A Maldição da Tigresa
3 Dhiren part 2: O circo
Notas iniciais
Os dias passaram rápido, Quando me dei conta já era domingo. Amanhã ire começar (Junto com Kishan), o trabalho no circo Maurizio.
Como eu sou bem organizado, já deixei tudo pronto. Imaginei que não ia precisar levar muita coisa, somente umas poucas peças que me deixassem confortável, até porque ficaria lá apenas duas semanas e sempre poderia dar um pulo em casa. Vasculhei o armário e escolhi três conjuntos de roupas. Abri as gavetas da cômoda, peguei algumas meias e enfiei tudo em minha infalível mochila da escola. Então juntei produtos de higiene, alguns livros, meu diário, algumas canetas e lápis, minha carteira e as fotos da minha família. Enrolei a colcha de retalhos, apertei-a por cima de tudo e forcei o zíper até fechar.
Por outro lado Kishan... (sem comentários sobre essa questão). Depois de tudo fui dormir, pois, amanhã teria um longo dia.
O despertador me arrancou de um sono profundo às 4h30 da manhã.
Estava amanhecendo. O sol ainda não havia vencido as montanhas, mas o céu já estava clareando molhada.
Pulei da cama, liguei o chuveiro, esperei até o banheiro ficar quente e cheio de vapor, e então entrei no boxe e deixei a água quente bater em minhas costas para acordar os músculos sonolentos.
O que se veste para trabalhar num circo? Sem saber o que seria adequado, pus uma camiseta branca e calça jeans. Depois calcei meus tênis. Desci a escada com a mochila no ombro. Sarah e Mike já estavam acordados, tomando o café da manhã. Eles acordavam absurdamente cedo todos os dias para correr.
— Oi, bom dia, pessoal — murmurei.
— Oi, bom dia para você também — disse Mike. — Está pronto para começar no emprego novo?
— Estou. Vou vender ingressos e fazer companhia a um tigre por duas semanas. Não é ótimo?
Ele deu uma risadinha.
— É, parece bem legal. Mais interessante do que a administração pública, pelo menos. Quer uma carona? Vou passar pelo parque de exposições a caminho da cidade.
Eu sorri para ele.
— Claro. Obrigada, Mike — respondi.
–Falando nisso, onde está Kishan?
–Deve estar tendo uma batalha contra a preguiça...
–Falando de mim?
Ele desceu as escadas com uma blusa preta simples, uma calça jeans e a mochila nos ombros.
–Não, claro que não! Certo Mike?
Ele assentiu.
–Vamos garotos?
–Claro – Falei me levantando e caminhando em direção á porta.
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Chegando ao parque de exposições, vi uma grande placa azul na rua anunciando os próximos eventos. Numa faixa larga e chamativa, lia-se:
O PARQUE DE EXPOSIÇÕES DO CONDADO DE POLK DÁ AS BOAS-VINDAS AO CIRCO MAURIZIO APRESENTANDO OS ACROBATAS MAURIZIO E A FAMOSA RAVEN!
Vamos nessa. Suspirei e comecei a percorrer o caminho de cascalho na direção da construção principal. O complexo central parecia um grande avião ou um bunker militar. A pintura estava rachada e descascando em alguns pontos, e as janelas precisavam ser lavadas. Uma grande bandeira americana tremulava ao vento, enquanto a corrente à qual estava presa tilintava suavemente contra o mastro de metal.
O parque de exposições era formado por um estranho grupo de edifícios antigos, um pequeno estacionamento e um caminho de terra que serpenteava entre todos os pontos e cercava o perímetro. Dois caminhões-plataforma compridos estavam estacionados ao lado de várias tendas de lona branca. Cartazes do circo pendiam por toda parte – havia pelo menos um cartaz grande em cada edifício. Alguns retratavam acrobatas. Outros tinham fotos de malabaristas.
Não vi nenhum elefante e deixei escapar um suspiro de alívio. Se houvesse elefantes por aqui, eu provavelmente já teria sentido o cheiro deles. (Sim, isso é BEM estranho, mas, quando se tem ódio ou medo de algo, você sente á distancia)
Um cartaz rasgado esvoaçava na brisa. Peguei-o pela borda e o alisei sobre o poste. Era a foto de um tigre branco. Muito prazer!, pensei. Espero que seja só um... e que não goste de devorar adolescentes.
Abri a porta do edifício principal e entrei. A área central havia sido transformada em um circo de um só picadeiro. Fileiras de cadeiras vermelhas estavam empilhadas junto às paredes. Havia algumas pessoas conversando em um dos cantos. Um homem alto, que parecia o encarregado, estava um pouco afastado do grupo, escrevendo em uma prancheta e inspecionando caixas. Segui direto para ele e me apresentei.
— Oi, meu nome é Dhiren e esse é meu irmão Kishan. Seus funcionários temporários.
Ele nos olhou de cima a baixo enquanto mascava alguma coisa, que então cuspiu no chão.
— Dê a volta por trás, saindo por aquelas portas ali, e dobre à esquerda. Vocês vão ver um trailer preto e prateado estacionado.
— Obrigada.
A cusparada de fumo me enojou, mas consegui sorrir para ele mesmo assim. Segui para o trailer e bati à porta.
— Só um minuto — gritou uma voz masculina.
A porta se abriu. Um homem de túnica avultou-se à minha frente. Ele era muito alto, e tinha uma barriga proeminente. Cabelos negros e encaracolados cobriam seu couro cabeludo, mas a linha do cabelo começava um pouquinho além de onde deveria estar. Sorrindo para mim, ele ergueu a mão para pôr a peruca no lugar. Um bigode fino e preto, com as extremidades enroladas em duas pontas finas, projetava-se acima dos lábios. Também tinha uma barbicha quadrada no queixo.
— Não se intimide com a minha aparência — disse ele.
— É que parece que eu o peguei de surpresa. Desculpe se o acordei.
Ele riu.
— Eu gosto de surpresas. Elas me mantêm jovem e bonito.
— E quem seriam vocês, meus jovens?
— Oi. Meu nome é Dhiren e esse é Kishan- Disse apontando para meu irmão-. Fomos contratados para trabalhar aqui por algumas semanas.
Ele se inclinou para nos cumprimentar. A mão dele envolveu completamente a minha e ele a sacudiu para cima e para baixo, com entusiasmo. A mesma coisa se repetiu com Kishan. Eu dei um sorriso de leve.
— Ah, stupendo! Que oportuno! Bem-vindos ao Circo Maurizio! Estamos um pouco... como se diz, com pouca mão de obra, e precisamos de alguma assistenza enquanto permanecermos em sua magnifica città. É esplêndido tê-los aqui! Vamos começar all’istante.
Ele olhou para uma garota loura, de uns 14 anos, que estava passando.
— Cathleen, leve estes jovens para Matt e diga-lhe que está incaricato de treiná-los hoje. — Voltou-se novamente para nos — Prazer em conhecê-los.
— Obrigada. Foi um prazer conhecê-lo também — repliquei.
Ele piscou, então deu meia-volta, entrou em seu trailer e fechou a porta.
Cathleen sorriu e nos levou, dando a volta no edifício, até os alojamentos do circo.
Continua...
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