Notas iniciais
Especial "Fim do Mundo"
Ia ser hoje, né? *olha o mundo lá fora* Que sem graça, não tá acontecendo nada. Seria divertido ter um último caótico como um fim de mundo. Eu morreria no final mesmo. Pelo menos teria adrenalina.
Eu tava lendo uns capítulos de A Marca (a primeira parte, né?) agora pouco... Eu to tipo assim "wtf?" eu cheirava, não? sério, tava muito fucked up aquela parada...
Mas enfim! Lê aí ^^

-Vim pelos filhos de Hanaggan.

Quando eu disse aquilo, James apenas respirou fundo e levantou o olhar sorrindo. "Quer saber o que descobri, imagino. Bom, sinto-lhe informar que não consegui nada. Estou esperando que os lugares atacados sejam reabertos para poder investigar.", ele respondeu, com um irritante sorriso simpático nos lábios. Claramente, um sorriso falso. Mas seu esforço para parecer inatingível me irritou.

Propus então quee trabalhassemos em parceria na investigação, e ele aceitou com o mesmo sorriso forçado. Aquilo não fazia sentido, aquela dor disfarçada. Ele me excluiu de sua vida. Eu simplesmente não poderia aceitar que ele estivesse ferido com isso.

-Boa noite, João. — cumprimentei-o entrando no prédio. Ele dormia na portaria. Porteiro idiota. Minha marca ardia toda vez que eu olhava para ele enquanto estava irritada. Um cara como o João não faria falta para ninguém, seria ótimo poder arrancar suas tripas apenas para aliviar o estresse.

Não. Eu não devo pensar essas coisas. Não posso deixar meu lado Killster vencer novamente. Respirei fundo e entrei no elevador. Corri para dentro de casa e me joguei no sofá. Estava cansada. A tensão no quarto de James tomou toda minha energia. Meu celular tocou, atendi rapidamente.

-Guten Abend! — exclamou um homem do outro lado da linha.

-Boa noite, pai.

-E aí? Como você está?

-Bem.

Silêncio.

-Como você está? — dessa vez sua voz saiu mais séria. Droga.

-Só estou cansada, pai.

Silêncio de novo, ouvi-o suspirar.

-Certo, certo, não precisa falar se não quiser, não vou te forçar. Então, hoje eles entregaram o teste de português, certo? Como você foi? — ele mudou de assunto para algo que geralmente me animaria, mas... Bom, digamos apenas que eu comecei a chorar — Rebeca? O que houve?

-Eu... meu orguho tá ferido, pai. Tirei nota baixa...

-Quanto? — e lá estava ele sério de novo.

-Não me faça dizer, por favor. — mais um suspiro.

-Tudo bem. Só passe de ano, ok?

-Vou passar. Boa noite, pai. Eu realmente estou cansada.

-Gutten Natch! Durma bem, querida.

-Obrigada, pai. Você também.

Desliguei e subi para o quarto quase me arrastando. Joguei-me na cama e dormi instantaneamente.

Acordei sentindo algo tocar meu rosto. Abri os olhos, não tinha ninguém na minha frente. Senti a coisa que tocara meu rosto escorrer, era líquido. Uma goteira? A substância alcançou meus lábios, lambi-a.

Sangue.

Levantei num impulso, olhando para o teto, sujo de sangue. Ouvi algo bater no vidro da janela e corri até a mesma, abrindo-a. O mundo lá fora estava em ruínas. Um corvo negro repousava no parapeito de minha janela, parecia sorrir. Recuei. Tudo bem, tudo bem, isso é um sonho, nada mais. Fechei os olhos com força. Quando eu abrir os olhos vou estar acordando na realidade, na cama, sem sangue e com o mundo do jeito que estava ontem. Reabrí-os, mas eu ainda estava parada diante a janela. O corvo, que me encarava, transformou-se em uma mulher de olhos azulados e cabelos castanhos, tinha traços fortes, e ainda assim era linda. Ela sorria para mim docemente.

-Nos encontramos novamente, Re-be-ca.

Espantei-me por um momento, nunca vira aquela mulher antes, do que ela estava falando? Bom, era apenas um sonho, certo? Essas coisas acontecem em sonhos...

Então eu lembrei. Olhei no fundo de seus olhos sádicos e lembrei.

Aquilo não era apenas um sonho. Meu subconsciente estava sendo manipulado novamente. A mulher a minha frente era a mesma mulher que matara meu pai em um pesadelo, há alguns dias. Era uma das filhas de Hanaggan.

Sem nenhuma arma para auto-defesa, corri. Saí de meu quarto e até a cozinha, onde pegaria uma faca para matá-la, mas fui forçada a parar na sala. A sala de meu apartamente, um lugar geralmente tão reconfortante, estava coberta por sangue, assim como meu quarto. Mas não era só isso. Corpos estavam espalhados pelo cômodo, estripados, seus órgãos jogados por aí no meu caminho. Senti ânsia de vômito. Meu pai, Lucas, Alice, James... Havia mais uma pessoa, uma que não identifiquei de primeira. Andei até o corpo e afastei o cabelo de seu rosto.

-Mãe! — gritei, tocando o rosto da morta. Levei minhas mãos ao rosto, tentando conter as lágrimas.

A responsável pela carnificina ria a alguns metros de mim.

-Por quê... Por que você está fazendo isso? — perguntei, secando as lágrimas.

-Eu? Eu não estou fazendo nada, Rebeca. É você. Suas escolhas, todas, carregam consequências.

-Do que você está falando? Vocês vão matá-los se eu continuar pesquisando, é isso? — ri — Minha mãe... É meio tarde demais para matá-la, não acha?

A mulher riu escandalosamente.

-Que fofa.- então adotou uma expressão séria — Nós não vamos fazer nada, Rebeca. Você vai. Aliás, você já fez...

Virei para ela, tentando entender o que queria dizer, então deparei-me com uma versão corrompida de mim, com o olhar maníaco e um sorriso sádico. Minhas mãos, minhas roupas, meu rosto... Tudo nesse outro eu estava coberto por sangue. Eu segurava algo, algo que batia ritmicamente. O coração de alguém. Percebi um burado em meu peito — do verdadeiro eu. O falso eu segurava o coração do verdadeiro eu. Caí na piscina de sangue que meu chão havia se tornado, minha visão escurecia gradativamente.

-Não seja idiota, Rebeca. Ainda há uma maneira de evitar esse fim... — disse a filha de Hanaggan.

O falso eu aproximou-se de mim com aquele olhar maníaco e declarou sem desfazer o sorriso psicótico:

-Desista.

E minha visão escureceu por completo, a risada psicopata do eu corrompida ecoando em minha mente.

Notas finais
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! *todos grita e sai correndo*
Até! Amo vocês *-* (até os que sumiram, me abandonaram, sei lá. Amo todos u.u)
bjs!!