A Maldição do Instinto
3 Explicações
No segundo seguinte afasto-me dele tão rapidamente que acabo caindo da cama. Puta que pariu, doeu! Isso não é um sonho! Eu não sou mais ateu, perdão Deus, Buda, Zeus, deuses nórdicos e egípcios que nunca fiz questão de lembrar o nome, vou dar chimarrão como oferenda para todos vocês. Meus pensamentos correram mais um pouco até ver o rosto da aparentemente cobra que trouxe para casa, que neste momento estava em forma de humano.
— O que houve? Se machucou? Vocês humanos se machucam muito fácil. – Ele colocou sua mão fria em minha bochecha, me olhando carinhosamente com seus olhos vermelhos. Eu não vou sobreviver, ele é lindo demais, não vou sobreviver ao seu brilho.
— O que é você? – Me levanto rapidamente, o que foi um erro. A cama era baixa, graças a isso tive uma visão parcial de seu corpo nu de costa, com algumas partes sendo tampadas pelo seu cabelo. Ele era aparentemente alto, seus pés estavam para fora enquanto ele deitava pela horizontal na cama, podiam-se ver alguns músculos mesmo na lateral de suas costelas. Sua bunda estava sendo tampada pelo cabelo, mas mesmo assim podia se ver uma bela volta ali. Ele parecia um deus de tão lindo.
— Você me prefere na forma de serpente? – Ele questionou, se sentando na forma de lótus. Tive que usar toda a minha força de vontade para não olhar para o pacote dele.
— Primeiro me explica, como uma cobra se transforma em um humano? – Me sentei na frente dele e fiquei na mesma posição. Dessa forma podia-se ver que ele era claramente uns bons centímetros mais alto do que eu.
— Não sei. – Ele dá de ombros.
—... – Suspiro. – Como você veio parar aqui?
— É meio difícil explicar. – Ele olha para a janela, aparentemente se lembrando. – Eu vim do Japão. – Isso explica os traços orientais.- Vivia num templo que era cuidado por vários monges. Era legal, eu era muito bem cuidado. – Ele sorri. Seu sorriso quase me fez desmaiar de tão lindo, iria demorar me acostumar com ele. – Um dia, um homem me pegou. Não me lembro do que aconteceu. Minha memória vem desde que estava em uma mala de um casal de velhinhos japoneses. Eles estavam indo para um país chamado Brasil. A partir daquele dia eu comecei a me transformar em humano, pouco tempo depois aprendi a controlar. – Ele desfaz sua posição e me puxa, me fazendo ficar de joelhos e me abraça. – Você é tão quentinho, queria poder te abraçar para sempre.
— Mas como você veio parar justamente aqui? – Pergunto, fazendo carinho em sua cabeça quase desistindo de resistir a ele.
— Quando seu pai comprou esse sitio? – Ele coloca as pernas atrás dos meus joelhos.
— Á uns 5 anos.
— O neto dos velhinhos cuidava daqui antes de seu pai. Ele realmente me tratava como um amigo.
— Espera, eu lembro que ele era um velhinho... Quantos anos você tem? – Questiono, me afastando um pouco dele.
— Não sei. – Ele dá de ombros. Fico encarando seus olhos vermelhos, aqueles mesmo olhos animados daquela serpente. Não conseguindo acreditar no que estava acontecendo, mesmo com a dor do tombo em minha memória, me afasto dos seus braços e saio da cama.
. – Aonde vai?- Ele rapidamente sai da cama e começa a me seguir para a cozinha.
— Estou com fome. – No mesmo momento sua barriga ronca. – E pelo visto não sou o único. – Sorrio e vou ver as horas no relógio que ficava encima da geladeira. – Faltam 10 pras meio-dia. Vou fazer algo para o almoço.
— Ah, posso ajudar? – Ele me olha com seus olhinhos pidões, evito olhar para o seu gigolô que estava balançando para lá e para cá.
— Você sabe fazer alguma coisa? – Ergo uma sobrancelha.
— Eu vejo a mulher que mora aqui cozinhando, a velhinha japonesa também me ensinou algumas coisas. – Ele fala quase pulando no lugar, meu pai, ele parece uma criança, haha.
— Hm, ok, mas pelo amor do G-Dragon, vista alguma roupa. – Coloco minhas mãos no rosto, estava corando.
— G quem? – Ele pergunta, mas ignoro e começo a empurrá-lo para o quarto do meu pai e da minha madrasta. Abro o armário, mas desisto logo depois.
— Mas que merda de estilo é esse? Nem mesmo um demônio merece usar isso. – Puxo o senhor cobra para o quarto de hóspede onde estávamos antes e abro minha mala. – Isso é roupa de verdade. – Pego uma calça e camiseta de algodão que esticavam e jogo nele. – Vista isso. – Me viro e pego minha camiseta que estava no chão, vestindo-a. Quando me viro, ele estava terminando de vestir a calça. Ela denotava suas coxas magnificas que quase me faziam babar.
— Aquele homem e aquela mulher usavam uma roupa menor por baixo dessas roupas, eu não preciso usar também? – Ele me pergunta, já vestindo a camiseta. Agora adequadamente vestido na parte de baixo, pude notar que ele tinha gominhos perfeitos em sua barriga. Infelizmente a blusa tampou minha visão. Ele puxa seu cabelo para fora da camiseta, como se fosse um modelo.
— Não precisa, até eu não uso de vez em quando, é desnecessário em casa. Aliás, precisamos amarrar seu cabelo. – Volto até o quarto do meu pai e pego uma xuxinha, me viro e lá estava o carrapatinho na porta. – Venha aqui. – Ele se aproxima. Eu o pego pelos ombros e o sento na cama, logo depois o viro para o outro lado, me deixando pentear seu cabelo e amarrá-lo em um rabo de cavalo alto.
O que mais esse cara viu nessa casa? Aliás, como ele viu tudo isso sem ser pego?! Deixo meus questionamentos para depois e volto para a cozinha com ele em meu encalço.
...
Ele realmente estava sendo útil, ele havia feito o macarrão praticamente sozinho.
— Wah! Tem como parar de me abraçar do nada? – Reclamo pela décima vez.
— Mas é que está realmente frio. – Pelo visto ele se acostumou com o meu mau humor, filho da mãe.
— Quando terminamos aqui, vou deixar você me abraçar a tard- Paro de falar quando me lembro de que tenho que prender os bezerros. – Depois que terminarmos o almoço e eu prender os bezerros, eu te deixo me abraçar o resto do dia.
— Ok. – Ele ficou animado com o trato e começou a lavar a louça rapidamente.
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