A Maldição

5 Capitulo 5: Os Escolhidos 01! Mais uma vez ela deu sinais de loucura.


Notas iniciais
Laura novamente da sinais de loucura. O que fazer? De onde saiu este tal de Jozhias? Precisamos de um curandeiro?

Laura!

– Saia Laura, ande saia logo, eles devem estar chegando.

Gritava aos berros Murilo aflito em meio a batidas na porta do banheiro.

– Deus! O que está doída está fazendo agora? Faça alguma coisa Jhony, não fique ai feito uma estátua com cara de bosta! Faça algo!

– Eu não sei o que fazer Murilo. Eu simplesmente não sei o que fazer! Respondeu Jhony atônico, sem reação, totalmente envolvido pela situação e parecendo temer pelo desfecho do que poderia estar acontecendo naquele banheiro.

Nervoso e descontrolado Murilo vai em direção de Jhony e o levanta do sofá segurando por sua camisa, e o traz quase de arrasto em direção do banheiro quando de repente o trinque da porta do banheiro faz um barulho. Elas param. Ficam ofegantes, em total silêncio, aqueles segundos parecem um tempo muito maior do que eles podem suportar. Tremem da cabeça aos pés, e fitam a porta sem um sequer piscar de olhos.

De repente a porta se abre vagarosamente, os dois caminhos vagarosamente em direção do banheiro como se tivessem temendo encontrar algo que não gostariam de presenciar. Ao se aproximarem da entrada da porta que se encontra completamente aberta param e ali ficam imóveis por alguns segundos, no entanto, dali, de onde estão não escutam absolutamente nada, não há nada que eles possam ver que possa acalmar seus corações aflitos e então num movimento repentino e de desespero Jhony encontra coragem e segue rapidamente para frente da porta e encontra Laura parada em pé de frente ao espelho, imóvel, como se de alguma forma estivesse se comunicando com alguém ou alguma coisa, seu olhar esta fixo no espelho enquanto lagrimas corriam de seus olhos, uma a uma, gota a gota e percorriam seu corpo abaixo. Parecia estar vivendo um sofrimento, estar em transe, estar conectado com algo, estar vivendo naquele momento em outra dimensão, em outro tempo.

Jhony estava ali, do seu lado sem saber ao certo o que fazer. Apenas olhava para ela, não sabia se a tocava, se falava com ela, se a tirava dali, estava perdido tanto quanto Laura.

Então Murilo entrou no banheiro também e olhou fixamente para os olhos de Jhony como se procurasse respostas para o que fazer logo a seguir. E ela, a bela jovem Laura parecia inerte a presença de seus dois amigos, parecia nem estar ali. Até Jhony quebrar o silêncio cuidadosamente falando com a voz tremula e emocionada, quase engasgando.

– Laura querida. Você está bem? — Não ouve resposta, nenhum sinal de contato. Ela continuava fixa ao espelho, às vezes dava outro sinal de como estivesse assistindo ou revivendo algo, sua face intercalava expressões distintas e variadas. Parecendo as vezes apreensiva, com medo, depois aliviada, triste, confusa. Mas nenhuma palavra, nenhum sinal de contato racional com os dois amigos que ali estavam novamente apavorados.

O Desenho

Murilo que estava atrás de Laura e de Jhony, disfarçadamente cutucou lhe e perguntou num tom de voz calma e baixo: — Cara, e agora? O que vamos fazer?

Jhony deu de ombro, fez sinal que não fazia a menor ideia. Até que Murilo olhou para o chão e viu que Laura havia feito um desenho ao chão com batom vermelho e havia se posicionado dentro do desenho.

O Desenho trazia três círculos, dentro do círculo menor havia escrito a letra “V”, era onde Laura tinha seus pés fixados. Murilo fez sinal para Jhony olhar para o chão. E este olhou e logo em seguida comentou.

– Os desenhos novamente. Agora no chão. Vá ao quarto e veja se é o mesmo que ela fez no teto. E Murilo o interrompeu antes que terminasse suas orientações.

– É o mesmo, exatamente o mesmo. O mesmo que ela fez no teto, na parede, no vidro da janela, na geladeira, na mesa, nos cadernos, no chão. Cara, onde ela vai e ela faz este desenho. Sabe-se lá onde mais ela tem feito estas coisas. Será que ela faz isso por ai, na rua?

– Não sei. Mas temo que sim. — Respondeu Jhony e depois continuou: — Precisamos buscar ajuda para Laura.

Nisso Murilo ajoelha-se e senta-se ao chão desconsolado. Abatido, como se tivesse passado por duelo cruel com um arco inimigo. Seu coração está pequeno para o tamanho da angustia e da aflição.

E Laura continua ali, parada, fixa ao espelho vigiada pelo olhar atento de Jhony.

E neste exato momento Jhony e Murilo tentam inutilmente entender o que está acontecendo com Laura, que continua fixa e imóvel diante do espelho embora todos os apelos de ambos para que a mesma volte a si. Até que Murilo começa a propor soluções aparentemente incabíveis, mas que diante do seu desespero parecia fazer certo sentido.

– Cara, precisamos fazer algo! Ela está assim a quase uma hora. Será que ela surtou?

– Eu não sei cara o que fazer! Eu não sei. — responde Jhony sem saber o que fazer.

– Vamos chamar um médico, vizinho, um padre, alguém cara. Vamos chamar alguém. — Sugeri Murilo.

– Ela não tem reação. Só olha para este espelho, quase lhe afoguei de tanto jogar água no seu rosto e nada. — Afirma Jhony.

– Cara, mete fogo no seu rabo, faz alguma coisa. — Suplica Murilo. E neste momento acontece o inesperado que era tanto esperado.

– O que você fez Jozhias? O que você fez? — Fala bruscamente Laura, esboçando um apelo emocional contagiante em sua expressão, como se tivesse acusando o tal Jozhias de ter feito algo muito grave, ela profere esta acusação virando-se para trás como se ali, na direção da entrada do banheiro, mais precisamente na porta tivesse alguém com quem ela estava a discutir. O tal Jozhias.

– Jozhias? Que Jozhias? Senhor! A coisa está pior do que eu imaginava. — Resmunga

– Calma Murilo! — Suplica Jhony. — Olhe. Olhe ela. — Neste momento Laura se aproxima novamente da pia que fica à frente do espelho. Apoia-se com as duas mãos no balcão da pia, abaixa a cabeça, choraminga por alguns instantes e suas pernas fraquejam momentaneamente dando a impressão que irá cair, mas se recupera antes mesmo do auxílio de seus amigos e então ela vira-se para Jhony.

– Jhony. O que aconteceu? O que fazem aqui?

– Calma querida. Tenha calma. Aconteceu de novo. — Calmamente Jhony tenta tranquilizá-la.

– Pelo amor de Deus! Temos que chamar um padre para exorcizar esta garota. — Resmunga Murilo ainda apavorado.

– Por favor Murilo. Isso de nada vai ajudar agora neste momento. — Retruca Jhony já demonstrando uma cera irritação com o amigo.

– Talvez ele tenha razão. Isso não pode ser normal. Porque ninguém encontra nada em mim? E porque eu continuo tendo este comportamento do nada? — Agora quase totalmente recuperada de seus sentidos ela pondera sobre sua situação. Já que foi submetida a todos os tipos de exames clínicos e neurológicos e não foi encontrado nenhum indicio de qualquer problema clinico que pudesse justificar este comportamento estranho.

Laura é uma jovem atraente, de olhos verdes, corpo atlético e possui uma personalidade forte e por vezes severas segundo julgamento de seus mais próximos amigos. Perdeu seus pais muito cedo e foi criada por uma tia avo que lhe ensinou que o maior aprendizado na vida é a própria escalada da vida, — os caminhos reais nos forjam. — dizia sua sabia tia avó chamada Vitoria. Laura perdeu os pais num acidente quando criança e desde então sua infância e adolescência foi acompanhada de pesadelos que aconteciam esporadicamente em alguns momentos e outros com maior frequência. No entanto, ela nunca se lembrava dos pesadelos, o julgamento de serem pesadelos era feito pelas pessoas que acabavam assistindo suas reações durante estes sonhos, pois parecia que seu sofrimento era iminente. Aos vinte e uns anos de idade ela sofreu outro golpe que devastou sua vida, no qual até hoje ainda é motivo de sofrimento. Sua querida tia avo Vitoria veio a falecer de forma misteriosa, que até então continua sendo um mistério. A mesma foi encontrada sentada em seu sofá desfalecida, onde a casa havia sido arrombada e totalmente desarrumada, com evidências de luta corporal no recinto, no entanto, não foi encontrado nenhum vestígio de que Vitoria tenha participado de qualquer confronto com quem quer que seja.

Desolada com a situação a menina Laura decidiu viajar e abandonar a vida passada que remetia a tantas lembranças pesadas de sua vida. E com seus dois amigos de infância foram se aventurar no velho continente na cara e coragem. E hoje com vinte quatro anos tem tidos os tais pesadelos acorda, sem nenhuma lembrança do que de fato lhe acontece, tudo o que tem é o relato de seus dois amigos, e a evidência destes relatos na fotografia do ambiente no qual está inserida ao acordar. A menina teme estar enlouquecendo.