A Maldição De Afrodite
4 Dia-a-dia doloroso
—Maldito que... –Resmunga Kikuo — Isso não vai ficar impune.
Antes que eu pudesse o atacar, Kikuo abaixa seu corpo e com um giro usa sua perna direita para me derrubar. Caio de costas no chão soltando a espada com o impacto, me arrasto tentando pegar minha arma de volta porém antes de conseguir a alcançar, Kikuo começou a tocar uma flauta que tinha uma aparência velha e enferrujada, ela emitia um tipo de musica estranha que lembrava a musica tocada pelo sátiro que invadiu minha antiga casa, na tentativa de se proteger do Minotauro. O resultado foi o mesmo, raízes de roseiras saíram do chão em volta de mim e se enrolaram em meu corpo me pressionando contra o chão e impossibilitando meus movimentos.
—Está mais calmo agora, semideus?!? — Grita Kikuo apontando para mim — Agora sim eu entendo, não se tem como testar um filho de Ares a não ser com uma batalha! Sabendo disso eu posso simplesmente vender vocês e me livrar de duas pestes de uma vez por todas!
—Do que você esta falando seu maldito!? — Grito — Nos deixe em paz! Minha irmã e eu não merecemos isso!
—Eu não me importava com vocês antes, porque deveria me importar agora? – Diz Kikuo com um sorriso sarcástico preenchendo seu rosto. – Esse é seu destino! Amaldiçoem os Deuses por terem os deixado sozinhos nesse mundo cruel, é a unica coisa que podem fazer agora.
—Droga... Drogaa!-Tento utilizar a mesma força que havia usado antes para levantar o touro, porém ela já teria me deixado-droga,drog..dro..-de repente eu começo a me sentir cansado e desmaio sem nenhum aviso.
—N-não...– usava toda minha força para tentar rasgar as raízes que me cercavam, porém do mesmo jeito que toda a força que eu recebi antes veio, ela foi embora. Quanto mais eu me debatia mais os espinhos me machucavam até que meu corpo cedeu ao cansaço e eu desmaiei.
Os próximos anos foram mais complicados, até alcançarmos oito anos de idade, eu e minha irmã fomos forçados a trabalhar no circo. Kikuo dizia que nós ainda tínhamos um potencial escondido e que ainda deveríamos amadurecer um pouco antes de sermos vendidos. Se nós fizéssemos o que nos mandavam, ganhávamos comida. Se algo de errado acontecesse, ganhávamos chicotadas. Tanto eu quanto minha irmã temos cicatrizes por todo o corpo até hoje, devido aos castigos sofridos naquela época.
Uma semana antes de eu e Rin fazer 9 anos, ela esqueceu de trancar a jaula do elefante que o circo tinha preso em um dos caminhões, após conseguirmos acalmar a situação Kikuo a levou para o vagão onde ele dormia pretendendo a castigar de novo. Esse dia foi quando eu decidi que isso já havia passado dos limites e chutando a porta de seu quarto, entrei correndo e pulei em suas costas tentando tirar o chicote de suas mãos. Com um giro ele conseguiu se soltar e me lançar ao chão, mas antes de conseguir me atacar uma garota de cabelos castanhos entrou correndo no quarto com uma faca na mão. Ela parecia ser mais velha que eu, usava uma camisa laranja parecida com a de Kikuo mas em melhores condições que ia até seus joelhos e seus olhos estavam encharcados de lagrimas. Ela tentava esfaquear Kikuo enquanto ele desviava e tentava tirar a faca da mão dela, aproveitando aquela distração eu desamarrei Rin da cama onde ela estava presa e acenei para ela correr, mas ela parecia relutante.
—Vamos garota! Saia desse inferno, essa é a sua chance! — Ela gritou para Rin enquanto olhava para Kikuo. Sua voz tinha uma certa doçura, mesmo chorando ela ainda falava com confiança, parecia pronta para enfrentar qualquer um que estivesse pela frente.
—M... Mas... — choramingou Rin -Len!Você vem junto!
—Eu vou depois! Vamos manter ele aqui enquanto você corre! – Antes que ela pudesse discutir sobre minha decisão eu grito novamente. — Sua vida é o mais importante aqui! Nós vamos nos reencontrar novamente! Eu juro!
Ela seca suas lagrimas enquanto eu me seguro para controlar as minhas e ela finalmente corre, ela rapidamente sai de onde estávamos e sai correndo sem olhar para trás, a unica coisa que eu poderia fazer é torcer para que ela ficasse bem. Eu fico repetindo em minha mente que voltaria a me reencontrar com ela, custe o que custar!
Antes de conseguir voltar minha atenção a Kikuo, ele consegue pegar uma espada que estava em baixo de sua cama e a aponta para nós. — Fim da linha, pirralhos. — Eu não consegui perceber até ser tarde demais, mas outros funcionários ouviram a confusão e entraram no quarto, quando viram o que estava acontecendo eles baterem em mim e na garota com tanta força que ambos desmaiamos. A ultima coisa que pude ver foi Kikuo correndo para fora do quarto ordenando a todos a procurarem Rin.
Fale com o autor