A Maldição de Hans
5 Capítulo 5
Dado o aviso do troll, os dois subiram um pouco mais o encosto da montanha até que pudessem chegar ao pico, onde poderiam apreciar a noite estrelada. Os dois se deitaram sob a grama numa clareira, deram as mãos e olharam para as estrelas, admirados com a bela vista que ambos estavam á deleitar.
– Eu nunca vou querer que este dia acabe. – Disse Annabeth.
– Nem eu Anna.
– Fique comigo Hans. Você é tudo o que eu tenho. – Lágrimas insistiam em escorrer pelo rosto de Annabeth. – Ele a fitou.
– Eu te amo Annabeth.
– Promete que nunca irá me abandonar?
– Sempre estarei com você.
– Sabe o quê você poderia fazer para poder se lembrar de mim?
– Não.
– Escreva uma carta. Quando a maldição tiver caído sobre todos, você poderá ler a carta e se lembrar de mim. – Hans sorriu maroto. Ele sabia que a irmã era inteligente, mas se admirou ao notar a esperteza de Annabeth para um momento tão precioso e ao mesmo tempo delicado como aquele. Tirou um lápis e uma folha de papel do bolso da camisa e os deu para ela, que começou á pôr as palavras no papel ao mesmo tempo em que pensava no que escreveria:
Querido Hans
Jamais me esquecerei de todos os bons momentos que você e eu passamos juntos. Você e eu somos gêmeos e apesar de ser meio bobo, acho bom que saiba disso. Apesar de sermos gêmeos, temos nossas diferenças (eu sou uma menina de cabelos loiros), porém pelos anos em que estive ao seu lado, percebi o quanto nossos distingues não nos afastaram e só nos aproximaram cada vez mais. No fundo, eu sei que você sabe quem eu sou e que jamais se esqueceria de mim, a pessoa que mais te amou e no fundo te protegeu do monstro que é nosso pai por tudo o que ele te fez. Por favor, eu te amo Hans. Você sempre foi o meu melhor amigo e eu sempre vou te amar não me abandone. Se por acaso vir uma senhora de idade que não quer se afastar de você, ela lhe dirá á respeito de uma carta, esta carta. A contrate para ser sua criada, pois ela é eu e tudo o que mais desejo é ter você ao meu lado.
Eu sempre vou te amar. De sua irmã-gêmea, Annabeth Grace das Ilhas do Sul.
– Guarde-a no bolso Hans. Amanhã eu estarei no palácio e peço que me contrate como sua criada.
– Você é uma princesa. Não deveria trabalhar para mim.
– Eu sei, mas eu faço qualquer coisa por você Hans.
– Eu faria o mesmo por alguém, que me ama como você Anna.
– Não me esqueça.
– Eu nunca te vou esq... – Ele não completou a frase. Annabeth o olhou até entender que ele caíra no sono. Desesperada, ela o chacoalhou, mas nem mesmo assim ele acordou. Foi então que ela percebeu que o perdera.
– NÃO! – Ela começou á chorar, assustada. – Hans, por favor, não faz isso comigo por favor. Não me abandone. – Annabeth abraçou o irmão, chorando desolada.
Quando ele finalmente abriu os olhos, suas pupilas estavam dilatadas e seus olhos verdes pareciam ter enegrecido como se tivessem ficado um pouco mais escuros e ele tivesse acabado de receber um ar de perversidade.
– Anna? – Ele chamou. Apesar de Annabeth perceber que aquele não era mais seu irmão, ela viu o quanto ele lutava para ficar com ela conforme o prometido. Quando houve uma pontada de esperança para que a maldição não tivesse se concretizado, Hans a empurrou com uma das mãos e se levantou. – Saia de perto de mim, sua velha. Não sabe quem sou? – Disse ele com ar de arrogância e frieza ao mesmo tempo. – Eu sou o príncipe Hans das Ilhas do Sul. Nada pode ficar em cima de mim ou me barrar, entendeu? – Annabeth assentiu. Pelo modo como falava, Hans parecia um adulto mesmo não tendo mais que oito anos de idade. Ele começou á descer a encosta ali, enquanto Annabeth o observava se afastando em meio aos prantos.
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