A Maldição De Afrodite
28 Reencontro
Observei a situação de cima de proa do navio, a batalha parecia igualada. Alguns pégasos ainda enfrentavam Harpias em volta das velas do navio, o numero de monstros parecia ser quase igual ao numero de semideuses em batalha, mesmo com uma grande quantidade de feridos do nosso lado, existia um grupo de semideuses que lutava contra os monstros mesmo não usando nenhum tipo de proteção nem a camisa do acampamento, por algum motivo eles pareciam ser os mais empolgados na luta.
Reuni um grupo de nove esqueletos de Ares e pulei no meio da batalha, deixando o resto deles no navio com Monet esperando meu sinal. Os esqueletos eram desajeitados e não tinham técnica nenhuma com espada, lutavam como típicos piratas. Balançando suas espadas na esperança de acertar algo e fazendo mais barulho do que qualquer outra coisa. Mas sempre que eles eram destruídos, seus esqueletos se reconstruíam e voltavam a batalhar então eles foram úteis para evitar que eu fosse cercado.
Mesmo sem eles por perto eu ainda conseguiria me virar sozinho. Eu ainda me lembrava do treinamento que Ares me dera no Olimpio então nenhum monstro era páreo a mim. Franky logo chegou até onde eu estava, ele brandia seu machado e gritava com animação a partir do momento em que eu pulei do navio. Atropelou alguns monstros que estavam em seu caminho como se fosse um jogador de futebol americano e encostou suas costas as minhas. – Len, seu maldito! Onde você estava enquanto nós enfrentávamos monstros por você?
–Enfrentando Deuses por vocês! – Disse enquanto enfrentava uma quimera que estava logo a minha frente. Apesar da situação, não pude deixar de sorrir ao ver ele. – Eu precisava fazer isso, se não toda nossa missão iria por água a baixo.
–Será que as moças podem deixar o reencontro emocionante para depois e podem começar a lutar?!? – Gritou Marco ao se juntar a nós. Eu mal o reconheci, ele estava com um grande sorriso no rosto enquanto usava suas chamas para queimar qualquer um que entrasse em seu caminho, sobrou até para um dos esqueletos que estavam ao nosso lado. A adrenalina da batalha havia tomado conta dele totalmente, senti até um certo orgulho ao ver ele tão empolgado assim.
Olhei em volta até ver Sarah montada em um centauro distribuindo flechas pelo campo de batalha, como sempre sua mira era tão precisa quanto à do centauro. Ela me olhou rapidamente e deu um sorriso confiante para mim do tipo “Nós podemos fazer isso, vamos em frente!”. Apesar de todos se mostrarem confiantes após nossa chegada, nossas forças estavam cansadas de tanto lutar enquanto os monstros ficavam mais e mais ferozes. Decidi tomar a frente da batalha e avançar, como nosso navio havia caído na metade do campo, ainda tinha aproximadamente 80 metros de distancia entre nós e o prédio onde Pierre estava.
Quando olhei em sua direção, vi que ele estava me olhando diretamente nos olhos. Pierre parecia claramente enfurecido com minha chegada, ao seu lado tinha uma serie de semideusas que tinham um tipo estranho de luz azul saindo dos olhos. Lembrei do que Ares me disse, imaginei que Pierre estivesse guardando suas forças porque ele só controlava aquelas semideusas. Foi ai que meu coração quase parou... Olhei para as semideusas que estavam perto dele e vi que uma delas era Rin... Apesar de ela estar mais alta e aparentemente mais saudável que antes, sua aparência era a mesma de quando ela era criança. Até a forma que ela arrumava seu cabelo era a mesma, mesmo que ela estivesse sobre o controle de Pierre, ver ela novamente me fez ganhar um novo impulso para batalhar.
Ela estava tão próxima! Pensei comigo mesmo “Eu definitivamente irei salva-la, é agora ou nunca!” e corri em direção ao prédio com Marco e Franky logo atrás, juntos dos esqueletos que nos cercavam tentando evitar que um grande numero de monstros nos atrapalhasse.
A quimera que estava me cercando anteriormente foi a primeira a entrar em meu caminho, era uma criatura com um corpo de leão e uma calda de serpente, a cabeça que ficava no meio era uma cabeça de leão normal, ao lado direito dela ficava uma cabeça de dragão e ao lado esquerdo uma de bode com chifres quase do tamanho de meu braço. Avancei ao lado de Marco, usei minha espada esquerda para bloquear a mordida que vinha da cabeça de leão e minha outra espada para bloquear a cabeçada que a cabeça de bode tentava me dar pela esquerda. A cabeça de dragão que estava sobrando tentou me queimar enquanto eu estava ocupado, mas Marco invocou uma magia que eu nunca havia visto antes, sugando todo o fogo que saia de sua boca para suas mãos e absorvendo suas chamas para si mesmo. Antes que a calda de serpente pudesse me atacar, Franky pulou por cima de nós e enfiou seu machado nas costas da criatura, mandando-a ao tártaro.
Uma Harpia percebeu nosso objetivo e tentou me atacar de cima, mas antes que pudesse me alcançar, uma flecha acertou seu pescoço e ela se transformou em uma pilha de pó dourado logo acima de nós. Vi Sarah passar voando enquanto montada em um pégaso branco, apenas um pequeno numero de Harpias ainda sobrevoava os céus então Sarah limpava aos céus além de nos dar cobertura aérea. Continuamos correndo em direção ao prédio quando vi os restos de um dos esqueletos voarem por cima de minha cabeça, nos viramos apenas para encontrar o minotauro rosnando para nós.
–Me dêem cobertura, esse filho da mãe é meu. – Disse a Franky, Marco e aos esqueletos. Eles formaram um circulo a nossa volta, me deixando a sós com a criatura. – Porque você não tenta me atacar agora? Não tem ninguém para me proteger dessa vez, estou indefeso.
Ele raspou suas patas no chão, abaixou sua cabeça e disparou em minha direção da mesma forma que ele fez há muito tempo atrás, quando eu tinha apenas quatro anos. Mas agora eu já havia presenciado inúmeras batalhas antes dessa então vi cada um de seus movimentos como se estivessem em câmera lenta. Assim que seus chifres estavam a ponto de acertar meu peito, girei meu corpo me desviando de seu golpe e passei minhas espadas nos ligamentos de suas pernas. Ele perdeu a capacidade de correr no mesmo momento e caiu de boca no chão, antes que ele pudesse entender o que aconteceu, coloquei minha lamina em seu pescoço e sussurrei a ele. – Corrigindo, não tem ninguém para TE proteger de mim. – E o transformei em uma pilha de pó dourado aos meus pés.
–Você sabe que monstros sem inteligência como ele não conseguem entender o que nós falamos, certo? – Disse Franky
–Não importa, nunca antes eu tinha me sentido tão satisfeito ao matar um monstro. – Disse enquanto sorria.
Voltamos a correr em direção ao prédio, batemos de frente com outros monstros como ciclopes, cães infernais e um tipo de serpente que parecia a medusa, mas sem o típico poder de transformar os outros em pedra, não tivemos problema para matar nenhum deles então nós não parávamos de correr em direção ao prédio em nenhum momento. Só fomos forçados a parar quando encontramos um ciclope que bloqueou nosso caminho. Ele tinha aproximadamente 3,5 metros de altura e devia pesar perto de 200 kg. Sua testa tinha um machucado, suas pernas estavam queimadas e ele carregava um machado que devia ter aproximadamente o tamanho de Monet (Não que isso fosse muito grande também), ele parecia estar visualmente irritado com Franky.
–Você de novo? Parece que alguém gostou de ser usado pelo incrível Franky! Não se preocupe amigão, foi tão bom para mim quanto foi pra você!
Ao ouvir isso, o ciclope rugiu e descrever um arco com seu machado na intenção de cortar Franky ao meio, Franky somente bloqueou seu golpe com o seu próprio machado e os dois ficaram em uma disputa de forças. Aproveitei essa chance para correr até as pernas do ciclope e enfiar minhas laminas em seus joelhos, assim que foi atingido o ciclope caiu de joelhos no chão fazendo Franky ganhar a disputa de força e lançar seu machado para longe dali. Marco escalou o braço do ciclope, pulou em seus ombros e tampou seus ouvidos invocando uma grande quantidade de fogo dentro do monstro, fazendo a cabeça dele explodir em chamas.
Estávamos a 10 metros de Pierre naquele ponto, decidi que era hora de colocar meu plano em ação. – Marco! Ataque Pierre com toda sua força! – Ele estava pálido e visivelmente exausto de tanto usar seus poderes, mas decidiu usar um ultimo golpe que realmente valeria à pena. Encostou a palma de suas mãos no chão e sussurrou algo, assim que fez isso uma torre de fogo o cercou e subiu sem parar iluminando tudo a nossa volta, as chamas fizeram um arco e dispararam em direção a Pierre. Eu nunca havia o visto conjurar tanto fogo e conseguir controlá-lo tão perfeitamente então admito que aquilo foi impressionante. Assim que a torre de chamas alcançou Pierre, uma barreira azul clara apareceu na frente dele e das semideusas, olhando de longe tive a impressão de ver neve saindo da mão de Pierre e bloqueando as chamas assim o protegendo do golpe e lançando as chamas de volta em nossa direção. Assim que estava próxima de nos atingir, Marco soltou outro grito e as chamas se dispersaram em direção aos monstros que nos cercavam. Após alguns segundos as chamas haviam se extinguido e todos os monstros próximos a nós desapareceram, Marco caiu desmaiado na mesma hora, mas era puramente por cansaço então decidi deixá-lo descansar.
Ao refletir as chamas, Pierre foi empurrado alguns metros para trás, assim nem ele nem as semideusas que estavam ao seu lado estavam mais na borda do prédio, justamente o que eu queria. Usei meus poderes para esquentar minhas espadas e raspei a ponta das duas, assim lançando uma faísca aos céus que chegaram até 3 metros acima de mim, Monet entendeu o recado e deu ordens aos esqueletos que ainda estavam no navio com ela, disparando os canhões do navio em direção ao prédio. Sem Pierre por perto, as balas de canhão acertaram diretamente a frente do prédio onde ele estava e derrubaram grande parte da estrutura do prédio, transformando as paredes de concreto em montes de destroços. Em outras palavras, uma rampa nos ligava diretamente o teto do prédio onde Pierre estava.
Sem nenhum monstro em nosso caminho, fiquei ao lado de Franky e montei uma linha com os nove esqueletos ao meu lado e disparei em direção de Pierre. Como esperado, ele coordenou as semideusas a nos atacarem e ficou atrás delas, não sabia se ele estava preservando suas forças ou era somente um covarde.
–Não as machuquem! Elas estão sendo controladas, as incapacitem com o mínimo de machucados possíveis! –Gritei a eles enquanto deixava minhas espadas esfriarem.
As semideusas lutavam incrivelmente bem, nenhum dos piratas foi páreo para elas, mas assim que eram derrubados eles se recuperavam e voltavam a batalhar, assim deixando cada uma delas ocupada enquanto eu corria em direção de Rin. Uma semideusa me atacou pelo meu ponto cego então eu não consegui ver sua aproximação, ela tinha cabelos e olhos laranja e me atacou com uma lança que acertaria direto em minha garganta se não fosse por Franky.
–Vá em frente, Len! Eu cuido dessa gracinha. – Disse Franky enquanto usava seu machado para me proteger do golpe dela, quando os dois começaram a se enfrentar eu vi que eles pareciam estar em igualdade, mas eu confiava em Franky o bastante para saber que ele daria um jeito.
Rin foi a ultima linha de defesa entre mim e Pierre, ela carregava uma espada de bronze celestial mais fina e mais longa que o normal e me atacou assim que cheguei perto. Chocamos espadas e aproveitei essa chance de aproximar meu rosto ao dela, seu olhar estava morto devido ao controle mental que ela sofria, mas se podia ver lagrimas escorrendo em seu rosto, alguma parte de sua consciência devia estar vendo aquela cena. Só de imaginar que ela poderia estar me vendo, dei um sorriso confiante e disse. – Não se preocupe irmã. Vou dar um jeito de te tirar daí! – E então começamos a lutar.
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