A Mansão na Névoa
1 Capítulo 1 - Chegada
Foi muito difícil para Camilla encontrar seu caminho naquela estrada cujo horizonte a sua visão não enxergava além de alguns metros pelo caminho de terra, era realmente muito nevoeiro e o fato de estar carregando uma velha mala cheia de roupa também não ajudava.
"Minha nossa." — A garota exclamou em pensamento quando sem querer pisou num galho que não se sabe de onde viera enquanto andava em meio ao véu branco azulado, onde parecia que a existência terminava. Camilla prosseguiu, só o que estava munida era de direções dadas pelo condutor de uma carroça que gentilmente a levara até ali pois a estrada não passava pela Mansão dos Hjerte e também nenhum Uber ou 99 ou taxi também alcançaria aqueles pontos sem cobrar o olho da cara naqueles tempos de 2022. Ah sim. Como chegamos até aqui? Camilla é uma moça de 28 anos, uma altura média de 1,70m e pele que poderíamos chamar de café com leite com cabelos bem negros como seus olhos, que se dispusera como cuidadora de idosos e pessoas que precisavam desses cuidados e atenção especial. Ela fora contatada pelo mordomo dos Hjerte. Um senhor com um sotaque carregadíssimo que, após certa parte do contato, soube que era uma "família" de noruegueses. "Família", digo assim, pois basicamente sobrara apenas a sua cliente específica, Olívia. Ora, era até fácil. Os mesmos moravam em sua região, apenas um tanto mais para o lado rural, numa mansão que nem lembrara da existência e poucas pessoas, de mais idade, que sabiam e algumas até tinham o conhecimento de como chegar até lá, como o gentil senhor que a levou em sua carroça até certo trecho. E foi perdida nesses pensamentos que Camilla chegou em seu destino, isso após quase dar de cara com os altos portões negros em lança comprida. Camilla se assustou com o acontecimento a seguir.— Ah, estávamos a sua espera, dame Brown. — Uma voz veio da névoa, que foi ganhando uma silhueta escura de um senhor alto, caucasiano, bigode onde não se via nenhum pelo pular pra fora da forma ondular de onde se encontrava, um par de pequenos óculos e cabelos cuidadosamente penteados apesar da careca no meio em que ele não parecia se preocupar em cobrir. Uma roupa formal preta, pois bem, de mordomo que se viam naquelas casas de luxo. — Está pontual, reconheço. Fiquei deveras receoso que talvez pudesse ter se perdido doravante a neblina que cobre esta parte do terreno. Sim, era verdade, Camilla saiu da cidade para mergulhar na neblina estranha que ganhava espessura ao entrar por aqueles cantos mas nenhum resquício dela tinha na cidade. Era como se fosse até a entrada para uma outra direção.— Camilla, por favor, dispenso formalidades. — Ela sorriu, um tanto constrangida pelo incomum cumprimento, que começou também a se sentir em tempos mais antigos. — E o senhor seria o senhor S. Werner com quem falei ao telefone.— Sim, peço perdão pela qualidade da comunicação, talvez algumas palavras possam ter se perdido pela ligação. Não temos realmente todas essas modernidades em nossa moradia. Queira que eu leve a sua bagagem.- Conversou o mordomo e ofereceu enquanto este abria os longos portões que quebraram o som da conversa como seu próprio rangido, permitiu que Camilla entrasse, recusou o esforço do senhor assim seguiram os dois ao caminho que passou de terra para pequenos pedregulhos. A velha mansão enfim fez seu parecer, primeiro naquela gigantesca forma que cobria muito da área e parecia aos poucos se formar em sua visão depois de passar pela densa névoa que ocasionava arrepios na garota. O senhor mordomo, pelo jeito, se acostumara.— Tempos estranhos, sim, talvez pela região montanhosa que estamos. — Provavelmente o senhor percebera o incômodo da jovem com o clima. Quando se deram conta, estavam praticamente na porta de entrada, grande, de uma madeira estranha esbranquiçada. Werner inseriu a chave negra nesta e a destrancou com um audível clique e outro rugido da entrada se fizera na porta quando esta logo deu com seu interior: Um grande salão, que aparentava a residência ser maior por dentro do que fora. — Depois da senhora. — Werner gentilmente ofereceu. Assim que ambos entraram, a primeira coisa que Camilla percebeu foi o fato de que havia algo barulhento próximo, barulho metálico...— Ah, sim. Nossa costureira costuma trabalhar o dia inteiro e por isso é mais que possível perceber o som de seu ofício. — O senhor disse a uma confusa Camilla que procurava o som que ecoava por todos os cantos. Ela seguiu pelo meio do salão retangular o qual haviam portas aos lados opostos, ao fundo uma grande escada que no fim terminava em uma enorme janela onde era possível ver que a neblina continuava a reinar com seu branco fantasmagórico, a escada se dividia no topo para duas diferentes e opostas seções que davam para outras entradas e corredores cujas portas, que eram muitas, eram visíveis logo de baixo, o frio que sentira da neblina não deixara seu corpo e continuava lá presente. No meio do salao, uma pequena mesa com um solitário vaso de flores que pareciam ao pouco definhar. Assim Camilla sentiu-se, no meio do salão, compartilhar o sentimento de solidão que aquele mesma peça no meio de todo aquele frio.
Não apenas isso, como ela também estava sentindo como se estivesse sendo observada por algo ou alguém, embora consigo só houvesse o gentil mordomo que rapidamente alcançou o topo das escadas e a chamou para acompanhar.— Levarei-a até seu dormitório. Por gentileza, me acompanhe. Ela apressou seu passo para acompanhá-lo e não pôde deixar de acompanhá-lo embora logo ao colocar o pé direito na escada, ouviu de longe, em meio ao barulho, o som de uma criança rindo em sua orelha, que não havia nada ao virar-se rapidamente. Uma pequena bola vermelha rolou e sumiu embaixo das escadas.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
Fale com o autor