A Marota
41 Capítulo 40
Hogsmeade... Eu nem havia me levantado pra isso. De ontem pra hoje havia piorado.. Espirrar se tornou meu novo hobbie e eu estava com uma aparência horrorosa. Olhos e nariz vermelhos e catarro até no meu rim. Sentada na minha cama, eu acabava com os lenços de Lily em meu nariz entupido. As três garotas me olhavam de formas diferentes. Lilian sorria ironicamente, Jessy me olhava com pena e Lene com nojo do catarro que saia nos lenços.
— Olha, amiga.. Que tal você acertar os lenços no lixo? — ela sorriu e eu lhe mostrei meu dedo do meio. — Onde aprendeu isso?
— Com o Jordan, é claro. — a ruiva respondeu por mim e eu a olhei feio.
— Por que vocês não vão logo para o passeio e me deixam aqui, colocando a minha alma pelo nariz? — perguntei, a voz engraçada por conta do nariz entupido.
— Certo, patinho, nós vamos. — Lene disse e eu lhe indiquei meu dedo novamente, fazendo ela rir ao entrar no banheiro.
— Nada disso, vamos levar você com a gente. — Jessy disse, recebendo confirmação de Lilian.
— Eu não quero ir, quero ficar aqui. — cruzei os braços, fungando ao tentar não deixar o nariz escorrer.
— Não vamos te deixar sozinha aqui, Jane. Respirar um pouco de ar livre vai te fazer bem. — Lily me disse, me puxando para que eu me levantasse.
Resmungando e lentamente, eu procurei uma roupa no meu malão. Decidi por uma calça jeans, um moletom preto e um tênis da mesma cor. Logo depois de Marlene, eu tomei um banho e me vesti, sentindo um frio que eu não deveria sentir. Talvez febre? Eu mataria Lily... Mataria ela e a jogaria para a Lula Gigante.
Tremendo enquanto minhas amigas ficavam ao meu redor tentando me aquecer, nós tomamos café e saímos com os outros alunos em direção ao povoado. O sol brilhava do lado de fora e eu era a única usando calça e moletom. A caminhada até a entrada do povoado pareceu eterna e eu coloquei o capuz na cabeça quando chegamos lá. As meninas me puxaram para a dedos de mel e eu observei elas escolherem doces.
Nesse momento, eu não estava com vontade de comer nenhum, por isso nem olhei. Depois dali, nós passamos em frente a Zonk's e eu insisti pra que entrassemos. Lily não gostou muito, mas acabou cedendo visto que nós três queriamos. Um pouquinho mais animada, eu peguei algumas coisas mas Lily me fez as devolver na mesma hora. Que ruivinha mandona.. Dizer isso pra ela não foi muito seguro.
— Pra que quer bombas de bosta? — ela perguntou, olhando para a minha cara de tédio.
— Não sei, pra guardar? — ironizei, usando meu lencinho novamente.
— Eu conheço a sua espécie e ela me diz que você vai usar na sala do Filch. — acusou e eu me fingi de ofendida.
— Como pode pensar isso de mim, ruiva? Que pecado, Merlin te perdoe. — encenei, fazendo Lene e Jessy rirem.
Lilian apenas revirou os olhos e me puxou pra trás de uma prateleiras de explosivos.
— O Sirius está bem ali, — ela me indicou o maroto por entre as caixas. — isso quer dizer que..
— Olá, meninas e.. Zumbi? — James fez uma careta me olhando e eu suspirei.
— Idiota.. — resmunguei, revirando os olhos.
— Eae, gente! — Sirius se aproximou com Remo, me olhando receoso. — Pontas, meus pêsames, mas mataram a sua irmã.
— Eu odeio a minha vida. — confessei, rumando para fora da loja. — Por que não brota um Remo na minha vida sempre?
Meus olhos ardiam e eu só queria a minha cama quando fomos todos juntos para o caldeirão furado. Ficar gripada era horrivel, ainda mais quando suas amigas te obrigam a sair contra a sua vontade. No lugar mais quente, eu me sentei no fundo com Remo enquanto os outros pegavam cervejas amanteigadas. Eu me aproximei dele e coloquei minha cabeça em seu ombro.
— Você está mal mesmo.. — ele comentou, passando um braço pelos meus ombros.
— Ah, Remo.. Eu 'tô gripada. — lhe disse e ele riu.
— É, é meio óbvio. — sorriu e eu fechei os olhos, querendo muito a minha cama.
Muito mesmo.
Logo os outros se juntaram a nós e eu bebi metade da minha cerveja, limpando meu provável bigodinho em um lenço. Lily morreria.. Ela morreria em breve. Bem, ela morreria se eu não morresse antes. Eu viajei enquanto eles conversavam sobre algo e só pude notar que James não havia dado encima de Lilian nem uma vez, o que foi um milagre.
O tempo pareceu passar super devagar e eu já estava bem cansada. Minha mente continuava a pensar na minha cama e meus olhos não queriam ficar abertos. Decidida, eu me levantei e pulei as pernas de Remo, pegando minha bolsa e a pondo sobre o ombro.
— Eu vou caminhar.. Se continuar aqui, vou acabar dormindo. — falei, me virando pra sair mas alguém segurou meu pulso.
— Quer que eu vá com você? — Sirius perguntou.
— Não.. Obrigada. — sorri fraco pra ele e ele me soltou.
Eu fui até o balcão e pedi uma garrafinha com água a Madame Rosmerta, lhe pagando e saindo do bar. Eu bebi metade da garrafa, caminhando em direção a casa dos gritos em busca de um pouco de silêncio. Irônico... Me aproximando de lá, eu ouvi vozes e resmunguei, não querendo ouvir conversa nenhuma hoje. Mas as duas pessoas pareceram me ouvir e uma delas se afastou, indo na direção contrário.
Eu continuei a me aproximar e sorri ao ver que era Brendan. Ele fez uma careta, vindo até mim e me ajudando na descida para a cerca. Pra quê eu dormi mesmo? Talvez se não tivesse dormido, estivesse com uma cara melhor que essa.
— O que aconteceu com você? — ele perguntou e eu sorri levemente.
— Eu estou gripada.. — expliquei, me encostando na cerca e observando a casa dos gritos.
— Parece mais que foi envenenada e sobreviveu. — ele brincou e eu ri, lhe dando um soco leve no braço. — Sobre ontem.. — ele disse e eu o olhei, erguendo uma sombrancelha.
— Se arrepende? — perguntei, sorrindo de lado.
— Não, claro que não! — Brendan se apressou em dizer e eu ri. — Você se arrepende?
— Não.. — me virei pra ele, observando ele se aproximar. — Vai pegar meu virus...
— Eu não me importo.. — ele sussurrou de volta.
Suas mãos me puxaram pela cintura e eu deixei minhas mãos tocarem seu peito. Seu rosto de aproximou mas ele parou ao tocar minha nuca, pondo sua mão em minha testa e bochecha também. De repente ele pareceu preocupado.
— Você está com muita febre, Jane.. — ele disse, segurando meu rosto entre suas mãos.
— Eu estou bem.. — sorri pra ele mas, na verdade, eu não me sentia bem desde que acordei.
— Vamos voltar pro castelo. Pra ala hospitalar. — o Jordan me disse mas eu me neguei a caminhar quando ele me puxou. — Ah, vai ser assim? Tudo bem.
Ele pegou a minha bolsa e a colocou sobre um dos ombros. Quando menos esperei, ele se aproximou e me pegou também, me jogando sobre seu outro ombro. Eu gritei surpresa, já odiando aquela posição de início. Ainda mais quando ele começou a caminhar e eu sabia que as pessoas olhavam. Parece que mais alguém morreria quando eu melhorasse...
Brendan caminhou por minutos até que eu pudesse ver o castelo de cabeça pra baixo. Eu me sentia enjoada e meus olhos já queriam se fechar, o que eu tentei impedir a todo custo. Dentro do castelo, ele subiu algumas escadas e logo estavamos na ala hospitalar. Sua mão foi depositada nas minhas costas e ele me jogou pra frente devagar, me colocando em uma das camas vazias. Logo madame Pomfrey apareceu.
— O que ela tem? — perguntou, me dando uma olhada antes de se aproximar.
— Ela disse estar gripada.. Está com febre. — o garoto a informou e eu revirei os olhos, olhando o outro garoto deitado na cama próxima.
— Vou lhe fazer um preparado com ervas, logo logo estará melhor. — a enfermeira disse, molhando um pano e entregando a Brendan. — Ponha na testa dela.
Ele a obedeceu e eu reclamei do pano gelado.. Talvez eu estivesse muito reclamona. Brendan segurou minha mão e eu sorri fraco, me sentando na cama. Ele tentou me fazer deitar novamente mas eu neguei, segurando seus pulsos.
— Obrigada.. — eu lhe disse e ele se sentou ao meu lado, na beira da cama.
— Precisa ficar bem.. E descansar. — me disse, levando minha mão até seus lábios e deixando um beijo.
Eu sorri novamente quando ele me cobriu, depositando um beijo em minha testa e se sentando na cadeira ao lado da cama. Meus olhos pesaram e minha visão ficou ainda mais embaçada quando Brendan tirou meus óculos.
— Tome, beba isso. — a voz de madame Pomfrey me chamou e eu peguei o copo que ela me entregou.
Com uma careta, eu bebi todo o líquido e voltei a me deitar. O borrão que era o teto da ala hospitalar girava e eu fechei os olhos, suspirando com a sensação boa de estar deitada. Eu me sentia fadigada.. Odiava ficar resfriada. Malditas noites! Malditas noites que foram tão boas e me fizeram mal.. Com um leve sorriso, eu acabei pegando no sono pouco tempo depois, ainda segurando a mão de Brendan junto a minha.
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