A Marca - Vingança
8 Desespero (Lucas)
Notas iniciais
Então... é....
hm...
sei lá.
to com uma música na cabeça...
LET'S DROP
YEAH
UH-HU
SHAKE, SHAKE
*preguiça de cantar - ou digitar a cantoria*
até lá embaixo!!!!!!
Alice nos olhou assustada. Pude perceber que seu corpo tremia de medo. Atrás dela, Julia parecia desejar matar Carol. Observei minha irmã ali, sem reação, sentindo seu mundo cair. Não consegui pensar em nada. Julia tocou o ombro de Alice, tentando reconfortá-la, mas em resposta foi empurrada e em seguida minha irmã saiu correndo.
-Alice! – chamei, levantando da mesa e saindo da pizzaria atrás dela, pude sentir alguém me seguindo, mas não olhei para trás.
Era como um daqueles filmes idiotas onde tudo ficava bem no final. A diferença é que era a vida real e o Rio de Janeiro, não um set de filmagem de Hollywood. Se algo acontecesse com Alice eu nunca me perdoaria. Não sei por quanto tempo corri, mas sei que pareceu infinito para mim. Já estava começando a escurecer quando saí da pizzaria, agora já era noite. Parei apenas quando minhas pernas gritaram por piedade, então percebi alguém me chamando.
-Lucas! Lucas! – eram duas vozes femininas, virei-me, Rebeca e Julia vinham em minha direção.
-Lucas... – seja lá o que Rebeca ia dizer, interrompi-a, sem paciência para falar com qualquer pessoa, eu precisava achar minha irmã.
-Com licença. – o sinal abriu, voltei a correr, por mais que minhas pernas já não aguentassem mais. Os passos de Rebeca e Julia ficaram para trás. Passou mais algum tempo até eu parar novamente. Estava tonto. Comprei uma garrafa d’água e sentei apenas por alguns minutos, para recompor as energias.
-Lucas, é melhor parar. Talvez ela tenha ido para casa já pensou nisso? – disse Julia. Peguei o celular e disquei o número de casa.
-Alô, quem fala?
-Pai?
-Lucas?
-Pai, a Alice está em casa?
-Ela não está com você?
-Merda...
-Lucas, eu não acredito que você perdeu sua irmã! Você está muito encrencado, garo... – desliguei na cara dele.
-Ela não está em casa. – levantei, pronto para voltar a busca, Rebeca me segurou.
-Lucas, tente ser racional! Pare de correr desesperado pelo Rio porque isso não vai levar a nada! O tio da Julia trabalha na polícia e ela já ligou para ele, ele disse que vai fazer o que puder para ajudar, então deixe a busca inconsequente para a polícia. Pense: Para onde ela pode ter ido?
Para onde ela poderia ter ido... Para onde? Qualquer lugar. Alice era uma ótima corredora, praticava desde os treze anos, se não me engano. E, da última vez que praticou, conseguiu atingir quase dezessete quilômetros. E eu não fazia ideia de há quanto tempo estávamos procurando por ela. Ela poderia estar em qualquer lugar da cidade. Perdida. Assustada. Desprotegida...
-Pense, Lucas. Alice, mesmo que impulsiva, não é idiota. – disse Julia – Ela provavelmente foi para algum lugar que inspire segurança, talvez a casa de um amigo, de um familiar... Seja racional.
Respirei fundo, ela estava certa, eu tinha de ser racional.
-Ela tem um amigo que mora na Tijuca, acho que o nome dele é Guilherme, talvez ela esteja lá. – falei com a voz trêmula. Faria sentido. Ele morava perto do shopping.
-Certo, Tijuca, sabe a rua?
-Não lembro o nome, mas se voltarmos para o shopping Tijuca, eu sei o caminho.
-Então vamos pegar um táxi. – disse Julia.
Pegamos um táxi e indicamos nosso destino, enquanto o taxista ligava o GPS, o telefone da Rebeca tocou.
-Alô, pai? O quê? – ela riu alto – Obrigada! – desligou e murmurou algo no ouvido do motorista.
Fiquei confuso, mas não fiz ou falei nada, só queria encontrar minha irmãzinha. Depois de um tempo, percebi que o caminho estava longo demais. E errado. Estava começando a me preocupar, então o taxista parou, Rebeca pagou a corrida e descemos do carro.
-Rebeca, onde estamos? – eu sabia conhecer o lugar, mas no escuro era difícil reconhecer.
Ela sussurrou algo no ouvido de Julia e as duas me arrastaram até um prédio próximo, onde um homem nos aguardava. Era o pai dela.
-Boa noite, Lucas!
-Boa noite, Sr. Cortez. Olha, não leve para o lado pessoal, mas eu tenho que ir, estou procurando...
-Sua irmã? É, Rebeca me deixou a par da situação.
-Ótimo, então acho que o senhor vai entender se eu...
-For embora sendo que a jovem Alice está sentada em um sofá em meu apartamento nesse instante? Não, eu não entenderia... Por que você faria isso?
-A Alice está aqui?! – meu coração deu um salto sinistro de alívio que eu achei eu fosse quebrar minhas costelas e rasgar meu peito.
-Fiquei preocupado quando vi uma jovem ferida na frente do prédio, imagine minha surpresa quando descobri que era a mesma Alice que eu estava indo procurar? – eu dava pulinhos muito gays de alegria à espera do elevador enquanto Sr. Cortez falava. Parei os pulinhos bruscamente.
-Ferida? Como assim? – perguntei quase morrendo engasgado com minha preocupação.
-Ela tropeçou na frente do prédio, aparentemente foi a única coisa que a fez parar. O que de certa forma é bom, se ela não tivesse tropeçado, eu não teria a encontrado.
Abracei o homem.
-Obrigado!
O elevador chegou, entrei dando aqueles pulinhos gays.
...
Foram os dez andares mais longos da minha vida.
Eu ainda dava pulinhos gays na porta da casa da Rebeca.
Senhor Cortez abriu a porta e meus olhos devem ter brilhado, era ela, Alice, bem, viva. Nas últimas horas tudo de ruim e de pior havia passado pela minha mente enquanto eu procurava por ela, a aflição fazendo cada minuto contar como um século, eu já estava em pânico, mas agora ela estava bem ali na minha frente, sentada no sofá da casa de Rebeca, tomando algo em uma caneca, com os olhos fixos na televisão, fazendo tudo aquilo parecer apenas um sonho ruim. A única prova de que algo realmente havia acontecido eram seus cotovelos e joelhos ralados e sua meia calça rasgada na área dos joelhos.
Meu alívio foi substituído por certa impaciência.
-Alice! – chamei, ela me olhou assustada – Agradeça ao pai da Rebeca, nós temos que ir pra casa.
-Lucas...
-Anda, papai está preocupado!
Ela levantou do sofá e deixou a caneca em cima da mesa, andou até o Sr, Cortez.
-Obrigada, senhor. – ele sorriu gentilmente em resposta. Segurei-a pelo pulso e resmunguei um “boa noite a todos”. Saímos do prédio, Julia nos acompanhando. Ela continuou ao nosso lado até passar um táxi. Fiz sinal.
-Boa noite, Alice. – Julia deu um beijo na testa da minha irmã.
-Boa noite. – respondeu com a voz fraca, sem ao menos levantar o olhar.
Deixei Julia pegar o primeiro táxi e esperei o próximo. O silêncio pesava sobre nós.
-Lucas...
-Táxi! – chamei, fazendo sinal para o carro que se aproximava.
A caminho de casa ela tentou mais uma vez:
-Lucas, eu...
-Em casa a gente conversa.
O caminho até o nosso apartamento foi prolongado pelo silêncio. Quando chegamos em casa, papai estava aflito ao telefone. Desligou-o assim que nos viu.
-Alice! Ah, meu Deus, eu fiquei preocupado!
Alice mordeu o lábio.
-Desculpa, pai. Eu que me preocupei demais, só me perdi dela por alguns minutos no shopping e surtei. Rebeca disse que talvez ela tivesse voltado, por isso liguei para cá.
Ele nos encarou momentaneamente.
-Bom, você está de castigo por me dar um susto desses. E você – ele se virou para Alice – posso ter deixado passar o incidente dessa tarde, mas vai ficar de castigo por ter preocupado seu irmão. Não devia ter se separado dele.
-Desculpe, pai. – ela disse, olhando para o chão.
-Agora me deem licença, vou jantar com a Paula hoje – e completou sorrindo – estamos juntos há um ano.
-Diz para ela que nós mandamos um abraço – eu disse enquanto ele saia gritando “deve ter comida na geladeira”.
-Vadia. Eu odeio essa mulher. Só aturo ela porque papai parece feliz... – disse Alice. Ignorei-a e andei até a geladeira, encontrando dois Hot Pockets a nossa espera. Papai sabia que a gente odiava isso, mas parecia nunca entender. Deixei-os lá e resolvi fritar um ovo – Frita um pra mim também? – pediu fazendo beicinho.
-Você sabe fritar. – respondi friamente.
Silêncio.
-O que a Carol falou? – perguntou – Antes de eu sair do banheiro. O que ela falou?
-“Ah, meu Deus, a Alice e a Julia, meu Deus, elas estavam, ai, gente, eu não consigo nem falar, é repulsivo, elas estavam se beijando!”. – imitei com a voz fina.
-E você? O que você pensou?
-Nada.
-Nada?
-É, nada. Não pensei em nada. Aí você saiu correndo e eu fui atrás com a Julia e a Rebeca.
-Hm... Mas e o que você pensa agora?
-Não é por isso que eu estou com raiva de você, Alice. Eu não me importo se você é gay, hétero, bi ou o caralho a quatro!
-Mas então, por quê?...
-Pelos simples fato de você ter saído correndo daquele jeito, sem dizer pra onde ia, e simplesmente desaparecer, eu devo ter procurado por você por, no mínimo, uma hora, correndo o Rio todo e você nem para me ligar, para dizer “ah, Lucas, eu estou bem, o pai da Rebeca me achou”. Não! Nem isso você fez! Que merda, Alice! Eu fiquei preocupado, ok?!
Ela desviou o olhar, percebi que segurava as lágrimas. Eu não devia ter aumentado o tom de voz. Joguei fora o ovo que queimei por acidente e fritei outro. E outro. Servi-os no prato, enchi dois copos com Coca-Cola e levei tudo para a mesa na cozinha, onde Alice estava sentada, com a cabeça apoiada na mão.
-Levanta. – pedi. Ela levantou e eu puxei-a para mim num abraço – Não faz isso de novo, ok? Desculpe por levantar a voz com você.
-Tudo bem.
Depois de “jantar”, fiz pipoca para assistirmos a um filme. Seguindo a recomendação de um cara da minha turma, resolvemos assistir A Mulher de Preto, ou melhor, The Woman in Black — a Rebeca pediu que eu praticasse meu inglês, agora que ela me ensina. Até que o filme valeu a pena. Depois do filme tomei um banho e me preparei para dormir, tinha sido um dia cheio eu estava cansado. Uma vez que eu estava em minha cama, simplesmente apaguei.
Acordei com a porta batendo.
-Pai? – chamei.
-Sou eu, Alice.
-Ah, Alice. O que aconteceu?
-Lucas... Sabe quando a gente era mais novo, e a gente assistia aqueles filmes de terror na casa da tia Beth e a noite eu ficava com medo e não conseguia dormir, mas daí você me deixava dormir no seu quarto e você sempre me abraçava e me dizia que ia ficar tudo bem e que assombrações não existiam?
-Sei, por quê? Está com medo, Alice? Olha, não se preocupa, ok? A mulher de preto só mata crianças.
Ela deu uma risadinha fraca, imaginei que estivesse revirando os olhos.
-Mas e se o que me assombra é real?
Suspirei.
-Deita aqui. – bati no vazio ao meu lado na minha cama, ouvi-a se aproximar, então ela deitou ao meu lado – Se for uma pessoa me diz que eu chamo a Rebeca para matar ela.
-A Rebeca?
-Vai por mim, aquela garota é do mal. – ela riu e me abraçou. Ficamos em silêncio por algum tempo – Mas então, o que é que te assombra, afinal?
Ela não respondeu, percebi que havia adormecido. Beijei o topo de sua cabeça e murmurei:
-Vai ficar tudo bem. – dormi em seguida.
Notas finais
não?
amaram?
odiaram?
acharam suportável ou insuportável?
essas e outras perguntas só serão respondidas após os comerciais!, er, digo, após o envio de reviews!
bjs e até mais!
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