A Marca - Vingança
12 Vítima (Alice)
Notas iniciais
-para os que não sabiam, eu havia perdido o pendrive com toda a história
Mas eu achei, então não me batam.
Enfim, aí está o capítulo desse fim de semana!
Até sábado que vem!
–Gustavo, pode me ajudar em matemática? – pedi. O gêmeo era um dos melhores alunos e eu andava com grande dificuldade na matéria. Ele suspirou.
–Sabe o que é, Alice? Não vai dar... Eu tenho que... er...
–Ele não vai te ajudar e pronto! Se manda daqui, aberração! – interrompeu Carol.
Engoli a vontade de matá-la e dei meia volta. Lucas e Rebeca estavam a apenas alguns metros de mim.
–Eu te ajudo. – ofereceu Rebeca.
–Obrigada. – sorri de leve. Hoje em dia, sinto-me mal por ter julgado Rebeca. Na verdade, ela é apenas uma garota humilde e compreensiva. E com o coração partido. Lucas me contou sobre seu namorado americano que simplesmente desaparecera. Mas as coisas pareciam ir bem agora que o nerd gato se interessou por ela.
–Ignore-a, Alice. A verdade é que ela te deseja, mas não quer admitir. – disse Lucas. Ri. Julia se aproximou.
–Oi. – cumprimentou-me séria.
–Oi. – retribui. As coisas andavam meio estranhas entre a gente agora que toda a escola resolvera nos julgar.
Fazia uma semana desde que Paula se mudara para nosso apartamento. O que equivale a uma semana que as pessoas na escola tratam a mim como uma leprosa. A mim e a Julia. Isso vem tornando as coisas mais difíceis para nós. Sorrimos de leve uma para a outra e continuamos em silêncio.
Lucas bufou.
–Tenho que ir. – ele disse, simplesmente se afastando em seguida. Rebeca hesitou em segui-lo, mas acabou ficando. Contive um grito de raiva. As mudanças de humor de Lucas estavam me matando.
–O que aconteceu com ele? – perguntou Julia.
–Sei lá, ele está estranho desde que Paula foi morar lá em casa. – respondi.
–Você sabe quem é aquela loira com quem ele fala? – perguntou Rebeca.
–Loira? Alguém da escola?
–Não que eu saiba. Eles estavam conversando na entrada no início da semana.
–Não, não sei de nenhuma loira.
–Rebeca, viu o Lucas? – perguntou Beatriz, com o sorriso idiota de apaixonada estampado no rosto. Rebeca apontou para onde ele foi e Beatriz correu naquela direção. Eles estavam namorando? Será que essa loira era amante dele?
Meu irmão é tão cara de pau assim?
–Alice. – Rebeca me chamou. Julia me observava preocupada.
–Que foi?
–Você estava encarando o nada de novo. – disse Julia. Suspirei. Eu andava me distraindo mais que o normal atualmente.
Fizemos silêncio. Essa semana estava sendo assim: Desconfortável e irritantemente silenciosa.
Olhei para o lado, agora era Rebeca quem encarava o nada. Ou melhor, encarava a Jéssica, que se oferecia descaradamente a Hugo. Uma estranha lembrança de Rebeca enforcando-a me ocorreu, porém eu não tinha certeza se isso realmente acontecera. Provavelmente não. Tentar matar alguém simplesmente não combina com Rebeca. Tive a impressão de ver seus olhos adotarem um tom avermelhado. Essa era a cor do ciúme?
–Com licença, preciso ir ao banheiro. – ela disse. Pode ter sido coisa da minha cabeça, mas eu juro que havia algo de demoníaco na voz dela quando ela disse isso.
Agora eu estava sozinha com Julia. Desconforto, essa palavra é perfeita para descrever esse momento.
–Você podia ser um pouco mais discreta, sabe?
–O quê? – fiquei confusa.
–Você não parava de encarar a Rebeca!
–Ah, meu Deus, Julia! Será que você poderia parar de ser neurótica por pelo menos um segundo?
–Neurótica? Eu estou sendo neurótica?
–Está! Eu não posso olhar para ninguém que você já fica cismada! Por que você não arranca meus olhos logo? Seria mais fácil!
Ela abaixou o olhar.
–É, talvez seja a melhor opção. – murmurou para si mesma.
Gritei de raiva, saindo dali em seguida.
Todo mundo estava estranho. Lucas, Julia, Rebeca. Quase todo mundo que eu conhecia tinha nojo de mim e meu pai estava prestes a casar com uma vadia. Minha vida estava desmoronando e meus únicos confortos estavam se afastando de mim. Eu precisava de uma distração.
Mesmo ainda estando em horário de aula, saí da escola. Entrei em um ônibus qualquer, desci em um ponto qualquer. Não fazia ideia de onde eu estava, mas provavelmente em algum bairro da zona sul, a julgar pela grande quantidade de gringos nas ruas. Depois de algumas esquinas eu já podia ver a praia. Estava lotada. Parei em um quiosque aleatório para tomar uma água-de-coco.
–Bom dia. – um homem me cumprimentou. Ele era alto e forte e tinha uma tatuagem que cobria seu braço esquerdo inteiro. Não consegui definir o que era, havia muitas coisas diferentes misturadas. Sorri gentilmente para ele, apenas por educação.
–Bom dia. – retribuí a gentileza.
Senti que ele me observava estranhamente. Incomodada, saí dali antes de terminar de beber a água-de-coco. Andei apressadamente, sem saber exatamente para onde ir, apenas obedecendo meu instinto que gritava para que eu me afastasse do homem. Senti que ele me seguia. Andei por um bom tempo, tomando várias ruas desconhecidas, apenas esperando despistá-lo. Parei em uma rua deserta. Olhei em volta, não havia ninguém ali. Absolutamente ninguém. Tive medo, o estranho silêncio me assustava ainda mais.
Ouvi um barulho atrás de mim. Virei, não havia ninguém lá.
Meu instinto me dizia para fugir, mas, ao fazê-lo, esbarrei em alguém que eu não ouvi se aproximar. Gritei, tentando me livrar dos braços da pessoa que me segurava com firmeza.
–Shh. Você não vai sentir nada. – ele disse. Era o homem da praia. Lembrei-me do canivete de meu pai que eu sempre carregava comigo, se ao menos eu conseguisse me mexer para pegá-lo...
Outra pessoa, talvez um cúmplice no homem tatuado, passou a mão pelo meu pescoço, tocando minha jugular com algo metálico.
–Tentando pegar isso? – era um homem, percebi pela voz. E o objeto que segurava, ameaçando me matar com ele, era o canivete de meu pai. O homem riu prazerosamente, acompanhado do tatuado que me segurava. Senti lágrimas de medo escorrerem por meu rosto – Suas últimas palavras?
–Lucas! – gritei, esperando que de alguma maneira ele me ouvisse e fosse me salvar. Mas ele não apareceu.
Senti a lâmina cortando minha pele. Antes de perder os sentidos, tive a impressão de ouvir uma mulher gritando algo que não consegui compreender.
***
Eu estava na fila do cinema, com pipoca, refrigerante e ingresso na minha mão. Não me lembrava de ter ido para lá. Aliás, não me lembrava de nada daquele dia. Não com clareza. Lembrava de ter discutido com Julia, depois disso, tudo não passava de um borrão. Olhei para o lado, Julia estava comigo. Não estávamos brigadas? Não me lembrava de conversarmos sobre isso. Olhei o ingresso na minha mão: Amanhecer parte 2 (Legendado). Também não lembrava de comprar esse ingresso. O que realmente tinha acontecido aquela tarde?
O filme acabou, estou no ônibus com Julia. Nós brigamos de novo. Meu dia está sendo péssimo, ou pelo menos é o que sinto. E só iria ficar pior, quando eu chegasse e tivesse que sorrir para a vadia sem sal da Paula.
Aparentemente, Julia e eu fomos expulsas do grupo de desenho da escola, essa foi a parte do dia que perdi. Por ser um grupo não oficial criado por alunos, não existiam regras contra isso. Julia está se sentindo horrível e impotente, desenhar é sua vida. E agora ela resolveu me culpar. O clima no ônibus pesava tanto que desci dois pontos antes do que deveria.
–Boa noite. – eu disse, levantando-me e dando sinal.
–Seu ponto não é esse.
–Mas eu vou descer aqui.
–Ah, certo... Vai se encontrar com alguém especial?
Revirei os olhos. Ela anda irritantemente ciumenta ultimamente. Fui andando tediosamente pelas ruas escuras no caminho de casa. Um bêbado cambaleava em minha direção. Tirei o canivete que roubei de meu pai do bolso, por precaução. O bêbado parou na minha frente.
–Boa noite, gostosa.
–Sai da minha frente.
Ele colocou a mão no meu rosto. Bêbado suicida.
–Não me toca! – exclamei, levantando o canivete. Ele recuou.
–Deixa a garota em paz. – disse alguém. Um sotaque pesava na fala dessa pessoa. Com certeza não era brasileira.
O bêbado recuou alguns passos e tropeçou nos próprios pés, caindo no chão, onde permaneceu. Virei-me para o estrangeiro.
–Obrigada. – eu disse.
–Por nada, chica. – o homem tinha a pele um tanto morena, cabelos negros e olhos igualmente escuros. Era forte, mas não tão bonito. Olheiras profundas repousavam sob seus olhos – ¿Me puede decir...? – ele se interrompeu – Yo lo siento. – ele pigarreou, corrigindo-se então com seu sotaque espanhol – Puede me dizer dónde vive Lucas? Lucas Medeiros?
Congelei.
Quem era aquele cara e o que ele queria com meu irmão?
Notas finais
Tô com sono, então... Boa noite.
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