A Maldição Do Dragão
19 Procura-se Um Cartógrafo...
Notas iniciais
POV Kenna
Dia seguinte em Maldívia...
Chegamos em Maldívia finalmente, o resto da viagem até aqui foi horrível, não apareceu mais nenhum monstro, a estrada é ótima, o ombro de Terry está bem melhor, mas ele não disse mais nenhuma palavra desde que me deixou sozinha na beira daquele riacho olhando triste para o chão. Ele não olhou mais pra mim desde então e não falou com ninguém, nem com Luc, que está visivelmente preocupado com o silêncio de Terry. Hoje cedo Terry arrumou suas coisas e eu pensei que ele fosse partir, mas ele nos esperou e continuou a jornada conosco.
Acabamos de entrar em Maldívia, é um pouco maior do que Postia, porém bem mais simples e acolhedora. Tem uma estalagem charmosa aqui no começo da cidade, vou entrar e perguntar sobre o tal cartógrafo, não tenho tempo a perder.
– Bom dia. – Cumprimento o senhor que está atrás do balcão, deve ser o dono.
– Bom dia senhorita. – Ele diz gentilmente. — Deseja um quarto?
– Talvez mais tarde. — Falo e faz uma cara estranha. – Na verdade eu queria que o senhor me desse uma informação. Sabe onde fica a casa do cartógrafo?
– A casa de Élio? Sei sim ele mora nos arredores da cidade. — Informa.
– Eu não sei o nome dele. — Confesso.
– Bem mocinha se está procurando por um cartógrafo, só pode ser Élio, ele é o único da região.– Fala e sorri afetuoso.
– Então deve ser esse mesmo, pode me ensinar a chegar a casa dele por favor. – Peço com educação, o povo de Maldívia parece ser bem prestativo.
– Claro, você deve atravessar a cidade em direção ao norte, assim que sair vai ver um campo de flores, a casa dele fica logo depois. – Esclarece o velho senhor.
– Muito obrigada, o senhor é muito gentil. — Agradeço a ele.
– Não há de que minha jovem e se precisar volte. — Ele diz e eu saio na direção dos rapazes que esperam do lado de fora.
– Então?- Pergunta Feo.
– O senhor disse que temos que atravessar a cidade na direção norte, a casa do cartógrafo fica depois de um campo de flores. – Respondo e olho para Terry, ele não desvia olhar, será que está mais calmo?
Atravessamos a cidade, que é maior do que pensei, tivemos que parar para comer alguma coisa, Luc não parava de reclamar de fome. Depois de uma hora, saímos da cidade e encontramos o tal campo de flores, paro um segundo para olhar, é um lindo campo de tulipas de todas as cores, um campo muito parecido com o do meu sonho, a lembrança invade a minha mente e o rosto dele toma meus pensamentos. É melhor esquecer isso Kenna, você não o verá mais. Impulsiono Snow para continuar, já posso ver a casa em frente. É grande porém modesta. Nos aproximamos e duas crianças saem de dentro da casa e descem correndo a escada da varanda, desço do cavalo e o menino para na minha frente.
– Olá menininho, por acaso um homem chamado Élio mora aqui? – Pergunto para o garoto que me lança um olhar feio, não devia ter chamado ele de menininho.
– Mora sim. Sou eu.– Diz uma voz masculina e quando olho em direção a varanda. meu coração quase para de bater. É ele, é o homem dos meus sonhos.
– Você? – É tudo o que digo.
– Sim, e me desculpe. Mas quando nos encontramos em Postia não tive tempo de lhe dizer que eu sou cartógrafo, e como aparentemente você viria até aqui...- Ele não termina a frase e vem até nós.
– Você conhece ele Kenna?- Feo pergunta e se põe a minha frente, está bancando o protetor de novo.
– Na verdade, não.– Cochicho envergonhada. O que eu ia dizer? É claro Feo, sonho com ele toda noite? Não mesmo, todos me achariam maluca. — Mas nos vimos em Postia.– Continuo. - Foi ele quem identificou Maldívia no mapa.
– Isso é muito estranho. – Terry fala e eu me assusto. - Você identificou a sua cidade no mapa. — Ele acusa o homem dos.. quer dizer, Élio. – Isto está me cheirando a golpe Kenna. - Terry me olha , parece que sua raiva já passou, ou não?
– Eu sinto muito por isso. - Élio se defende - Mas a verdade é que Maldívia está realmente seu no mapa, mas você me pareceu confusa e eu achei que seria bom oferecer meus serviços. – Élio diz olhando pra mim. Sinto meu rosto queimar, espero que não perceba.
– Temos visitas? Élio porque não os mandou entrar?- A mulher que estava com ele na cidade aparece na varanda limpando as mão num avental, ela é mais bonita de perto.
– Claro, que falta de educação da minha parte, gostariam de entrar e conversar mais sobre isso?- Oferece Élio.
– Não. - Feo e Terry respondem ao mesmo tempo, ótimo agora tenho dois irmãos super protetores!
– Sim,é claro que sim! - Falo em seguida e eles me olham torto. — Precisamos de um cartógrafo.– Murmuro para os dois.
– Então entrem, minha irmã fez um bolo delicioso. – Élio nos dá passagem. Espera, ele disse irmã?
Todos entramos e depois de Luc comer o bolo todo, não sei pra onde o almoço dele. Voltamos para o assunto principal, o mapa maldito.
– Então Élio. - Falo depois que o efeito do seu olhar sobre mim passou. — Você é pode nos ajudar?
– Claro. Vocês estão indo para onde? – Indaga num tom casual. Terry e Feo me lançam um olhar que diz “ não ouse contar a ele”, será que eles me acham idiota? Tudo bem que eu fico meio idiota perto do Élio, mas não a ponto de estragar tudo!
– Isso não posso dizer.– Respondo por fim e os meus irmãos bobocas respiram aliviados.
– Então não sei como posso ajudá-los, querem que eu traduza o mapa todo? - Élio acrescenta.
– Você pode fazer isso? - O olho surpresa. Essa seria uma ótima solução.
–Sim, mas vai levar um tempo. — Afirma.
– Quanto tempo? — Pergunto
– Depende. Posso ver o mapa? – Élio pede e meus irmãos o olham desconfiados. – Para poder ter uma noção.– Completa. E eu entrego o mapa prontamente.
Ele avalia, vira o mapa de todos os lados, todos nós o olhamos com apreensão e Élio declara por fim:
– Dois meses.
– Dois meses?- Eu , Terry, Luc e Feo falamos ao mesmo tempo. Dois meses é muito tempo!
– Dois meses é muito tempo! - Exclama Terry - Não podemos esperar todo esse tempo.
– É por isso que perguntei para onde estão indo. – Élio explica.– Olha só, traduzir um mapa como este dá muito trabalho, fora o fato de ele ser mágico, está escrito em várias línguas diferentes. Mas se vocês me disserem para onde querem ir, eu posso localizar no mapa e traçar uma rota.
– Tudo bem. — Falo me rendendo, Terry segura em meu braço, ele acha que vou fazer bobagem, mas eu me solto e continuo. - Vamos para uma caverna.
– Uma caverna? – Élio sorri. — Isto não ajuda muito.
– Bem, mas este mapa foi feito especificamente no intuito de levar a esta caverna, então deve explícito em algum lugar por aí. - Aponto para o mapa. Não quero contar a ele sobre a Maldição e tudo mais. Só espero que não esteja escrito: “ Caverna do Dragão com o Coração Ônix bem aqui!”.
Élio fica um tempo avaliando o mapa novamente.
– Caverna da Morte. – Ele me olha sério. - Por acaso seria esta a caverna que quer ir?
– Sim, é essa sim.– Só pode ser essa né?
– É um lugar extremamente perigoso, eu conheço dois caminhos, ambos igualmente perigosos. É uma longa jornada até lá. – Declara misterioso.
– Leva quanto tempo?- Sussurro, o jeito que ele falou me deixou preocupada.
– Um mês e meio. - Afirma, mas acrescenta depois de ver meu olhar. — O seu mapa tem uma rota alternativa, não aconselho a irem por este caminho, mas levariam apanas duas semanas para chegarem a Caverna da Morte. Se é conseguiriam chegar, duvido até que possam encontrar o caminho.
– O pensa que somos? Um bando de camponeses sem instrução? – Terry se levanta furioso.
– De maneira nenhuma príncipe Terry!- Élio diz e todos o olhamos surpresos, ele reconheceu Terry.- É difícil não reconhece-lo com seu rosto estampado nas moedas de prata.– Élio esclarece com calma. Eu não sabia que Terry tinha seu rosto em moedas.
– Então o que ? – Terry pergunta se acalmando
– A verdade é que este caminho só pode ser achado consultando o mapa. — Diz Élio por fim. — Precisam olhar o mapa a cada passo que derem.
– Então vá com eles irmão. — Ada diz. Ada é a irmã de Élio. Isso mesmo eles são irmãos!
– Você pode vir conosco? – Pergunto quase implorando.
– A viagem é muito perigosa, por isso custará muito caro e quero metade de adiantamento. – Élio vai direto ao ponto.
– É um absurdo! Não pode cobrar adiantado.– Feo diz.
– Se acontecer algo comigo, minha irmã não ficará em dificuldades.– Élio está pensando na irmã. Ele é muito fofo! Foco Kenna, foco!
– É justo. — Digo saindo do meu delírio.- Pagaremos adiantado, partiremos cedo, esteja pronto.- Digo e vou direção a porta, já anoiteceu e precisamos achar uma estalagem.
– Fiquem para o jantar e passem a noite aqui, assim fica mais fácil para todos. - Ada nos convida e Luc se senta a mesa novamente. É só falar em comida que ele fica animado.
– Tudo bem. – Digo e olho meus irmãos. — Nós aceitamos.
– Ótimo. - Élio me olha e eu fico vermelha de novo. Será que sonharei com ele esta noite? Mas não precisa, ele está bem aqui, perto de mim.
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