Notas iniciais
Este cap revela a origem da crueldade de Hans

Hans não sabia exatamente ao certo onde sua irmã gêmea Annabeth poderia estar durante a hora do almoço, mas sabia que ela estava com sua mãe: rainha Carolyn. Sentados á mesa estava o rei Keith e treze de seus filhos, nenhum deles sabia onde as únicas mulheres que moravam naquele castelo estavam, todavia todos ali tinham conhecimento de que estas estavam num reinado vizinho.

– Após esta refeição, Hans, por favor, poderia ir até meu escritório por gentileza? – Ordenou o rei, autoritário. Ouviram-se algumas risadinhas maldosas dentre os irmãos de Hans, algo que o imperador conseguiu parar imediatamente batendo com o punho na mesa. Enquanto alguns reprimiram um grito de susto outros acabaram pulando de suas cadeiras. – Se implicarem com seu irmão novamente, eu farei com que se arrependam.

– Sim Senhor. – Disseram os doze irmãos mais velhos em uníssono.

– Hans, venha comigo meu rapaz.

Hans se retirou junto do pai, a quem seguiu em silêncio apenas temendo qual seria o próximo ato de seu pai contra ele.

– Sente-se. – Ordenou o rei assim que ambos entraram em seu escritório. Ele começou a andar de um lado para o outro como se ponderasse á respeito do que fazer com o filho mais jovem. – Não sei mais o que fazer com você, Hans. – Disse o rei, aparentemente irritado. – Você só trás desgraça para nossa família e por sua causa, alguns de nossos maiores parceiros comerciais estão recuando por acharem que nós estaríamos trapaceando, e tudo por culpa de quem? – Ele olhou para o menino, que abaixou a cabeça, não com vergonha, porém com medo do que poderia vir a ocorrer. – E soube que ser uma aberração não foi o único problema que você nos deu, através de um de seus irmãos cuja identidade eu não revelarei, acabei por descobrir que além de um monstro é também um linguarudo.

Hans engoliu em seco, uma gota de suor escorreu por sua testa e desceu em linha reta até seu nariz: Ele soube. Mas como?Annabeth não seria capaz de fazer algo que prejudicasse o irmão. Só poderia ter sido uma pessoa, uma pessoa que tinha ciúmes da relação dos gêmeos: Bartholomew, ou “Bart” como era chamado.

– Como foi boquiaberto o suficiente para contar tudo á sua irmã, vou castigar ela e não você desta vez.

– NÃO! — Pela primeira vez na vida, Hans ousara levantar a voz diante do pai, e tudo para proteger Annabeth. — Não ouse encostar um dedo nela enquanto eu estiver dentro das quatro paredes desta prisão, pode até me ferir e me açoitar, mas nunca deixarei que você encoste as suas mãos sujas num fio de cabelo dela. Seu porco!

O rei abriu um sorriso mais do que cruel.

– Apesar de ser um fardo, até que você tem atitude sabia? Só por isso talvez eu nem machuque sua irmã. Gostei disto em você Hans. O que acabou de fazer por alguém que ama mostrou o quanto pode ser digno do trono. O que acha da princesa de Lituarábia?

– É uma menina bonita, mas não combina comigo e acho que não formaríamos um belo casal, levando em conta que ela só fala Liturabês.

– A propósito, tem algo que acho que gostaria de saber. – Hans olhou o pai, curioso.

– Minha irmã está com a princesa de Corona, um reino vizinho. Sua mãe não sabe que tenho irmãos, muito menos que Gothel e eu temos mais de trezentos anos de idade.

– O quê? – Hans exclamou, incrédulo.

– Você pode criar bolas de fogo e aquecer tudo ao seu redor e isso é tanto incompreensível quanto inacreditável, portanto por que há de duvidar de minha idade?

– Está falando de Arianne?

– A princesa de Corona? Sim, é ela, mas minha irmã a chama de Rapunzel.

– Por que sequestraram a princesa?

– Porque preciso dela para não envelhecer.

– O quê uma menina teria a ver com a sua eternidade?

– A mãe dela ingeriu um chá feito da planta que mantinha Gothel e eu jovens, porém um grupo de soldados do rei usou o único exemplar da flor cuja existência nós conhecíamos. Meses depois a rainha engravidou e o poder da nata acabou se tornando parte da futura princesa. Dias depois, Gothel descobriu que o poder estava no cabelo da criança e, ao tentar cortá-lo, uma pequena mecha do cabelo do bebê ficou castanho e perdeu seu poder e então minha irmã sequestrou Arianne, com quem vive até hoje.

– Por que me contou isso?

– Para saber que não é a única aberração. E sei que se contar para alguém eu duvido que eles acreditem em uma única palavra do que dirá. Mas voltando ao foco desta reunião, sua irmã será condenada á uma terrível maldição, da qual nunca escapará, e você faz parte dela.

– O quê você fez? – Hans levantou a voz novamente, sem saber se partia para cima do pai ou se saía dali o mais rápido possível atrás da irmã.

– Aguarde e verá. – Ele saiu o mais rápido possível do escritório do rei em direção ao salão onde seus irmãos ficavam rotineiramente.

– Olhem! – Esbravejou Hans diante dos doze irmãos ao entrar no salão e fechar a porta atrás de si. – Não tenho certeza de qual de vocês disse para nosso pai que eu contei para Annabeth meu segredo, mas saibam que se tentavam me prejudicar, quem se prejudicou nisso tudo foi ela! Ele fez algo com ela e eu simplesmente quero saber que me delatou.

– Fui eu. – Disse Gavin, atrás de todos eles. Ele era o mais velho dos irmãos de Hans, tinha os cabelos loiros e os olhos azuis da mãe. – Eu estava indo para meu quarto quando ouvi sua conversa com Annabeth e queria que você sofresse pelo menos uma vez. Mas eu juro que não queria que nada acontecesse com ela. Só queria atingir a você, nunca foi ela.

– O que está feito está feito, agora não temos mais nada a fazer a não ser esperar pelo pior.

– Vou falar com ele. Annabeth não merece sofrer por que fui egoísta o suficiente para não pensar nas consequências de meus atos. – E dizendo isto, Gavin saiu do salão indo em direção ao escritório do rei.

Annabeth retornou apenas no dia seguinte, ela e a rainha Carolyn estavam felizes por conta da festa que ocorrera em Arendelle. Cansada, Annabeth foi diretamente para o quarto, sem falar com ninguém, nem mesmo com Hans. Havia um pedaço de chocolate disposto numa bandeja ao lado de sua cama e, mesmo sem fome, Juliette o devorou, se deitou e em poucos segundos estava no mais profundo sono.

No dia que se seguiu, ela acordou com gritos em seu quarto.

– Uma invasora!Uma invasora! – Gritava sua criada enquanto apontava para Annabeth.

– Calma Suzanna! O que aconteceu?

– Como sabe meu nome? – Ela perguntou histérica. – Onde está vossa alteza a princesa Annabeth.

– Sou eu Suzanna! – Annabeth cobriu a boca com as mãos ao notar o quanto sua voz parecia envelhecida. Assustada, foi até diante do espelho e se horrorizou com o que viu: Ela não era mais a princesa, ela era uma senhora de idade que usava o vestido de uma jovem que mal cabia em seu corpo. Então toda a família real apareceu no quarto da princesa e assim como a criada, todos pareciam surpresos com a cena.

– Hans! – Ela gritou, ao ver seu irmão gêmeo ali. Ele não parecia assustado, parecia preocupado e zangado ao mesmo tempo. No entanto, antes que ela pudesse abraçar seu irmão-gêmeo, um grupo de guardas a arrastou dali em direção ao calabouço.

– Vai ficar aí até que nos diga onde a princesa está. – Anunciou o general ao confiná-la num minúsculo cômodo.

– Eu direi, mas apenas se o rei e o príncipe Hans estiverem aqui.

Ao ouvir passos indo na direção do calabouço, o general saiu por alguns segundos, mas acabou retornando com o rei e Hans.

– General Donovan, por favor, meu filho e eu gostaríamos de ter uma conversa em particular com a prisioneira.

O general Donovan saiu e então o rei disse:

– Como está sendo Annabeth?

– Papai! – Ela exclamou. – Por favor, me tire daqui.

– Por hora não.

– O que foi que eu fiz para você?

– Você só vai sair daqui quando seu irmão se lembrar de quem você é.

– Hans! – Annabeth tentou pegar a mão do irmão através das barras, mas este recuou.

– Não adianta. Ele não se lembra de você.

Annabeth começou á chorar, desolada. O rei atravessou o braço pelas barras e acariciou o rosto de Annabeth.

– Ah Annabeth, se eu amasse mesmo você eu não teria lhe feito isto.

– Eu faço o que você quiser, mas, por favor, me tira daqui. Você tirou meu irmão de mim e o mínimo que poderia fazer era deixar com que eu pudesse vê-lo.

– E fazer com que seu sofrimento não fosse tão grande como deveria? Não. A maldição que coloquei em você está fazendo com que envelheça de forma rápida, e apenas se uma pessoa se lembrar de você, a maldição acaba e você será livre.

– Se o feitiço só é quebrado dessa forma, então como você se lembra de mim?

– Por que fui eu quem mandou fazerem isso.

– Eu nunca mais vou vê-lo então?

– Não. Vamos Hans. Esta fedelha irá pagar pelos crimes que cometeu.

– Hans! – Ela chamou pelo irmão, como se realmente esperasse que ele fosse até ela. Então, por um segundo, seus olhares se cruzaram e ela acreditou que ele talvez tivesse se lembrado dela, mas ele lhe deu as costas e saiu.

Horas depois, Hans retornou, mas desta vez estava sozinho.

– Annabeth? – Ele chamou. Ela se arrepiou ao notar que ele a chamara pelo nome.

– Hans! – Exclamou através das paredes.

– General Donovan!

– Sim vossa alteza.

– Solte esta senhora!

– Sinto em contrariá-lo alteza, mas tenho ordens de não fazer isso.

– Eu sou da realeza e ordeno que você solte-a imediatamente! – Hans esbravejou.

– Como quiser majestade. – Ele tirou um molho de chaves do bolso e abriu a cela de Annabeth, que saiu de lá radiante.

Os dois saíram correndo do palácio pelo alojamento dos criados, e foram até uma montanha onde moravam seres de pedra chamados Trolls.

– O que houve? – Perguntou aquele que parecia ser o troll mais antigo.

– Vovô Pabbie, esta é a minha irmã. Ela foi amaldiçoada e está envelhecendo cada vez mais rápido.

– Venha cá, querida. – Disse o troll. Ele pousou a mão sob a cabeça de Annabeth. – Eu posso retirar a maldição dela, mas ela não irá se lembrar de nada que aconteceu hoje e haverá consequências horríveis.

– Como assim?

– Todos aqueles que conhecem a princesa, ao dormir na noite de hoje, amanhã não se lembrarão de Annabeth.

– Eu não estou entendendo.

– Se você dormir, amanhã você não se lembrará de sua irmã e sentirá ódio de todos aqueles que te amam mesmo sem saber ao certo o motivo.

– Então quer dizer que eu nunca mais vou lembrar-me dela se adormecer?

– Temo que sim meu rapaz, com a maldição dela caindo sobre você, você se tornará tirano e cruel assim como o resto de sua família nas relações entre si. E você jamais irá amar alguém novamente á menos que a maldição de sua irmã seja quebrada.