A Maldição de Pandora
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Dianne Green
Não consegui nem mesmo fechar os olhos.
O medo de sonhar novamente tomou conta do meu subconsciente. Ora, você sabe Dianne. Não, não sei Pandora, pensei.
Como eu iria adivinhar onde se fica um museu com estátuas que se organizam em forma de U e um portal de névoa púrpura?
Agora tinha o caso de Leo. Pandora dissera que eu gosto dele.
– Que loucura – disse. Fitava o teto, pondo minhas mãos na barriga, deitada na cama do chalé. – Mas... Será?
Leo. Eu não queria que ele morresse. De forma alguma. E deveria ter uma razão para eu querer isso.
Decidi que não ficaria ali, sem fazer nada. Minha cabeça poderia explodir a qualquer momento. Me levantei com cuidado, coloquei minhas botas que estavam na beira cama, me arrumei e sai do chalé.
Pelo que tudo indicava, eram 7:00 da manhã. E lá estava eu, andando pelo acampamento quase vazio; alguns campistas saiam dos chalés e caminhavam ou conversavam; exceto pelo barulho do vento que soprava levemente em meus ouvidos. Com as mãos no bolso do short, e olhando as pedrinhas que iam sendo chutadas á cada passo que eu dava, um barulho me incomodava. Algo sendo concertado.
Isso me lembrara das férias que passei ajudando meu tio Seymor na loja de mecânica. Nós concertamos carros por 2 meses, e em troca, recebia 27 dólares por semana.
Eu gostava de passar as férias na casa dos meus parentes. Lá eu sentia que nada de mal aconteceria. Como na fazenda da minha prima Lua. Era ótimo ficar com os cavalos, dar uma volta pela pequena cidade... Como também gostava de ficar em Nova York. O movimento na Times Square, em Manhattan.
Todas essas lembranças me invadiram de tal maneira que não consegui afastá-las. Minha mãe, Audrey, como sentia sua falta. As vezes que íamos ao Central Park fazer um piquenique, os achocolatados que bebíamos quando assistíamos aos filmes que alugávamos da locadora Portal Leste. Os beijos de boa noite. Os abraços. Tudo isso se fora. Tudo isso fora tirado de mim.
Eu sabia que teria que lidar com essa situação. Controlar minhas emoções. Pelo menos, até eu fechar o jarro.
Pisquei algumas vezes, para voltar á realidade. Enxuguei as lágrimas que começavam a brotar no canto dos meus olhos. O som ia ficando cada vez mais forte. Eu segui meu percurso lentamente. Á minha frente, um campo de morangos ficava em perfeita sintonia com o sol de raios fracos. Me aproximei e sentei á uns 10 metros antes da plantação. Abracei os meus joelhos e fiquei observando a cena.
Comecei a pensar no dia em que estava no ônibus com minha mãe e Sue. Aquela fúria horrível dissera algo que eu ainda me pergunto: Seu pai não poderá protegê-la para sempre!
O que aquela coisa queria dizer com aquilo? Eu, por um momento, suspeitei que a fúria provavelmente soubesse da minha missão. Mas não fez sentido algum. Mesmo assim, terei que tomar cuidado, senão serei uma vítima fácil no lado de fora do acampamento meio-sangue.
– Dianne?
Me virei rapidamente. Pus a mão na terra, para me apoiar. Com a outra, ainda segurava meus joelhos.
– Oi, Annabeth. – disse.
– O que faz aqui? – ela se aproximou e se sentou ao meu lado. – Já estão servindo o café.
Não acredito que perdi o horário. O tempo sempre passou rápido. Mas apenas respondi:
– Ah, claro. Eu só vim... Esclarecer as ideias. Não me senti muito bem no chalé, e vim parar aqui. Pareceu um bom lugar.
– Eu venho ás vezes com Percy aqui – dissera a garota.
– Percy... Seu namorado?
– Sim – ela sorriu levemente. Os dois deveriam ter muita história para contar. – Se não for problema ou invasão de privacidade... Posso te fazer uma pergunta?
– Claro – Dava para se notar que algo a incomodava.
– Quantos anos você tem?
– Essa era a pergunta? – franzi o cenho e olhei para ela – Bem, tenho 15. Faço 16 em setembro. Por quê?
– E você é filha de Zeus, certo? Queria muito descobrir como você viveu tanto tempo a partir dos 12 anos no mundo mortal. Minha amiga Thalia, sua meia-irmã, veio ao acampamento com mais ou menos 7 ou 8.
E é ai que entra a situação da fúria. Eu expliquei á Annabeth o que havia pensado á respeito. A menina me olhava e prestava atenção em todas as palavras.
– Então você era protegida? – olhamos para o horizonte além dos campos de morangos — Isso faz muito sentido. Ser filha de um dos 3 Grandes é mais complicado do que para cada um de nós. Ser portadora de uma maldição é mais visível ainda. Atrairia muitos monstros.
– Você tem razão. – Fiz uma pausa – Vamos?
Nos levantamos e arrumei minha roupa.
– Sabe, estou morta de fome. Adoraria uma panqueca com mel – sorri e fomos até o refeitório.
Dianne Green
– Conversou com Annabeth?
– Sim – Jason estava ao meu lado na mesa. Sue devorava uma torrada de tomate e eu comia, apreciando cada pedaço, a minha panqueca com mel. É uma das minhas comidas favoritas. – Contei á ela algumas ideias que tive á respeito de nossa missão.
Antes que Jason dissesse algo, um Leo sujo de graxa se sentara entre nós, passando os seus braços pelos meus ombros e os de Jason; o que ocasionou que eu me melasse de mel que caiu da minha colher.
– Droga – murmurei enquanto limpava meu short. – Agora não vou comer mais.
– Era seu segundo prato – disse Sue. Ela olhou para mim. Tinha algumas migalhas de pão em seu queixo.
– Sue – Agora meu irmão e Leo me olhavam tipo: Magra assim, e você comeu dois pratos cheios de panquecas? – Eu sei.
Ela sorriu docemente e voltou á comer.
– Ok pessoal. O nosso transporte está pronto. – Leo sorriu e se levantou, saindo da cadeira, e arrumou seu cinto – Alguma novidade?
– Não – disse- Por hora.
– Então estarei no meu chalé. Se precisarem de mim, o Comandante Leo estará em sua cabine.
O garoto saiu do refeitório e pude terminar de comer com Jason e Sue.
Dianne Green
Sairíamos ás 13:00 horas.
Pelo o que Quíron dissera em nossa reunião em seu gabinete na casa grande, tínhamos 4 dias para resolver o problema.
– Em quatro dias a magia ficará mais forte no mundo mortal. Acredito que seja uma brecha para destruir tudo que há aqui com os males da caixa de Pandora.
– Quíron –interrompeu Annabeth– É um jarro, para falar a verdade.
– De acordo com os mitos, o jarro, ou caixa, pode ser interpretada das duas maneiras.
Eu, Jason, Annabeth e Leo estávamos sentados no chão em uma roda, enquanto Quíron assumira sua forma humana na cadeira de rodas.
– Eu não sei se isso ajudaria muito – falei -, mas acho que tenho a localização de alguma coisa que tem a ver com o jarro... Ou caixa.
– Pode nos descrever? – disse Quíron.
Todos me observavam atentamente. Sempre fui ruim com as palavras. Nunca convenci ninguém falando algo. Mas sempre me expressei através de pinturas, desenhos ou até mesmo retratos que eu pintava nas aulas de artes.
– Eu não sei dizer ao certo, mas posso... – Eu olhei em volta. A pilha de papéis de ofício ainda estava na mesa de Quíron. Me levantei e peguei um papel limpo, um lápis pequeno e uma borracha que pisei em cima. Voltei á me sentar. Pus o papel no chão e pensei nas imagens que sonhara; passando tudo para o papel.
Pensei no museu, nas estátuas do deuses organizados em forma de U. Desenhei tudo que sonhei. Virei à folha e desenhei a imagem do ciclope envolvendo Leo em suas mãos. Achei que não precisava desenhar Sue, jogada de forma inerte ao lado do grotesco ciclope. Retratei o portal de nevou e formato circular.
Quando terminei, todos me olhavam de modo impressionados. Dei á Quíron o papel.
– Primeiramente – O centauro abaixou o papel e me olhou – Dianne, você faz um ótimo trabalho com um lápis e papel.
Sorri e senti corar. Leo e Jason sorriam. Annabeth olhava a imagem franzindo o cenho.
– Obrigada – sorri, olhando como minha mão estava suja com o grafite que saiu do lápis. – Sempre desenhei. Mas fiquei melhor quando ajudava meu tio á fazer os projetos dos carros velhos em sua oficina de mecânica.
Quíron soltou uma risadinha. Leo sorriu ainda mais. Mas o seu sorriso vacilou ao olhar o seu retrato no desenho.
– Pera... Eu vou ser estrangulado!?
– Acalme-se, Leo. Se tudo for bem, creio que isso não passará de um desenho – tranquilizou Quíron.
– Espera, eu conheço esse lugar... – Annabeth tentava procurar sua lembrança mais profunda do local. Foi então que ela se deu conta e sua expressão se suavizou. – Acho que vou visitar meu pai em São Francisco.
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