A Maldição De Afrodite

25 A prova final


Acordei com a sensação de que havia dormido durante milênios. Minha cabeça doía um pouco, não sabia se isso era por eu acidentalmente ter dado uma cabeçada em Monet, ou pelo fato de que eu morri... E voltei à vida. Espera, que?

Pensei nas minhas ultimas lembranças, após derrotar a ultima Empulsa eu me lembro de morrer no colo de Monet. Então eu senti meu corpo virar fumaça e ser levado a um lugar parecido com um tribunal onde três pessoas me olhavam com os braços cruzados, três pessoas enormes. Eu conseguia ver apenas a parte superior de seu corpo, mas só isso já era do tamanho de prédios de 12 andares. Seus rostos eram rígidos e usavam coroas de reis, de seus olhos saia uma forte luz roxa com um tom fantasmagórico.

Eu me lembrava de ouvi-los falando algo como– Hanson Len. Você agora será julgado pelos seus atos durante vida, pelos três juízes do inferno. Durante sua vida, você... – E então sua voz foi interrompida. Lembro-me vagamente de ser levado ao acampamento meio sangue, estava de tarde e o sol estava prestes a se por, então percebi que meu espírito estava preso ao corpo de uma coruja que voava por cima do acampamento e logo pousou em uma das arvores da floresta. Eu via pelos seus olhos, porém não conseguia influenciar seus movimentos (Decidi que se aquela fosse minha próxima reencarnação, a primeira coisa que faria seria aprender magia em homenagem a Franky.). Podia ver uma grande comoção no acampamento, não conseguia entender o que eles falavam, mas percebi que Quíron gritava ordens para semideuses que saiam de seus chalés às pressas. Apenas semideuses do chalé de Ares, Hermes e Hefesto faziam parte da comoção, alguns deles subiram nos pégasos que estavam dormindo no estábulo e saíram voando, outros subiram em alguns centauros que estavam por perto usando camisetas festivas e saíram em velocidade máxima. Vi também um par de Grifos, deixando os semideuses subirem em suas costas. Eles eram enormes então cabiam aproximadamente cinco semideuses nas costas de cada.

Não entendi nada do que estava acontecendo nem do porque de eu estar vendo aquilo, até que meu corpo espiritual foi puxado da coruja e levado aos céus novamente.

Vi as nuvens se abrirem em cima de mim, meu corpo espiritual foi puxado aos céus com a velocidade de um foguete, ouvi uma voz feminina se repetir dentro de minha mente – Não vou deixar nada de mal acontecer com ele, não vou, não vou... Não vou! – Reconheci aquela voz sendo a de Monet. – Porque eu o amo! – Ao ouvir isso, meu corpo espiritual foi puxado ainda com mais força, assim que cheguei novamente a onde meu corpo estava. Meu espírito entrou nele com tanta força que meu corpo físico reagiu com um pulo, resultando assim na cabeçada que acertou Monet. Assim que ela viu que eu estava bem, vi-a desmaiar em meus braços e olhei em volta tentando entender o que havia acontecido.

–Você morreu. E agora voltou a vida, graças aos esforços dessa garota. – Disse Afrodite, apontando para Monet. – Levante-se, filho de Ares, seus testes ainda não acabaram.

Encostei Monet onde ela estava sentada novamente. – Descanse, por favor... – Amarrei novamente os restos de minha camisa em minha testa e peguei minhas espadas do chão, fui andando até o centro da arena e voltei a encarar Afrodite. – E então, qual seu ultimo teste?

Afrodite entrou na arena. Continuou a me encarar com um olhar penetrante, como se estivesse se decidindo sobre como me mataria. Ela parou a cinco metros de mim, deu um pequeno sorriso e estendeu sua mão direita do lado de seu corpo. De repente, o corpo de Monet apareceu em baixo de sua mão, ela ainda estava desmaiada, porém seu corpo estava preso a mão de Afrodite como se tivessem fios invisíveis prendendo ela pelos ombros, sua cabeça ainda pesava para baixo.

–Hanson Len, seu ultimo teste é esse, mate ela.

Ficamos todos encarando Afrodite sem saber o que falar. Antes que conseguisse entender, um dos Deuses menores que estavam na arquibancada se levantou. – Um minuto... Eu vi você emprestar seus poderes a essa semideusa, para salvar a vida do filho de Ares... E agora você esta ordenando que o mesmo filho de Ares a mate? Sua lógica me confunde.

–Isso porque você não tem visão. – Disse ela, claramente com raiva. O Deus menor se sentou no mesmo momento. – Eu sou a Deusa do amor. Quando eu vejo alguém se sacrificar por amor, eu o recompenso. Quando eu amaldiçôo alguém, esse alguém vai ser afastado de todo e qualquer tipo de amor que poderia cair sobre ele. E quando eu quero provar alguém, esse alguém vai ter que ir contra a pessoa que mais o ama. – Disse ela com um sorriso malicioso no rosto. – É quase como se você estivesse indo contra tudo o que eu significo, então não é tão mal assim.

–Não seria se isso não envolvesse matar alguém que eu amo. –Eu disse aquilo alto? Opa. Não queria admitir que estava apaixonado por Monet, tudo aconteceu tão rápido, eu ainda queria um tempo para pensar melhor nisso. Mas ser revivido por alguém faz você automaticamente gostar muito mais dessa pessoa, acredite em mim. –Tem que haver outra maneira.

–Bom... Tem, você pode desistir e ser morto junto com sua irmã. Isso seria outro sacrifício que você estaria fazendo pelo amor de Monet, então garanto que ela ficaria viva. Porém... Você ainda estaria traindo o amor de sua irmã, então você morreria.

–E se eu simplesmente matasse Monet?

–Você estaria traindo o amor de Monet, o que faria eu te matar.

Ótimas opções. Tinha que escolher entre Rin ou Monet. Não realmente me importava com o fato de que eu morreria independente de quem eu escolhesse, eu já esperava que fosse acontecer uma hora ou outra nessa jornada, mas não poderia admitir que uma das pessoas que eu amo iria morrer junto de mim.

–Droga, droga... – repeti a mim mesmo. – Eu não sei o que fazer... Não posso matar Monet, ela salvou minha vida. Mas se eu matar Rin, toda essa missão terá sido por nada! – Olhei em volta, todos me olhavam com expectativa. Ares não estava lá, mas duvido muito que ele me ajudaria de qualquer forma.

–E então, Hanson Len? Qual sua decisão? – Olhei para Afrodite novamente, fiquei cansado sobre como Afrodite estava brincando com nossos sentimentos, Monet havia se esforçado tanto por mim... Agora ela dormia tranquila achando que havia me salvado e confiando que eu poderia terminar essa missão. Eu não podia falhar com ela.

Mas ao mesmo tempo... Enquanto eu estava morto, ouvi Monet dizer que não se importaria de morrer caso pudesse me curar. Conhecendo ela, imagino que caso eu perguntasse, ela escolheria morrer por mim e por minha irmã.

Finalmente cheguei a uma conclusão. Abri meus braços e disparei em direção de Monet. Com intenção de fazer um corte limpo e rápido, e um movimento rápido de minhas espadas, sangue foi derramado nas areias da arena.