A Maldição
6 Capitulo 06: Os Pioneiros 02! A Loucura de Benjamim.
Notas iniciais
– Agora ela parou de rir e está lentamente baixando os braços enquanto seu olhar deixa de mirar ao céu e passa-se há se voltar para nós, ela está nos encarando Valentim novamente, parece querer nos dizer algo, e não parece ser nada bom. Agora ela olha para o garoto como se tivesse o autorizando para fazer algo, ele está se agachando vagarosamente, com um leve sorriso no rosto, enquanto ele intercala olhar para o cesto e para nós. Agora ele parou! Está com a mão sobre o cesto!
– Meu Deus! Como ele consegue ver todos estes detalhes no rosto destas crianças? — Questiona em voz alta Valentim! Que é imediatamente reprendido por Prudêncio com um olhar fulminante, como se o estivesse questionando suas intenções, afinal, já haviam inutilmente tentado trazer Benjamim para a realidade, mas nem uma das abordagens trouxe resultado algum. Por outro lado Benjamim não deu ouvidos há pergunta de Valentim e continuou relatando sua visão em cada detalhe do que imaginava estar presenciando naquele momento.
– O que esse garoto vai fazer? — Pergunta a si mesmo Benjamim que prossegue. — Ele está brincando conosco! Está nos Provocando! — Grita Benjamin gesticulando sem parar, apontando com seus braços a direção de onde o tal misterioso garoto se encontra, ao mesmo tempo em que fala e mostra a direção da sua visão olha com uma expressão de pavor em seu rosto para seus dois companheiros, como se suplicasse para eles que lhes confirmasse estarem vendo a mesma coisa, e que ainda compartilhassem o seu temor e mau pressentimento para toda aquela situação.
Prudêncio e Valentin estavam confusos com aquela situação, horas achavam que precisavam ser mais duros com Benjamim e trazê-lo a realidade a qualquer custo, mas temiam a sua reação, então mesmo sem discutirem isso abertamente, a situação e talvez o inconsciente definiu por deixar que Benjamim extravasasse seus sentimentos e sua loucura momentânea.
– Sim, sim estamos tentando ver, mas está difícil não consigo saber ao certo o que estou vendo! — Responde Prudêncio, tentando acalmá-lo!
– Mas está bem ali! Você não enxerga? Pelo amor de Deus! Ali! Bem ali! Eu não acredito! — Exaltado e cada vez mais descontrolado com a sua visão Benjamim indaga com imposição Prudêncio que por sua vez começa a gaguejar e demonstra insegurança não conseguindo responder, então Valentim vem ao seu socorro.
– Certo! Ok! Acho que estamos conseguindo ver, está muito longe, mas ainda assim acho que vemos certo Prudêncio? — Prudêncio confirma com a cabeça ainda muito assustado, mas não pronuncia uma palavra sequer. E Valentim continua calmamente agora.
– Sim, as crianças estão lá, não deveriam, mas lá estão, mas parecem bem, estão brincando, então...- Antes que Valentim termine a frase Benjamin o interrompe com agressividade lhe puxando pelos braços para perto de si, e o adverte com seus pressentimentos olhando-o firmemente nos olhos. Era possível sentir a respiração ofegante de Benjamin, a loucura de seus olhos, seu rosto pálido, suas mãos geladas, sua face totalmente transtornada, dava para perceber nitidamente o seu batimento acelerado observando a pulsação no seu pescoço vermelho e enrijecido.
– Não! Elas não estão brincando! Há algo de errado com aquelas duas crianças! Estou lhe dizendo, porque não acreditam em mim? Precisamos fazer algo, agora! — Intima o transtornado Benjamim enquanto larga os braços de Valentim e volta a olhar em direção a sua visão na margem do outro lado rio!
– Meu Deus! Não é possível! — Exclama Benjamin enquanto olha fixo para a margem do rio e coloca as mãos sobre a cabeça.
– O que foi Benjamin? Diga-nos logo pelo amor de deus! — Suplica nervoso Valentim.
– Que agonia! Termine logo com isso, eu te suplico! — implora Prudêncio.
– Há três crianças pequenas dentro do cesto, são crianças de colo, parecem ser três meninas, não devem ter mais de um ano de idade. O que eles vão fazer com elas?
– Pare Benjamin, já chega! Isso não é real! — Completamente envolvido e apavorado com a situação Prudêncio tenta dar um basta naquilo tudo. Mas é contido por Valentin.
– Não faça isso agora! Precisamos acalmá-lo, mas não vamos conseguir confrontando-lhe!
– E nem alimentando esta loucura, onde isso vai parar? Vamos enlouquecer junto com ele? — Completamente a parte daquela discussão Benjamin os interrompe com um surto agressivo, andando de um lado para o outro, levando as mãos à cabeça e aos berros agora parece que ele estava não somente vendo as tais crianças, mas sim interagindo com elas.
– NÃOOOOO! Por Deus! Não façam isso!
Valentim e Prudêncio vão em direção de Benjamin e tentam contê-lo já que este da há entender que irá entrar rio há dentro a fim de chegar na outra margem do rio para impedir o que acabava de sentir que poderia acontecer.
– Tenha calma, por favor Benjamin e nos diga o que está acontecendo? — Ordena veementemente Valentim.
– Ela tem uma faca na mão, segura uma faca, e está olhando para os bebes, sinto a crueldade de suas intenções. — Valentim e Prudêncio tem dificuldade para segurar Benjamin que há qualquer custo quer impedir o que supõem que vai acontecer.
– Se controle Benjamin. Controle-se! — Ordena em vão Valentim.
– Não! Precisamos impedir! — Suplica Benjamin.
– Impedir o que homem? — Pergunta Prudêncio.
– O garoto pegou um dos bebes, ele o pegou! Ele pegou o bebe por um dos pés como se pega um animal qualquer. — Um breve silêncio tomou conta do velho Benjamim, que olhava fixo para outra margem do rio como se estivesse preso ao que via. Então, o desespero tomou forma de um grito horrorizado.
– Nãoooooooooooooooooo!
A situação tomava um contexto aterrorizante, Benjamin estava cada vez mais delirante e difícil de ser controlado, cada vez que avançava em seus relatos mais delirante e incontrolável ficava. Os dois homens embora não vissem absolutamente nada do que Benjamin relatava estavam completamente envolvidos na aflição do amigo, pareciam de fato estar vivendo toda aquela situação surreal que aos prantos narrava Benjamin.
Benjamin forçava os braços de um lado para outro tentando se desvencilhar das mãos de seus dois amigos, o desespero era tanto que era praticamente impossível controlá-lo, ele demonstrava uma força nunca antes percebida por seus dois amigos, era como se fosse um cavalo indomável, pronto para fugir do curral. Até que de repente num jogo de braço ele conseguiu jogar Prudêncio para longe que cai barranco a baixo, na margem do rio, quase dentro do mesmo. Então ele avançou para cima de Valentim o empurrando para trás, agarrando pelo pescoço e aos berros com o velho amigo. Benjamin estava totalmente transformado, surtado, enlouquecido com suas visões, parecia estar em um surto psicótico, completamente alucinado.
– Me largue Benjamin! Pare! Sou eu, Valentim, seu amigo! — Em vão Valentim tenta-o trazer-lhe a razão, mas nesta altura Benjamin já não escuta mais ninguém, o seu único desejo é impedir o que diz estar prestes a acontecer.
Os dois amigos caem ao chão enroscados um ao outro, Valentim tenta segurá-lo a todo custo, com todas as suas forças, mas percebe que não poderá impedi-lo por muito tempo, então no desespero começa chamar por Prudêncio que desapareceu barranco abaixo. Prudêncio por sua vez está tentando subir no barranco escorregadio, porém está com sua perna ferida pela queda e tem enorme dificuldade em se manter de pé. Exausto Valentim se rende, e larga Benjamin que se levanta e o olha com uma expressão de raiva estampada em seu rosto enquanto busca ar para recuperar o seu fôlego. Então ele volta a olhar para a direção da sua visão, ajoelha-se e começa a chorar copiosamente antes de dizer:
– Eles, aqueles dois demônios, vão degola-las e vocês estão querendo me impedir de salvá-las. — Então num ato de fúria, no exato momento que Prudêncio a muito custo conseguia chegar em cima do barranco se arrastando, Benjamin levanta-se do seu pranto, olha para Valentim que continua deitado de lado, tentando se recompor e investi com fúria na direção do seu amigo que se quer consegue tempo de se defender do chute que recebeu no rosto do seu velho amigo. Prudêncio grita desesperadamente tentando impedir que Benjamin faça o que se desenhava acontecer, mas foi em vão, Valentim agora está atirado ao chão, aparentemente inconsciente, enquanto totalmente desorientado Benjamin corre floresta aos adentro aos berros.
– Valentin! Valentim! Fale comigo, Valentim? — Prudêncio tenta reanimar Valentim que continua deitado ao chão, inconsciente, sem dar nenhum sinal de vida, sua testa sangra devido a um corte profundo do chute desferido por Benjamin. Prudêncio também sente uma dor terrível em sua perna, não sabe ao certo o que foi que aconteceu com ela, pois não parece quebrada, talvez tenha sido da queda, pode apenas ter torcido o joelho, ou algo parecido.
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