A Marriage Is Coming

3 Capítulo 2 - "Totally. 100% sure."


Notas iniciais
Oie! Como essa história se passa numa semana, eu vou postar diariamente os capítulos. ;) Fiquem com a história e aesthetic da mãe do Max. ♥

Capítulo 2 – “Totally. 100% sure.”

— Sua mãe biológica já está a caminho. – Minha mãe notificou e eu olhei pra ela, com certeza com meu tique de nervoso no olho.

— Certeza? – Questionei e ela sorriu, colocando as mãos sobre as minhas e puxando-as para ela, dando um beijo ali.

— Total. 100% de certeza. Porém, se acalma. A última coisa que você vai querer é ficar nervoso. Mais ainda, digo. – Ela soltou minhas mãos e acendeu um incenso no quarto dela. Isso que eu sentia falta por ter crescido: tempos com minha mãe no antigo quarto dela, enquanto ela acendia algumas coisas de bruxaria dela que serviam pra acalmar.

— Acho que eu estou tenso assim não é nem porque vou me casar, realmente, eu estou em paz com isso. Eu vou me casar com o homem que eu amo e isso pra mim está mais que bem definido. O que me preocupa são as coisas no meio que eu ainda não defini bem, sabe? – Ela assentiu.

— Como seu relacionamento com Inês, certo? – Ela perguntou em busca de confirmação.

— É estranho conhecer ela e saber que ela me pariu. Tipo, só isso. Porque meus pais são você e o papai, ela só me pariu. Mas pra mim isso quer dizer algo. É de extrema importância, não sei...

— É normal ficar confuso assim. Acho que porque ela meio que representa o que você pode ter “perdido” quando contamos para você que era adotado. Mas acredite, parir alguém é doloroso, mas só isso, não o que seu cérebro tenta continuar justificando, do mesmo modo que os meus tentaram na sua idade. Você tem que lembrar a si mesmo que não precisa da aprovação de ninguém. – Ela contou, me abraçando. E então lembrei da vovó e como gostaria de conversar com ela sobre isso. Afinal, a mamãe passou por aquilo e agora vivia quase a mesma coisa, mas seria importante ter a visão dela naquilo. Fiz uma nota mental para conversar com ela.

Abracei a minha mãe e ficamos olhando pela janela meu irmão com meu pai e padrasto nadando na lagoa.

.~. ~.

Deitei a cabeça no deque, olhando para o céu azul, absorvendo a luz do meio-dia. Jeff se apoiou no deque, mais da metade do corpo na água, o restante, caindo no deque e me molhando as costas. Ele deu umas batidinhas fracas na minha barriga, chamando minha atenção e quando abri os olhos e virei para olhar para ele, o homem me deu um beijo e retribui, segurando a vontade de puxar ele até um quarto e cessar aquele desejo que eu não pude saciar no dia anterior.

— Ei. – Comecei, interrompendo o beijo antes que eu realmente fizesse o que queria. – Eu estou pensando em pedir algo meio insano pros meus pais.

— Tipo?

— Digamos que hipoteticamente seja para que eles finjam que não estão divorciados. – Soltei um sorriso amarelo, vendo o dele desaparecer.

— Você vai pedir pra eles fingirem ser casados?

— Não, vou pedir que eles finjam que não estão divorciados. Partindo disso eles agem como bem entender. – Jeff mordeu o lábio inferior.

— Você não acha que isso daria merda? – Ele questionou e eu ri.

— Merda vai dar se minha mãe biológica descobre que eles são divorciados. Ela é a cristã que acredita que estando casado está tudo ótimo, não importa a situação emocional. Eu conversei com minha irmã biológica hoje de madrugada. – Contei, vendo-o assentir.

— Ou seja, dá bosta se eles fingirem e se não fingirem também. É, não custa nada perguntar. – Ele assentiu, rindo, provavelmente imaginando a treta que isso daria. E eu sabia que isso viria com problemas ainda maiores.

— Que Cristo me dê a coragem. – Brinquei, vendo-o assentir. Então ele me puxou pela mão e caímos na água fria. – MEU DEUS!

— Agora ele te escutou. – Zombou Jeff, me fazendo jogar água na cara dele, ele só riu e me puxou para perto. – Me beija.

E eu não hesitei.

.~.~.

Entrei na cozinha e vi meu pai preparando a comida do dia ao lado de Luke. Os dois riam e se divertiam um ao lado do outro. Não vou mentir; eu ia me sentir muito, mas muito mal pedindo o que pediria, mas eu queria me casar, e considerando que eu ser gay era a única cota tolerável na vida da cristã, eu só queria fazer algo que fizesse todos felizes.

Minha mãe havia acabado de entrar com a namorada, elas conversavam sobre alguma coisa a ver com um trabalho da minha mãe – depois eu iria me inteirar nisso.

— Oi, gente. – Eu disse, engolindo a bola que se formou na minha garganta. Meu noivo entrou pela porta da cozinha de onde eu havia entrado e me abraçou. – Então, sentem-se, por favor. – Os quatro se viraram para me olhar, estranhando. – Eu tenho um pedido pra fazer pra vocês e sei que é de um egoísmo ainda não explorado pelo resto da humanidade, mas como a minha mãe biológica está vindo, sabemos que ela é extremamente cristã que segue a Bíblia de traz pra frente e vice-e-versa. O que faz menos sentido ainda ela não ter nenhum problema comigo ser gay, mas são dúvidas que irão pro túmulo... enfim, eu queria saber se você, mãe, e papai poderiam fingir que não são divorciados. E não, não estou pedindo para agirem como casados, estou pedindo pra vocês não contarem que são divorciados. Ela prioriza o casamento com uma pessoa pro resto da vida. Então... desculpa pedir isso. É que isso é importante pra mim, sabe? Ela gostar de mim, topar com isso...

— Não precisa pedir desculpas. – Minha mãe as dispensou com a mão e pediu licença em seguida, para conversar com os outros três. Levantei da cadeira que nem havia percebido que tinha sentado e saí de mãos dadas com Jeff.

.~. ~.

— Como anda a vida de médico? – Perguntei para o meu irmão, vendo ele sorrir com a pergunta. Era bom ver que ele fazia o que gostava.

— Anda bem, conhecendo bastante gente, ajudando outras... – Ele deixou a frase morrer no meio, e eu já havia entendido.

— Namorou alguém recentemente? – Ele assentiu.

— Alguns caras, algumas caras, algumas pessoas... – Meu irmão é pan. Pansexual. Ele se atrai pelas pessoas, não por seus gêneros ou sexos e isso era incrível. Ele sempre estava bem com isso, o único momento que eu me lembro dele não estar bem com isso foi antes de ir embora para a faculdade. Ele estava tentando lidar com todo o negativismo ao redor do assunto que nossa sociedade implantou nele. – A última pessoa que namorei não deu certo porque eu ficava muitas noites de plantão, o que dificultava de nos vermos. Porém quando nos víamos, o sexo era incrível.

Eu ri, sabendo que eventualmente ele falaria isso. Ele era muito romântico, mas também gostava de um sexo, e não posso culpá-lo, eu entendia.

— Você viu a mana recentemente? – Perguntei e ele assentiu. – Ela me disse que está vindo e não deve demorar pra chegar.

— A gente conversa de vez em quando. E como ela também mora em Nova York, fica mais fácil da gente se ver, mas e você, vai continuar por aqui nos arredores ou vai pra outro lugar? – Eu olhei pro teto e encostei as costas no acolchoado do sofá azul.

— Eu não sei direito. Tipo, eu e Jeff queremos conhecer alguns lugares antes de adotarmos uma criança e tudo o mais. Eu quero ficar perto de casa porque temos o Luke e o papai, mas quero viver outras aventuras, conhecer as coisas fora da redondeza de casa e faculdade. E eu e Jeff temos um combinado: se em algum momento a gente ver que não esta mais dando certo, a gente vai tentar e se mesmo assim não funcionar, a gente vai se separar pacificamente e viver como amigos. Acho que somos honestos um com o outro sobre essa coisa toda. Porque pode acontecer, mas não é como se eu desejasse, sabe? – Meu irmão assentiu.

— Eu tenho medo desse negócio de casamento. Tipo: por enquanto não achei a pessoa com quem eu decida dar o passo seguinte, então tudo bem, mas quando acontecer o que eu devo fazer? – Brett tinha os olhos um pouco transtornados naquele momento.

— Você perdeu alguém que você queria se casar, não foi? – Questionei, vendo-o rir, sem graça, assentindo.

.~.~.

— Filho, nós vamos fazer isso. – Meu pai avisou, sentado na bancada da cozinha. – Agora, como fazemos com Anne e Luke? Sua mãe sugeriu de eles ficarem perto, mas serem lidos como ‘amigos’.

— E cada vez eu me sinto mais merda de fazer isso. – Assumi, vendo-os negarem com a cabeça.

— A gente entende o que está fazendo, mesmo. – Minha mãe disse, me fazendo assentir com um sorriso amarelo no rosto.

— Desculpa gente. – Falei, olhando nos olhos de Luke e Anne. Eles dispensaram com as mãos.

— A gente entende, não é um problema, de verdade. – Anne confirmou.

— Meu único problema é não poder beijar teu pai em qualquer lugar. – Luke brincou, vendo Robert levar as mãos para sua cintura e o puxar.

— Pelo menos será como os tempos de colégio. – Ele sussurrou um pouco alto demais, fazendo Luke rir e lhe dar um selinho longo. Em seguida da porta veio knock, knock, knock e eu sabia que Inês havia chegado.

Brett foi pra frente da porta olhou e acenou com o dedão pra cima. Eu fiz o sinal de pare para ele, atrasando um pouco, verificando minha roupa, verificando o local e a comida – hoje teríamos bife a millanesa, nhoque em molho de tomate e macarrão pene com molho branco.

Confirmei que ele podia – mas assim que eu parasse ali – abrir e peguei uma garrafa de vinho, abrindo as portas de vidro da sala para o gazebo, onde colocariam as comidas. Hoje o almoço seria tarde, já era quatro da tarde, já havíamos resolvido mais coisas do casamento – sem ajudas de ninguém, sim senhores – e então acabou que a comida foi ser preparada mais tarde do que o usual, mas não somos uma família tradicional, então usual não se aplica muito. Enquanto os mais velhos foram colocando a comida ali, eu peguei no braço de Jeff e fomos até a porta, onde Brett abriu no momento que pisamos na frente da porta. Dei de cara com uma mulher de cabelos loiro-escuro presos em coque, vestido que ia até o meio do tornozelo, estampa de flores, ela tinha um rosto marcado pelo tempo e grande esforço, mas muito jovem e bonito. Ela segurava uma bolsinha preta. Basicamente o esteriótipo de cristão quase-extremamente-conservador. Sorri para ela e abri os braços, sem saber o que fazer e ela deu um pequeno sorriso, claramente também sem saber o que fazer, além de provavelmente não ser acostumada a toques, mas a abracei. E nesse momento eu vi meu irmão flertando com a minha irmã – e o meu irmão – o que somente me fez soltar um riso nasal.

— Você deve ser Max. – Ela disse e eu confirmei com um breve sim.

Me separei dela e a apresentei meu noivo.

— Então, Dona Inês, esse é meu noivo: Jefferson. – Ela sorriu e o cumprimentou apertando a mão.

— Prazer, Dona Inês. – Ela sorriu e sussurrou um prazer.

— Vamos almoçar barra, jantar? – Sugeri, vendo todos confirmarem com a cabeça, então os trouxe para dentro até abaixo do gazebo. Aquela noite comemos e nos conhecemos.