Marta e Danielle pararam em frente a eles. Louis foi o primeiro a falar ainda com os olhos grudados em Danielle.

— Você está bem?

Danielle desejou fugir, mas não podia. Ela assentiu, Louis voltou a olhar para Adam.

— Danielle querida, você ficará agora com o Sr. Beaumont e eu e Louis iremos à uma reunião no segundo andar – disse Marta.

Louis assentiu e foi com Marta até a escada, depois deu uma olhada pelo ombro para Danielle e sorriu. Ela sorriu para ele também.

Adam tocou em seu braço.

Ela tremeu ao toque.

— Vamos? — ele perguntou.

— onde? – perguntou ela se afastando.

Ele percebeu que ela recuara e se afastou também.

— a meu escritório – ele entrou e fez um sinal para que Danielle o seguisse.

Danielle não fazia ideia sobre o que ela e Adam fariam. Ele abriu a porta e abriu espaço para que ela entrasse. Depois, com um estrondo logo atrás dela, ele disse:

— essa porta é barulhenta – E sorriu. Danielle voltou a observar o local: a velha sala com duas macas e uma cama logo perto da janela, a parede era pintada a azul bebê e havia um abajur no criado mudo, perto de um imenso armário onde guardavam remédios e materiais de primeiros socorros. Logo atrás havia uma segunda porta, grande e preta.

— meu escritório – Disse Adam abrindo-a e entrando.

Danielle foi logo atrás.

Lá dentro era quase a mesma coisa. Exceto pelas macas e a cama. É pequeno e frio. Com um armário e uma mesa perto de uma pequena janela aberta, que soprava o vento frio a chuva.

— sente-se – disse ele puxando a cadeira para que ela sentasse.

— Sr. Beaumont, eu me sinto bem melhor, talvez eu devesse voltar para meu quarto. – Danielle levantou devagar, mas não queria sair dali, ela não entendia esse motivo, era como se alguma coisa... Uma voz gritasse para que ela continuasse onde estava.

— fique só farei algumas perguntas – disse ele sentando- se.

Danielle assentiu e sentou.

Ela estava desconfortável ali, sentindo-se mal por molhar a cadeira com as calças encharcadas da chuva e mal por sua blusa esta transparente e vendo Adam que parecia quase não notar.

Isso era ridículo, desde quando um homem como ele, olharia para alguém como ela? — ela pensou.

— o carro não pegou em mim, acho que vou sobreviver.

— eu sei – ele disse

— Mas, Sra. Marta me disse que seu nariz sangrou, não se preocupe querida, só irei fazer algumas pergutas básicas.

Danielle revirou os olhos, ele sorriu. Adam a encarava de uma forma estranha, às vezes, conseguia ser mais estranho que Louis.

— Sra. Marta me informou, logo que cheguei aqui, sobre suas órfãs... E me falou sobre você, à única que ainda esta aqui, que conheceu a família. – Adam falava de um jeito que fez Danielle tremer, sim, ela era a única ainda que conhecesse alguém. Mas isso nunca foi um problema. Ou foi? Danielly balançou a cabeça com força e levantou.

— Não compreendo o que isso possa ter a ver com o quase-acidente – ela disse mais amarga e fria que o normal.

Ouve uma pausa, os dois se encararam, Adam voltou a olhar para o lápis em sua mão, e disse:

— Tem razão, perdoe-me.

Ela queria se desculpar, mas o orgulho a prendeu fortemente na cadeira. Os segundos se passavam, ele anotava algumas coisas na cardeneta quando ela não aguentou e disse:

- Me desculpe, é... Sempre eu fico estranha quando se trata de algum assunto que envolva minha família.. eu não queria ser ignorante, eu...

- Hey, relaxa — disse ele sorrindo.

Ela sorriu também.

- Então, é... Sangramento Nasal, vejamos... causa principal de epistaxe recorrente: ma formacao de vasos na mucosa nasal — tratar com esclerose dos vasos , termica ou quimica. Causas menos comuns, hipertensao, disturbios da hemostasia...

- Hiper.. o que você disse? — perguntou ela não entendendo uma palavra do que ele disse.

Ele sorriu.

- Nem eu sei o que disse.

Os dois riram juntos, Danielle não sorria hoje assim, era a primeira vez no dia, chegou até mesmo a pensar que Adam fosse um sonho.

- Bem, há alguns dias, eu lhe fiz um esame de sangue enquanto dormia na enfermaria...

- Você o que? — indagou ela.

- Calma...

Ele sorriu.

- Bem sua saúde e quase perfeita, os remédios que você estava tomando a deixava tonta as vezes, por isso eu os suspendi. Agora... Creio que você não esteja com nenhum problema.

Ela assentiu, e perguntou um pouco confusa.

- Então... O porquê do sangramento?

Ele respondeu:

- É..existem muitos vasos sanguíneos dentro do nariz. Eles são muito fininhos e ao se romper causam o sangramento. Quando está um dia muito quente e seco tem maiores chances de acontecer. Como hoje, apesar da chuva, estava um dia seco.

Ele sorriu de uma forma graciosa.

†

Louis andava de um lado para outro. Cansado e infeliz, ouvia sem nenhuma vontade o que Marta lhe dizia.

Os dois estavam na sala dos professores da Anderson M. Marta falava sobre o acidente de hoje mais cedo, que aconteceu com Danielle, Louis estava intrigado com isso tudo.

-... E adivinha? – continuou Marta – não havia ninguém no carro!

Louis anelou e olhou-a nos olhos.

— o que? – indagou.

Marta calou-se imediatamente, sentindo o olhar frio de Louis.

— O carro... Não havia ninguém.

Louis virou o rosto e sentou-se junto a ela. Olhou-a mais uma vez e calou-se. Ele não queria assustá-la. Mas, como não haveria ninguém no carro?

Alguém estaria de olho nela?

Eram tantas perguntas que não calavam em sua mente. Danielle era a prioridade em sua vida, e saber que alguma coisa poderia machucá-la. Isso o transtornava.

Marta o olhava como se fosse a qualquer momento, sair gritando. – não sabe quem sou – Louis pensou – e nunca saberá.

— a policia disse que pode ter sido... O freio de mão que não estava no engate... E isso fez o carro descer naquela velocidade... Mas me pergunto como ele parou?

Pobre mortal – pensou Louis, ouvindo Marta e suas desculpas humanas. – Se soubesse o perigo que corria ao se meter em assuntos que envolviam Danielle.

— ela esta bem, é isso que importa – disse Louis.

— sim – concordou Marta.

†

Danielle voltou para o quarto para se trocar após sair da sala de Adam. Ainda estava chateada com tudo o que aconteceu. Ignorando os olhos metediços de Dorys, ela sentou na cama e começou a chorar. Coisa que não era de costume fazer diante da amiga.

— o que aconteceu Elle? – perguntou Dorys mexendo em seu cabelo.

Danielle se afugentou, deitou. Ficou acomodada por alguns minutos, ignorando sua roupa ensopada na cama e ignorando Dorys. Foi quando algo veio em sua mente, algo horrível. Havia alguém no carro hoje mais cedo — ele tinha olhos negros como carvão e um sorriso sádico. Ela abriu os olhos e expeliu o pensamento da sua cabeça.

— Estou ficando louca – ela disse sentando-se frente à Dorys.

— o que aconteceu? – perguntou a leal e afável amiga pela segunda vez. Seus olhos encheram-se de lágrimas. Danielle não aturou em vê-las ali.

— Por que você esta chorando? – indagou.

— Eu não sei... Estou incomodada, Elle, todos esses anos, você foi assim, eu sei. Mas, eu não quero ir embora e deixá-la assim. – ela olhou para o nada limpando os olhos.

Danielle respirou fundo e disse:

— é uma longa história.

†

Callie andava pelos corredores em silêncio.

Ela estava invisível para todos, achava completamente injusto ter que ser assim, ela olhou para o relógio na parede que marcava 15:00h. Ótimo – pensou. Foi quando a porta do quarto de Danielle se abriu, Callie parou e a observou por um momento: a garota usava calças jeans desbotadas, sandálias e uma camisa folgada. Estava com o cabelo preso em um cocó.

Danielle parou de andar, olhou em volta e continuou andando, Callie respirou fundo.

Algo estava errado.

Callie continuou andando atrás da garota que andava de um jeito desleixado. Idiota – ela pensou novamente. Danielle não se parecia com Anabela, pelo contrário, Danielle se parece com Johanna – filha de Anabela.

Um sorriso irônico soou no corredor, Callie se virou e encontrou os olhos de James.

— Posso saber, por que você esta seguindo ela? – ele perguntou de mal humor.

Callie deu de ombros.

— Posso saber o que você faz aqui?

Ele sorriu.

— Ver você. – ele se se encostou à parede – Louis está preocupado com sua presença aqui, Callie você sabe...

— Mas que droga James! Desde quando você faz o que Louis manda? Heim? Estou chateada, não posso ficar de fora enquanto todos se divertem! – Callie estava gritando.

James enrijeceu.

— Você tem um dia para sair daqui. Ou terei que informar a Lucy.

James sumiu deixando Callie sozinha no corredor. Era injusto, ela estava ciente disso tudo, ela não machucaria Danielle. Eles deveriam deixar o passado no passado. A última coisa que eu quero, é ter que voltar para prisão por culpa de uma maldita herdeira.

†

Louis estava quieto.

Apenas pensava em Danielle, sua sala estava densa e opaca, as órfãs estavam no quarto esse horário.

E isso é bom – ajuizou.

Foi quando uma batida na porta o fez saltar.

Ela.

Ele levantou e correu para abri-la. Danielle estava com a cabeça baixa e tinha olheiras por baixo dos olhos. A ponta do seu nariz estava vermelha como se estivesse se recuperando de uma gripe.

— Posso entrar? – perguntou.

Louis não disse nada, deu espaço e ela entrou.

— sente-se aqui – ele disse puxando uma poltrona de couro preta e grande.

Ela assentiu e sentou.

Ele sentou junto a ela ainda olhando em seus olhos tristes, doía-o a alma vê-la assim e não poder fazer nada.

— Aconteceu alguma coisa? – ele enfim perguntou.

Ela abaixou a cabeça e brincou com uma fita vermelha nas mãos.

— Estou preocupada, só isso – ela disse entre dentes.

Ele sentou na cadeira a sua frente.

— eu não acredito – começou – você está com uma aparência ruim, foi por causa do acidente?

— havia alguém no carro Louis... Alguém diferente, alguém, estranho.

Ele arregalou os olhos.

— o que? – perguntou atônito.

— eu não sei se verdadeiramente tinha, ou é algo da minha cabeça. – respondeu encabulada.

Louis não disse nada. Esperou silenciosamente que ela continuasse então ela disse:

— estou preocupada, e não consigo contar com minhas amigas por que sei que elas nunca entenderiam... sou muito egoísta. E por alguma razão, você é a única pessoa que eu confio...

Ele chegou mais perto, estendeu a mão para que ela pudesse pegá-la.

Ela a ignorou e recuou.

— Comece – ele finalmente perguntou recuando também.

— Dorys.

— Dorys?

— sim, Louis, eu sei que ela esta feliz por afinal ter sido adotada, e eu fico feliz com isso também, e isso é ótimo – ela parou de falar por um instante, Louis esperou que ela continuasse, então viu que ela havia calado de vez, disse:

— Eu sei por que você está assim, Dorys já é quase de maior, e é raro ver que ela tenha sido adotada. É isso?

Danielle assentiu.

Eles continuaram em silêncio, quando um pequeno barulho mudou a atenção de Danielle. Era um tipo de graveto de dez centímetros caído no chão.

- O que é isso? — perguntou a menina indo em direção ao objeto.

Louis irrigeceu, que diabos isso fazia aqui afinal?

Essa é a varinha do dragão.

O pequeno dragão ilustrado no canto, é visivel apenas para bruxos legítimos, Danielle, em toda a sua vida, nunca demostrou ser uma. A pesar de seus pais serem. Ela pegou a varinha do dragão e a levantou contra a luz. E disse, disse o suficiente, para que sua vida, chegasse à um novo ponto:

- É um lindo dragão.

Notas finais
Wow, ela viu o Dragão.. kkk
o próximo capítulo sai amanhã ou depois, pode demorar um pouco, mas vai sair. Bjs.