Notas iniciais
FELIZ 2103! UHUL!
Eu fui mandar mensagem de feliz ano novo pro pessoal, mas meu celular não enviou... ¬¬' aquela merdinha estragada... tô precisando de um novo.
MUITA PAZ, ALEGRIA, FELICIDADE E DESEJOS HIPÓCRITAS QUE RECEBEMOS TODO ANIVERSÁRIO, NATAL E, COMO PODEM VER, ANO NOVO!
mas o meu foi sincero. Sejam felizes.
Amo vocês, meus killsters lindos.
BOOA LEITURAAA!!!

–Aquele trecho que a falsa Marie leu para a gente! É outro ponto de vista, mas é a mesma cena!

–E, aparentemente, com Hanaggan observando de longe. "Acima deles, observando com um sorriso divertido nos lábios, estava o primeiro de todos — aquele que poderia ser considerado seu Deus." Ou seja: Hanaggan. Tem que ser.

–Quem escreveu isso? — virei o livro, procurando o título do autor na capa. Elliot Han. - Coloca no google. — e assim James o fez.

Em poucos momentos, milhares de resultados apareceram. Achamos um site que apresentou resultados de quantas pessoas com esse nome existiam nos Estados Unidos — apenas cinco, por sorte. Duas em Nova York, duas na Califórnia e uma em New Jersey¹. Havia a opção de descobrir mais detalhes sobre eles, porém seria necessário pagar.

–Então? A gente se cadastra? — perguntou.

–Não vale à pena... — voltamos para a página da pesquisa — Aqui! Tem uma opção² de um tal Elliot Han que é tradutor e escritor! — exclamei.

O link nos redirecionou para um site de fundo preto, com uma imagem igual à capa do livro no cabeçalho. Uma música de fundo de letra um tanto macabra tocava — reconheci-a como The Horror of Our Lives– Ludo. O site era mais como um blog, na verdade. Tinham posts que pareciam ser sobre sua vida pessoal e uma propaganda de seu livro na sidebar, abaixo de seu perfil.

Elliot Han, 37, writer. Born in Castlebar, Ireland.– e isso era tudo. Acima das informações, uma imagem de um homem de cabelos cacheados vermelhos e olhos castanhos, ele cobria a parte inferior de seu rosto com a mão, a palma para fora destacava com sua palidez o hexagrama negro que havia nela.

Abaixo da imagem da capa, também no cabeçalho, havia um pequeno menu horizontal, preto como o resto do site e com letras brancas: Home / Book Preview / About Me / Contact

Clicamos na página de contato, sendo redirecionados para uma página com o fundo preto azulado, quase como um céu noturno. No centro da página havia uma janela de um branco desbotado e abaixo dela uma caixa de texto. Na janela, lia-se em letras azul marinho "Busy hunting, leave your messenge after the bip. ~Bip!"³. Ao canto da página tinha uma outra foto dele, essa em preto e branco.

–Deixe uma mensagem para ele, talvez ele responda. — eu disse.

–Como o quê?

Peguei o notebook e pensei um pouco, então digitei rapidamente, sem olhar para o teclado:

"We know who you are³"

A foto dele ganhou cor e a música de repente parou.

–Quem são vocês e o que querem? — perguntou uma voz grossa, vinda do computador.

Senti um calafrio percorrer meu corpo. Estranhei ele ter perguntado em português.

–Como sabia que...

–Eu rastreio cada um que acessa meu site. — um pontinho de luz acendeu ao lado da webcam, indicando que ela estava ligada. Ele acabou de invadir o computador de James? — Vocês estão no Brasil, então deduzi que sentiriam mais conforto falando português. Então o que querem?

James virou para mim, parecia confuso.

–Ah, eu não tinha percebido seu hexagrama, garoto. Quem é você, Garret? Talvez Matheo? Pouco importa, apenas repito o que já disse para William: Deixem-me fora dessa. Já disse que não quero me envolver!

–Quem são esses? Filhos de Hanaggan? — perguntei, curiosa.

Silêncio. Imaginei o que estaria pensando.

–Quem são vocês?

–Eu sou Rebeca Cortez, esse é James Stevens. Nós estamos... pesquisando... sobre os filh...

–Neta de Annabeth e neto de Julliet, certo? — por seu tom de voz imaginei que sorrisse — Os assassinos de meu pai.

Gelei. Ele era um deles, claramente. E sabia que nós havíamos matado Hanaggan. Provavelmente seria só mais um na lista dos que desejam nos matar.

–É, somos nós. Vai nos matar, vingar seu pai? — perguntei. James observava atentamente a conversa, parecia entender parcialmente, graças às poucas aulas de Português que fez. Entretanto, não parecia saber como responder.

–Admiro seu feito, na verdade. — disse Elliot, arrancando uma expressão surpresa de mim e James — Aquele cara era doente... Assim como seus filhos, meus irmãos. Creio que fui o único capaz de seguir em frente.

–Então eles realmente estão aqui para nos matar? — perguntei.

Ele riu.

–É um pouco mais complicado que isso. Mas esse não é o tipo de conversa para se ter assim, indiretamente. Deem-me alguns dias, tenho que resolver algumas coisas e então irei encontrá-los.

Em seguida a tela escureceu e, quando voltou, trouxe o aviso:

Error 404 -- Not Found

Elliot havia tirado o site do ar.

Então tínhamos um filho de Hanaggan do nosso lado? Isso poderia ser útil.

Despedi-me de James e peguei um táxi de volta para casa. Já era noite.

Depois do assalto, cada um foi para sua casa, estávamos abalados psicologicamente e não tínhamos mais ânimo para fazer qualquer coisa. Eu principalmente. Os olhos de Kelly me encarando e suas palavras ecoavam na minha mente. Era inquietante. Sem pensar duas vezes, fui direto para o Fasano, ver James. Precisava confirmar a identidade da Smurfette.

Foi bom termos descoberto Elliot. Ele provavelmente seria de grande utilidade.

"É um pouco mais complicado que isso."

Fosse o que fosse, provavelmente acabaríamos em uma situação similar ao Coliseu...

Precisaria repôr as energias.

Finalmente cheguei no prédio, paguei e saí do táxi. Estava escuro, mas percebi um vulto parado no poste em frente ao prédio. Ignorei e entrei, estava sem porteiro. Voltei para fora.

–João... — murmurei, reconhecendo a figura que parecia urinar infinitamente naquele poste.

Aproximei-me, ele cheirava a álcool. Bêbado desgraçado.

–João! — chamei — Você não pode deixar o prédio sozinho.

Ele acabou de urinar e virou para mim, sem se preocupar em guardar seu amigo, o qual ainda segurava.

Bua nôtche, senho-ita! — ele disse, atropelando-se com as palavras.

–Você não pode deixar o prédio sozinho. — repeti, fingindo não reparar enquanto ele se alisava.

Eeu nuum deixei socinho, naum. Tá cos moradoor dento. - riu-se jogando a cabeça para trás.

Não é engraçado.

–Desculpe, eu vou ter que falar com o síndico sobre isso. — eu disse, pegando meu celular — Você está bêbado em horário de trabalho, e fora do recinto. — comecei a discar o número do Sr. Cavalcanti, o síndico do prédio.

Antes que discasse o último número, João puxou-me e jogou-me contra o poste, fazendo-me bater com a cabeça no mesmo. Reparei que a garrafa de bebida em sua mão estava quebrada e agora ele a apontava em minha direção.

–Você não vai fazer nada — ainda falava meio torto, mas agora era mais compreensível — A não ser o que eu mandar. — sorriu — Sabe, sempre achei a senhorita muito bonita. — ele abaixou mais as calças.

Desviei o olhar.

–Isso é a bebida falando, João. Não faça nada estúpido. — eu disse, tentando manter a calma.

–Não... — ele tocou meu rosto com a garrafa — Não faça nada estúpido você. — ele sorriu de maneira doentia — Agora seja uma boa garota e faça o papai feliz, ok?

Ele estava perto demais. Seu hálito de bebida deixava-me enjoada. Assustei-me no primeiro momento, desejando que alguém aparecesse para me ajudar. Mas então lembrei de uma coisa:

Eu não precisava ter medo de um reles mortal.

Com um movimento rápido, peguei a garrafa de sua mão e troquei as posições, jogando-o contra o poste. Pressionei uma das pontas afiadas do vidro contra sua garganta.

–Seja um bom garoto e faça a mamãe feliz, ok? — eu disse, sorrindo ironicamente.

E, sem grandes esforços, arranquei sua garganta, fazendo seu sangue jorrar na minha roupa. Ri prazerosamente enquanto observava-o sangrar até a morte.


Acordei de uma noite sem sonhos perturbadores. Não lembrava com clareza da noite anterior, mas sentia-me com as energias renovadas. Talvez fosse a positividade trazida ao descobrir que Elliot estaria nos ajudando — sendo um dos irmãos, ele com certeza seria de grande, grande utilidade.

Fui tomar banho. Um cheiro metálico estava impregnado em meu chuveiro, um cheiro similar a sangue. Olhei para baixo; não, eu não estava menstruada. Qual a origem do cheiro? Não fazia ideia. Também não importava. Estava de bom humor e nada tiraria isso de mim.

Vesti-me numa camisa de alças que pertencera à minha mãe e um curto short preto. Desci para tomar café da manhã. Estava preparando o café quando a campainha tocou.

–Bom dia, senhores! — do lado de fora, dois policiais me observavam com suspeita no olhar. Sorri para eles — Como posso ajudá-los?

–Gostaríamos de fazer algumas perguntas, se não se importa, senhora...

–Cortez. Mas podem me chamar de Rebeca.

–Certo, Rebeca, é sobre o porteiro noturno, João Esteves.

–Gostariam de entrar para um café? Está fresquinho, acabei de preparar. Sem querer me gabar, mas geralmente meu café fica uma delícia.

Eles entraram e sentaram-se à mesa, agradecendo. Trouxe o café e servi-os.

–Então, o que estavam dizendo? Tinha a ver com João, certo? O que ele fez dessa vez?

–Ele foi assassinado, senhora.

Meu coração deu uma pequena parada com o choque. Eu queria dizer alguma coisa, mas nada saía. Não me sentia mal por João ter morrido, nem um pouco. O choque foi por causa da imagem que aquelas palavras me trouxeram, pela lembrança que elas me trouxeram.

De repente eu entendia a origem de minhas energias renovadas.

–E-eu... — gaguejei, não conseguia dizer nada. Suspirei pesarosamente — Ele...

–Entendo que esteja em choque, madame, mas nós precisamos que você responda a algumas perguntas. Sabe como é, procedimento padrão.

–Certo... — respirei fundo e levantei o olhar abatido.

–Onde você estava ontem entre sete e dez da noite?

–Estava voltando para casa. Cheguei em torno das oito, mas João não estava no prédio...

–E você não achou suspeito?

–Não, ele sempre foi muito irresponsável, e eu sabia que tinha o péssimo hábito de beber durante o expediente. Imaginei que tivesse saído para estocar mais bebida. Ele guardava algumas garrafas embaixo do balcão.

–Sim, nós encontramos as bebidas. Alguém pode comprovar que chegou a essa hora? — perguntou.

–A Yasmin me viu chegando. É minha vizinha da frente.

–Ela está em casa agora? — perguntou.

–Acredito que sim.

Aguardei apoiada na porta enquanto os policiais batiam no apartamento de Yasmin, para confirmar meu álibi. Sorri.

Lembrava com clareza da noite anterior. De como eu o matei. De como me diverti fazendo-o.

Lembrava de sair do elevador, coberta de sangue, e encontrar os olhos assustados de Yasmin, a boca prestes a gritar.

–O que foi, Yasmin?

Ela respirou fundo, rindo nervosamente.

–Tive a impressão de que você estava... — ela balançou a cabeça, rindo mais um pouco — Esquece, foi impressão minha. O sono faz-me ver coisas... — então ela jogou o lixo fora, a única razão para ter saído de casa, e voltou para dentro rindo de si mesma.

E eu fui tomar um longo e relaxante banho, para tirar o sangue sujo daquele homem do meu corpo. Tive que jogar as roupas fora. Mas como o caminhão de lixo passava todos domingos bem cedo, essa única prova provavelmente já havia sido dispensada.

Mas foi divertido observar a confusão nos olhos de Yasmin ao manipulá-la.

–Certo, obrigada, senhora. — a mulher voltou para dentro de casa. Quando os policiais voltaram para mim, algumas lágrimas escorriam.

–Desculpem... É que, apesar de ser irresponsável, ele era uma pessoa... — disse, entre as lágrimas — Só descubram quem fez isso. — eu disse, voltando para dentro.

–Descobriremos. Obrigado pela colaboração, madame.

–Sem problema.

Fechei a porta e sequei as lágrimas, fui tomar meu café, meu bom humor reconstituído, enquanto assistia uma coisa qualquer na TV.

Depois de algumas horas, já com a certeza de que a polícia havia ido embora, saí para comprar um celular novo. Meu pai provavelmente estava preocupado.

Notas finais
Eu gosto mais da Rebeca Killster, sabe? Ela é fo~da ♪
1: é verdade, gente, eu pesquisei Elliot Han no google e achei esse site. E realmente tinha que pagar para mais opções - se bem que eu acho que as primeiras 24h eram de graça. Mas ele era confuso, pq dizia que só tinham 5 Elliot Han, mas quando eu cliquei num link do site para obter mais informações apareceram uns nove e no outro negócio dizia que eram uns cinco milhões e tantos o.o
Ou seja: Site de stalkers não confiável..
2: A opção do Elliot Han tradutor e escritor também existe. podem pesquisar no google (mas tipo, essas apareceram no google em inglês, não sei se em pesquisar em português apareceriam) só que o site, claro, eu inventei.
3: Para os que não sabem inglês, o texto na janela era "Ocupado caçando, deixe sua mensagem após o bip. ~Bip!" e o que a Rebeca escreveu foi "Nós sabemos quem você é" apesar de que eu acho que vocês entenderam, mas não custa traduzir
QUE MERDA, JÁ SÃO DUAS HORAS E AGORA COMEÇOU, TIPO, >A CHUVA< DE FOGOS DE ARTIFÍCIO AQUI PERTO DE CASA! QUE INFERNO ESSE BARULHO!
acabou.
BEIJOOOOS!
*apoio moral para o ano novo on*
Sejam felizes e lembrem-se sempre: Vocês sobreviveram o apocalipse, nada pode detê-los. Daqui pra frente é tudo brincadeira de criança. E, mesmo nos momentos mais difíceis e nas horas mais escuras, apenas respirem fundo e enfrentem os obstáculos de cabeça erguida. Bom 2013 para todos vocês.
*apoio moral para o ano novo off*
E, Biazacha, espero que tenha gostado de começar o ano com a morte do porteirozinho. Minha Rebeca não é tão incapaz assim ^^ Ela faz coisas que prestam às vezes.