A Mata
1 Capítulo 1
Antônio Santos, era um jovem de 19 anos que adorava caminhar pela mata, caçar, procurar plantas medicinais diferentes, observar pássaros, ficar a noite por lá e quem sabe, presenciar algo sobrenatural. Curiosidade e ansiedade eram uma compulsão para ele.
Seu pai, João, não gostava muito do lado aventureiro do filho. João, sabia que a mata escondia segredos e que nem tudo que havia por lá, era inofensivo.
E pai e filho sempre batiam cabeça sobre isso, Antônio na sua ânsia de descobrir um mundo novo, nem sempre ouvia seu pai.
Na casa do jovem, viviam seu pai João, sua mãe Berenice, seu irmão Pedro de 17 anos e sua irmã mais nova de 12 anos, Amanda.
Eles eram uma família de vida confortável, longe de serem ricos, mas não lhes faltava nada.
João tinha um pequeno negócio de vendas, um mercadinho na pequena cidade que moravam, e lá, trabalhavam ele, sua mãe e seu irmão Pedro, além de alguns poucos funcionários.
E o maior sonho do João, era que Antônio se envolvesse mais nos negócios da família, focasse mais em aprender tudo sobre o sustento da família e que fosse seu braço direito.
Mas, Antônio ainda não estava pronto, ele queria voar. E esse desejo nasceu com as histórias que o próprio pai lhe contava. Seu João quando Antônio era um menino, contava histórias fantásticas de tudo que ele via e fazia nas matas. Dos bichos selvagens que ele topou, das cobras enormes, dos pequenos animais traiçoeiros e o que mais o fascinava: Os espíritos da mata.
João contava, que havia visto um homem surgir de dentro de uma árvore e lançar raios cheios de energia e reviveu algumas pequenas árvores que estavam secas pelo tempo árido.
Contava que virá espíritos de índios que habitaram ali centenas de anos atrás. Que ouvirá sons, cantos, gritos. Que sentirá uma energia espetacular em determinado lugar e era esse lugar que fascinava que Antônio procurava sempre. Um lugar que sua entrada, era o formato de um olho e que lá, João viverá sua experiência mais intensa e reveladora de sua vida. Mas, que aquela havia sido a última vez que ele foi para a mata, ali, ele encontrará algo que o fez dar um ponto final em suas caminhadas e explorações.
Em seguida, ele havia conhecido sua Berenice, e com ela formou sua família.
Ele e Berenice lutaram para montar o mercadinho, que começou com uma xiboquinha aberta no quintal de casa, e que com os anos e muita luta, eles conseguiram o sonho de construir o mercadinho.
João, vinha de uma família de pessoas com dons. Alguns sensíveis a energia, alguns com sonhos premonitórios, alguns com o dom de ver espíritos e até alguns, com dons de mexer com alguns elementos. E João, não gostava de falar sobre isso e não encorajava seus filhos a conversar ou procurar saber sobre esses assuntos. Por ele, seus filhos nunca saberiam, mas esse segredo era muito difícil de esconder, principalmente de seu filho Antônio, que ele não gostava de admitir, era sua imagem aos 19 anos. Em tudo, aparência, atitude e ânsia pelo desconhecido.
Antônio, era um rapaz bonito, cabelos e olhos castanhos, sorriso largo e bonito com covinhas. Um corpo magro, alto e musculoso, e ele tinha uma tatuagem de uma cobra subindo pelo seu braço.
A tatuagem da cobra, tinha um significado especial para Antônio, desde menino, o rapaz sonhava com uma cobra que ele nunca viu na vida real, só nos sonhos. Ela tinha o couro dourado, com raias laranjas sutis, seus olhos eram surpreendentemente verdes, com a íris azuis e tinha no mínimo, uns dois metros de comprimento. Ela sempre aparecia nos seus sonhos e o guiava para mata. E assim que Antônio fez 18 anos, sua primeira parada foi no estúdio de tatuagem para fazer a cobra. Ele tinha milhares de desenhos da cobra. Assim que aprendeu a desenhar, ele a esboçava a cobra. A primeira vez que ele mostrou ao pai João empalideceu e perguntou aonde ele havia visto a cobra. E quando o menino disse que foi em sonho, ele engolirá em seco e o abraçou apertado. Depois disso, João falou sobre isso só mais duas vezes ao longo dos anos, ele observava apreensivo, mas nada dizia. Quando ele apareceu com a tatuagem, ele apenas balançou e fez uma cara de conformado.
E naquela semana, Antônio entenderia a expressão do pai.
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