A Maldição do Instinto
5 Descoberta um pouco aceitável
Como fazer para a cabeça dele voltar no lugar sem um soco?
Jake estava pensando em várias alternativas de conversas sem ter que traumatizar seu filho. Ele não entendia como que alguns jovens podem ir contra a ordem natural das coisas só pra ter um pau no cu.
— Dirige mais devagar, minha barriga está balançando! – Sua mulher com cinco meses de gravidez reclama. O banco de trás estava cheio de sacolas balançando, o irritando levemente.
Não queria admitir, mas estava começando a achar que existem gays por causa de algumas mulheres, não por causa de fogo no cu. Sua esposa e ex-esposa definitivamente estavam incluídas nessa parcela feminina. É muito mais fácil conversar com os peões do que com ela. Será que o Lucas é assim por causa daquela mulher? Sabia que não deveria deixa-lo com aquela louca.
Desviou de um coelho que estava atravessando a estrada, saindo um pouco do caminho e freando bruscamente.
— Seu louco! Poderia ter nos matado! – Joana fala histérica. Não sabia se era por causa do bebe em sua barriga ou simplesmente que ela havia escondido bem essa personalidade, mas ela estava ficando cada vez mais louca. Não que ela já não fosse um pouco paranoica antes, mas esses dias têm piorado, mesmo não sendo sua primeira gravidez.
— Mulher, calma, pelo amor de deus. – Jake rosna, mas fala lentamente, colocando a cabeça no volante e tentando acalmar a respiração do susto.
— Calma?! Meu coração está a mil! E se fizer mal ao bebe?! – Ela falou gritando e tira o cinto.
Jake inspira profundamente, logo depois levanta o rosto, captando um olhar agressivo dirigido a si.
— Amor... – Ele tenta pegar a mão de sua esposa para tentar acalmá-la e conforta-la. Não iria cometer o mesmo erro que cometeu com sua ex-esposa. Mas pelo visto a sua atual não queria facilitar sua decisão, saindo do carro com um pouco de dificuldade e fechando a porta com toda a força do seu ódio vindo sabe-se lá da onde. – Hey, volta aqui. – Falou meio dócil, tentando manter a paciência. Saiu do carro, vendo sua esposa se afastando cada vez mais. Entrou novamente no veículo e manobrou um pouco para voltar para a estrada.
Rapidamente alcançou sua esposa.
— Querida, por favor, entra no carro. Prometo dirigir com cuidado agora. – Ele foi seguindo ela com o carro, conforme ela andava. Joana parou e ele freou junto. Ela lhe lança um olhar choroso.
— Você realmente me ama? – Joana pergunta de repente.
— Claro que sim, meu amor! – Jake fala como se fosse impossível outra resposta.
Joana funga, mas lentamente começa a se dirigir para o carro, e da mesma maneira entra no carro. E assim se seguiu silenciosamente à volta para casa.
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Quando Jake chegou em casa, estava cansado. Amanhã teria que matar uma novilha para fazer churrasco para a família que iria vim. Só de pensar no trabalho que teria, o fez se jogar no sofá. Não via seu filho unicórnio na sala nem na cozinha, então ou ele deve estar andando por ai pelo sitio ou dormindo. Seu filho tinha um estranho hábito de parecer um vampiro, se remexendo pela casa de noite e dormir de dia.
Sua esposa provavelmente ainda estava zangada pelo ocorrido alguns minutos atrás, visto que estava silenciosa. Ela foi em direção ao quarto pisando duro, mas soltou um ofego no corredor que ele pode ouvir. Se entortando um pouco no sofá, pode ver que ela estava em frente ao quarto de Lucas com uma expressão estranha, assustada diria, e tampando a boca.
Correu para o lado dela. Temia que Lucas cometesse uma loucura antes de poder conversar seriamente com ele, ou mesmo que alguém fizesse alguma coisa contra ele. Esse era o maior motivo do qual queria seu filho sendo normal, a sociedade repudiava, temia por ele, afinal ainda era seu filho.
Quando olhou dentro do quarto dele, teve uma puta surpresa. Ficou ao lado de sua esposa, com a mesma expressão que ela. Ele não havia tentado nenhuma loucura, mas alguém havia.
Meu filho... Jake olhou com os olhos meio brilhantes para o corpo de seu filho deitado na cama, de costas para ele. Uma cobra branca estava acima dele, os olhando com seus olhos vermelhos. Não sabia como era sua expressão, mas pelo corpo rastejando acima de seu filho e a língua saindo continuamente, poderia dizer que estava irritada.
Ouviu um grito, era sua esposa que finalmente havia encontrado voz. Mas para a sua surpresa, o corpo de seu filho que estava inerte até pouco, se mexeu, espreguiçando. Ele se virou e sua expressão preguiçosa rapidamente se tornou surpresa.
— Não se mex- Antes que pudesse terminar sua sentença, Lucas olhou para a cobra e a pegou com a mão, a empurrando para trás de si. Ela não queria facilitar, escorregando rapidamente pelo braço dele. – Cuidado!
Lucas olhou para ele e para sua esposa, e soltou um suspiro.
— Ela é domada, não se preocupem. – Seu filho se senta na cama, a cobra ainda enrolada em seu braço.
— Como assim?! – Joana grita, segurando o braço dele como se ele a pudesse proteger daquele espetáculo de excentricidade.
Lucas suspirou novamente. Ele ergueu os dois braços para frente, e a cobra, como se entendesse o que era pra fazer, pula para o outro braço. Como se sentisse que não era suficiente, ele deu dois tapinhas na coxa, e a cobra passou pelo tronco dele até se enrolar em um circulo em seu colo.
— Viram? Se eu pedir para ela descer para o chão, é isso que ela vai fazer. – Jake olhou ainda mais abismado para seu filho. Não entendia o que estava acontecendo e sinceramente não sabia se queria entender.
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Eu devo ter fumado uma das boas.
Os rostos do meu pai e da minha madrasta estavam quase mais pálidos do que a pele daquele homem. Olho para a cobra em meu colo e me lembro do sorriso dele. Ele realmente foi apenas um sonho. Terei que desenhar seu rosto antes que o esqueça.
— Lucas, me explica essa porra direito! – Seu pai rosnou ferozmente, me fazendo levantar o rosto para olhá-lo. Ele estava numa posição de defesa em frente á Joana.
— Eu encontrei essa co- Penso um pouco, e mudo o que ia falar. – Eu encontrei essa serpente na mata. Ela não me atacou em nenhum momento, ela até dormiu comigo. – Começo a acariciar a serpente. – Creio que ela tenha sido educada por alguém, vou ficar com ela até o dono dela aparecer. – Digo firme, não poderia demonstrar fraqueza agora. Caso ele pense que não tenho confiança o suficiente para cuidar dela, seriam dois palitos para joga-la num cupinzeiro.
— Então por que parecia que ela iria nos atacar alguns momentos atrás?! – Minha madrasta pergunta, ela estava começando a ficar vermelha.
— Talvez ele não confie em vocês. – Dou de ombros.
— Ele? – Meu pai pergunta incrédulo.
—... É uma cobra macho. – Eu sei lá se é macho ou fêmea, apareceu no meu sonho como um homem, então vai ser macho. Não é como se alguém fosse ficar curioso sobre isso.
Meu pai coloca uma mão no rosto e suspira.
— Ela tem que ficar o mais longe possível de nós. – Disse por fim.
— Jake! –Joana grita, soltando seu braço, mas logo batendo nele.
— Não quero vê-la rastejando pela casa, deixe-a trancada no quarto o máximo de tempo possível. Ela não gosta de nós, e não quero faze-la gostar. – Meu pai segura o braço da Joana que continuava batendo nele, seus olhos mostrando algumas lágrimas não derramadas. – A partir de amanhã procure pelo dono dela. – Meu pai suspira, saindo da frente da porta e indo para o quarto. Joana olha para mim como se eu tivesse chifres demoníacos, mas depois essa expressão se torna uma rancorosa, com tanto ódio que me fez levantar a sobrancelha e quase, bem quase, sorrir de deboche.
Depois de alguns segundos ela sai da porta e vai para o quarto dela, fechando a porta com força. Sorrio enquanto ela discutia com meu pai sobre a cobra. Olha para o meu colo e lá estavam aqueles olhinhos vermelhos me encarando. Um sentimento quentinho subiu em meu peito, me deixando feliz. Caio para trás, mas uma peça de roupa estava incomodando minha costa. Espera... O que? Levanto-me rapidamente, assustando a cobra. Olho para trás e lá estavam as roupas que havia entregado para aquele homem. Tiro a cobra do meu colo e me levanto da cama. Vou até a janela e olho para o curral, onde podia se ver todos os bezerros deitados.
— Pai! Quem prendeu os bezerros?! – Grito.
— Não foi você?! – Meu pai grita do quarto dele.
Corro até a cozinha e solto um suspiro exasperado, ficando completamente confuso. Lá estavam os dois pratos em que eu e aquele homem havíamos comido. As panelas no fogão estavam quase vazias, mas se podia ver um resto de macarrão e molho de carne. Olho para trás e lá estava aquela cobra me olhando curiosamente da porta da cozinha.
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