A Maldição De Afrodite
16 Visita aos céus
Não sabia o que dizer. Meu pai, o Deus da Guerra, queria que eu fosse até o Monte Olímpio junto dele, para ajudá-lo a resolver seus problemas de relacionamento. Isso depois de ter feito uma maldição cair sobre seus filhos e nunca ter aparecido para explicar nada disso antes. Pai do ano, pessoal!
—Espere, porque eu tenho que resolver os seus problemas? Foi uma briga sua com Afrodite que me colocou nessa situação, vocês que tem que resolver isso!
—Eu já te disse, já tentei a convencer diversas vezes, mas ela não me ouve! Você tem que se mostrar digno a ela se tem alguma esperança de que ela retire a maldição. – Exclamou Ares, parecia estar começando a perder a paciência.
—O problema é seu! Você nos colocou nessa burrada, é seu dever nos tirar dela!
Eu fiquei discutindo com meu pai pelo que pareceu uma eternidade. Monet estava do meu lado, claramente assustada com o fato de eu estar mandando um dos 12 grandes deuses do Olímpio ir à merda (literalmente), Marco estava se escondendo atrás de Sarah pelo mesmo motivo, Sarah parecia estar se divertindo com aquilo tudo e Franky estava com a cabeça fora da janela, abrindo e fechando a boca contra o vento como se fosse um cachorro.
—E mesmo que eu vá com você – Disse para Ares. – O que garante que vamos conseguir convencer ela? Como nós sabemos que eu não vou perder meu tempo?!?
—Nada! –Disse ele com um grito tão alto que o próprio carro tremeu como se um terremoto estivesse acontecendo. Nós já estávamos na estrada a caminho para Atlanta por sorte, se ele tivesse gritado daquela forma no meio da cidade acredito que metade das janelas de Long Island teriam se partido. Depois de alguns segundos senti minha audição voltar ao normal (apesar de meus ouvidos ainda estarem apitando) e ele continuou falando enquanto eu massageava meu rosto. – Mas essa é nossa única chance. Eu quero que você e sua irmã fiquem bem logo, tiraria um enorme peso de minhas costas e assim eu finalmente poderia focar minha preocupação para algo importante, ao invés de ficar perdendo meu tempo com mortais mal agradecidos.
Apoiei meus braços em meus joelhos e me aproximei de Ares, o encarando severamente enquanto falava – A culpa que você sente, é a menor de minhas preocupações. – Eu vou com você ao Olímpio, vou falar com Afrodite, irei fazer qualquer tarefa estúpida que ela me passar e depois vou descer aqui de novo e ajudar meus amigos a resgatar minha irmã. Não por você, mas porque eu quero ter uma vida tranquila com minha irmã para variar.
Ares me encarou como se estivesse se decidindo entre me ajudar ou me matar logo para se poupar de mais problemas. Após alguns segundos ele voltou sua atenção para Sarah, que era a única que realmente parecia estar prestando atenção a nossa conversa – O motorista vai levar vocês até Atlanta, Pierre está abrigado no Georgia International Convention Center como o filho de Hefesto informou a vocês. É um centro de convenções durante o ano, mas desde que ele chegou lá o lugar virou a central de suas operações, ele usa seus poderes com ilusão e manipulação da nevoa para manter outros mortais longe daquele lugar. Mas eu já aviso, eles sabem que vocês estão a caminho. Ele apenas não espera que vocês cheguem tão cedo, nem sabe qual é o objetivo dessa missão, mas ele sabe que um grupo de quatro semideuses está indo atrás dele. Ele suspeita que vocês cheguem lá de avião, então o aeroporto está rodeado por monstros e mercenários controlados por ele, acredito que ele também tenha seguranças dentro do centro de convenções então aconselho que vocês sejam cuidadosos.
–Um minuto! – Disse Marco, ele havia passado a viagem inteira sem se mexer (possivelmente por medo de Ares), mas agora decidiu finalmente falar algo. – Quem o avisou?
—Acredito que a informação venha do acampamento, afinal só eles sabem que vocês estão vindo, mas não posso afirmar com certeza. De qualquer forma, tomem cuidado. Agora, Len... Vou nos transportar ao Olímpio.
—Espere! –Exclamou Monet com a mão em meu ombro (aparentemente todo mundo que tinha medo de Ares até agora decidiu chamar atenção.) – E-eu vou com vocês! Caso aconteça alguma luta aqui contra Pierre eu vou atrapalhar eles mais do que ajudar... E se Len precisar entrar em combate ele vai acabar machucado, ele não é muito cuidadoso quando fica nervoso... – Eu queria discordar dela, mas era verdade. – Então eu preciso estar ao seu lado caso algo aconteça...
Ela parecia bem corajosa dizendo isso. Na verdade, sua outra mão estava agarrada em minha camisa e eu podia sentir seu corpo tremendo tanto que parecia que estávamos no meio de um terremoto de novo, só com menos gritos dessa vez. Mesmo assim eu apreciei aquelas palavras, eu estava indo confrontar um dos mais poderosos deuses do Olímpio e mesmo assim a única coisa que ela se preocupava era com meu bem estar. Eu talvez tenha ficado corado quando ela disse aquilo.
—Ok, mas só você. – Disse Ares rispidamente. –O resto de vocês será levado até Atlanta pelo meu amigo. – Disse ele apontando para o motorista.
Assim que ele disse isso a janela que separava a cabine do motorista baixou lentamente mostrando um esqueleto ao volante, ele usava um terno preto e uma boina da mesma cor que lembrava um uniforme de motorista particular. Ele olhou pelo espelho retrovisor fazendo um sinal de positivo com a mão. A ultima visão que tive foi de Marco gritando com uma voz tão aguda que me fez ficar feliz de ter sido levado ao monte Olímpio. (apesar de que ele gritou tão alto que se não fosse por Sarah ter socado ele, provavelmente nós o escutaríamos lá de cima.)
Em um instante, nós três estávamos na sala de estar de uma mansão enorme. O lugar estava completamente bagunçado com roupas e armas de todo tipo jogadas pelo chão, mesmo isso não tirava a classe do lugar. Acredito que o teto deveria ter mais de 10 metros de altura, as paredes eram vermelhas cor de sangue e tinham quadros gigantescos presos a elas, demonstrando batalhas históricas. A maioria das pinturas mostrava guerras antigas com soldados de armadura e espadas, mas reconheci um quadro onde mostrava imagens do “dia D”, um acontecimento importante na segunda guerra mundial. Todos os moveis e pilastras da mansão eram de um preto fosco que me lembrava obsidiana assim como uma serie de estatuas que estavam enfileiradas junto das duas paredes, eu não reconhecia quem aqueles eram a não ser a estatua que ficava mais próxima ao maior trono da sala. Aquela estatua era a forma atual que meu pai estava usando, ele parecia forte e imponente e em sua mão estava um grande machado. Imagino que as outras estatuas também referenciavam a outras formas de Ares
—Bem vindos ao meu templo. – Disse Ares com um tom indiferente, como se ele estivesse nos mostrando um apartamento qualquer ao invés de uma mansão do tamanho de Nova Jersey. – Desculpe por aquilo na limusine, não me dou muito bem com Hestia então não pude perder uma chance de assustar um filho dela. – Eu realmente não me importei, achei aquilo hilário! Talvez eu tenha mais em comum com meu pai do que eu saiba.
A luz que entrava das janelas era tão forte que eu mal conseguia abrir meus olhos. – Não sabia que você era amigo de Hades para ter esqueletos como motoristas particulares.
—Filho, entenda uma coisa, ninguém é amigo de Hades. Eu posso fazer voltar à vida aqueles que morreram lutando em batalha, que não desistiram e lutaram até seu ultimo suspiro! Às vezes eu uso eles para lutar a meu lado novamente, às vezes eles limpam minhas coisas ou dirigem meus veículos. – Anotei em minha lista mental um lembrete: Não morrer em batalha não importa o que aconteça. –Agora venha aqui, preciso te dar algo.
Ele nos levou até seu quarto, era tão majestoso quanto todo o resto do templo, com quadros na parede, decoração vermelha e preta e (é claro) roupas espalhadas pelo chão. Ele abriu um armário que ficava do lado de sua cama, dentro dela havia uma serie de armas de todas as formas e tamanhos. Eu mal reconhecia todas elas, tinham armas Romanas, Gregas, Egípcias e até armas modernas como Ak-47 e alguns tipos de pistolas semi automáticas.
—Vou te dar duas de minhas armas favoritas, qualquer um que se considere um guerreiro grego deve ter armas como essas. – Ele me deu duas espadas negras que eram do mesmo tamanho de minhas espadas normais, apesar da cor de obsidiana elas também eram de bronze celestial, mas seu formato era diferente de minhas armas normais. A base era de couro e ela era um pouco mais pesada que minhas armas normais, porém isso não fazia dela menos confortável de se carregar. Ela era mais fina na base da lamina perto do cabo e ia se alongando e ficando mais grossa conforme ia chegando à ponta da espada. Nas costas da lamina também havia outra ponta que saia verticalmente, fazendo as costas da lamina ser tão perigosa quanto a frente. Era uma típica espada espartana, segurar aquelas armas me deu vontade de assistir 300 novamente. Serio, as espadas daquele filme eram quase idênticas a essa. –Espadas espartanas, feitas por Hefesto com minha supervisão, se você bater uma espada na outra enquanto invoca seus poderes divinos – disse ele enquanto raspava as pontas das duas espadas. Assim que ele fez aquilo, desenhos vermelhos apareceram nas laminas a espada e se podia sentir um calor vindo delas. – Elas esquentam até chegarem a mesma temperatura de um vulcão. Bem incrível, certo?
Observei as laminas mais cuidadosamente, os desenhos brilhavam em um vermelho lava e contornavam todo o interior das espadas. Parecia que a lamina era feita de rochas vulcânicas e os desenhos davam a impressão de que essas rochas estavam se rachando, deixando sair todo o calor armazenado dentro delas. Eu me sentia como uma criança em uma manha de natal. Queria pular e dar um abraço apertado em Ares, mas ele provavelmente não é o tipo de cara que gosta de abraços, então apenas respondi com um – Obrigado, pai.
—Tudo bem, mas lembre-se que quanto mais você ativar seus poderes, mais fraco você vai se sentir. As laminas utilizam seus poderes divinos e isso vai rapidamente acabar com sua energia, então é importante saber quando usar-la. Somente um filho de Ares pode usá-la com todo seu potencial, acredito que você é a escolha certa, principalmente por já ter tido experiência com minha benção. Enfim, vamos encontrar Afrodite e rezar para que ela esteja com bom humor.
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