A Maldição De Afrodite
24 Um milagre acontece
Tudo aconteceu muito rápido. Antes, eu estava sentada do lado de Ares vendo Len lutar contra Deuses e monstros, de repente, o corpo dele estava sangrando a minha frente com uma lamina atravessada em seu peito. Len não desistiu mesmo após ser atravessado por uma lamina, após ser atingido, ele ainda reuniu forças para segurar a Empusa, impedindo que ela se afastasse dele e ainda usar sua própria espada para decepar a Empusa. Assim que ela se transformou em um monte de pó, Len desabou em meu colo com um sorriso surgindo no canto da boca. – Pronto... Agora estamos quites por... Você ter me curado tantas vezes... – Sangue começou a escorrer de sua boca quando ele desmaiou em meu colo. Os deuses menores gritavam em euforia como se o time deles tivesse acabado de fazer um gol, apenas Afrodite estava calada.
Len havia mentido... Ele falou como se eu tivesse o salvado muitas vezes antes e ele estivesse me devendo algo, sendo que foi ele que me salvou. Desde sempre, foi ele que me treinou quando ninguém mais me dava atenção, foi ele que decidiu me levar junto em sua missão... Ele é a única pessoa que nunca me viu como um estorvo, que viu minhas habilidades e se preocupou em treinar comigo para que eu fosse uma semideusa melhor. Antes, quando estávamos no acampamento meio-sangue, eu tentei de tudo para me dar bem com os outros semideuses, mas parecia que não tinha lugar para mim entre eles.
Agora, a única pessoa que fez eu me sentir importante, estava deitada em cima de mim com seu peito aberto... Por culpa minha. Se eu não tivesse insistido em ir junto com ele isso não teria acontecido... Eu voltei a ser um estorvo para todos, Sarah, Rin, Franky e todos os outros teriam que lidar com a morte de Len, e seria tudo culpa minha.
Senti o corpo de Len esfriando em meu colo. Eu precisava fazer alguma coisa... A culpa tomava conta de meus pensamentos. Eu precisava fazer alguma coisa. Seu sangue manchava minhas mãos que agora tremiam como nunca antes... Eu precisava fazer alguma coisa!
Se tem uma coisa que Len me ensinou, foi que enquanto você tiver pelo menos um fio de esperança, nada é impossível. Foi isso que o fez continuar tendo esperanças em encontrar sua irmã após todo aquele tempo. E foi com esse pensamento que eu consegui afastar todo o medo e toda a culpa que estavam dentro de mim e comecei a invocar meus poderes. Normalmente, quando eu usava meus poderes de cura em alguém, eu sentia seus ferimentos se curarem ao mesmo tempo em que minha energia se esgotava, era como uma troca mutua. Nesse caso, minha energia ia embora, mas eu não sentia nenhum retorno vindo do corpo de Len, sua pele agora estava mais pálida do que o normal, seus lábios estavam cinzentos e sem vida e seus olhos estavam congelados e sem vida.
Continuei tentando de tudo para curar-lo, percebi que os deuses haviam parado para observar a situação. Continuei a invocar meus poderes com toda minha força de vontade até sentir meu corpo começar a ceder, eu nunca havia tido que usar meus poderes com tanta intensidade como agora.
Senti uma mão em meu ombro. – Pare, desse jeito você vai morrer junto dele. – Disse Afrodite. De certa forma, ela estava afetada com aquilo.
–Não! – Gritei, em meio a lagrimas. – Eu não me importo com o que aconteça comigo, vou usar todos meus poderes até ele voltar ao normal!
–Por quê? – Disse Afrodite, rispidamente. – Porque você vai ter todo esse trabalho por outro semideus? Além do que, você não sabe qual seria a ultima tarefa dele, ele poderia apenas morrer novamente.
–Se for o caso então eu o curarei novamente! Não vou deixar nada de mal acontecer com ele, não vou, não vou... Não vou! – Invoquei todos os poderes que eu poderia, rezei para que Asclépio me ajudasse naquele momento, a luz que saia de minhas mãos era tão forte que mal se podia ver o corpo de Len, apesar de que eu ainda não sentia nenhuma resposta vinda dele.
– Responda-me, semideusa! – Gritou Afrodite. – Porque você está fazendo isso por ele?
Gaguejei um pouco, nunca havia parado pra pensar naquilo antes. Porque eu estava disposta a sacrificar minha vida por ele? Ou abandonar o acampamento em uma missão de vida ou morte ao seu lado? Após pensar um pouco, a resposta veio em minha mente, tão clara quanto o dia. –Porque eu o amo! Len... – Disse enquanto chorava como nunca havia chorado antes. – Por favor, não me deixe aqui sozinha, eu te amo tanto...
Ao dizer aquilo, uma voz dominou meus pensamentos. –Exatamente, não é porque esta devendo algo a ele, nem porque é seu dever curar ele. Você esta usando meus poderes porque realmente quer curar a pessoa que esta em sua frente, esse é um desejo honesto que vem do fundo de seu coração. Devido a isso, te dou minha benção. – Era a voz de meu pai, Asclépio. Apesar de já estar quase sem forças, senti seu poder transbordar dentro de mim, olhei para meus braços e uma espécie de vapor prateado contornava meu corpo.
–Era isso que eu queria ouvir. – Disse Afrodite enquanto colocava sua mão em meu ombro. – Eu ainda quero ver Len sofrer e ser destruído na frente de seu pai, mas ele se colocou na frente daquele golpe por você. Aquilo foi um legitimo ato de amor vindo dele. E agora você esta dando todas suas forças e arriscando sua vida para curar ele, outro ato genuíno de amor... Eu, como Deusa do amor, não posso ignorar isso. – Senti sua força vital passar para meu corpo, recebi impulso o suficiente para extrair todos os poderes da benção de Asclépio que eu poderia e as usei em Len. Passei em torno de 5 minutos usando meus poderes até estar tão exausta que não tinha energia nem para conseguir respirar direito.
Senti meus poderes se esvaírem quando de repente fui acertada por uma cabeçada. Quando Len finalmente acordou, ele se levantou tão rápido que acabou me acertando. Ele não parecia entender nada do que estava acontecendo. Eu simplesmente o abracei e chorei com toda a força que me restava, mas dessa vez de felicidade. Olhei para seu peito e vi que não tinha mais nenhuma cicatriz em seu corpo, os poderes que eu usei nele foram tão fortes que havia curado todos os machucados de seu corpo, além de todos os machucados que já haviam sido feitos a seu corpo no passado. Nem mesmo a luz roxa que saia de seu coração antes podia ser vista mais. Provavelmente, Dionísio sentiu que o coração de Len há via parado e tirou seu marcador dele, sem saber que agora ele vivia novamente.
–Hey, calma... Ta tudo bem agora. – Disse Len passando a mão de minha cabeça. Com a sensação de dever cumprido, desmaiei de cansaço em seu colo.
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