Notas iniciais
Sorry, dias dificeis na facul...
Mas aí esta :D
Boa leitura

Meus olhos arderam quando os abri. A falta de claridade me incomodou, e tive que me acostumar com a escuridão. Me sentia um pouco tonta e grogue, e tateei a parede úmida às cegas. Minha garganta estava seca; e meus lábios, rachados.

Me surpreendi com a pouca força que tinha, e escorreguei de costas na parede, ofegante. Eu estava muito fraca. Pus a mão na testa, mas não estava quente. O que teria acontecido?

Escutei algo se mexer perto de mim e olhei melhor: eu estava em uma cela escura; um quarto fechado com uma porta de ferro, onde a única luz vinha da minúscula janela no alto. Abracei os joelhos com medo. Novamente, alguém tossiu ao meu lado e olhei.

Era Mark.

Ele também parecia abatido e cansado.

- Mark? — sussurrei, e ele me olhou, se arrastando até a grade.

- Valerie...como se sente? — murmurou ele.

- Como se...tivesse sido sugada... — falei. — E como viemos parar aqui?

Ele demorou pra responder.

- Foram eles, Valerie. Eles nos pegaram.

- E o que querem com você?

Ele se mexeu; desconfortável.

- Eu...não sei. Olha, sinto por aquilo, ok? Foi culpa minha você ter sido pega. Eu não devia ter agido daquela maneira.

- Tudo bem — respondi. — Só...

Fui interrompida por um barulho alto vindo de outra cela próxima. Me arrastei até lá pra ver uma garota de cabelos pretos se debater.

- Ei — eu a chamei. — Sabeque lugar é esse?

Ela parou e me olhou. Foi quando vi a marca em seu pulso e engoli em seco.Ela era como eu!

Ledo engano.

- Ora, se não é a garota fantasma... — zombou ela. — Pelo visto, não terei muito trabalho depois que Kim matar você.

Quem era Kim?

Prestei mais atenção no corredor, e notei que haviam outras celas.

- Está se perguntando se somos muitos, não é? — ela riu. — E Kim...ela sim é poderosa. Talvez seja ela quem vai sobreviver no Halloween.

- E quem é essa tal de Kim? — eu quis saber.

Ela riu alto.

- Como assimquem é?! Você sabede quemestá falando?!

Olhei para Mark, e ele revirou os olhos.

- Ela é a mais habilidosa e esperta. Kim capturou todos os que tem a marca para nos matar e só ela sobreviver. Kim sabe usar estratégia como ninguém. — a maneira como ela falava parecia com um discípulo que idolatra o mestre, e não alguém que está prestes a morrer.

- E ela vai simplesmente nos matar, Kendra? — Mark falou, mas foi pra mim que a tal Kendra respondeu.

- Kim adora joguinhos sádicos — disse ela. — Ela deve ter preparado algo para nós; provavelmente com ajuda. Ela adorava fazer isso com fantasmas.

Alguma semelhança com Alice Blake?, ironizei.

- Vocês duas se conhecem, não? — notei.

Ela deu de ombros e me virei para Mark, me lembrando de outra coisa.

- E você, Mark? Desde quando tem a marca? Por que nunca me contou? Era por isso que estava interessado em mim?

Ele sorriu.

- Perguntas demais — vendo minha expressão séria, ele pigarreou — Sim, eu...também tenho essa maldita marca. Eu não sabia que você tinha e não queria assustá-la.

- Uh... — murmurou Kendra. — Revelações...

- E...tem mais, Valerie — disse ele.

- Como assimtem mais?!

- Eu...não sou quem pensa...

-O quê?!

- Shh! — kendra sussurrou, olhando para o final do corredor. — Kim está vindo aí!

Petrifiquei no lugar enquanto passos cada vez mais altos vinham do corredor. O olhar de Kendra era de suspense. Por fim, uma figura alta apareceu em frente àminha cela. A porta rangeu, e percebi que outro alguém também estava lá.

Então eu vi a tal de Kim. Ela era esguia e tinha um perfil assassino. Uma cicatriz marcava seus lábios. Tinha cabelos loiros escorridos e cacheados e me olhava como uma fera. Ela e o companheiro vestiam preto.

- Valerie Arsen — disse ela. — É bom conhecer você.

Não gostei do seu cumprimento.

- Soube que deixou uma amiga minha em encrenca...Alice Blake, conhece? — ela continuou, e sorriu sadicamente. — Ela falamuitode você...

- Kim, deixa ela em paz! — berrou Mark,

- Tire todos daqui. — ordenou Kim ao companheiro. — Espalhe todos eles!

- O que vai fazer? — disse. Mark foi carregado sem tirar os olhos de mim.

- Que meigo vocês dois... — Kim disse. — Que pena que uma hora vão tentar matar um ao outro...

- Por que está seguindo ordens da Alice? — grunhi. — No fim, ela vai enxotar você! Ela não percebe que essa vingança idiota não vale a pena! — gritei para que Alice escutasse. Ela estava por ali.

- Shh! — fez Kim. — Não vai sobreviver até o Halloween, Valerie...

- Já enfrentei alguém que se dizia forte e esperta também! — revidei. — E olha o que aconteceu com ela...

Kim agarrou meu pescoço para me obrigar a olhá-la.

- Vou facilitar as coisas pra todos nós. Esse prédio abandonado é um labirinto. Neste exato momento, os outros estão espalhados e vão começar a caçar uns aos outros até a morte.

Engoli em seco.Mark!, pensei.

- Não pode fazer isso, não é justo! — apelei. — Não pode simplesmente ditar as regras do jogo e dizer que você vai vencer.

Kim estreitou os olhos.

- Alice tem razão. Você é mesmo insuportável. É hora de entrar no jogo.

Ela fez sinal para que seu capanga me pegasse; e, quando tirou o capuz, eu arquejei.

- Rony?!

Rony Blake era irmão de Alice, e caça-fantasma como ela. Ele não deu trabalho quando apareceu em Scarabas, uma vez que Alice se saiu ao contrário. Quando ela morreu, ele desapareceu e esquecemos completamente. Mas ele jamais abandonaria a irmã.

- Olá, Valerie — ele sorriu. — Nunca achei que meu charme a atrairia;mas, pelo visto, gostou das minhas cartas, não foi?

-Foi você?!- sibilei. — Mas...comofez...? E a marca no pulso?

Ele deu uma risada.

- A marca era falsa. Queria confundir sua cabecinha para que pensasse que era seu amiguinho Mark. Mas, ele me surpreendeu. Ele é mais altruísta do que eu pensava. Nunca passou pela sua cabeça, não é?

- E por que querem esse duelo entre nós?

Kim suspirou e olhou para Rony.

- Quero trazer minha irmã de volta. — disse Rony. — Ela vai se apoderar do corpo do sobrevivente.

- E, quando o Halloween chegar, todos os fantasmas farão o mesmo — Kim sorriu. — Com o Campo Espectral alinhado ao mundo dos vivos, será como férias para eles...

E os dois se beijaram, e revirei os olhos.

Restava menos de duas semanas para que aquela atrocidade acontecesse. Alice não poderia tomar o corpo de alguém.

- Está atrasada... — Rony debochou e me agarrou pelos braços, me tirando dali.

- Nos vemos, Valerie — disse Kim.

- Não precisa fazer isso — eu disse. — Nós dois sabemos no que vai dar.

- Não importa — Rony abriu uma porta, onde vi uma grande rampa, que dava acesso a um quarto destruído. — Se defenda, ou morrerá. E lembre-se. — avisou ele. — Se morrer agora, poderá não voltar mais. Boa sorte, Valerie. — sorriu. — Torço por você; sério. Você tem mais chances; de verdade. Além disso — ele me olhou com malícia. — Seria interessante ver minha irmã no seu corpo.

Ele me empurrou, e meu coração foi à mil de adrenalina. Escorreguei gritando pela rampa até cair no chão num estrondo.

Eu tinha que encontrar Mark.

Levantei tossindo e limpando a roupa. O chão rangia sob meus pés e ameaçava ruir. Espiei o corredor — vazio. Não tinha ideia de como me defenderia — e não queria machucar ninguém. E onde diabos Mark estava?

- Psiu! — fez alguém acima da minha cabeça e pensei: É agora, é o meu fim. Uma garota ruivinha e sardenta se pendurava nas vigas do teto e sorriu pra mim. Me surpreendi com a sua semelhança com Natasha.

Ela se equilibrou e desceu.

- Precisa ter cuidado. Kim e Rony só querem um show. Não é muito difícil sair daqui. Eles querem formar um labirinto para nos atrair e fazer um banho de sangue.

- E como saímos?

Ela apontou para o chão.

- Túneis. Mas...

- Deixa eu adivinhar — falei. — Vamos ter que passar por eles primeiro.

- Valerie! — me assustei quando Mark apareceu no corredor.

- Você tem muito a explicar. — eu disse-lhe.

- Não há tempo — cortou ele. — Kendra está atrás de você.

Suspirei.

- Então vamos tratar de achar logo esse túneis.

Mary — minha mais nova amiga — nos guiou pelo corredor oposto. A qualquer momento, podíamos ser pegos.

- Voltem! — disse ela, me empurrando para trás, e apontando para um túnel que ficava bem atrás de uma piscina suja. Em seguida, Kim, Kendra e Rony apareceram, atentos.

Se quisermos sair, teríamos que passar por eles.

- Que droga! — murmurei.

Mary suspirou.

- Vou distraí-los e vocês passam. Nos encontramos lá fora.

- Não, Mary! — eu a segurei. — É perigoso!

Mark me deteve e Mary avançou. Kim atirou uma faca que passou a centímetros dela. Assim que eles a seguiram, Mark e eu disparamos.

De repente, notei que não estávamos sozinhos. Tudo o que vi foi Kim jogar algo em nossa direção e Mark me empurrar com tudo dentro da piscina de água suja.

- Shh — fez Mark. Estávamos agachados quando emergimos. Kim veio até a beira e xingou, com raiva. Então Mark se mexeu.

- Mark, não! — sussurrei.

- Confia em mim — disse ele, saindo da água.

Foi quando notei que ele não estava molhado como eu. Mark foi até Kim e retirou sua armas e as atirou na água sem que ela notasse.

Era como se ele fosse invisível.

Ele riu de minha expressão boquiaberta e suspirou.

- Era isso que eu queria te contar.

- Você... — balbuciei.

- Sou um fantasma — revelou. — Eu sempre fui; todo esse tempo.

- Mas...como?

- Prometo que explico depois — disse ele. — Agora, mergulha.

Prendi a respiração enquanto ele me puxava cada vez mais pra baixo. Me surpreendi quando a pressão cedeu e caímos em um cano que nos escorregou até um labirinto de outros canos. Cuspi água com nojo até que caímos outra vez; desta vez no chão.

Estávamos fora.

- Já chega de me enrolar, Mark — eu disse, me levantando. — Como assim você é um fantasma?!

- Calma, ok? — disse ele. — Eu não sabia que você já conhecia e tinha contato com fantasmas. Tive medo que você achasse que eu sou louco. Além disso... — ele sorriu. — Você poderia não querer namorar um fantasma...

Revirei os olhos.

- Vamos sair daqui, tá?

Corremos até encontrar Mary. Em compensação, Kim, Kendra e Rony estavam atrás de nós.

Menos de duas semanas para evitar que o pior acontecesse.

Menos de duas semanas para evitar que Alice Blake vencesse.

Notas finais
Comentem, por favor. Digam oq estao achando. Proximo capitulo vai depender dos reviews.
Témais.