Notas iniciais
Oieee gente, essa fic vai se passar fora do universo HP, mas vai ter magia e uma história de maldição na família Malfoy. Espero que gostem. Comentários sempre me ajudam a saber se estão curtindo ou não a fic. Uma boa leitura =) Obs.: todo capítulo vai começar com o trecho de uma música e com entre parênteses o nome da música e o nome da banda.

Novo Começo (Brand New Start — Banda Alter Bridge)


Contra o céu
Fluxos de luz
Gritam pra mim e pra você
Nós partimos como um só
Nós apenas começamos
A encontrar o consolo que devemos
Esta é uma vida que nós temos que escolher
Nós faremos um novo começo marcante
Dos pedaços separados
O amanhecer está adiante de nós
Lance suas tristezas ao vento
Deixe a rodovia nos guiar
Enquanto nós escapamos da desordem

Voltar para aquela cidade não estava em seus planos. Hermione havia feito tudo que havia feito, cada passo que deu em Londres em sua formação em artes visuais, não serviria para nada. Estava furiosa com o destino e por ter que voltar para Nova Esperança, uma cidade do interior da Inglaterra. A cidade era pequena, com apenas dez mil habitantes, com famílias preconceituosas e que não cuidavam da própria vida. Não acreditava que teria de ver de novo, famílias como as do Malfoy, Greengrass, Parkinson e Nott. Ela fora infernizada por seus filhos e tinha uma péssima relação com eles, por ter sido bolsista no melhor colégio da cidade, que seu pai queria muito que ela frequentasse. Ele dizia que o estudo iria leva-la para muito longe daquela cidade, muito mais longe que ele foi, ao abrir seu consultório de dentista, junto com a esposa.

Então, ter de voltar de novo para aquela cidade estava sendo o pior momento de sua vida. Mas, não havia escolha. Sua mãe estava depressiva, devido a morte do marido e Hermione poderia muito bem tocar seus negócios online, vendendo roupas em seu site, a distância. Precisou largar seu emprego na universidade, como professora de artes visuais e atender sua mãe. Elas não estavam em uma situação boa, tão pouco. Hermione saiu da cidade, brigada com seus pais, por ter escolhido se casar com o jogador de futebol, Vitor Krum. Seus pais não gostava do rapaz e sentiam que ela acabaria sofrendo por isso. O que se provou verdadeiro. Quando chegaram em Londres, não casaram. Não era um problema para Hermione, que pouco se importava com as formalidades, mas ele passou a ser fotografado com várias modelos e foi flagrado aos beijos com uma delas. Hermione se arrependeu muito de não ter ouvido seus pais, inclusive ter brigado com eles por causa de Vitor. Passou pelo menos, parte da sua vida, tentando se entender com seus pais novamente, começando tudo de novo. Se formou na faculdade e passou a lecionar. Depois, criou um site de roupas, que passou a ser sua maior renda. Mostrou tudo isso aos seus pais, que não se importaram com as conquistas dela. Incluindo seu pai, Antony. Ele queria que ela tivesse cursado Direito, pois assim, ela poderia ter sido muito bem sucedida. Apenas se preocupavam com o sucesso, no fins das contas. Pois, a família Granger era uma das mais ricas na região, contudo, o avô dela destruiu todo o patrimônio, se endividando e bebendo. Então, passaram a ser tratados como páreas sociais. Reclusos de muitos eventos sociais. Antony nunca se recuperou disso e sua esposa, Rosália, tentava tira-lo daqueles pensamentos, mas não parecia ter o menor sucesso.

Hermione chegou na cidade, com seu carro, mudando as estações de rádios a cada vez que chegava mais perto de Nova Esperança. A maioria das estações tocavam músicas dos anos oitenta, ou Country. Ela respirou fundo, irritada pelo fato de ter saído do seu conforto e do seu apartamento alugado em Londres. Estava mobiliado perfeitamente para ela. Precisou se desfazer de todos os móveis e por pouco não perdeu Bichento, seu gato persa, de pelagem laranja. Ele estava dentro da casinha para gato, tranquilamente dormindo. Quando ela entrou na cidade, viu o arco de boas-vindas a cidade de Nova Esperança. Ela revirou os olhos. As coisas não mudavam, inclusive com a nova gestão da família Rivers, uma das mais antigas na cidade, não tão antiga quanto a família Malfoy. Apenas de pensar neles, ficou com estomago revolto, fervendo de raiva. Draco Malfoy fazia questão de enfatizar o quanto ela era pobre e sem classe. Que nem ao menos deveria dividir a mesma sala com ela, nos tempos de escola. Odiava aquele garoto com todas as forças do seu ser. Ainda mais quando ele a filmou, beijando Rony Weasley, seu melhor amigo na escola. Malfoy prometeu nunca mostrar para ninguém o vídeo, apenas se ela fizesse o que ele desejasse. Ela só teve medo de pensar naquilo e acertou um soco nele. Para sua sorte, faltava poucas semanas para a formatura. Ela pode se formar, mas teve que ouvir brincadeiras de mal gosto durante todo aquele período, pelo seu vídeo ter sido vazado na internet. E para piorar sua situação, o pai de Draco fez queixa da agressão dela na polícia, fazendo um pedido de restrição contra ela, para que não chegasse a cem metros do filho. Não foi difícil, pois Hermione não precisou vê-lo mais. O que era um alívio. Pensar nisso, dentro do carro, a fazia rir. Eram tempos que ela não tinha muitos problemas e que seu pai estava vivo. Ela amava seu pai, apesar de ele ser tão preocupado com o status social. Infelizmente nem poderia ir para o enterro dele. Mas, como conhecia o cemitério e não disse que horas chegaria em casa, para sua mãe, ela rumou para o cemitério central da cidade, o cemitério Jardim do Paraíso. Ela revirou os olhos. Como os nomes eram originais naquela cidade.

Ela encostou o carro do outro lado da rua e rumou para o cemitério protestante. Ali, eles não toleravam ter católicos na região, então todos os cemitério tinham lápides comuns, sem adornos em com cruzes protestantes. Não havia nem sequer os anjos, que eram comuns em outros cemitérios que Hermione visitou, em Londres.

— Bichento, eu já volto — ela disse para seu gato, dentro da caixinha.

Ele nem fez questão de dar atenção a Hermione. Então, ela saiu do carro e rumou para o cemitério. Ela percorreu o local, bem cuidado, com um gramado aparado. Haviam flores no chão, em cima da lápides e dentro de vasos. Ela procurou pela lapide do pai e não demorou muito para acha-la. Lá estava a inscrição que pediu para colocar.

" Não importa para onde sua alma for, sempre guardaremos você em nossos corações. Sempre será lembrado pelas ações e palavras, em vida. Nunca será esquecido por seus entes queridos, sempre reavivado, com uma chama viva."

Hermione respirou fundo, sentindo algo quente escorrer por sua bochecha. Passou o dedo indicador, recolhendo a lágrima e se sentindo estranha. Não chorou quando recebeu a notícia do falecimento dele. Nem chorou nos dias seguintes, enquanto continuava sua rotina diária de estudos, aulas e com seus desenhos. Seu pai fora muito mais presente na sua infância, sempre cuidadoso, amoroso, até mesmo levando-a para pescar, todos os finais de semana. Era algo que se faria com um filho, mas ele não teve seu esperado herdeiro. Hermione então passou a ser a filha que lhe daria toda glória e ele depositou todas as esperanças e sonhos nela, mas se esqueceu de perguntar se ela queria fazer parte disso.

Ela fungou, sentindo as lágrimas embaçarem seu rosto. Não gostava de chorar, nem de se sentir fraca. Respirou mais fundo e saiu de perto da lápide dele. Estacou, quando viu uma figura de roupas pretas e cabelos platinados, andando pelo cemitério. Ela encontrou os olhos cinzas e frios de Draco Malfoy. Draco continuava muito bonito, mas dessa vez, com o acréscimo de uma barba bem feita, em um tom loiro acinzentado. Ele parou de andar também. Estavam há pelo menos cinco metros um do outro. Muito próximos. Ele a encarava com espanto e incredulidade, por um momento. Ela sentiu o coração querer sair pela boca e desviou o olhar, caminho a passos apressados para fora do cemitério. Não queria vê-lo, não queria vê-lo e não iria se lembrar do passado. Não eram só as implicâncias que ele tinha com ela, eram segredos que ela presenciou, na calada da noite, quando estava com ele, perto da sua casa. Aquela noite nunca saíria da sua mente. Era Halloween e ele estava agindo completamente fora do contexto de filho rico e mimado. Ela fechou os olhos e abriu com força. Não iria se lembrar daquilo. Poderia ter sido tudo invenção da sua cabeça.

Escutou passos dela, quando estava perto do carro e destravou as portas, mas antes que pudesse alcançar a maçaneta da porta, sentiu uma mão agarrar seu pulso.

— Granger — a voz de Malfoy era macia e rouca. Arrepiava todos os pelos do seu corpo e se ele pedisse, estaria de joelhos para ele. Algo que nunca em toda sua vida havia pensado. Tamanha era a tolice daquilo — Quanto tempo.

Sua respiração tocou a pele dela, a deixando anestesiada do lado esquerdo do corpo. Ela se soltou, virando-se para ele, quase batendo sua cabeça no queixo dele. Ele estava mais alto, mais forte e muito mais velho. Com certeza, já tinha trinta anos, pois era a idade que ela tinha.

— Malfoy — ela disse, com a voz estrangulada. Não esperava vê-lo, não depois de anos. Não depois dos seu aniversário de dezoito anos. Mesmo com a restrição que o pai de Draco fizera, para que Hermione não chegasse perto dele, o rapaz parecia ter alguma espécie de fascínio com ela, pois ele mesmo quebrou essa lei, ficando muito perto dela. Mas, ela se forçou a lembrar que fora um pequeno deslize no Halloween, somente isso. E que acarretou a ela terrores noturnos, por coisas que viu ao lado dele — Não esperava vê-lo, realmente — ela forçou em dizer, com uma voz desdenhosa — E se me der licença, vou continuar com a restrição que seu pai pediu, para que não chegasse a cem metros de você.

Ela se afastou, para abrir a porta, mas ele a puxou de volta. Ela bufou, irritada.

— O que você quer? — ela perguntou, irritada com a situação. E por ter que olhar aquele rosto perfeito. Parecia ter sido delineado pelos deuses.

— Conversar — ele respondeu, em tom de voz ameno. Seus olhos, se olhasse atentamente, estava nublados e com pequenas olheiras em volta — Saber como você tem passado. Nunca me esqueci daquela noite em que você fugiu de mim.

Ela sentiu a respiração acelerada. Os pensamentos divagaram para aquela noite, há quase doze anos. O ano em que ela mudou tudo em sua vida. O ano em que decidiu aceitar o pedido de casamento de Vitor. E que conseguiu uma passagem só de ida para Londres. Devia muito a Krum, realmente. Deveria mandar um e-mail, agradecendo por tê-la tirado daquela cidade maluca.

— Escuta, Malfoy — ela disse, tentando manter a calma — não quero ser desagradável, mas quero ir embora. Meu pai faleceu semana passada e não estou afim de papo.

Draco parecia contrariado.

— Meu pai também morreu, Granger — ele disse, sério — E sei qual é a dor de uma perda.

Não, ela não sentiria pena de Lucius Malfoy. Ele nunca teve pena dela, nem da sua família e não teve pena do que fez, anos atrás. Então, ela não se deixou sentir um pingo de remorso, quando entrou no carro, bateu a porta e deu partida, cantando pneu. Pelo retrovisor frontal, viu Draco parado, parecendo um fantasma. E realmente era, o fantasma do passado dela, que ficaria enterrado para sempre, se ela tivesse forças suficientes para isso.