A Maldição
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Notas iniciais
— Vocês estão o quê? – Disse a Professora McGonagall, em choque pelo que tinha acabado de ouvir.
— Estamos namorando, professora. – Disse Hermione, cabisbaixa. Havia percebido que, de alguma forma, havia magoado sua “mentora”.
— Há quanto tempo? – Perguntou Dumbledore. Ele não aparentava nem mesmo surpresa.
— Desde que voltamos do Natal. – Respondeu ele.
— Mas, se vocês estão juntos desde o Natal, — claramente McGonagall tentava entender tudo aquilo – todas aquelas brigas entre vocês foram encenações? Vocês chegaram a pegar algumas detenções!
— Professora, precisamos fazer isso. – Hermione tentava se explicar para ela.
— Entendo o porquê de vocês terem feito tudo isso, mas esperava que confiasse mais em nós e nos seus amigos, Srta. Granger.
Hermione sabia que o Diretor tinha razão. Ela estava terminando o quinto ano, haviam vencido a Vaca Rosa e já havia passado por tantas coisas com os amigos que, ao não contar a eles sobre isso, era como se estivesse os traindo. E da pior maneira possível...
— Minerva, — começou Dumbledore – imagina o que aconteceria se eles dois, do nada, parassem de brigar? Ou pior, se alguém descobrisse a verdade. Eles dois estariam mortos nesse momento. Bom, nos resta descobrir o que faremos daqui para frente.
Hermione sentiu um frio gelar completamente a sua espinha. Eles já haviam imaginado vários possíveis cenários do que aconteceria se alguém descobrisse sobre os dois, mas, depois que Dumbledore falou aquelas palavras, ela começou a sentir um medo paralisante crescendo dentro dela.
— Morena, o que foi? Você está tremendo. – Ele me disse, passando os braços em volta de mim e puxando para si.
— Não me deixa, por favor. – Ela disse, se agarrando mais a ele.
— Eu não vou te deixar. Te prometo!
— E por que eu deveria acreditar em você?
— Porque eu sempre cumpro o que prometo!
A Reitora McGonagall recebia relatórios periódicos muito positivos dos professores quanto a aluna transferida e estava impressionada pelo desempenho dela e pela competitividade obvia entre ela e Malfoy. Enquanto isso, observava uma grande amizade se desenvolver entre a srta. Granger, o sr. Potter e o sr. Weasley, e isso a animava muito, pois sabia que a garota era a chave para tudo. A reitora sempre a observava de longe, pois sabia que algo importante ligava todos naquele lugar, algo que alguém queria que se mantivesse escondido, mas que ela estava mais do que disposta a revela.
Também sabia sobre o encontro entre ela e a menina loira da Floresta Proibida.
McGonagall conhecia a loirinha há anos.
A primeira vez que ela havia visto a menina, ela devia estar com uns 2 ou 3 anos. McGonagall estava caminhando próximo ao salgueiro e a viu brincando na orla da Floresta. Estava completamente despenteada e com roupas que, claramente, eram muito pequenas para ela. Tentava puxar algo para fora das arvores, mas, quando viram que ela estava olhando a menina, alguém pegou a menina e a levou para longe. A reitora tentou a achar, mas não conseguiu, então, sempre que possível, ela deixa comida, roupas e mais algumas coisas de casa no lugar onde viu a garota brincando.
Com o passar dos anos, a Reitora escutava rumores de dois pequenos ladrõezinhos. Uma garotinha loira e um homem todo deformado. Eles nunca roubavam coisas realmente de valor e sim coisas simples, como roupas, comida e brinquedos.
Entretanto, McGonagall voltou a vê-la de novo no ano que o jovem Malfoy entrou na universidade. Volta e meia uma criança loira era vista por algum aluno na orla da Floresta e nas proximidades. Sendo que, geralmente, Malfoy estava próximo. Algumas vezes ela chegou a ver a menina sorridente ao observar o rapaz enquanto esse estava nos jardins ou nas estufas.
Mas nenhuma das inúmeras vezes ela se aproximou tanto de alguém quanto de Hermione. A primeira surpresa foi quando ela não fugiu quando a garota começou a ir atrás dela. Mas a surpresa foi muito maior quando menina deixou a garota se aproximar tanto e ainda quando ela tocou no rosto da garota.
— Mamãe. – Por que ela está chamando a Hermione assim?— Meninisse.
Nesse momento algo muito estranho aconteceu. Ela não conseguia nem começar a entender o que aconteceu realmente naquela hora. Era como se uma onda passasse por ela, começando a quebrar algo dentro dela. A partir daquele momento, ela começou a ver flashes de uma “outra vida”.
Não havia sido somente ela que havia sentido aquilo. Algumas pessoas na Universidade sentiram também.
Vários alunos e professores desmaiaram ou paralisaram no momento.
Malfoy estava treinando alguns chutes e socos sozinho havia algumas horas. Não era dia de treino da equipe, mas ele estava com a cabeça cheia.
Já havia mais de um mês desde o dia que encontrou aquela rata americana bisbilhotando o final do treino dele, ele não conseguia tirar ela da cabeça, nem os olhos dela quando estavam no mesmo lugar. Mas o que mais o incomodava era que as palavras dela não lhe saiam da cabeça. Quer saber do que mais? Você não vale a pena!
Durante as aulas que tinha juntos era difícil para ele se concentrar como antes no que os professores falavam. Ele ficava a cada dia mais competitivo. Ela o desafiava a cada resposta correta. Ela conseguia despertar o pior nele. Ele tinha terríveis crises de raiva quando via algum cara falando sobre ela perto dele e isso assustando até os amigos mais próximos, pois eles nunca haviam visto algo/alguém que deixasse o garoto tão sem controle de si mesmo. Então ele tinha decidido começar a passar mais e mais horas treinando Esgrima ou Kickboxing. Mas isso, aparentemente, também não o estava ajudando muito.
Foi durante uma série de movimentos que tudo ficou preto.
Quando Malfoy acordou, sentiu uma dor muito forte do lado esquerdo do corpo. Ele tentou se levantar, mas isso fez com que ele acabasse gritando de tanta dor. Foi quando ele percebeu que tudo estava escuro e, em meio a dor excruciante que ele sentia e a um certo nível de pânico que ia crescendo dentro dele, começou a se perguntar quanto tempo fazia que ele estava daquele jeito.
Hermione estava passando próximo daquele corredor, pensando e tentando entender o que havia acontecido na floresta e sem saber quem era e o que aconteceu com a bela menina que a havia chamado de mamãe. Ela já havia buscado em vários livros o porquê da palavra estranha que a garota loira havia dito e só havia descoberto que era uma palavra em Latim e que significava recorde. Ela tinha nas mãos um quebra-cabeça e não tinha a menor ideia de como ia resolver isso. Foi quando ela ouviu um grito que a assustou e correu para lá.
Ela chegou na sala onde havia visto pela primeira vez Malfoy e, diferente daquela vez que ele parecia com príncipe, ela o encontrou deitado, quieto e de olhos fechados no tatame, com uma das pernas em uma posição estranhíssima. Ela ligou a luz da sala e se aproximou dele.
— Malfoy? – Ela o chamou, tocado no obro dele. – Malfoy?
— Ah. – Ele gemeu, claramente de dor, e abriu os olhos. – Gran-Granger.
Hermione percebeu naquele momento o quão pálido o garoto estava e que havia sangue na perna dele. Ele era maior que ela e claramente seria impossível ela descer vários andares e chegar na enfermaria. A garota começou a levantar, a mão de Malfoy agarrou forte seu pulso.
— Nã-Não me d-deixa. – Ele disse com esforço. Hermione percebeu naquela hora que ele estava assustado e com medo. Ela não conseguia nem imaginar há quanto tempo ele estava naquele lugar, escuro e sozinho.
— Eu só vou até a porta chamar alguém para me ajudar a te levar até a Madame Pomfrey. Eu não vou te deixar. Te prometo!
— E por que eu de-deveria acreditar em vo-você?
— Porque eu sempre cumpro o que prometo!
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