A Maldição De Afrodite
22 Segundo Combate
—Maldito Ares! – Exclamou Afrodite. – Por isso que eu sempre saio com outros Deuses, ele é insuportável! Deve estar torturando Adônis enquanto conversamos... Não importa, quando ele voltar aqui ele vai ver o que eu vou ter feito com seu filho!
Afrodite se ajoelhou, encostando ambas de suas mãos no chão da arena. Senti um tremor vindo de baixo da arena e ficando mais forte rapidamente, antes de conseguir identificar de onde especificamente o barulho vinha, o tremor parou e três mulheres saíram do fogo que ardia na arena. Elas tinham aproximadamente a altura de Monet, seus cabelos eram feitos de chamas e sua pele era cinzenta como se fossem cadáveres. Elas sorriam enquanto andavam a minha volta, as chamas de seus cabelos tinham um calor diferente das chamas que cercavam a arena, elas dançavam em volta de suas cabeças quase que hipnoticamente. Parecia que as chamas diziam “Venha sentir nosso calor mais de perto, prometo que você não vai se queimar.” Mas eu duvidava que isso fosse verdade, as criaturas andavam sob as áreas que pegavam fogo sem problema nenhum então achei melhor parar de usar meus poderes para esquentar as laminas, imaginei que não seria muito útil contra elas. Olhando mais de perto vi a perna esquerda delas era a perna de um bode e a direita parecia uma perna mecânica.
–Empusas... Graças a alguns favores que fiz a Hécate no passado, posso usar algumas de suas criaturas quando preciso. Por mais que eu não goste muito de depender de outros Deuses, acho que vai valer a pena ver elas te fatiarem vivo. – Só então eu percebi que essas criaturas seguravam longas espadas em ambas as mãos. Olhei rapidamente para Afrodite e vi que ela estava um pouco ofegante, imagino que ela deve ter se esforçado para invocar aquelas criaturas. Todo o publico estava apreensivo com a presença delas, como se ninguém soubesse o que elas poderiam fazer, apenas o barulho das chamas ardendo podia ser ouvido.
Comecei a sentir uma aura assassina vindo delas e levantei minhas espadas, planejei me defender primeiro e tentar atacar assim que aprendesse qual era o padrão de ataque delas, mas não tive tempo nem para isso. Eu simplesmente senti um corte em meu ombro esquerdo, fundo o bastante para estourar a alça da armadura que eu estava usando, coloquei uma mão em meu ombro e cai de joelhos, quando tentei olhar de onde veio o corte, outro corte me atingiu tão rapidamente quanto o primeiro, dessa vez no ombro direito vindo de trás, assim derrubando a armadura que eu estava vestindo e deixando meu torso completamente exposto. Ouvi risadas vindas das Empusas, junto de uma exclamação vinda do publico.
Algo não estava certo, eu poderia reagir a ataques vindos do próprio Ares sem problemas, como que essas criaturas podiam me ferir tão rapidamente que eu não conseguia nem ver elas? A criatura que me atacou pelas costas ficou de pé em minha frente se preparando para me atacar novamente, até que eu reparei em algo. Não só seus cabelos eram feitos de fogo, mas eles também estavam pouco a pouco sugando as chamas que estavam na arena, o próprio fogo que antes queimava a nossa volta, estava agora muito mais fraco, apenas uma porção do fogo continuava queimando logo em minha frente e as Empusas estavam se alimentando daquele fogo para ficar mais forte. Minha primeira reação foi de apagar todas as chamas da arena, mas assim que me levantei para contra-atacar, senti outro corte atingir minha perna esquerda fazendo eu cair em meus joelhos novamente, esse corte não foi tão fundo quanto os outros, mas como ele acertou o músculo de minha coxa esquerda imaginei que meus movimentos estariam um pouco debilitados por algum tempo.
Precisei pensar rápido, então segui a primeira idéia que veio em minha mente e rezei para que isso funcionasse. Guardei minhas espadas e entrelacei os dedos de minhas duas mãos. As Empusas me encaravam com um sorriso na cara como se já soubessem que eu tentaria algo e falharia pateticamente, fazendo a vitoria delas algo mais divertido ainda.
Afrodite exclamava para os outros Deuses – Ele desistiu! Haha, que patético! – Senti raiva com as idiotices dela, comecei a reunir toda a raiva que eu sentia por todos aqueles deuses idiotas e focar ela em meus braços. Com um ultimo apelo à Ares, invoquei toda a força que eu podia reunir e bati com meus punhos no chão logo abaixo de mim. Uma das maiores habilidades que herdei de meu pai sempre foi à força bruta, então as forças que reuni foram o bastante para provocar um tremor na arena forte o bastante para tirar o equilíbrio das Empusas. Aproveitei a chance e disparei direto em frente enquanto desembainhava minhas espadas novamente, mesmo com a perna machucada eu ainda fui rápido o bastante para alcançar a Empusa que estava a minha frente. Ela conseguiu se recompor a tempo de rolar para o lado, mas meu alvo não era ela. Corri diretamente até o fogo que ainda queimava na arena e chutei areia nele, assim o apagando completamente. Virei-me para as Empusas que agora me observavam com cautela, com espadas em mãos e um sorriso no rosto.
–Agora sim, vamos dançar! – Exclamei a elas, as três me olhavam com nervosismo, até que a Empusa que estava mais próxima de mim decidiu me atacar.
Dessa vez eu a vi correndo em minha direção, levantando sua arma para me atacar e tive tempo de sobra para me defender, usei a lamina direita para me defender e minha lamina esquerda para golpeá-la, transformando-a em um monte de pó dourado no mesmo momento.
Toda a platéia estava em silencio, até mesmo Monet não falava nada. Ela parecia estar tão surpresa comigo virando aquela batalha em meu favor quanto os outros Deuses. Corri em direção à outra Empusa e comecei a desferir golpes com minhas duas espadas, ela se defendia consideravelmente bem mesmo sem as chamas por perto, as chamas de seus cabelos continuavam altas, mas parecia ter perdido uma quantidade considerável de calor. Consegui a encurralar pouco a pouco até finalmente conseguir mandá-la ao tártaro. Eu não tinha nada cobrindo meu corpo da cintura pra cima, mas além dos cortes em meus ombros e os pequenos cortes feitos pelo Deus Adônis em meus braços, eu estava praticamente sem ferimentos. Virei-me em direção a ultima Empusa, só para vê-la correndo de mim. Senti-me vitorioso no começo, mas então percebi o que estava acontecendo e fiquei aterrorizado... A Empusa estava desesperada e corria em direção de Monet, provavelmente em busca de uma refém.
–Droga, Monet! – Gritei e corri em sua direção, Monet percebeu o que estava acontecendo, pegou o copo de coca de um dos deuses que estava por perto e o jogou na Empusa me dando tempo de pelo menos alcançar ela, mas assim que recuperou sua visão, a Empusa retomou a correr e mirou suas armas no peito de Monet, parecia que ela queria matar Monet ao invés de usar ela de refém, provavelmente queria afetar meu lado emocional. Consegui chegar à frente da Empusa e desviar seu primeiro golpe, mas a lamina que ela carregava em sua mão direita estava fora de meu alcance. Então fiz a única coisa que eu poderia fazer e me joguei na frente de Monet. Levando o golpe e deixando a lamina atravessar meu peito.
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