A Maldição, A Magia E O Destino
2 Ela não é apenas mais uma semideusa
– Magia? –Annabeth torceu a sobrancelha. –Não pode ser... Só os filhos de Hécate tem acesso direto com a Magia. A não ser que...
– A não ser que...? –Percy coçou a cabeça.
– A não ser que ela tenha tido uma... Uma professora.
– Mas e se ela aprendeu sozinha?
– Não sei se é possível, cabeça de alga. Magia é algo complexo. Ler sobre pode ajudar, entretanto, ela faz isso muito bem... Como... Como se tivesse anos de prática. Grover, ela nunca foi pro Acampamento?
– Não. Tecnicamente, ela é o mistério que está intrigando os deuses. Há outra força usando ela para ameaçá-los.
– Como refém? –Annabeth perguntou esperançosa.
– Infelizmente não. Usam-na como a ameaça que pode destruir o Olimpo.
– Isso não é nada bom!! Percy, VAMOS atrás da garota!! AGORA!
Percy assentiu.
– Ela foi em direção ao estacionamento.
Encontraram a menina na fila do pagamento do estacionamento, com cara emburrada e reclamando. Percy entrou na fila, também. Os dois se encararam, e no mesmo instante pensaram:
“Eu te conheço!”
Ela virou-se para pagar. Percy notou algo em seu dedo. Um anel. Tudo isso o deixava mais confuso.
– Ela pode ser filha de Hécate! –Annabeth exclamou a certa distância.
– Faz sentido!! –Grover ligou os pontos.
Chegou a vez de Percy, que entregou uma nota de cinco, quase pediu ao cobrador que aceitasse dracmas.
– Obrigado... –O cobrador checou se a nota era verdadeira. –Próximo!!
A menina entrou em um carro negro, ligou o motor e saiu dirigindo. Percy, Annabeth e Grover correram em direção ao Prius de Paul.
– Para onde ela vai?? –Annie olhou confusa. A semideusa fazia curvas e caminhos complicados. Até que uma bola de fogo quase acertou a traseira de seu carro.
– Não pode ser!
– São as três Fúrias!! Béeee! –Grover mordeu uma latinha de Coca-Cola.
– Mas elas não estão atrás de nós.
O carro da menina derrapou e quase capotou ao mesmo tempo em que as Fúrias lançavam outra bola de fogo. A garota desviou e saltou do carro. Um arco prateado surgiu na mão da menina. A mira dela era perfeita. Só não acertou uma das fúrias, pois ela desviou.
– Cadê sua mira excepcional, filha de... –A fúria fez uma pausa. Nem ela sabia. E, no mesmo minuto, uma flecha acertou sua cabeça. As outras duas urraram.
– Sua tola!!
Duas flechas restantes. Uma estava no arco, outra na aljava.
– Aquela era a minha professora de álgebra. –Percy falou. –Alectó.
– Ótimo!!! Estamos fritos! Béee.
– Acalme-se, Grover! É como o Percy disse: elas não nos querem.
Alguns carros buzinavam para que seguíssemos em frente, como se tudo aquilo, fosse um simples congestionamento. Um menininho que passava de mãos dadas com a mãe gritou:
– Veja, mamãe! Uma menina lutando contra um monstro!!
A mãe, que nada disso enxergava disse:
– Quanta imaginação, Jacob! É apenas uma menina em pé e uma pomba!
A semideusa olhou indignada para a mortal, depois, observou o olhar do menininho. Ele jurava que o que via era verdade, e era. Ela piscou com o olho direito para o menino, sorriu e soltou a flecha em direção à fúria. O garoto sussurrou: salve-nos!
Sobrando só uma fúria, Alectó, a menina não podia estar mais aliviada.
– Não! Menininha ingênua! Morra!
– Eu ein!! –eles ouviram sua voz com mais clareza. Era doce, afinada. –Não sabia que fúrias também ficavam de TPM!
Alectó urrou de raiva. A garota tirou a última flecha da aljava, armou o arco, mas, a fúria foi mais rápida, voou até ela e a derrubou. Isso, definitivamente, a irritou. Apesar de ter caído em pé, ela havia perdido a concentração e, agora, sua visão estava turva e a cabeça rodava; demorou a se levantar. E quando conseguiu, notou que sua roupa estava chamuscada, virou-se para Alectó, e gritou:
– Venha!! –mexeu os dedos.
A fúria sorriu maliciosamente e atacou, a menina pulou para o lado, girando no ar, desviando do ataque e, quando Alectó ainda estava de costas, lançou a flecha, que atravessou sua cabeça, bem no meio. A fúria se desfez em pó dourado. A menina entrou no carro e saiu dirigindo de volta para o shopping.
– Ah, ótimo! –Annabeth exclamou com ironia. –Vamos, Percy! Siga-a!
Percy acelerou e fez o retorno. Os carros pararam de buzinar e seguiram com o trânsito.
A menina dirigia fazendo curvas estranhas, como antes. Até que estacionou em um Café. Carol’s café. Percy parou logo atrás. Ela desceu, se sentou em uma mesa e começou a mexer em seu celular. Percy notou que ela mascava um chiclete, balança os pés... Enfim, não conseguia ficar parada.
“Hiperatividade” –Ele pensou.
Os três desceram e sentaram perto dela. Passaram-se cinco, dez, quinze, meia hora... E nada da pessoa que ela esperava chegar. Annie bufou impaciente. Então, a garota puxou uma cadeira e sentou na mesa deles.
– Pois não? –Annabeth perguntou.
– Ora!! Poupe-me! –a semideusa respondeu. –Vocês estão me seguindo o dia todo! Agora, se não se importam, vou tomar um café com vocês.
Annabeth bufou.
“Convencida” –ecoava em sua mente.
– De qualquer forma –a menina revirou os olhos para Annabeth, como se lesse seus pensamentos. –meu nome é Thalina.
– Eu sou Percy, e esses são Annabeth e Grover
– Os sapatos! –Grover a olhou. –Por que fez isso?
– Foi o justo!!
Para Percy, aquilo não soava justo.
– Roubou o sapato da moça, é justo isso? –Annabeth a encarou.
– Acontece que eu havia reservado os saltos no sábado. A vendedora prometeu guardá-los para mim até terça. Hoje é... –ela olhou com ironia para o telefone, como se já soubesse, mas apenas estivesse confirmando, para esfregar na cara de Annabeth. –Segunda. Ou seja, justo!
– Usar magia para conseguir o que quer, não me parece muito justo! –Annabeth concluiu.
– Olha aqui! Não venha discutir comigo, sua...
– Parem!! –Percy interrompeu. –Acho que já ouvi discussão demais por hoje! Thalina, quem é teu pai Olimpiano?
Thalina pensou.
– Não sei.
– Não sabe? –Annabeth franziu as sobrancelhas. –Afrodite, com certeza!
– Queridinha, não é só porque me visto bem, que sou filha de Afrodite!Você podia tentar de vez em quando... –Olhou sua camisa do Acampamento Meio-Sangue. –Laranja saiu de moda...
– É a camiseta do meu lar!! E você tem que vir com a gente!
– Não! –Thalina a cortou. –Eu não tenho que ir com vocês!
– Tem sim! Lá se sentirá protegida e aprenderá muito mais!
– Olhe para mim! Lutei contra as três Fúrias sozinha, estou viva, inteirinha! Acho que eu não preciso ir para o Acampamento de vocês!
– Mas lá é o seu lugar! Sua casa! –Percy exclamou.
– Olha, Percy, Grover e... Annabeth, não é? Não me levem a mal mas, eu não me sinto em casa naquele lugar! –a menina disse com nojo.
– Lá, naquele lugar –Annabeth disse no mesmo tom de Thalina. –Não é desfile de moda, não se usa salto para lutar, não é... Confortável.
Thalina sorriu.
– Mas que coisa! OLHE PARA OS MEUS SALTOS, QUERIDA. DIGA-ME, ELES ESTÃO ARRANHADOS OU ALGO DO TIPO? EU ACHO QUE NÃO! ENTÃO, AMORZINHO, NÃO DIGA QUE EU NÃO POSSO FAZER ALGUMA COISA!
Annabeth se estressava cada vez mais.
– Você, me tira do sério!
– Você também... Você também. –ela fez uma pausa. –Lutar de salto é fácil!
– Por falar em lutar... Você participou da guerra?
A expressão de Thalina fechou.
– Não é da tua conta, filha de Atena!
– Puxa, agora calou boca?
A menina se levantou e bateu as mãos na mesa, falou algumas pragas em grego, Annabeth não se manteve sentada, logo se levantou também.
– Poucos sabem da minha história, então antes de sair por aí me julgando, descubra-a.
Ela saiu do Café, e dirigiu em direção à saída de Los Angeles.
– Não gosto dessa menina. –Annabeth cruzou os braços.
– Por que não? –Percy questionou.
– Ela é... Estranha. Não quer ir para o Acampamento, sei lá. E, eu acho, que há um motivo oculto aí... Ela não querer ir para lá. Nega qualquer ajuda... Como se... Como se ela se arrependesse de ter feito algo.
Percy e Grover aceitaram. Annabeth, estava certa.
Ficaram no café. Um olhando para a cara do outro. Até que ouviram um barulho.
– Maravilha! –Annabeth bufou.
Thalina estava em pé, diante de um enorme ciclope. Ele jogara seu carro longe.
– Seu monstro nojento! Olhe o que fez com o meu carro! –Thalina gritou.
Ela saiu em disparada na direção do ciclope, que mais parecia assustado do que zangado. Uma espada de prata apareceu na mão de Thalina, e em questão de segundos ela atacou. Annabeth estava paralisada. Percy pensou que ela não havia superado totalmente seu medo de ciclopes. Ele tirou uma caneta do bolso e retirou a tampa. A Contracorrente.
O monstro jogou Thalina para o lado, a fazendo bater a cabeça fortemente no asfalto. Percy desviou dois ataques do monstro e correu na direção dela.
– Eu não preciso de ajuda!! –ela exclamou.
– Está quase inconsciente e não precisa de ajuda? –Percy disse.
Thalina tentou sussurrar algo, quando apontou para o ciclope, ele vinha na direção deles.
– Vá lutar Percy. – Ela falou- E acho melhor... Tirar sua- sua voz falhou– sua amiga...
E olhou para Annabeth, que ainda estava paralisada.
– É, tenho que cuidar disso também!
– Acho melhor ir, herói.
– Herói?
O monstro o jogou contra a parede, ele saiu cambaleando em direção a Annabeth.
– Ci... Ci... Ci... –Sua voz estava falha, ela não conseguia completar nenhuma frase.
– É, agora, venha comigo. – tentou arrastá-la, mas Annabeth, simplesmente não se movia. – Annabeth! Venha agora!
Ele teve de carregá-la. Encostou-a em um prédio e depois correu na direção de Thalina, que tentava com muita dificuldade se levantar. Quando se colocou de pé, a mesma espada de antes surgiu em sua mão. Ela fez sinal de venha para o monstro. O ciclope rugiu e atacou, Thalina conseguiu desviar o primeiro ataque, porém o segundo a mandou para trás, mas algo dizia a Percy que ela não estava disposta a cair de novo! Então o monstro fez, talvez, a maior bobagem de sua vida, ele aproximou-se de Thalina, que o cortou ao meio em segundos, uma enorme figura acabara de virar pó na frente de Percy. Os cabelos castanhos de Thalina caíram sobre os ombros, ela soltou um suspiro e caiu de joelhos no chão.
– O que você fez?!- disse ele- Não precisava matá-lo!
– Ah! Mas ele me atacou!-Thalina respondeu atravessada- Você queria que eu fizesse o que?!
– Ele não ia te machucar! Estava assustado!
– Puxa que engraçado! Achei que ele tinha me atacado!
– Talvez! Mas os ciclopes não fazem mal a ninguém!
– Concordo!- ela disse ironicamente- Polifemo é o meu herói!
– Não foi o que eu quis dizer!
– Mas foi o que você disse!
– Muitos ciclopes são bons! Alguns trabalham para o meu pai, nas forjas, eles ajudam bastante!
– Ah, eles são nojentos, grandes e gordos! E se ele era tão bom, sairá rapidinho do Tártaro, não acha?
– Nojentos, grandes e gordos?! Não fale assim do meu irmão!
– Nossa! É verdade, esqueci que você tem um irmão ciclope, Tÿson!
– Tyson! –Percy não imaginava como ela sabia que ele tinha um irmão, e quase acertar o nome dele, o surpreendeu.
– Tanto faz! É a mesma coisa!
– Para mim não é a mesma coisa!
– Eu não pedi sua opinião!
– Muito menos eu a sua!
– Humpf! Você é muito chato!
– Ainda bem que posso dizer o mesmo!
– Argh!! Vá embora! Agora!
– Não sem você!
– O que?!- ela perguntou indagada.
– Se nós não levarmos você, o Quíron e o Sr. D, vão ficar estressados.
– Mande lembranças!! Pois eu não vou!
– E para onde vai? –Percy sorriu. –Está sem carro...
Ela fico vermelha de raiva.
– Adeus! Eu vou embora! Chega de discussões!
Ela caminhou pela rua, com seu salto batendo fortemente no asfalto, seu cabelo agora estava bagunçado, suas roupas sujas, e seu jeans com manchas, porém os saltos estavam intactos, sem nenhum arranhão, isso porque eram enormes. Percy se virou para Grover.
– O que vamos fazer?
– Não sei...
Percy olhou para Annabeth. Ela começava a voltar a si. Os cabelos cacheados dourados caíam sobre seus ombros. Ela estava desarrumada. Mas para Percy, ela estava linda. Ela olhou para Percy.
– Está tudo bem? –Percy perguntou.
– Sim... Eu acho. –colocou a mão sobre a cabeça.
– Venha, vamos embora. –ele pegou em sua mão.
– Como vamos chegar no Acampamento sem a Thalina? –Grover questionou confuso.
– Pensarei nisso depois... –Percy respondeu. –Ei cara, pegue uma latinha!
– Obrigado, Percy. Você sabe mesmo como me animar!
Percy parou para pensar.
– Temos problemas maiores, por enquanto.
– Quais? –Annabeth questionou.
– Eu vi a flecha dela. E nela estava escrito: “Para uso especial das caçadoras”.
Fale com o autor