A Mata
3 Capítulo 3
Antônio arruma suas coisas para acampar, seu kit de sobrevivência e caça, e claro, o cooler que sua mãe preparou para ele.
Ele olha o relógio e vê que seu pai logo chegará em casa e ele quer sair antes dele chegar, não quer discutir com o pai antes de sair. Quer paz chegar lá em paz e sem culpa no coração de ter brigado com o pai.
Quase saindo do quarto, ele vê um colar que ele não usava há anos. Seu pai lhe deu logo que ele começou a sonhar com a mata e a cobra, ele disse ao entregar o colar:
— Antônio, esse colar é mágico! — João diz ao filho de 5 anos.
— Mágico! – o menino diz com os olhos arregalados. — Que tipo de magia? – ele pergunta suspeito.
— Do tipo que controla sonhos, – João diz sorrindo animado — do tipo que ajudará a você a ter sonhos tranquilos e não ter pesadelos com cobras, lagartos e baratas.
— Me salva de baratas, também, – o menino pula animado na cama — elas vão fugir de mim?
— Só nos sonhos – o pai ri alto — As baratas que ficam escondidas pela casa, você me chama que eu mato, e não chame a mamãe, porque ela tem medo. – o pai sorri.
— Está bem, – ele pega o colar confiante e o coloca.
— Bom! – o pai beija sua cabeça e começa a sair do quarto, ele para e olha para Antônio — sempre use, ok?
— Tá bom, pai! – diz o menino.
E ele de fato usou por anos, até que aos 10 anos, parou de usar. E os sonhos voltaram, mas agora mais velho, os sonhos o fascinavam e ele nunca mais colocou.
Ele trocava a corrente conforme ficava mais velho, mas nunca mais usou e o pai nunca comentou. Mas, naquele dia, sem saber porquê, Antônio pegou o colar e colocou na sua mochila. Saiu e não pensou mais nisso.
— Mãe, estou indo! – Antônio grita na sala.
Berenice vem e o abraça apertado, tão apertado que Antônio estranha.
— Mãe, só vou acampar, não vou para guerra, não. – ele ri
— Deixe sua mãe abraçar o filho em paz – Berenice diz chorosa.
— Ok, ok, chega de abraços. – Antônio sai do abraço da mãe e beija sua testa. — Volto em dois dias, ok?
— Ok. – Berenice diz fungando.
— Tô indo então, deixa um abraço para o pai.
De repente ele ouve atrás dele.
— Dê você mesmo o abraço, estou aqui — João diz.
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