A Marota

52 Capítulo 51


Jane Potter

Eu abri meus olhos mas acabei os fechando no mesmo momento. Eu os apertei ao tentar me mexer, sentindo meu corpo inteiro doer. Meus olhos se forçaram a abrir e eu olhei em volta, estava tudo borrado. Eu reconheci o meu quarto e gemi, tentando me sentar mas duas mãos me obrigaram a continuar deitada. A pessoa me cobriu novamente e eu vi um borrão avermelhado passar acima do meu rosto.

— Ruiva..? — minha voz falhou e eu pisquei varias vezes, tentando enxergar direito.

— Vê isso, Lene? Ela só enxerga a Lily. — eu ouvi alguém dizer e uma risada.

— Deixe de implicância, Jessy! — a outra disse e eu sorri, conseguindo finalmente ver as minhas três amigas com clareza.

— Meninas... — eu olhei pra cada uma delas, recebendo um sorriso de cada uma.

Elas se aproximaram e eu me obriguei a sentar, mesmo com as reclamações de uma ruiva. As puxei para um abraço e as apertei o máximo que pude, matando a saudade. Era tão bom ve-las...

— Ficamos muito preocupadas quando viemos e James nos contou que você havia sumido. — Marlene disse, segurando minha mão entre as suas.

— Lily até consolou James.. Rolou até um tipo de abraço. — Jessy contou e eu olhei para a ruiva que tinha as bochechas rosadas.

— Vocês, pelo menos, registraram o momento pra mim? — perguntei, pigarreando para que a voz voltasse ao normal.

— Infelizmente, não. — Lene lamentou, pegando um copo com água no criado mudo e me entregando.

Eu agradeci e tomei a água, só ai notando que minha boca estava realmente seca.

— Tenho certeza que James ficou feliz com o consolo da ruivinha dele. — eu comentei, sorrindo provocante para Lily.

— Eu não sou a ruivinha dele! — ela se indignou e eu ri junto das outras meninas.

— Senti falta de provocar você. — comentei, sorrindo para ela que deixou escapar um sorrisinho amarelo.

— Quem ficou desesperado mesmo foi Sirius... — Lene disse e eu a olhei. — Ele nem ao menos dormia ou comia, só queria saber de procurar por você.

Eu me lembrei do maroto que foi ao meu encontro e sorri, tentando disfarçar mas elas viram.

— Quando chegamos, ele estava aqui velando o seu sono. — Lily disse, olhando pra mim debochada e eu balancei a cabeça.

— Somos amigos... Acho que é normal ele se preocupar. — eu disse, fixando meus olhos nos lençóis que cobriam minhas pernas e fiz uma careta ao tocar minha coxa.

Descobrindo minha perna direita, eu observei o curativo que tinha uma manchinha de sangue e suspirei, me lembrando da dor agoniante que senti naquela hora. Lilian vendo o mesmo que eu, foi até o meu guarda roupas e pegou uma caixinha branca, vindo até mim e se sentando ao meu lado.

— Precisa trocar durante algumas horas, Blinky me explicou. — ela disse, se referindo a elfa doméstica.

— Mas.. Por que ela te explicou isso? — eu perguntei confusa e ela sorriu sugestiva.

Era o que eu estava pensando..? Mesmo..?

— Vai ficar? — questionei, a olhando esperançosa.

— Sim! Seus pais nos convidaram para passar as últimas semanas de férias aqui e nossos pais concordaram. — a ruiva parecia animada com a ideia e eu só não comemorei como queria pois ela estava cortando a faixa.

— Merlin, isso é ótimo! — eu sorri, mesmo que elas estivessem fazendo caretas ao olharem minha perna descoberta.

Eu olhei também e mordi o lábio. Não estava tão ruim quanto a marca abaixo mas estava bem fundo. Não era tão largo, parecia que algum pedaço de vidro havia cortado. Ainda nem mostrava sinais de que iria cicatrizar, mas era muito recente. Lily passou um remédio e enfaixou novamente, sorrindo ao terminar.

— Remo também está aqui. — ela informou e eu ri.

Será que dava pra ter algo melhor? Eu fui sequestrada e torturada por um mês, mas ter meus amigos por perto me deixava muito feliz. Meu fazia sentir segura também...

— Eu quero ir lá em baixo. — eu disse, sorrindo animada para as minhas amigas.

— Ainda não está recuperada. — Lilian disse e eu revirei os olhos.

— Eu posso até ter sido torturada por 30 dias, mas eu estou bem... Eu quero voltar a minha rotina normal o mais rápido possível e eu apenas machuquei a perna, não a quebrei. — lhe disse, pondo minhas pernas pra fora da cama mesmo com ela tentando me impedir.

Sorrindo para elas, eu tentei caminhar até o banheiro, puxando um pouco a perna que latejou mas não doeu. Eu entrei no banheiro e lavei meu rosto, fazendo minhas higienes e saindo para o quarto novamente. Jessy já não estava no quarto, Lene e Lily estavam sentadas na minha cama observando cada movimento meu. Eu penteei meus cabelos que ficaram meio bagunçados por eu ter dormido com eles soltos e olhei para as meninas.

— E essa cara? Não vai passar nada? — Marlene perguntou, delicadíssima, como sempre.

— O que tem minha cara? — perguntei, cruzando os braços pra ela.

— Você está pálida. — Lily disse e eu dei de ombros.

— Um pouco de comida vai me fazer bem. — pisquei pra elas e fui em direção a porta, saindo do quarto e sendo seguida pelas duas.

Marlene me ajudou a descer as escadas lentamente pois, segundo Lily, movimentos muito bruscos poderiam afetar o ferimento e faze-lo sangrar. Bem... Eu acho que pular em Remo poderia ser considerado um movimento brusco. Afinal, eu não o via desde Hogwarts e havia sentido falta da sua sensatez. Ele tinha a aparência cansada, alguns cortes e eu imaginei que tenha tido uma lua cheia complicada.

— Vejo que está melhor do que James e Sirius me contaram. — ele riu, abaixando seu rosto para me ver sorrir já que eu havia agarrado sua cintura.

— Eu estou feliz... Conseguir fugir de um covil cheio de pessoas que te odeiam e ter os melhores amigos na sua casa é algo divino. — lhe disse, o deixando livre.

— Olha só ela, me trocando pelo aluado. O que eu deveria fazer, almofadinhas? — James apareceu junto de Sirius na porta da cozinha, sorrindo abertamente.

— Ah, não sei.. Que tal um ataque de cócegas? — o Black sugeriu e eu sorri, indo até eles.

Foi difícil abraçar os dois marotos juntos, já que eles eram bem mais altos e a minha perna não ajudava. Mas eu dei um jeitinho, me afastando quando a mãozinha de James ameaçou me fazer cócegas.

— E Pedro? — eu perguntei, sentindo a falta do garoto.

— Ele viajou com a familia para visitar uma tia. — Remo disse e eu lamentei, gostaria que todos estivessem aqui.

Meus pais apareceram na sala e eu os abracei fortemente, matando a saudade que senti durante todo esse tempo. Já se passava da hora do almoço e eu era a única de barriga vazia, por isso minha mãe me encheu de coisas, me fazendo comer até não aguentar mais. Segundo ela, eu precisava comer bem para melhorar mais rápido. Bem, talvez ela tivesse razão.. Eu quase não comia naquele lugar, era difícil sentir fome. Quando a senhora minha mãe me liberou, eu me juntei aos meus amigos na sala e me sentei entre Marlene e Remo, sorrindo pra eles.

— Então, o que aconteceu enquanto eu estive sem comunicação com o mundo? — perguntei, pondo minha cabeça no ombro de Lene.

— Nada demais, creio eu. — James disse, dando de ombros. — E no seu "esconderijo secreto"?

Eu ri da idiotice de meu irmão e notei como estava sentindo falta daquilo.

— Nada demais também... Eu conheci Bellatrix, que é muito gentil, aliás. — eu sorri e Sirius gargalhou.

— O dia em que Bellatrix for gentil, eu me jogo da torre de astronomia. — ele disse e James concordou.

— Ela não era tão ruim assim.. Quando estava longe de mim. — dei de ombros e eles riram.

— Torturaram muito você..? — Jessy perguntou, parecendo apreensiva com o que eu responderia.

— Bellatrix era a encarregada disso e parecia nunca se cansar.. Me visitava todos os dias. — contei, lembrando da garota fria e bruta.

— E.. Você viu ele? — Lily perguntou, fazendo uma careta.

— Sim.. Ele e todos os seguidores dele, incluindo sua mãe. — eu disse, me referindo a Sirius e ele suspirou.

— Um amor de pessoa, não é? — ironizou, sorrindo forçado.

— Mas olha, eu fiz algo muito legal. — eu mudei de assunto, tentando melhorar o clima meio pesado. — Primeiro eu quase consegui ser morta, e não foi por Voldemort ou Bellatrix.

Todos me olharam confusos enquanto eu sorria abertamente.

— Quem? — Remo questionou e eu respirei fundo.

— Kieran.

— O irmão de Brendan? — Lene perguntou, os olhos arregalados.

— Sim.. Ele é um deles. — suspirei, pondo meus cabelos pra trás.

— Por que ele quase te matou? — James perguntou, parecendo refletir sobre algo.

— Ele achou que poderia bancar o todo poderoso e eu mostrei que não.. Acho que ele ficou nervoso. — eu ri, me lembrando do idiota.

— Eu sabia que Kieran não era quem se mostrava ser. Calado, mas tem muita coisa escondida. — Sirius sorriu e me lançou um olhar significativo que eu entendi muito bem.

— Certo, como se livrou dele? — Lily pareceu confusa e eu ignorei ela duvidar das minhas capacidades.

— Essa eu devo a Bellatrix e Régulo.. Eles falaram algo sobre o lorde deles ficar furioso e descontar neles. — dei de ombros novamente. — Mas a segunda eu sei que vocês vão adorar.

— Você bateu em Narcisa? — Sirius perguntou e eu neguei. — O que então?

— Pra conseguir fugir, eu tive que derrubar alguém.. Como posso dizer? — me fingi de pensativa, sorrindo satisfeita. — Eu dei uma bandejada na cabeça de Lúcio.

A sala ficou silenciosa e todos me olhavam com expressões difíceis de decifrar. Sirius e James se olharam e eu sabia que ele estavam satisfeitos.

— Cara, você tem a irmã certa! — o Black se levantou, dando um tapa no ombro de James.

— Que orgulho.. — pontas fingiu limpar uma lágrima enquanto sorria.

— Não é tão legal assim, meninos. — a garota ruiva os repreendeu. — Não acham que ele vai querer se vingar em Hogwarts? Ou esqueceram que ele ainda tem o último ano pra completar?

Ela estava certa.. Eu não havia pensado nisso. Do jeito que Lúcio é, vai, com certeza, me perseguir até conseguir se vingar.

— Ele não vai chegar perto dela. Antes disso, já vai ter perdido a cabeça. — James disse, se levantando também.

— E quem vai arrancar a cabeça dele? — aluado perguntou, sorrindo irônico.

— Almofadinhas? — ele sugeriu e o outro deu um sorrisinho.

— Seria um prazer. — respondeu e eu ri, vendo Lily revirar os olhos.

— Não funciona assim. — a ruiva disse novamente e eu me levantei, indo até ela e me sentando ao seu lado.

— Não se preocupe tanto, ruiva.. — eu sorri pra ela, a abraçando de lado. — Eu sobrevivi a um sequestro por Lorde Voldemort.. Acho que sobrevivo a um pouco da raiva de Lúcio Malfoy.

Os outros riram e a ruiva sorriu, se entregando ao meu abraço. E eu que pensei por um momento que nunca mais veria essa ruivinha tapada.. Era bom ver ela, meus amigos, minha família.

Nós passamos o resto da tarde ali, conversando e jogando Snap Explosivo. Sirius tinha uma habilidade incrível para jogar aquilo, mas não mais que Marlene. Ele ganhou até de James, menos dela. Na verdade, nenhum dos dois conseguiu ganhar realmente. Eles jogaram por um bom tempo, até eu decidir ir beber água. Quando voltei, tropecei no pé de Lily e esbarrei na mesa, caindo bem no colo de Sirius enquanto ouvia as cartas explodirem. Eu fiz uma careta e mordi meu lábio, ouvindo as risadas dos outros.

— Era a sua vez.. — eu disse para o Black e ele sorriu.

— Não tem problema. — ele afastou uma mecha de cabelo do meu rosto e eu sorri levemente.

— Isso quer dizer que eu ganhei? — Lene perguntou, me lançando um olhar malicioso.

Marlene e o seu olhar malicioso que sempre me lançava quando Sirius estava envolvido.

— Nem pensar, Mackinnon. Não valeu. — Sirius disse, me ajudando a levantar.

— Vamos de novo, então. — a garota desafiou e Sirius foi interrompido antes de aceitar.

— Ah, não.. 'Tô vazando. — James disse e nós rimos.

— Eu estou cansada também.. Acho que vou tomar um banho. — eu disse, puxando minha perna para caminhar para longe da mesa.

Eu apoiei minha mão no ombro de James e ele se levantou, a segurando e pondo sua outra mão em minha cintura.

— Eu consigo. — sorri para ele, me referindo a subir até o meu quarto.

— Prefiro não arriscar. — ele me disse e eu revirei os olhos.

James me ajudou a subir as escadas e eu sorri pra ele, lhe garantindo que ficaria bem antes de entrar no meu quarto. Eu peguei roupas limpas e fui para o banheiro, prendendo meus cabelos em um coque e me despindo. Eu tirei a atadura de minha coxa e entrei debaixo do chuveiro, sentindo o corte em minha perna arder quando passei o sabão ali. Eu tentei não ligar, terminando meu banho e me vestido, saindo para o quarto e soltando os cabelos.

A noite chegou bem rápido e eu não quis jantar, comendo apenas uma fruta antes de voltar para o meu quarto. Lily havia me ajudado com os curativos e com a minha perna, dizendo que voltaria pela manhã antes de sair do quarto. Eu suspirei e me deitei na cama, observando o teto por um momento.

Como estaria Brendan agora? E Régulo? Espero que não tenham descoberto nada, nem desconfiado. Eu tentei dormir, mas só conseguia lembrar de ontem a noite.. Na minha fuga, nos comensais atrás de nós, em Sirius.. Eu precisava ve-lo, por isso pulei da cama. Quando iria caminhar até a porta, minha cabeça gritou;

"Ve-lo? Sirius Black? A essa hora? Nem pensar!"

Eu choraminguei, lutando contra meu coração. Me sentei na beira da cama e suspirei, batendo o pé no chão nervosamente. Quando dei por mim, já estava em frente a porta do quarto do maroto, respirando fundo antes de bater duas vezes. Os segundos se passaram como horas e eu apertei meus dedos. um barulho abafado foi ouvido por mim vindo de dentro e logo em seguida a voz do Black.

— Porra.. — ele xingou e segundos depois a porta foi aberta.

Ele pareceu surpreso em me ver ali e eu sorri amarelo, pondo o cabelo atrás da orelha.

— Eu acordei você? — perguntei, notando seus cabelos bagunçados.

— Não, eu estava tentando ler um livro. — ele disse e eu assenti. — Quer entrar?

Eu apenas assenti novamente e ele me deu espaço, deixando que eu adentrasse o quarto, podendo ver o motivo de seu palavrão. Ao lado de sua cama descansavam os cacos do que parecia ser antes um copo. Sirius fechou a porta e coçou a cabeça, indo até os cacos e os pegando, jogando na lixeira e voltando, sorrindo pra mim.

— Vai me contar o que tirou o seu sono? — questionou e só ai eu notei que ele não usava camiseta.

— Estava lembrando de ontem a noite. — lhe disse, entrelaçando meus dedos as costas e dando de ombros.

— Deve ter sido difícil.. Ainda mais com a perna machucada. — ele disse e eu concordei, lembrando novamente.

— Teria sido pior sem a ajuda do seu irmão.. Ele me explicou o que fazer do lado de fora também. — eu sorri e ele pareceu pensar em algo.

— Bem lá no fundo, eu sabia que meu irmão não era quem se mostrava ser.. — me disse e eu concordei, afinal, eles eram irmãos.

Nós ficamos em silêncio por um tempo e eu ri, chamando a atenção dele novamente.

— O que? — ele perguntou, passando as mãos por entre os fios negros e eu acabei tendo vontade de o fazer também.

— Eu só.. Deixa pra lá. — dei de ombros, podendo ver sua expressão confusa.. Até eu estava.

Seus olhos me avaliaram e eu corei um pouco, não que ele nunca tivesse me visto de camisola mas eu havia esquecido totalmente desse detalhe. Ele pareceu notar, já que sorriu e se virou para seu criado mudo, observando as fotografias encima dele. Eu observei suas costas nuas, notando o quão elas era bonitas..

— Sirius.. Bem, eu.. Eu queria agradecer. — eu soltei, ignorando aquele minuto constrangedor.

— Pelo que? — lentamente, ele se virou e voltou a me olhar.

— Por tudo. — sorri, indo meio timida até ele e o abraçando.

Eu senti ele hesitar, mas logo retribuiu, mergulhando seus dedos em meus cabelos e eu senti sua respiração perto da minha orelha. Nós ficamos assim por algum tempo, até nos afastarmos um pouco. Nossos rostos estavam muito perto e eu prendi a respiração, sentindo a sua aquecer meu rosto. Uma de suas mãos me puxaram mais pela cintura e eu senti nossos corpos ainda mais perto, minha pele se arrepiando apenas com aquilo.

— Eu quero muito beijar você agora.. — ele disse e eu fechei os olhos.

— Sirius, eu... Brendan e eu.. — eu tentei dizer mas já estava tudo confuso na minha cabeça.

— Por favor, não pensa nele agora.. Pensa apenas em nós, agora, nesse quarto.. Só estamos eu e você, tão envolvidos apenas com esse pequeno toque.. — ele disse, roçando seus lábios nos meus enquanto falava.

Eu juro que tentei resistir, mas quando seus lábios selaram os meus definitivamente, meu corpo amoleceu em seus braços e meu coração acelerou mais ainda, se é que era possível. Sua mão livre agarrou minha nuca e eu suspirei quando nossos lábios se afastaram por breves momentos, produzindo um som um tanto inconfundível. Ele sugou meu lábio inferior e o mordiscou, me dando beijos curtos e sorrindo entre eles.

— Por que eu não posso ser o único a beijar a sua boca? Ele te beija assim? O Jordan te beija como eu beijo? — ele perguntou e eu abri os olhos, olhando para ele meio anestesiada.

Minha mente queria gritar que não, ninguém jamais me beijaria como ele. Mas eu continuava sendo uma Potter e meu orgulho me calou. Resmungando, eu tentei me afastar dele mas ele me segurou mais forte, segurando meu pulso quando eu iria desferir um tapa em seu rosto.

— Eu sei que não. — Sirius sorriu e eu me soltei dele com certo esforço.

— Isso não é da sua conta.. — eu disse, tentando ficar o mais longe possível dele mas não consegui.

Ele segurou meu braço e me jogou na sua cama com um movimento simples. Eu reclamei quando ele me prendeu ali com seu próprio corpo. Suas mãos afastaram minhas pernas e ele teve cuidado para não incomodar minha perna machucada. Ele subiu uma delas pela minha coxa e eu virei meu rosto para o lado, tentando não mostrar o quanto aquilo me afetava.

— Sirius.. — eu tentei dizer quando ele deslizou seus lábio pelo meu pescoço, enviando arrepios por todo meu corpo.

— Vamos lá.. Não resista tanto. — ele pediu e eu neguei.

Eu não queria... Eu não queria... Eu queria, queria muito. Eu virei meu rosto para ele e fechei os olhos, deixando que seus lábios alcançassem os meus em um beijo afoito e intenso.

Merlin, o que eu estava fazendo? Eu não devia tentar supera-lo? Por que estava aos beijos com ele em sua cama? Eu estava enlouquecendo aos poucos enquanto suas mãos passeavam pelo meu corpo e seus lábios provocavam os meus com beijos lentos, produzindo sons que me deixavam ainda mais... Excitada. Nossos suspiros eram ouvidos pelo quarto junto de nossos beijos e eu segurei sua mão quando ela chegou a barra da minha camisola.

— N-não estamos indo longe demais...? — eu perguntei, a respiração alterada pela falta de ar.

— Você quer parar? — ele perguntou, acariciando meu rosto com suavidade.

Eu pensei por um momento, eu queria? Eu o observei por um tempo, tentando recuperar meu folego. Não.. Eu não queria parar.

Eu neguei, levando minhas mãos a sua nuca quando ele as soltou, puxando seu rosto para que nossos lábios se encontrassem novamente. Sua mão continuou de onde parou e adentrou minha camisola, acariciando minha barriga e subindo até meus seios descobertos... Eu estava sem sutiã, não pretendia sair do meu quarto. Quando sua mão quente tocou um de meus seios, eu estremeci.. Ainda mais quando ele sorriu e seus dedos esfregaram meu mamilo.

Que sensação era aquela? Era.. Diferente de tudo que eu já havia sentido até ali.. Um suspiro me escapou e eu mordi meu lábio, deixando minhas mãos deslizarem por suas costas. Sua mão escorregou novamente e eu abri os olhos, já que agora elas desciam.

— O que.. O que está fazendo? — eu questionei quando sua mão alcançou a minha calcinha.

— Quero sentir seu corpo tremer de prazer pela primeira vez.. — me disse, distribuindo beijos pelo meu pescoço.

Eu apenas assenti, me perguntando; como tinhamos chegado ali? Eu apenas vim lhe agradecer por ter me salvado... E agora estavamos na sua cama. A mão de Sirius adentrou minha peça intima e eu apertei seu ombro, indicando meu claro nervosismo. Seus dedos tocaram minha intimidade e eu fechei os olhos, virando meu rosto para o lado oposto. Eu sabia o que ele faria mas eu nunca havia feito aquilo.. Muito menos deixado alguém me tocar daquele jeito.

Eu levei as mãos a boca quando acabei por deixar um gemido escapar. Os dedos do maroto brincando em minha vagina me causavam sensações que eu não podia explicar. Os sons que saiam de minha boca pareciam incontroláveis e Sirius sorriu contra minha pele ao mesmo tempo que eu tapava meu rosto já quente, me sentindo muito envergonhada. Sirius moveu seus dedos mais intensamente em mim e eu apertei seus ombros, deixando minhas unhas deslizarem por suas costas com certa força.

Eu sabia que poderiam ficar marcadas depois mas, naquele momento, eu não conseguia raciocinar direito. Eu senti ele sugar a pele de meu pescoço, logo distribuindo beijos pelo local magoado antes de subir até a minha orelha. Eu apertei os olhos e tentei reprimir qualquer som que tentasse escapar, mesmo que não tivesse tido sucesso. Meu corpo tremeu e minhas unhas maltrataram ainda mais suas costas. Meus olhos reviraram e eu senti Sirius afastar um pouco seu rosto de mim enquanto seus dedos iam parando lentamente. Meu corpo ainda tremia um pouco e eu passei a língua sobre os lábios, umedecendo os mesmos que pareciam secos de repente.

Sirius sorriu e tirou sua mão da minha calcinha, se deixando cair ao meu lado depois de deixar um beijo suave em meus lábios. Eu permaneci a observar o teto, minha respiração se acalmando aos poucos.. Merlin, que loucura!

— Isso foi.. Eu acabei... Eu.. — tentei dizer com a voz tremula mas nada saiu.

— Sim, meu anjo, você acabou de ter um belo orgasmo. — o garoto completou, também parecendo um pouco abalado depois daquele momento intenso.

— Merlin.. — eu sussurrei, me sentando na cama e olhando para ele. — Merlin!

Eu levei uma das mãos a boca ao notar o volume na calça dele e o Black riu, levando as mãos aos cabelos. Eu o observei se levantar e respirar fundo, me olhando por um momento.

— Ainda está vermelha. — disse, caminhando para o banheiro depois disso.

Eu fiquei ali, sentada ouvindo o silêncio que me dizia muito. Nós... Haviamos mesmo feito aquilo? Meus Deus, foi tão bom.. O que estava a acontecendo comigo..? Eu não sabia mas sabia que ficaria ali por medo de encontrar alguém no caminho para o meu quarto. Ainda meio confusa, eu me deitei novamente e me cobri, fingindo estar dormindo. Os minutos se passaram e eu ouvi a porta do banheiro se abrir mas não abri os olhos. Os passos de Sirius se aproximaram e eu senti a cama ao meu lado afundar.

— Mesmo sabendo que não está dormindo, eu vou fingir que sim. — ouvi ele dizer e deixar um beijo em minha cabeça. — Boa noite, anjo.

Eu sorri, me chegando mais pra perto dele e sendo envolvida por seus braços. Seus braços... Soavam tanto como o meu lugar. Seriam mesmo...? Sendo ou não, naquela noite eu sonhei com ele e, como das outras vezes, foi um dos sonhos mais bonitos que eu já tive.