A Mata
9 Capítulo 9
Kuanan faz um gesto e os ancestrais entram no Olho da Mata, cantando uma canção de cura. Tambores soavam altos, chocalhos sacodiam no ritmo das palavras e eles rodeavam Yanna.
Os filhos de Yanna, que estavam a margem só observando, começaram a virar pó e sumir com o vento.
Yanna cai ao chão gritando, gritando e se sacudindo. O canto dos ancestrais atinge um tom que ecoa como trovão, Kuanan entra no círculo e para aos pés de Yanna.
Levanta as mãos e o canto para.
— Yanna, você quer que isso? – Kuanan pergunta — Quer se juntar a nós? Quer largar a aridez?
— Sim, meu pai, – Yanna chora — Eu quero ir com você.
O canto recomeça mais rápido, mais forte, mais intenso, e eles começam a circular, circular, circular, tão rápido que se tornam um borrão.
Kuanan continua com as mãos erguidas e cantando agora, sua voz cheia de poder, cheia de amor por sua filha Yanna.
— Agora, Antônio, coloque o colar — Tucanaã fala em seu ouvido.
Assim que o colar está em seu pescoço, ele vê que Kuanan começa a brilhar, um brilho amarelo que vai ganhando intensidade e calor, e o amarelo vai abrandando até se tornar um branco brilhante que atinge Yanna e ela grita. Um único e intenso grito e depois, silêncio.
Antônio procura Yanna no círculo, ansioso para saber o que aconteceu depois daquele grito e vê em choque, que dentro do círculo, junto a Kuanan, estava uma jovem de 17 anos no máximo. Pequena e delicada com longos cabelos negros, com uma linda pintura cobrindo quase todo seu corpo.
— Levante, Yanna, levante e seja livre – Kuanan estende a mão a sua filha chorando mansamente.
Yanna levanta e corre para os braços de seu pai, enfim livre de sua maldição.
Kuanan olha para Antônio e diz:
— Jovem, agora parta, vá para sua família e não volte mais para esse lado. Não há mais maldição, mas aquele não era o único mal que mora por aqui. E você e os seus, sempre são atraídos para ele, parta e não volte.
Kuanan pega sua filha pela, acena aos seus guerreiros e companheiros e caminham em direção a grande árvore. Assim que Kuanan põe sua mão sobre a árvore, ela ganha vida. Galhos são preenchidos com luxuriosas folhas verdes, flores coloridas, frutos frescos, não apenas um fruto, vários tipos. E ela se torna alta e majestosa. E todos eles, desaparecem dentro dela.
Antônio olha para cobra que começa a descer de seu corpo e o conduzir para um lugar seguro. Ele a segue sem medo e cheio de confiança. E ela o leva até aonde ele deixou seus pertences.
Tucanaã para e olha Antônio e a voz surge mais uma vez dentro dele.
— Espero que a lição aprendida hoje, o siga para a vida. – Que você veja que confiar na sua família, no amor que eles sentem, que nunca deve desconfiar e ser leviano com a confiança depositada em você.
Tucanaã continua:
— Seu pai, confiou em você, o mandou aqui sem informações do que você encontraria, pois ele confiava que o homem que ele criou, faria a escolha certa. Isso é amor.
Ele começa a se afastar e diz.
— Volte para eles, mostre ao seu pai que você foi digno de sua confiança e lhe mande lembranças minhas. Adeus, filho de João.
E Tucanaã desaparece.
Fale com o autor