A Maldição De Afrodite
29 Once and for all!
Nunca esperaria que Rin fosse lutar tão bem quanto ela lutou. Eu não queria machucá-la, mas devido ao seu controle mental ela não se preocuparia em me machucar então ela me atacava como podia. Eu usava minhas duas laminas para me defender enquanto pensava em uma forma de salva-la sem acabar machucando seu corpo. Ela não lutava da forma convencional, sua arma era como um sabre ao invés de uma típica espada grega então ela me atacava usando a ponta de sua espada ao invés de usar toda a lamina, como se estivesse em uma partida de esgrima. Aquilo tornava seus golpes quase impossíveis de serem bloqueados, era como se uma agulha estivesse me perfurando de todos os lados ao mesmo tempo, faltava força em seus golpes, porém ela compensava aquilo com velocidade pura, até mesmo eu não conseguia ver seus golpes direito.
–Você é uma filha de Ares afinal, faz sentido que seja tão forte assim. – Disse enquanto me defendia, eu não me importava que ela estivesse tentando me matar, eu estava tão orgulhoso dela!
Ela continuou me atacando, dessa vez tentando acertar meu pescoço. Desviei-me de seu primeiro golpe e soltei a espada que eu carregava em minha mão esquerda, assim que minha mão estava livre eu segurei seu braço que carregava a espada e a derrubei, colocando o peso de meu corpo em suas costas. Olhei em volta e vi Franky segurando a semideusa de antes no chão pelos braços com sua lança quebrada logo ao lado, ele estava repleto de machucados pelo corpo além de um grande corte na testa, mas parecia bem. Vi as outras semideusas serem desarmadas uma a uma pelos esqueletos que conseguiram vencê-las por pura insistência, eles gritavam com orgulho de si mesmos e cantavam cantigas piratas.
Olhei para Rin e fui inundado por uma onda de ódio ao ver seu corpo de perto... Eu só podia ver uma pequena parte de suas pequenas costas pela armadura cobrir seu torso, mas elas estavam cobertas de cicatrizes e queimaduras, além de uma marca que brilhava em azul claro em seu pescoço, essa marca parecia emitir uma forte magia que afetava meus sentidos divinos. Olhei para Pierre sentindo vontade de cortar ele em pedacinhos, ele apenas me encarava com o nariz empinado e um sorriso no canto do rosto, parecia estar com muito mais energia que antes
–Liberte-as, seu maldito! Assim eu posso finalmente acabar com sua raça de uma vez por todas!
–Acabar comigo? Não me faça rir! Se quiser libertar sua irmã, vai ter que matar ela! Seu piv... – Uma flecha voou em direção de Pierre enquanto ele falava, ela afundou em seu ombro fazendo-o cair em seus joelhos. – Sarah! Volte aqui! –Gritou ele enquanto Sarah voava por cima dele.
Naquele momento de distração, senti a magia que saia do pescoço de Rin ficar mais fraca. – Desculpe-me Rin... Mas tenho que fazer isso. – Cobri a espada que eu ainda carregava com poder de Ares e encostei a lamina fervendo em cima da marca que brilhava em azul claro no corpo de Rin. Senti a magia lutando para permanecer no controle enquanto eu tentava expulsa-la, precisava conseguir antes que seu pescoço ficasse deformado, por estar sobre o efeito da magia Rin não gritava, mas imagino que ela sentiu aquela dor mesmo assim. Invoquei todos meus poderes até que finalmente uma aura azul saiu pela boca de Rin, fazendo-a chorar com a dor da queimadura.
Levantei-me tirando a espada de seu pescoço e corri para pegar minha outra lamina que eu havia soltado anteriormente. Voltei ao lado de Rin e a ajudei a se levantar, saia fumaça de seu pescoço e ela parecia dolorida, além da queimadura ela parecia relativamente bem. – Quando isso tudo terminar, me lembre de te bater por isso. – Disse Rin enquanto esfregava seu pescoço, ela me olhava com dor nos olhos, mas parecia feliz por estar de volta.
–Senti sua falta também, Rin... Mas agora, temos um problema maior para lidar.
Pierre andava em nossa direção, ele me olhava com tanto ódio que parecia que sua cabeça iria explodir, agarrou a flecha que estava em enfiada em seu corpo e a puxou, o buraco em seu ombro se fechou instantaneamente apesar de que eu não pude deixar de notar um brilho dourado saindo de dentro dele. Ele levantou sua mão e mais auras azuis começaram a se reunir em volta dele, quando olhei em volta vi que as outras semideusas estavam voltando a si e já não tinha quase monstro nenhum no campo de batalha. Franky as escoltava de volta a Quíron, deixando Rin e eu sozinhos com Pierre em cima do prédio. – Você não tem mais força alguma, desista. – Disse enquanto o encarava.
–Eu? Sem forças? Não fale besteiras! – Gritou Pierre, senti uma grande energia começar a crescer de dentro dele, de um humano com aproximadamente meu tamanho, o corpo de Pierre começou a crescer mais e mais até chegar a aproximadamente quatro metros de altura, ficando ainda maior que o ciclope de antes. Seu corpo brilhava em um azul claro misturado com roxo que me lembrava à cor que saia dos olhos de Rin. Sua pele era metálica e repleta de pontos brilhantes, como constelações. A constelação de Áries brilhava em seu peito mais forte que as outras e sua luz iluminava todo o teto de prédio onde nós estávamos. –Não me subestimem, mortais inúteis! Eu sou Crio, filho de Gaia com Urano, senhor das constelações e representação física do inverno! Nenhum de vocês vai sair daqui vivo!
–Isso explica muita coisa então... –Comentou Rin. – Crio foi um dos poucos titãs que não se envolveram nos planos de Cronos de derrubar o Olimpio, o ouvi dizer uma noite que preferia se virar pelo mundo sozinho, para poder rir de Cronos depois que ele fosse derrotado.
–Plano para derrotar o Olimpio? Como assim? – Perguntei assustado. Estava a tempo demais longe do acampamento, não sabia que algo assim estava acontecendo.
–Depois eu explico... Enfim, temos um dos doze titãs principais a nossa frente, algum plano?
–O mesmo plano de sempre, querida irmã. Atacar com toda força até um de nós não aguentar mais.
–Justo. – Disse Rin com um sorriso irônico. Encaramos-nos por um segundo e disparamos na direção de Crio, buscando acabar com aquilo de uma vez por todas.
Crio fechou os punhos, em volta deles saia uma névoa gelada que me lembrava o frio que era emitido pelas plantas de Adônis só que muito mais forte. Ele tentou me acertar primeiro e ao contrario do ciclope de antes, Crio era incrivelmente rápido, eu mal tive tempo de desviar de seu punho quando ele me atacou. Enquanto ele estava distraído comigo, vi Rin rolar por baixo de suas pernas e enfiar sua espada nas costas dele, porém sua espada refletida por sua pele. Crio girou seu corpo e usou seu outro punho para me acertar, tive tempo de cruzar minhas armas em minha frente para me proteger, mesmo assim o soco me fez deslizar um metro para trás de onde eu estava e minhas espadas quase congelaram ao impacto. Crio tentou agarrar Rin enquanto ela se desviava dele, tentei cortar os ligamentos de sua perna enquanto ele estava de costas, mas até minhas espadas foram refletidas por sua pele. Crio se virou rapidamente, me acertando uma cotovelada no rosto.
Voei até bater em um ar condicionado que não havia sido destruído pelas explosões, senti meu corpo tremer de frio após ele ter me tocado.
–Dois semideuses nunca poderão me ferir, minha magia é forte demais para vocês! – Disse enquanto Rin o cercava e tentava atingir seus braços.
–Magia, é? – Repeti para mim mesmo. – Vamos usar magia contra magia então.
Usei meus poderes divinos para esquentar minhas laminas e corri na direção de Crio enquanto gritava seu nome, ele estava convencido que não poderíamos ferir-lo então se virou em minha direção e simplesmente tentou socar meu peito. Assim que cheguei perto dele, deslizei por baixo de seu punho e me levantei novamente atrás dele, usei minhas armas na intenção de fazer dois cortes em suas costas e senti um atrito, parecia que eu estava tentando cortar uma placa de ferro com uma motosserra. Sentia a magia de seu corpo repelir minhas laminas, mas forcei até abrir dois cortes idênticos que atravessavam suas costas, os cortes brilhavam em uma luz dourada. Crio se virou tentando me acertar enquanto eu rolei para trás, me afastando dele e ficando ao lado de Rin.
–Maldito! Como pode danificar meu corpo?!?
–Vocês imortais tem o mesmo problema, acham que não podem ser feridos por semideuses! – Disse enquanto me lembrava de Adônis. Joguei uma de minhas espadas para Rin, a fazendo soltar sua antiga arma. – Rin! Invoque seu poder divino, quando mais conseguir invocar os poderes de Ares, mais quente sua arma vai ficar! É a única forma que temos para ferir-lo.
Rin assentiu e segurou sua espada com as duas mãos assim como eu, invocamos os poderes de Ares ao mesmo tempo. Ela pareceu ter muito mais dificuldades para controlar seus poderes divinos então os desenhos vermelhos da lamina foram aparecendo pouco a pouco, mas eventualmente nossas espadas brilhavam em sincronia.
E então, aconteceu. Quando as duas espadas estavam liberando a quantidade máxima de poder, minha mente e a de Rin viraram uma só. Por algum motivo, eu sentia como se estivesse em dois lugares ao mesmo tempo, e como se Rin estivesse dentro de minha mente. Assustei-me um pouco com aquilo e dei um passo para trás, Rin fez a mesma coisa. Crio ficou cansado de esperar por uma ação nossa então quando se recuperou de meu golpe, veio correndo em minha direção, eu não o vi chegando por estar muito chocado olhando para minha espada, porém Rin o viu correndo em minha direção então ouvi sua voz dizendo para eu desviar, mas ela não precisou falar pois ouvi sua voz ressoar em minha mente. Movi-me para o lado sem precisar olhar para Crio e apenas senti seu punho passar logo ao lado de meu rosto. De repente, ouvi a voz de Ares ressoar em minha mente (consequentemente na mente de Rin também.)
–Essas são espadas gêmeas, foram criadas juntas com o propósito de serem usadas juntas. Se dois filhos de Ares portarem as espadas separadamente, ela ira unir suas mentes transformando-os em um só guerreiro. Sinceramente nem eu sabia que isso aconteceria. – Ele parecia tão surpreso quanto nós dois. Assim que a voz de Ares se aquietou, tivemos a idéia de lutarmos naquelas condições. Concordamos mentalmente que seria uma boa idéia atacá-lo ao mesmo tempo e disparamos em direção de Crio.
Atacamos pelos dois lados ao mesmo tempo, Crio deve me considerar uma ameaça maior que Rin já que ele tentou me acertar primeiro, assim que eu desviei de seu soco Rin acertou um golpe de espada em seu peito, a ação de eu desviar de seu soco e Rin atacá-lo aconteceram ao mesmo tempo, impossibilitando qualquer reação vinda de Crio. Ele deu dois passos para trás, visualmente confuso, aproveitamos a chance para acertá-lo o Maximo de vezes possível.
Nossos movimentos eram coordenados, minha lamina acertava seu braço direito ao mesmo tempo em que a lamina de Rin acertava seu braço esquerdo, se eu acertava seu peito Rin acertava suas pernas. Movíamos-nos com tanta velocidade e precisão que parecia que estávamos dançando na frente de Crio e ele claramente não sabia como se defender de nossos golpes sincronizados.
Enquanto tentava se defender, Crio abriu sua mão esquerda e invocou uma nevasca na direção de Rin. Ela foi lançada longe até seu corpo bater em um pedaço de concreto, senti tanto a dor da batida em minhas costelas quanto o frio da nevasca que a atingiu. Concordamos mentalmente em tomarmos mais cuidado daqui para frente já que nossas dores também seriam compartilhadas e pensei em um novo plano de ataque.
Assim que Rin se recuperou, corri em direção de Crio enquanto Rin deu a volta para atacá-lo por trás. Ele invocou outra nevasca em minha direção e eu coloquei minha espada logo a frente de meu rosto, o calor da arma era tão alto que eu conseguia me proteger parcialmente e lutar contra a nevasca ao invés de ser lançado longe da mesma forma que ocorreu com Rin. Quando cheguei perto de Crio ele usou sua mão livre para tentar me socar, fui obrigado a usar minha espada para bloquear seu soco fazendo com que sua nevasca me jogasse para longe.
Porém isso não foi problema, aquilo deu tempo o bastante para Rin chegar as suas costas enquanto ele estava distraído comigo e cortar os ligamentos da perna direita dele. Assim que caiu de joelhos, Crio soltou um grito enquanto invocava um tornado de neve ao seu redor na tentativa de se proteger, por ser um ser imortal imaginei que ele só estivesse em busca de tempo para que seu corpo se recuperasse sozinho. Falei com Rin por nossas mentes.
–Não podemos deixar que ele se recupere, precisamos forçar nosso caminho dentro desse tornado!
–Nossos corpos serão destruídos antes de conseguirmos chegar a Crio. E enquanto nós conversamos seu tornado só fica maior e maior! Precisamos agir rápido! – Senti uma nova dor em meu corpo, olhando pela mente de Rin vi que o tornado havia lançado seu corpo longe e machucado severamente sua mão esquerda.
–Eu vou tentar algo... Fique próxima ao tornado, vou conseguir outra distração.
–Tudo bem... Tome cuidado!
Esperei Rin se posicionar logo a frente do tornado e Andei pesadamente até chegar o mais próximo possível de Crio, coloquei minha espada logo ao meu lado assim cortando minha ligação com Rin, rezei novamente para Ares me dar suas forças e entrelacei os dedos de minhas mãos em um punho assim como havia feito na arena anteriormente. Reuni todas as forças que ainda sobravam dentro de mim e bati meus punhos no chão abaixo de nós. Rachaduras surgiram a minha volta e o teto do prédio foi destruído, nos derrubando em algum tipo de galpão, o tornado de Crio foi interrompido e ele caiu logo em minha frente com um grande pedaço de concreto caindo em cima de suas pernas, ele soltou um grito tão alto que pode ser ouvido por todo estado. Eu caí em cima de um monte de pedras, senti minhas costelas quebrarem ao impacto, a luz de Crio estava consideravelmente mais fraca que antes, somente o contorno dele estava iluminado, eu estava logo a sua frente e mal conseguia ver seu rosto. Ele juntou suas ultimas forças e passou a rastejar em minha direção.
–Semideus... Maldito... E-eu vou te destruir... – minha espada não estava ao meu alcance, e mesmo que estivesse eu não conseguia me mexer devido à dor que eu sentia vindo de minhas costas.
Todo o galpão estava completamente escuro, a única fonte de luz era a fraca luz azul que era emitida de Crio. Ele mal conseguia se arrastar em minha direção, não só pelos ferimentos em seu corpo, mas também pela quantidade de poder que ele usou naquela batalha. Ele foi se arrastando pouco a pouco até estar com o corpo logo acima de mim, suas mãos se fecharam em volta de meu pescoço e ele começou a me enforcar com todas as forças que lhe restavam. Além de não poder mais respirar, meu corpo começou a congelar de dentro para fora enquanto Crio me tocava.
–Eu vou fazer o que deveria ter feito há muito tempo atrás... Matar você... Sua irmã... E finalmente, Sarah... Todos irão morr...
De repente, seu pulso ficou mais fraco e seu corpo parou de emitir o mesmo frio de antes. Sangue dourado começou a escorrer de sua boca e seu olhar ficou congelado, virei um pouco meu corpo e vi Rin parada em cima dele, com minha espada atravessando suas costas. Quando ela puxou a espada de seu corpo, Crio caiu ao meu lado, seu corpo pouco a pouco perdendo seu brilho. Foi então que me lembrei... Ao reunir meus poderes para destruir o teto do galpão, eu tive que soltar minha espada, assim perdendo a ligação com Rin. A dor que eu sentia por ter quebrado minha costela e ter sido enforcado por um titã era só minha, nada havia sido passado para Rin.
Ela guardou minhas espadas ao meu cinto e me colocou em seu ombro. – Fique acordado, irmão... Eu vou nos tirar daqui... – Assim que nos afastamos de Crio, uma luz roxa começou a ser emitida de onde seu corpo estava. Olhamos para trás só pra ver seu corpo se reduzir a um monte de massa e começar a sugar tudo ao seu redor. Um ser imortal como Crio tem muito poder mágico dentro de si mesmo, imagino que ao morrer todo seu poder tem que ir para algum lugar.
Rin percebeu o perigo daquilo e tentou procurar uma saída o mais rápido possível, mas a antiga entrada do galpão estava destruída e não existia nenhuma outra saída por perto. Rin percebeu onde nós estávamos mesmo com o galpão completamente escuro e disparou em frente.
–Me deixe... – Comentei com Rin, eu mal tinha forças para falar naquele momento. A dor dominava todos meus sentidos e minha garganta estava quase congelada. – Estou te atrasando, é melhor eu morrer sozinho do que eu causar a morte de nós dois...
–Cala a boca, irmão idiota. – Disse Rin enquanto corria, ela lutava contra a força do cadáver de Crio que sugava tudo ao seu redor, além de suportar a dor em seu corpo e me carregar ao mesmo tempo. – Nós vamos sair dessa, juntos... Ou vamos morrer juntos, não me importa qual dos dois... Mas eu não vou deixar que nada nos separe novamente!
Rin soltou um grito e trombou contra uma porta de metal, eu não consegui ver a porta até Rin chegar perto dela. Ela me levou escada abaixo e trombou novamente contra uma porta de madeira que nos levou a um pequeno quarto no subterrâneo. O quarto tinha apenas uma cama, algumas roupas penduradas na parede e uma série de desenhos espalhados pelo chão de madeira. Reconheci meu rosto naqueles desenhos, mas com diferentes roupas e estilos de cabelo. A única forma de iluminação que o quarto tinha era uma lâmpada antiga presa ao teto, Rin me jogou na cama assim que chegamos ao quarto.
De repente, ouvimos um barulho de explosão vindo de cima. A explosão tremeu todo o quarto, desligando a lâmpada e nos deixando no escuro total. Após alguns segundos, estávamos no silencio total, apenas nossa respiração podia ser ouvida.
– Esse quarto foi meu lar durante esse tempo todo... –Disse Rin, ela deitou ao meu lado com cuidado para não tocar onde estava dolorido, percebi pela sua voz que ela estava chorando. – Eu tive fazer todo tipo de coisa durante esse tempo, fui usada e torturada minha vida inteira, às vezes só pela diversão de alguém... Mas nesse tempo todo, a coisa que mais me machucou foi não ter você ao meu lado... Eu não sabia se você estava vivo, se ainda se lembrava de mim, se algum dia iríamos nos ver novamente... –Aos poucos a luz voltou, Rin estava deitada ao meu lado enquanto passava a mão em meu pescoço, ela ficou o mais próximo possível de mim para que a temperatura de meu corpo voltasse ao normal. – Eu passaria por tudo aquilo de novo se precisasse, mas eu nunca suportaria a dor de não ter você por perto mais uma vez... Então, por favor, não morra...
Dei um sorriso fraco e um peteleco em sua testa. – Pare com isso... Eu tenho uma irmã chorona, tenho que ser forte por nós dois... Lembra? – Não precisei da conexão vinda das espadas de Ares para saber o que ela estava pensando, quando morávamos juntos eu vivia falando essa frase a ela, ela claramente estava tão feliz quanto eu por estarmos juntos novamente.
Após eu me sentir melhor, saímos daquele quarto e fui em direção da superfície enquanto apoiava-me no ombro de Rin. Mais da metade do galpão estava destruído após o corpo de Crio explodir (Franky nos contou como todo o galpão começou a ser sugado em um buraco negro e depois tudo aquilo explodiu, lançando os restos do galpão por todos os lados) e onde antes tinha uma rampa de concreto destruído, agora estava um grande espaço aberto. Saímos dos restos do galpão mancando, quando olhei para a direção em que o navio pirata estava, vi quatro sombras correndo em nossa direção. O sol estava nascendo atrás deles então só consegui reconhecê-los quando eles estavam logo a minha frente, Franky, Marco, Sarah e Monet foram os primeiros a chegar até nós.
–Vocês conseguiram! –Disse Franky com entusiasmo. – Não acredito que vocês conseguiram derrubar um titã! E olha só que surpreendente, sua irmã é muito mais bonita do que eu esperava...
–Cala a boca, Fran. – Disse Sarah enquanto dava uma cotovelada nele. – Finalmente conseguimos... Só agora eu posso realmente dizer que nós finalmente escapamos daquele inferno de circo, finalmente estamos livres! – Sarah chorava enquanto falava isso, logo depois nos abraçou.
–Fico tão feliz que tudo deu certo no final... Apesar de que eu não me lembro do que aconteceu. Eu só me lembro de nós estarmos de frente com as forças de Pierre... Quer dizer, de Crio. E então minha memória falha! – Disse Marco, aparentemente ele não se lembrava de nada que aconteceu no campo de batalha, por algum motivo. Que bom, assim eu ainda posso continuar o chamando de covarde.
–Vamos voltar logo ao acampamento, todos nós precisamos de cuidados... – Disse Monet enquanto me curava. Realmente, ao olhar para eles vi que todos estavam repletos de curativos pelo corpo. Sarah e Monet tinham só alguns, Marco tinha machucados maiores e Franky parecia uma múmia de tantos curativos que estavam espalhados em seu corpo. – Muitos semideuses se feriram nessa noite, alguns morreram... Quíron e seus amigos centauros vão nos levar de volta ao acampamento. – Monet estava com um olhar melancólico, mas ela me olhava com um pequeno sorriso no rosto, provavelmente feliz por eu estar vivo. – Você esta bem, Len?
Todos me olhavam com apreensão, eu imagino que devia estar com a aparência horrível então entendo a preocupação deles. Antes de ir atrás de Quíron, segurei a mão de Rin e sorri aos meus amigos. – Nunca estive melhor!
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