Notas iniciais
Essa fanfic terá mais ou menos o tamanho de uma short, talvez com mais capítulos. Também queria dizer que talvez eu não poste toda semana, pois estarei muito ocupada na escola :( Além de ter que me matar em Física.

Ela era uma flor que foi arrancada de seu lar. Ela era apenas uma garota que não entendia direito o que estava acontecendo. Ela era apenas um mero detalhe do meio de uma enorme discussão. Era apenas uma jóia preciosa que fora tão disputada pelos outros. Só. Um rosto belo, uma pele alva e macia, o cheiro de flores.

O agradável aroma que o encantara tanto. Hades sempre fora uma deus sozinho no seu reino, o Submundo. Nunca pensara em ter uma rainha, mesmo com a incômoda insistência de seus irmãos mais novos, que se uniram em matrimônio. Zeus se casara com Hera. Hades se lembrou de rir muito a respeito da notícia: O deus dos céus nunca conseguiria ficar preso a uma só mulher. O seu outro irmão, Poseidon, também se casara. Mas também era muito cômico, pois o deus dos mares era o deus mais malicioso e livre do Olimpo, além de ter uma clara queda pela deusa Atena.

Observando de longe as estúpidas brigas de casais de todos do Olimpo, Hades se sentia muito bem por ser um deus sozinho, muito bem mesmo, obrigado. Porém, tudo mudara quando ele fora passear um pouco pelos campos de sua irmã Deméter (sem ela saber, claro), para esquecer um pouco os problemas do mundo inferior e, se tivesse sorte, achar alguma ninfa bonita para admirar. Caminhava lentamente pela relva verde e macia que se esmagava aos seus pés, a sua capa negra farfalhando na grama e o sol deixando o seu rosto mais pálido do que o normal.

Entrou num bosque claro e bonito, admirando a diversidade de flores e árvores, quando a viu.

Ela era apenas uma garota, com apenas 16 ou 17 anos. Era muito bonita: pele branca como leite, cabelos castanhos escuros ondulados, olhos castanhos cor de chocolate. O sol iluminava seu rosto e fazia seus olhos brilharem. Cheirava as flores e, embora Hades não gostasse muito delas, não podia deixar de admitir que estava encantado pelo aroma doce da deusa. Sim, ele sabia que ela era uma deusa pela aura que a rodeava. Ela estava cuidando das flores que a rodeava, junto com algumas ninfas.

– Else, passe-me a muda de hibisco, por favor — A desconhecida disse. Sua voz era tão leve e delicada como uma brisa de verão e isso inacreditavelmente agradou o senhor dos mortos. Este resolveu ficar invisível e escondido atrás de um grande carvalho, para observar mais sobre a dama que chamara tanto a sua atenção.

– Aqui está, minha senhora. – a ninfa passou uma pequena muda de flores vermelhas para a jovem, que a plantou. Depois, admirou o trabalho.

– Acho que essa dará uma linda planta, senhora. – uma outra ninfa, de pele verde clara e olhos azuis como o céu comentou, observando o local onde a planta estava.

– Também acho, minha querida Chiara. Graças, é claro, a ajuda de vocês!

– Ah, claro que não, minha doce patroa. A senhora certamente sabe que é muito talentosa com botânica. Eu, assim como os outros espíritos da natureza, só estamos aqui para a auxiliar e cuidar para que nada lhe aconteça.

– Vocês também estão aqui para conversar comigo sobre todos aqueles rapazes bonitos com quem se encontram. – A deusa disse, rindo. Hades não pode deixar de sorrir com o som tão doce que lhe chegou aos ouvidos.

As ninfas coraram um pouco envergonhadas, mas também riram. Como era bom ter uma patroa bondosa e amiga como aquela! Ela era tão diferente da mãe, que era controladora e arrogante. Continuaram rindo e ajudando a jovem a plantar os mais variados tipos de flores, por várias horas. E durante todas aquelas horas, Hades ficara ali, observando aquela doce garota a rir com as ninfas e conversar com elas, como se fossem velhas amigas. O sol estava se pondo quando a ninfa Chiara olhou para o céu e disse:

– Minha senhora, penso que já está na hora de irmos. Sua mãe deve estar preocupada com vossa senhoria.

A desconhecida apenas jogara os cabelos para trás e riu de desgosto. Recolheu todas as ferramentas numa bolsa, limpou as mãos no vestido azul e riu.

– Mamãe sempre fica preocupada comigo, caras amigas. Não importa se é quando eu vou plantar ou quando vou dormir. Ah, ela irá me dar uma bronca por sujar o vestido de terra!

E assim saíram, rindo e conversando. Hades tinha a clara intenção de segui-las, mas elas desapareceram em uma névoa verde, típica das ninfas. Agora, o deus dos mortos conseguia refletir sobre o que tinha visto. Passara a tarde,gastando o seu precioso e ocupado tempo, olhando para uma deusa e suas companheiras e ouvindo cada conversa, sem ser percebido. Porém, para ele, aquele tempo não fora desperdiçado. Acabara de conhecer a mais doce dama que existia.

Por quanto tempo ele a olhara, ele nunca descobriu. Só sabia que saiu de lá com a lua iluminando o bosque, com a clara promessa de encontrar aquela deusa novamente.



XooXooXooX

Alguns dias depois, lá estava o deus dos mortos em mais um baile no Olimpo. O motivo deste era a apresentação de uma nova deusa, certa donzela filha de Deméter e Zeus. Ártemis provavelmente deixara a noite maravilhosa para a ocasião: a lua brilhava como aquela noite a cinco dias atrás, quando saiu daquele bosque mais encantado do que nunca esteve. Embora voltasse todos os dias no mesmo horário para observar a moça que tanto lhe encantara, ele nunca mais a encontrara. O único motivo de ir aquele baile era a esperança de encontrar a delicada jovem que conquistara os seus pensamentos, porque o deus dos mortos e Deméter não se suportavam.

Ele entrou pelos grandes portões de ouro do Olimpo, suspirando. Aquela iria ser uma longa noite.

Algum tempo depois de cumprimentar todos os seus parentes olimpianos (Menos Deméter, que não aparecera ainda – Hades supôs que ela devia estar com a filha, dando os últimos reparos em sua aparência) Hades estava sentado em uma cadeira incrustada de pedras preciosas, comum cálice negro cheio de vinho na mão esquerda. Conversava com seus dois irmãos, que também estavam sentados ao lado dele. Poseidon estava sentando em uma cadeira azul de conchas, enquanto Zeus se sentava numa cadeira branca com raios. Estavam na sala do trono, que na ocasião estava sem os tronos dos olimpianos. Havia muitos deuses espalhados no salão, conversando e bebendo. Ninfas serviam todo o tipo de comes e bebes que se podia imaginar. Uma música suave, tocada por alguns músicos, enchia o salão.

– Então, meu irmão? Como vão coisas no oceano e com sua esposa, a bela Anfitrite? – Zeus perguntou para Poseidon.

– Para a primeira pergunta, respondo que tudo está ótimo. Para a segunda, digo que tudo está péssimo. — a expressão do deus dos mares era de desgosto.

– Não está se dando bem com a sua esposa? Mas vocês se casaram a tão pouco tempo! — Zeus comentou.

– Ainda não sei ao certo o verdadeiro motivo de me unir a Anfitrite. Ela só sabe reclamar de tudo e de todos. – Poseidon parecia irritado.

– Hera também faz isso, mas não é motivo de não me dar bem com ela.

– Ah sim, querido irmão. Desde que não esteja traindo ela, está sempre de mãos dadas e demonstrando afeto — Hades disse, reprimindo uma risada. Zeus o olhou indiferente. Ia dizer algo, mas Atena adentrou no salão, e ele saiu apressadamente do seu assento para falar com a filha preferida.

Atena sempre fora bonita, mas naquela noite estava maravilhosa. Usava um vestido azul escuro que ia até os tornozelos, o cabelo loiro trançado com fios de ouro, os olhos azuis reluzindo. Hades olhou para Poseidon e o viu olhando com admiração para a deusa.

– Nunca deixe que Zeus descubra isso. — O deus dos mortos comentou, tirando o irmão do transe.

– Descubra o quê?

– Que você nutre sentimentos pela filha preferida dele.

Poseidon olhou para Atena mais uma vez, e se virou para Hades, comum olhar incrédulo e arrogante.

– Eu? Nutrir sentimentos por aquela... Aquela puxa-saco de Zeus? Aquela que me derrotou na disputa pela cidade que hoje se chama Atenas? A que transformou a minha mais bela companheira em um monstro com cabelos de serpente? Não mesmo!

Hades sabia que tudo aquilo era apenas desculpas para não se rebaixar ao sentimento poderoso e estúpido que se apoderava do seu irmão. Olhou para Afrodite no outro canto do salão, com seus cabelos ruivos caindo pelos seus ombros nus, conversando com Hera e Héstia. Ela deu uma piscadinha para Hades e voltou a conversar. Afrodite provavelmente armara tudo aquilo.

– Certo, tanto faz. Bem, aí está vindo o nosso irmão. — Ele disse indiferente.

– E Hades, por favor! Nenhuma palavra sobre essa sua teoria absurda com Zeus. – Poseidon ordenou.

– Tudo bem, irmão.

Zeus voltou e eles continuaram conversando sobre os mais variados assuntos. Já era quase meia-noite quando Hades viu a sua irmã Deméter entrar no salão, acompanhada por sua filha. O deus dos mortos foi o primeiro a vê-la: uma linda mulher com um vestido rosa claro, com jóias delicadas ornamentando o seu pulso e pescoço, um diadema dourado repousando em seus cabelos ondulados como uma brisa de verão.

Ele não pôde acreditar que aquela linda donzela era a tal filha de Deméter. Desnecessário dizer que se sentiu incrivelmente idiota por não ligar os fatos. Uma deusa, nos campos de Deméter, plantando flores e falando da mãe controladora. Como ele não percebera que ela era a nova deusa? Todos os presentes no salão se viraram para a mãe a filha, encantados com a beleza desta. Hades percebeu o olhar encantado de Hermes, Apolo e Hefesto e sentiu raiva. E então, lentamente, todos os presentes voltaram as suas conversas, menos os três deuses, que ainda olhavam a moça.

“Esses estúpidos pensam que são quem ficar olhando desse jeito para ela?” Mas ele provavelmente também estava olhando-a desse mesmo jeito, senão com mais intensidade.

Zeus a viu também, e imediatamente se levantou de sua cadeira e puxou a bela moça para perto, na intenção de apresentá-la aos seus irmãos.

– Meus queridos irmãos, desejo que conheçam minha doce filha Perséfone, deusa das flores e da vida jovem. Estes são meus irmãos, Poseidon e Hades.

O som do nome dela fez Hades sentir algo estranho, uma sensação totalmente nova e esquisita. Perséfone. Era um belo nome para uma bela deusa. Tanto Poseidon quanto Hades beijaram a mão dela, encantados com a sua beleza. O último demorou um pouco mais do que o necessário no seu cumprimento.

– Muito prazer em conhecê-los, meus saudosos tios. Espero que estejam gostando da festa.

– Sim, nós estamos. Aliás, gostaria de lhe dar as congratulações por tamanha beleza e delicadeza. E claro, lhe desejar um bom começo no Olimpo – Poseidon disse, sorrindo para Perséfone.

– Muito mais do que delicadeza, meu caro irmão. Esta jovem é a personificação da verdadeira beleza perfeita e da própria perfeição. Me daria a honra de uma dança, doce Perséfone? – Hades disse a olhando com admiração. Poseidon e Zeus trocaram olhares significativos.

– Estou tocada pelos ótimos elogios, meus queridos tios. E sim, aceito uma dança com o senhor Hades.

E eles dançaram pelo salão, um olhando nos olhos do outro, ele sentindo o doce cheiro de flores dela e ela absorta em seus olhos negros como a noite. Hades era um deus muito belo, e logo todos do salão estavam olhando eles dançarem. Ele sentia um formigamento estranho em seu ombro esquerdo, aquele que ela colocara as suas delicadas mãos. Também estava com vontade de nunca mais tirar as mãos da cintura dela. Infelizmente a dança acabou rápido demais — para Hades — e ele voltou para o seu lugar, ainda olhando Perséfone, que tinha ido para junto de Deméter. Zeus percebeu isso e disse:

– Vejo que se encantou por minha filha, Hades.

– Encanto é um eufemismo para tamanha admiração que sinto por ela – O deus dos mortos disse, tomando vinho.

– Imagino que esteja reconsiderando aquela afirmação de que nunca iria se casar – Poseidon comentou, pegando uma taça de vinho de uma das ninfas que passavam.

– Sim, meu caro irmão. Porém, devo alerta-lhes de que já vi a doce Perséfone antes, em um dos campos de sua mãe. Não consegui parar de pensar em quando a veria de novo. Já que estamos aqui, gostaria de pedir a mão dela para o pai, meu querido irmão. — Se antes tinha dúvida, agora tinha certeza de que a queria.

Zeus considerou a proposta. Já havia perdido a conta de quantas vezes ele e Poseidon conversaram com o irmão mais velho para achar uma rainha. Agora era a oportunidade perfeita de presentear o irmão e tirá-lo daquela triste solidão.

– Eu lhe concedo a mão de minha filha Perséfone a você, Hades. Agora, tenho que apresentá-la formalmente para todos os presentes. Dêem-me licença.

O deus dos mortos deu um sorriso de extrema felicidade e continuou bebendo vinho, enquanto o irmão mais novo se levantara pela milésima vez naquela noite. Poseidon riu e deu tapinhas nas costas do irmão, congratulando-o.



Notas finais
Espero que tenham gostado, qualquer coisa, review!