Notas iniciais
FALA, PESSOAL! A FIC NÃO MORREU!!!! Primeiramente quero deixar meu agradecimento a Lenneth que deixou um comentário maravilhoso. Muito obrigada por isto! Fui motivada a continuar com esta fic! Com tantas coisas na vida acontecendo, problemas pontuais, falta de ideias e outros projetos em andamento, acabou que esta história foi para a geladeira. Nunca pensei em abandoná-la, até porque a série animada da Netflix me deu uma inspiração para sempre pensar nesta fic. Peço desculpas a todos por sumir desta categoria. Como agora eu terminei um projeto recente, quero pegar este aqui pelo menos até terminá-lo para dar continuidade a outros. Mais uma vez, obrigada, Lenneth por deixar seu comentário e me "despertar" para AMS haha♥ Boa leitura!!!!!!

Alucard não podia gastar suas energias à toa se transformando em névoa para se disfarçar entre a multidão. Teria que aparecer e arriscar-se para aquela gente. Correria um grande perigo, ainda mais no estado vulnerável que se apresentava, mas era um risco necessário. Ao menos as ruas estavam praticamente desertas, poucas pessoas tinham forças para transitar e quando o faziam preocupavam-se em cuidar de si mesmas.

Em certo ponto do caminho Alucard parou de andar, olhou para todos os lados e fechou os olhos. Não conseguia identificar a presença de Maria, como se ela estivesse longe. Também não sabia dizer se aquela marca e seus efeitos estavam desgastando-o. Aquilo era um problema grave. Provavelmente Maria era o único ser humano saudável do vilarejo; sua vida poderia estar em sério perigo, ainda mais pelo fato de ser mulher.

Sem uma direção plausível, o meio-vampiro seguiu para o único lugar que ela mais visitava: o orfanato. Ele tomou um longo suspiro e apertou o passo. A cada minuto que se passava o perigo se tornava iminente assim como sua preocupação com Maria. Sua noiva estava longe dele justo no momento em que estava mais vulnerável. Maria, uma caçadora com poderes extraordinários e que de alguma forma estava imune à maldição seria um alvo fácil para os que buscavam uma solução rápida: sua morte.

Talvez a história que o servo de lorde Galvan contou não fosse somente uma história; talvez fosse um fato que estivesse acontecendo novamente.

Ao chegar no orfanato o meio-vampiro nem se deu ao trabalho de bater à porta. Sem dificuldades ele empurrou a porta dupla que rangeu no momento em que foi movida. O que encontrou foi um cenário diferente do que estava acostumado (ou do que Maria sempre descrevia). O som constante de crianças brincando e gritando pelos cantos não existia. A casa grande estava deserta, sem vida, parecia uma mansão mal-assombrada. Uma sensação estranha lhe sobreveio quando deu os primeiros passos no piso rígido. O lugar estava um pouco frio, talvez as freiras não tiveram tempo ou forças de reacender a fogueira novamente. Todo som que seus ouvidos conseguiam captar vinham de cima; bem distantes, nem mesmo a super audição que possuía podia lhe indicar o que estavam falando, talvez por causa da maldição que prejudicava seus sentidos.

Mesmo lá Alucard preferiu andar cautelosamente, olhando para todos os lados para não ser pego de surpresa, ainda mais numa situação delicada em que se encontrava. Ele subiu as escadas e ao chegar no final fechou os olhos para se concentrar naquelas vozes, que não eram muitas. Melhor orientado, pôde identificar a direção dos sons.

Corredor vazio assim como a área principal. Passos lentos, cuidadosos para não chamar a atenção; quanto menos fosse percebido, melhor. Não queria causar alarde para os pequenos e para as freiras. Só queria se certificar da presença ou ausência de alguém. Nada.

Próximo à porta da enfermaria, lugar de onde vinha a maioria dos sons, o meio-vampiro hesitou em dar os passos seguintes. Como entraria naquele lugar e contaria sua parte da história? Tinha receio ao se deparar com as reações das freiras e principalmente das crianças, que perguntariam o paradeiro de Maria, resposta que nem mesmo ele sabia responder. Resposta, também, que descobriu ao entrar no interior do orfanato e não sentir sua presença. Ele sabia reconhecer a presença de sua noiva sem dificuldade alguma, mesmo estando afetado por aquela maldição. A preocupação virou aflição, e a linha tênue entre este sentimento e o desespero estava prestes a ser ultrapassada.

Todavia ele sentiu a presença de outra pessoa. Desta vez era diferente, era alguém distante daquela sala cheia de enfermos. Não sabia se estava saudável ou não, a única coisa que lhe intrigava era o fato de estar distante dos demais.

Alucard mudou de curso. Preferiu seguir à procura desta pessoa, talvez uma criança. Se estivesse mal era obrigação sua levá-la até a enfermaria para que recebesse o tratamento adequado. Ainda que não fosse a solução definitiva, seria inaceitável deixar aquela vida a sofrer longe da visão de quem pudesse cuidar dela.

O meio-vampiro seguiu seu instinto e seu "faro" até um local desconhecido por ele. De alguma forma conseguiu sentir a essência de Maria no lugar, ainda que a mulher não estivesse por perto. Com certa dificuldade no início, Alucard conseguiu subir ao porão, lugar antes nunca visitado por ele. O meio-vampiro não precisava de uma candeia para se mover no escuro, podia enxergar melhor que qualquer outro ser humano comum. Ao pisar na superfície de madeira velha e barulhenta não demorou muito para que ouvisse outro som que não fosse o dele. Ele arqueou as sobrancelhas, ficou em alerta. Preferiu não chamar um de seus familiares para não despertar a atenção de quem quer que estivesse lá. Em silêncio, fez seu percurso até o meio do espaço onde atentou para um vulto e uma sombra distante.

— Estou aqui. Não vou machucar você. — falou serenamente. Era uma criança.

Mas não obteve resposta.

— Sei que está com medo, mas não te farei mal algum. — Alucard não era o tipo de pessoa que sabia lidar com crianças, sendo o completo oposto de sua noiva. Mas aquela era uma situação delicada e ele não podia jogar tudo a perder.

— T-tio Adrian? — A voz embargada ao fundo ecoou pelo porão. A luz de fora batia contra o rosto dele que ficou incapaz de identificar a menina.

— Sou eu. — Ele fez um gesto positivo com o pescoço. Permaneceu no mesmo lugar, temendo assustar a menina devido ao seu tamanho.

Aos poucos a pequena criança saiu de seu esconderijo e engatinhou para perto dele. Alucard observou bem aquele pequeno ser; parecia saudável. Era uma criança e como quase todas sempre esbanjava um ar de vitalidade, mas a menina à sua frente parecia bem, bem demais. Seu nome era June, porém ele não se recordava com certeza.

Ternamente o meio-vampiro estendeu sua mão. Manteve-se assim esperando que a menina se aproximasse, porém, ela permaneceu ali. De contramão a seu estado de saúde, seu rosto estava amedrontado, olhos arregalados, parecia até um pouco pálida. A pobrezinha sofria angustiada.

— Estou com medo. — falou tão baixinho que era capaz de nenhum outro ser humano conseguir escutar. Mas ele conseguiu.

Alucard ficou em silêncio; o maior motivo era que não sabia lidar com crianças. Não podia interrogá-la como faria com um adulto. Então esperou o tempo dela.

— Todo mundo tá doente... — afirmou hesitando — P-por quê?

— Não sei. — Ele respondeu com o olhar baixo. Balançou a cabeça, decepcionado consigo mesmo por não saber o motivo — Eu não sei...

O olhar desesperançoso da menina persistiu. Ela inclinou o pescoço para baixo e se sentou no chão com os joelhos rentes ao queixo. Silêncio de ambas as partes.

— Eu... e... a tia Maria... nós estamos bem!... — June ergueu a voz, mas loco se encolheu quando chamou a atenção dele — Não estamos doentes...

Era o que eu imaginava.

Sua dedução estava correta. Por sorte do destino (ou não), Alucard acabara de se encontrar com a segunda pessoa não afetada pela maldição. Logo uma criança, uma órfã. Por um momento chegou a pensar na possibilidade de ela e Maria terem uma ligação, mas não havia tempo, pelo menos não no momento.

— Todos aqui estão doentes? — perguntou sério e respondeu apenas uma resposta silenciosa.

O meio-vampiro olhou para o lado esquerdo e imaginou as possibilidades do que viria pela frente o que envolveria a menina próxima ele.

— Você a viu? Você... viu Maria? — Ele tentou acalmar sua voz na segunda vez.

— S-sim. Ela estava aqui comigo.

Alucard arqueou as sobrancelhas, mas logo voltou a normal. Não ficou mais surpreso, imaginou que sua noiva também percebeu que a menina era a única pessoa saudável no orfanato e provavelmente o ser humano restante do vilarejo que estava bem além dela mesma.

— Uns homens de cavalo chegaram aqui.

A voz da menina interrompeu seu devaneio. Na mesma hora Alucard voltou a dar atenção à ela.

— Homens de cavalo? — repetiu ele.

— Eles eram grandes e vestiam roupas escuras. Eu estava com medo deles.

Mercenários.

— O que eles fizeram?

— Tia Maria desceu para falar com eles. Ela não me deixou ir junto. — falou decepcionada.

Alucard a conhecia bem para afirmar que Maria não deixaria nem mesmo ele ir junto dela nessas condições.

— Eles... a levaram, tio Adrian. Eles levaram a tia Maria.

— Céus. — Alucard já imaginava aquela possibilidade, só relutava consigo mesmo em não pensar naquilo. Eles levaram Maria. Não...

Mercenários. Mais deles estavam no vilarejo levando consigo terror àquelas casas, e o pior, levaram-na. Levaram a única mulher saudável restante. Só que havia um porém, havia a menina à sua frente, tão saudável quanto Maria. Àquela altura todos já deveriam estar doentes, assim como todas as crianças e freiras do orfanato. Mas a garota estava bem.

Quem é essa menina? Perguntou-se confuso.

— O que vai acontecer agora, tio Adrian? — June o fez retomar à realidade novamente.

Depois de alguns segundos de silêncio, o meio-vampiro respondeu.

— Eu preciso encontrar Maria. — sussurrou ele, quase lamentando.

— Eu... eu quero ir... — Mesmo hesitante a voz de June se fazia esperançosa.

— Não. — Foi a primeira vez que ele falou duro com a criança.

— Hã?

— Você é apenas uma criança, não pode vir comigo. — repreendeu-a, então se preparou para deixar o local — Fique aí e se esconda. Não sabemos se aqueles homens poderão retornar.

— M-mas... — O brilho nos olhos de June se apagou no momento em que ele cortou suas esperanças de sair daquele lugar e fazer algo.

O meio-vampiro atentou para os olhos dela que já estavam vermelhos, mas ela não queria chorar, não na frente dele. Alucard tomou a decisão de deixar o lugar o quanto antes. Se demorasse mais sua noiva poderia estar numa situação pior, o tempo era curto.

Todavia ele parou os poucos; voltou sua atenção à menina triste de olhos baixos. O que iria acontecer a ela? As freiras certamente já estariam quase incapacitadas de cuidar dos outros além de cuidarem de si mesmas. E se os mercenários descobrissem o paradeiro dela no orfanato e viessem buscá-la, de repente? O que aqueles homens poderiam fazer com uma criança?

Maldição!...

Ela não poderia ficar ali pra sempre, mal sabia ele quanto tempo levaria para descobrir toda a verdade. Alucard tinha de mantê-la a salvo, Maria com certeza faria isso. Mas para onde levaria aquela criança?

— Qual o seu nome? — perguntou ele, agora com a voz mais branda.

— M-meu nome é June.

O meio-vampiro estendeu sua mão como fez antes. Antes de continuar sua busca a Maria, precisava cuidar daquela vida.

— Venha comigo.

June arqueou as sobrancelhas. De repente aquele brilho em seu olhar voltou e a menina chegou até a sorrir brevemente.

Alucard foi o primeiro a deixar o porão. Quando terminou de descer esperou pacientemente pela menina, que, com cuidado, desceu de seu esconderijo. O meio-vampiro chegou a ajudá-la a descer com segurança para que não se machucasse.

— Obrigada... — Assentiu sem encará-lo nos olhos.

— Vamos. Temos que nos apressar. — Terminando de falar Alucard tomou a frente e virou o rosto para trás para saber se June também. Então parou, esperou por ela e os dois continuaram; Alucard caminhava um passo à frente.

— Vamos falar com as irmãs?

— Não.

— Por quê?

Ele franziu a testa. Estava impaciente por receber tantas perguntas.

— Por que preciso manter você a salvo. Ninguém pode saber o lugar que nós iremos.

Assustada, a menina arqueou as sobrancelhas. Não ter a oportunidade para conversar com seus amigos e as freiras a deixou triste. Já estava confusa com toda aquela história macabra de todos ficarem doentes menos ela e Maria. Era muita informação para ela.

Apertando o passo a menina de cabelos castanhos ondulados se aproximou dele e ficou alternando entre olhar para a frente e olhar para o homem.

— O que foi? — perguntou ele antes de descer as escadas.

— O quê?

— Por que está olhando para mim?

June achou que estava disfarçando bem, mas quando ele chamou sua atenção a menina corou e parou de encará-lo rapidamente. O homem de cabelos louros quase brancos tinha um ar misterioso que ela não conseguia entender. Aquela foi a pessoa que Maria tinha um enorme apreço e que ao mesmo tempo não tinha nada a ver com ela.

Finalmente os dois saíram do orfanato. A menina olhou para todos os lados e sentiu um arrepio em sua pele. O lugar deserto era estranho para ela, que sempre se acostumou ao constante movimento de pessoas que transitavam a pé ou em carroças e cavalos.

— Pra onde vamos, tio Adrian?

— Para um lugar seguro. — respondeu prontamente.

Onde? A menina se questionou em silêncio, com medo de ser repreendida novamente.

Antes de darem os primeiros passos rumo a esse lugar seguro, Adrian fez um gesto com a mão para que June esperasse ali. Ele tomou à frente, observou o local, olhou para todos os lugares, caminhos e cantos; então tomou o caminho da esquerda e chamou por ela com outro gesto. A menina olhou para sua casa pela última vez com o olhar triste de antes e correu ao encontro de Alucard. Então foram embora.

Notas finais
Muito obrigada a todos que leram! Fui pega de surpresa ao abrir meus arquivos e notar que este capítulo já estava pronto kkkkkkk Não me lembro do porquê não ter postado na época, mas o importante é que agora ele está no ar. Um beijão e até o próximo capítulo!!!!