A Maldição Do Bruxo Scrooge
8 Capítulo 7
Marta e Danielle pararam em frente a eles. Louis foi o primeiro a falar ainda com os olhos grudados em Danielle.
— Você está bem?
Danielle desejou fugir, mas não podia. Ela assentiu, Louis voltou a olhar para Adam.
— Danielle querida, você ficará agora com o Sr. Beaumont e eu e Louis iremos à uma reunião no segundo andar – disse Marta.
Louis assentiu e foi com Marta até a escada, depois deu uma olhada pelo ombro para Danielle e sorriu. Ela sorriu para ele também.
Adam tocou em seu braço.
Ela tremeu ao toque.
— Vamos? — ele perguntou.
— onde? – perguntou ela se afastando.
Ele percebeu que ela recuara e se afastou também.
— a meu escritório – ele entrou e fez um sinal para que Danielle o seguisse.
Danielle não fazia ideia sobre o que ela e Adam fariam. Ele abriu a porta e abriu espaço para que ela entrasse. Depois, com um estrondo logo atrás dela, ele disse:
— essa porta é barulhenta – E sorriu. Danielle voltou a observar o local: a velha sala com duas macas e uma cama logo perto da janela, a parede era pintada a azul bebê e havia um abajur no criado mudo, perto de um imenso armário onde guardavam remédios e materiais de primeiros socorros. Logo atrás havia uma segunda porta, grande e preta.
— meu escritório – Disse Adam abrindo-a e entrando.
Danielle foi logo atrás.
Lá dentro era quase a mesma coisa. Exceto pelas macas e a cama. É pequeno e frio. Com um armário e uma mesa perto de uma pequena janela aberta, que soprava o vento frio a chuva.
— sente-se – disse ele puxando a cadeira para que ela sentasse.
— Sr. Beaumont, eu me sinto bem melhor, talvez eu devesse voltar para meu quarto. – Danielle levantou devagar, mas não queria sair dali, ela não entendia esse motivo, era como se alguma coisa... Uma voz gritasse para que ela continuasse onde estava.
— fique só farei algumas perguntas – disse ele sentando- se.
Danielle assentiu e sentou.
Ela estava desconfortável ali, sentindo-se mal por molhar a cadeira com as calças encharcadas da chuva e mal por sua blusa esta transparente e vendo Adam que parecia quase não notar.
Isso era ridículo, desde quando um homem como ele, olharia para alguém como ela? — ela pensou.
— o carro não pegou em mim, acho que vou sobreviver.
— eu sei – ele disse
— Mas, Sra. Marta me disse que seu nariz sangrou, não se preocupe querida, só irei fazer algumas pergutas básicas.
Danielle revirou os olhos, ele sorriu. Adam a encarava de uma forma estranha, às vezes, conseguia ser mais estranho que Louis.
— Sra. Marta me informou, logo que cheguei aqui, sobre suas órfãs... E me falou sobre você, à única que ainda esta aqui, que conheceu a família. – Adam falava de um jeito que fez Danielle tremer, sim, ela era a única ainda que conhecesse alguém. Mas isso nunca foi um problema. Ou foi? Danielly balançou a cabeça com força e levantou.
— Não compreendo o que isso possa ter a ver com o quase-acidente – ela disse mais amarga e fria que o normal.
Ouve uma pausa, os dois se encararam, Adam voltou a olhar para o lápis em sua mão, e disse:
— Tem razão, perdoe-me.
Ela queria se desculpar, mas o orgulho a prendeu fortemente na cadeira. Os segundos se passavam, ele anotava algumas coisas na cardeneta quando ela não aguentou e disse:
- Me desculpe, é... Sempre eu fico estranha quando se trata de algum assunto que envolva minha família.. eu não queria ser ignorante, eu...
- Hey, relaxa — disse ele sorrindo.
Ela sorriu também.
- Então, é... Sangramento Nasal, vejamos... causa principal de epistaxe recorrente: ma formacao de vasos na mucosa nasal — tratar com esclerose dos vasos , termica ou quimica. Causas menos comuns, hipertensao, disturbios da hemostasia...
- Hiper.. o que você disse? — perguntou ela não entendendo uma palavra do que ele disse.
Ele sorriu.
- Nem eu sei o que disse.
Os dois riram juntos, Danielle não sorria hoje assim, era a primeira vez no dia, chegou até mesmo a pensar que Adam fosse um sonho.
- Bem, há alguns dias, eu lhe fiz um esame de sangue enquanto dormia na enfermaria...
- Você o que? — indagou ela.
- Calma...
Ele sorriu.
- Bem sua saúde e quase perfeita, os remédios que você estava tomando a deixava tonta as vezes, por isso eu os suspendi. Agora... Creio que você não esteja com nenhum problema.
Ela assentiu, e perguntou um pouco confusa.
- Então... O porquê do sangramento?
Ele respondeu:
- É..existem muitos vasos sanguíneos dentro do nariz. Eles são muito fininhos e ao se romper causam o sangramento. Quando está um dia muito quente e seco tem maiores chances de acontecer. Como hoje, apesar da chuva, estava um dia seco.
Ele sorriu de uma forma graciosa.
†
Louis andava de um lado para outro. Cansado e infeliz, ouvia sem nenhuma vontade o que Marta lhe dizia.
Os dois estavam na sala dos professores da Anderson M. Marta falava sobre o acidente de hoje mais cedo, que aconteceu com Danielle, Louis estava intrigado com isso tudo.
-... E adivinha? – continuou Marta – não havia ninguém no carro!
Louis anelou e olhou-a nos olhos.
— o que? – indagou.
Marta calou-se imediatamente, sentindo o olhar frio de Louis.
— O carro... Não havia ninguém.
Louis virou o rosto e sentou-se junto a ela. Olhou-a mais uma vez e calou-se. Ele não queria assustá-la. Mas, como não haveria ninguém no carro?
Alguém estaria de olho nela?
Eram tantas perguntas que não calavam em sua mente. Danielle era a prioridade em sua vida, e saber que alguma coisa poderia machucá-la. Isso o transtornava.
Marta o olhava como se fosse a qualquer momento, sair gritando. – não sabe quem sou – Louis pensou – e nunca saberá.
— a policia disse que pode ter sido... O freio de mão que não estava no engate... E isso fez o carro descer naquela velocidade... Mas me pergunto como ele parou?
Pobre mortal – pensou Louis, ouvindo Marta e suas desculpas humanas. – Se soubesse o perigo que corria ao se meter em assuntos que envolviam Danielle.
— ela esta bem, é isso que importa – disse Louis.
— sim – concordou Marta.
†
Danielle voltou para o quarto para se trocar após sair da sala de Adam. Ainda estava chateada com tudo o que aconteceu. Ignorando os olhos metediços de Dorys, ela sentou na cama e começou a chorar. Coisa que não era de costume fazer diante da amiga.
— o que aconteceu Elle? – perguntou Dorys mexendo em seu cabelo.
Danielle se afugentou, deitou. Ficou acomodada por alguns minutos, ignorando sua roupa ensopada na cama e ignorando Dorys. Foi quando algo veio em sua mente, algo horrível. Havia alguém no carro hoje mais cedo — ele tinha olhos negros como carvão e um sorriso sádico. Ela abriu os olhos e expeliu o pensamento da sua cabeça.
— Estou ficando louca – ela disse sentando-se frente à Dorys.
— o que aconteceu? – perguntou a leal e afável amiga pela segunda vez. Seus olhos encheram-se de lágrimas. Danielle não aturou em vê-las ali.
— Por que você esta chorando? – indagou.
— Eu não sei... Estou incomodada, Elle, todos esses anos, você foi assim, eu sei. Mas, eu não quero ir embora e deixá-la assim. – ela olhou para o nada limpando os olhos.
Danielle respirou fundo e disse:
— é uma longa história.
†
Callie andava pelos corredores em silêncio.
Ela estava invisível para todos, achava completamente injusto ter que ser assim, ela olhou para o relógio na parede que marcava 15:00h. Ótimo – pensou. Foi quando a porta do quarto de Danielle se abriu, Callie parou e a observou por um momento: a garota usava calças jeans desbotadas, sandálias e uma camisa folgada. Estava com o cabelo preso em um cocó.
Danielle parou de andar, olhou em volta e continuou andando, Callie respirou fundo.
Algo estava errado.
Callie continuou andando atrás da garota que andava de um jeito desleixado. Idiota – ela pensou novamente. Danielle não se parecia com Anabela, pelo contrário, Danielle se parece com Johanna – filha de Anabela.
Um sorriso irônico soou no corredor, Callie se virou e encontrou os olhos de James.
— Posso saber, por que você esta seguindo ela? – ele perguntou de mal humor.
Callie deu de ombros.
— Posso saber o que você faz aqui?
Ele sorriu.
— Ver você. – ele se se encostou à parede – Louis está preocupado com sua presença aqui, Callie você sabe...
— Mas que droga James! Desde quando você faz o que Louis manda? Heim? Estou chateada, não posso ficar de fora enquanto todos se divertem! – Callie estava gritando.
James enrijeceu.
— Você tem um dia para sair daqui. Ou terei que informar a Lucy.
James sumiu deixando Callie sozinha no corredor. Era injusto, ela estava ciente disso tudo, ela não machucaria Danielle. Eles deveriam deixar o passado no passado. A última coisa que eu quero, é ter que voltar para prisão por culpa de uma maldita herdeira.
†
Louis estava quieto.
Apenas pensava em Danielle, sua sala estava densa e opaca, as órfãs estavam no quarto esse horário.
E isso é bom – ajuizou.
Foi quando uma batida na porta o fez saltar.
Ela.
Ele levantou e correu para abri-la. Danielle estava com a cabeça baixa e tinha olheiras por baixo dos olhos. A ponta do seu nariz estava vermelha como se estivesse se recuperando de uma gripe.
— Posso entrar? – perguntou.
Louis não disse nada, deu espaço e ela entrou.
— sente-se aqui – ele disse puxando uma poltrona de couro preta e grande.
Ela assentiu e sentou.
Ele sentou junto a ela ainda olhando em seus olhos tristes, doía-o a alma vê-la assim e não poder fazer nada.
— Aconteceu alguma coisa? – ele enfim perguntou.
Ela abaixou a cabeça e brincou com uma fita vermelha nas mãos.
— Estou preocupada, só isso – ela disse entre dentes.
Ele sentou na cadeira a sua frente.
— eu não acredito – começou – você está com uma aparência ruim, foi por causa do acidente?
— havia alguém no carro Louis... Alguém diferente, alguém, estranho.
Ele arregalou os olhos.
— o que? – perguntou atônito.
— eu não sei se verdadeiramente tinha, ou é algo da minha cabeça. – respondeu encabulada.
Louis não disse nada. Esperou silenciosamente que ela continuasse então ela disse:
— estou preocupada, e não consigo contar com minhas amigas por que sei que elas nunca entenderiam... sou muito egoísta. E por alguma razão, você é a única pessoa que eu confio...
Ele chegou mais perto, estendeu a mão para que ela pudesse pegá-la.
Ela a ignorou e recuou.
— Comece – ele finalmente perguntou recuando também.
— Dorys.
— Dorys?
— sim, Louis, eu sei que ela esta feliz por afinal ter sido adotada, e eu fico feliz com isso também, e isso é ótimo – ela parou de falar por um instante, Louis esperou que ela continuasse, então viu que ela havia calado de vez, disse:
— Eu sei por que você está assim, Dorys já é quase de maior, e é raro ver que ela tenha sido adotada. É isso?
Danielle assentiu.
Eles continuaram em silêncio, quando um pequeno barulho mudou a atenção de Danielle. Era um tipo de graveto de dez centímetros caído no chão.
- O que é isso? — perguntou a menina indo em direção ao objeto.
Louis irrigeceu, que diabos isso fazia aqui afinal?
Essa é a varinha do dragão.
O pequeno dragão ilustrado no canto, é visivel apenas para bruxos legítimos, Danielle, em toda a sua vida, nunca demostrou ser uma. A pesar de seus pais serem. Ela pegou a varinha do dragão e a levantou contra a luz. E disse, disse o suficiente, para que sua vida, chegasse à um novo ponto:
- É um lindo dragão.
Notas finais
o próximo capítulo sai amanhã ou depois, pode demorar um pouco, mas vai sair. Bjs.
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