como tal? Esperei até minha paciência se esgotar e ela sequer se importou se estava ali ou não. Definitivamente ela não foi com a minha cara.
– Gostaria de um quarto com duas camas. – Damon responde com uma incrível tranquilidade.
– Duas camas? – ela para de digitar e olhar para ele confirmando o pedido.
– Por mim só uma bastava, mas Elena se recusa a dormir comigo! – fala de forma como se o fato fosse um absurdo impossível de ter realidade. Esbugalho os olhos para ele sentindo uma vontade enorme de lhe dar um murro.
– Que tola! – a senhora acrescenta baixinho me olhando de soslaio e voltando a fitar Damon que pareceu notar minha existência a pouco mais de quatro metros de distância do balcão de madeira puída.
Abro a boca para dar uma bela patada na mulher, porém o dedo erguido de Damon detém minha fala. Estava totalmente enganada quanto ela não estar dando em cima dele e além de me tratar como um ser insignificante, mas o deixei prosseguir com os acertos e só me envolvi novamente quando foi o momento de passar o cartão e tal. Acertamos duas diárias e cada um de nós pagou um dia. De acordo com a hora, a entrada foi iniciada a partir do meio-dia, se encerrando em 48 horas.
Pegamos nossas malas, no chão, próximas a mim, já que dificilmente esta espelunca teria um carregador de malas. Deixei-lhe a minha maior mala sem sequer pedir para ele carrega-la, eu estava ofendida pelo modo que me tratou, como uma criança leviana que ofendia qualquer um, mas que não devíamos dar ouvidos, pois não sabia o que falava.
Claro que sua atitude poderia ser para que evitasse sermos expulsos do hotel, mas alguma gentileza para comigo não era pecado. Subimos as escadas para o segundo pavimento – já que elevador neste lugar era lenda – e o segui até a porta do quarto. Assim que ele a abriu eu entrei e observei o quarto modesto, porém limpo e claro. Havia duas camas de solteiro, um sofá, duas poltronas simples, um banheiro e uma TV de umas vinte polegadas.
– Não entendo. – A voz de Damon é clara a minha esquerda e interrompo-me que estava içando minha mala para coloca-la sobre uma das poltronas mais próxima a minha cama – que eu escolhi em silencio e sem a opinião de Damon. Deduzi que não se importava de qualquer forma.
– Normal. – falo curtamente. Escuto sua risada irônica em seguida.
– Aí está! – me viro para ele e Damon está apontando em minha direção como se tivesse descoberto como resolver um problema matemático. – Você não nasceu para ser irônica ou rude, Elena, você simplesmente é doce e alegre o tempo todo, posso acrescentar que despreocupada também. – Se senta em sua cama recostado na montanha de travesseiros. – Sempre que se irrita ou se sente incomodada fica claro, em sua cara e em suas maneiras, seu sentimento. O que não entendo é a origem da irritação, desta vez.
– Despreocupada! – ridicularizo. – Tudo o que não sou. Nunca tinha notado suas noções tortas sobre minha pessoa! – bufo de frustração quando noto sua falta de reação. Queria brigar com ele para descontar minha raiva por sua atitude e até minha insegurança, diga-se de passagem, pelo o que irei fazer nesta cidade, mas tudo que consegui extrair de Damon foi um arquear de sobrancelhas inquisidor. – Okay! Desisto! – me jogo sobre o colchão.
– Ótimo! – Damon ri e isso alivia um pouco minha tensão, pois o som é descontraído. – Então, o que lhe aflige, oh cara Elena? – brinca enquanto me encara em sua imagem de cabeça para baixo por causa de minha posição.
– Seu modo de tratar-me, caro Damon. Não sou criança e também não ansiava por sua intervenção quando estava tão perto de blasfemar tal mulher atrevida. – falo de mesma forma que ele, porém minha brincadeira estava tão clara quanto à seriedade com que lhe respondia.
– Oh perdão senhorita. Em momento algum tive intenção se constrangê-la, se não notou, estava apenas evitando que fossemos enxotados do digníssimo hotel e tivéssemos que dormir no carro ou em um hotel bem mais caro. – e então eu consegui arrancar dele a reação que queria; ele estava bravo, seu tom estava bem mais condizente com a petulância a qualquer outro mais e eu não sei se estava feliz com isso.
– Não me senti mal por ser constrangida, como você diz, somente a forma com que se referiu a mim: como alguém que não fosse necessário empregar atenção ou ver com seriedade. – Explico me sentando na cama e me virando para ele com calma, porém minha voz não demonstrava bem isso e eu sabia, era mais algo como cinismo. – E não precisava se preocupar com hotéis mais caros, já me deu a carona até aqui, poderia pegar o caminho de volta facilmente, eu pagaria a gasolina, não se aflija com isso. Poderia o fazê-lo agora mesmo se desejar.
– Somente uni o útil ao agradável lhe trazendo até aqui já que tinha que vir a cidade de qualquer modo, somente antecipei o que deveria fazer para poder te trazer. – responde da mesma forma, agora de pé e olhando de cima para mim. Ajoelho-me na cama para tentar ficar na mesma altura, o que não deu muito certo.
Sem dúvidas eu me surpreendi com a informação de que tinha algo que fazer aqui, mas não gostava nem nunca gostei de me sentir acuada, exemplos de minhas reações a esse tipo de incentivo não faltavam, mas devido a meu total estresse, esta seria mais uma ocasião. E como não seria diferente esta vez, fiz algo impensado e impulsivo. As consequências eu não sabia medir agora, mas nenhuma das outras vezes ousei tanto no que fiz.
Lábios se chocaram. Úmidos, rígidos, surpresos de ambas as partes. Meus olhos estavam fechados tão apertado que não sabia se era pela raiva que extravasava nessa junção de pele ou devia-se por estar impressionada com minha própria iniciativa. Oh! Tão doces lábios! Macios, suaves e tão másculos. Era triste que só o toquei por meros segundos no que acho que seria o primeiro selinho que dei em minha vida, mas só pela surpresa embevecida que percebi que superava muitos beijos de língua totalmente ardentes que já dei, era um fato que me assustou à medida que me fascinou.
O susto me fez recuar, sua feição me fez suar e então o ímpeto que se seguiu me fez fugir. Meus olhos tremeram, mas os abri para encara-lo, minha boca estava aberta, escancarada, e minha mão se ergueu a ela em um sinal de choque automático. Encarei Damon e ele não parecia estar surpreso de eu beija-lo, somente havia algo em sua face que me fez estremecer, aquele toque havido em seus olhos contia promessas de quem não tinha experimentado tudo o que ele podia proporcionar só no roçar simples de lábios que trocamos.
Ah! Como temi neste instante. Tive medo do calor que se espalhou por mim que se seguiu após o tremor que me tomou, a sensação seguiu em um átimo e se aglomerou em minha face que ficou rubra de imediato.
– Céus Damon! Desculpe... – estava meio gaga e confusa em dobro no momento. – Eu-eu... Não sei o... Meu Deus! O que fiz? – me questionei com os olhos cravados nele. Não conseguia definir meu estado para ser coerente o suficiente.
Estava totalmente envergonhada com o que fiz, portanto – mesmo que só o que ele fez foi um agitar de mãos que sugeriam que queria me amparar, meio assustado com algo que viu em meu rosto – eu corri. Meu alvo foi a porta branca, levemente descascada e desbotada, que pertencia ao banheiro e lá adentrei, trancando-a em seguida.
Sento-me na privada de cabeça baixa. Porque sou tão estabanada desse jeito? Pergunto-me retoricamente, já que sei que não tenho a resposta que justifique meu impulso natural: estragar aquilo que não quero perder. Sim, eu gosto da amizade de Damon. Duas batidas na porta me fazem olhar para cima.
– Você está bem, Elena? – a voz de Damon é calma e tem um toque de preocupação, porém sinto que por dentro ele está soltando fogos de artificio com meu gesto que era um sinal de que até a mais “resistente” das mulheres, como ele mesmo me apelidara, não resistia a ele.
– Vá se foder, Damon! – respondo irritada tanto comigo mesma quanto com sua autocongratulação. – Vá se foder lá no inferno, demônio! – vocifero quando escuto a contida e baixa risada aveludada dele.
– Vou deixar você esfriar a cabeça um pouco. – sua voz fica mais baixar na medida em que ele se afasta.
Não sei quanto tempo se passa até a raiva ceder novamente, percebo que não se passa muitos momentos, no entanto. Ainda me repreendia internamente pela minha mania de não saber lidar com a alta tensão, que estava cada vez mais frequente em meus encontros com Damon. Me levando do sanitário e vou até o lavatório.
– O que há comigo? – grito para mim mesma quando me olho no espelho, estava vermelha ao extremo. Abri a torneira da pia com água fria e a borrifei em minhas bochechas e nuca. A gargalhada de Damon é mais pronunciada agora. – Pare de rir, seu filho da mãe! – digo e abro a porta pronta para acertar ele com meu sapato de salto mais fino, porém me refreio ao vê-lo sem camisa deitado na cama assistindo The Simpsons. Só o que me faltava.
– Oh! A senhorita “pavio curto” já se acalmou? – fala em tom descontraído e divertido, todavia, não indicava que estava fazendo chacota com minha cara. Vi que tentava aliviar um pouco de toda essa aura que me rondava me fazendo rir.
– Desculpe. De verdade, Damon. – meu pedido é sincero.
– Não preciso desculpar nada. Entendo que foi uma forma indireta de me fazer calar a boca. – ele diz com um sorriso compreensivo e vejo que não significou nada para ele e que não abalaria nossa estranha amizade. – Só que não precisava ter uma sincope por isso! Nem sou tão ruim assim! – ele ridiculariza e sorri carinhoso para mim, aquele repuxar de lado dele, e não consigo deixar de espelhar seu gesto mesmo com o seu claro “não significou nada” impresso em seu discurso, não que isso estivesse me afetando. Longe disso.
– Obrigada! – sorrio mais amplamente para ele. – Só não queria que você entendesse errado e não quisesse ser mais meu amigo. – falou com um biquinho de leve. Ele sorri e abaixa a cabeça e a agita.
– Então eu sou seu amigo, é? – questiona enquanto se levanta e vem até mim com as sobrancelhas erguidas em leve ironia. Dou língua para ele e Damon me abraça forte me dando um beijo em meu cabelos, retribuo sentindo como era bom ter um amigo para abraçar, ou ter Damon para abraçar, mais especificamente. – Não se preocupe com isso, Leninha. Você é a única pessoa que me deixa irrita-la sem atirar uma cadeira em mim. – diz quando se afasta.
– Abestado. – lhe dou um tapa estalado no peito desnudo... e rígido.
– Ok. Sem cadeiras, mas com uma mãozinha ardida. – faz uma careta enquanto esfrega o local. – Vamos almoçar? Estava te esperando para irmos comer em algum lugar, já está ficando tarde. – comenta e eu concordo com a cabeça.
– McDonald’s! – exijo de braços cruzados.
– Por mim tudo bem. – dá de ombros e vou pegar a minha carteira e celular enquanto ele põe uma camiseta branca regata e recolhe seus pertences para seus bolsos traseiro e pendura a chave do carro no cós da calça escura.
Saímos a pé mesmo pelas elas da cidade que estava movimentadíssima durante o horário de almoço. Entre Damon e eu havia uma distância segura porém não longa, cerca de meio metro; andávamos conversando, ele comentando sobre algo que víamos ou vice-versa, me fazendo rir com suas observações banais e assim continuou por pouco mais de duas quadras até encontramos o fast-food.
Assim que fizemos nossos pedidos – eu e meu amado Big Mac –, fomos nos sentar em uma mesa de canto para comermos. Digo que não sei se sair para almoçar com outras pessoas era tão divertido assim, mas com Damon eu me sentia feliz o tempo todo. Acho que um pouco desta felicidade se devia a eu estar comendo hambúrguer, nem parecia que há pouco tempo estávamos discutindo tão arduamente.
Entre o vai e vem da conversa, Damon me passou as informações finais sobre Rod – as quais tive que anotar com a caneta do balcão em um guardanapo, pois não tinha nada para anotar comigo ali – e ao sair do restaurante eu já tinha destino certo, me despedi de Damon que disse que iria resolver o que tinha de fazer, sem sequer dar nenhum detalhe sobre a atividade misteriosa, amistosamente nos separamos e com o GPS de meu celular segui até seu endereço, mas antes passei em uma loja de caça e comprei um binóculo e um chapéu de pesca. Primeiro observar para depois conquistar.
Sento-me de frente para seu prédio, há uma pequena praça com bancos de madeira gasta, estou debaixo de uma árvore que acredito me ocultar de forma eficaz. Segundo as informações de Damon, no sábado após o almoço Rod saia com Buddy para dar uma volta no parque e agora eu estava ali esperando para ver se ele saia do edifício ou se já tinha saído há essa hora.
O dia estava ensolarado e quente, e mesmo grata pelo frescor a mais que tinha ganhado com a falta de meu sobretudo que tinha deixado no hotel, já me sentia exposta e em vista sem ele, mesmo que usa-lo signifique eu suar feito uma porca.
Finjo observar alguns pássaros enquanto esquadrinho as janelas de seu apartamento com o binóculo a fim de ver se ele estava em casa, mas neste momento tenho a surpresa agradável de vê-lo sair pela portaria com Buddy na guia e somente com uma bermuda de corrida larguinha que dava para ver o elástico de sua cueca Calvin Klein, minha boca abriu, estava lindo como sempre e ainda com o ar de simplicidade, aquele ar daquela pessoa que não precisa de muito para ser sensual e sabe disso.
Abaixo lentamente o binóculo e o acompanho com os olhos à medida que vai se afastando, quando está a uns cem metros de distância me levanto para segui-lo. Sinto-me como James Bond em meio a alguma perseguição. Aperto o passo quando ele vira a esquina, não quero perde-lo de vista e, de quebra, perder a chance de conhecer melhor sua rotina para achar algum álibi que justifique nosso encontro.
Assim que viro a mesma esquina que ele sumiu o vejo mais a frente em uma banca de revistas comprando jornal. Corro até a barraquinha de sorvete e compro duas bolas de flocos, estrategicamente de costas para ele, tentando não dar a chance dele me reconhecer... Isso se ele se lembrar de mim.
Aguardo um pouco lambendo o sorvete que começa a escorrer e a dona da barraquinha me olha indagativamente, como se perguntasse “O que ainda faz aqui? Já te dei seu troco.” Sorrio amarelo e olho de soslaio para a banca e ele já não está mais lá.
– Porra! Aonde ele foi? – esbravejo e começo a correr na direção que presumi que ele seguia, tomando cuidado somente parra não derrubar meu sorvete. Quando chego ao fim da rua vejo que estou na avenida e se atravessa-la chego a um parque. Respiro fundo – de alivio e fadiga pela corrida – e aguardo o sinal dos pedestres abrir para minha travessia, claro que não deixo de pressionar o botão que faz o semáforo fechar para agilizar na minha perseguição. Não o vejo de onde estou.
Parece eterno, mas o tempo passa e assim que vejo que posso andar, alcanço facilmente o parque e vejo uma placa orientando o trafego pelo parque e assim que vejo “Campo animal onde os animais e seus donos correm e se exercitam brincando”, sigo as orientações até lá, me deliciando com meu sorvete que o sol de lascar estava derretendo.
Olho o campo aberto que se estende a frente, verde e amplo, diversos cães, gatos e outros animais de estimação, alguns até bizarros como castores e ratos, brincavam com seus donos. Algumas pessoas me olhavam, devia ser estranho uma morena de bota cano longo de salto – que insistia em enterrar-se no solo – minissaia e blusa transparente, porém sem nenhum animal de estimação, que lambia repetidamente uma casquinha de flocos. Sorria para algumas pessoas e andei alguns metros por ali, vasculhando no que achei ser uma maneira discreta.
Procurei o dálmata e seu proprietário sem camisa com o olhar até onde minha vista alcançava, mas não os via. Bufo e me virei para buscar em outra direção, mas não cheguei a prosseguir. Parado, suado, ofegante e de olhos arregalados estava postado ao lado do cão que abanava o rabo velozmente com a língua de fora.
– Elena? – A voz engasgada me chamou enquanto, fatalmente chocada, meu sorvete vai ao chão. Puta que pariu!
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