Notas iniciais
Okay, já podem me bater. Eu sei que demorei e que o capítulo está curto, diferente do que eu prometi, mas eu acabei querendo dividir em duas partes e assim foi feito. Mas, eu espero que toda aquela enrolação seja compensada nesse capítulo, nem que um pouco. Estou meio que com pressa, por isso as notas ficaram curtas. Boa leitura! (Desculpem por não mandar a imagem do Syo nesse capítulo, fica para o próximo mesmo)

Duas caras.

Essas foram as primeiras palavras que vieram a mente dela para definir o moreno que encontrara na tarde de ontem.

“Ajudar? É sério o que ele disse? Não parecia estar sendo sarcástico. Por acaso ele é louco e não se dá conta do que faz?”

“Botar crianças para ser servas, ou até mesmo escravas, é algo que eu nunca vou aceitar. Não importa quem coloquem contra mim, nunca irei aceitar!”

FLASHBACK:

Uma garotinha perambulava por aquela floresta deserta sem rumo, seus passos eram lentos e ela cambaleava ao andar. Seus pequenos pés de criança tentavam se manter fixos ao chão, seus olhos cor de mel fitavam o chão sem se importar com o que poderia vir na sua frente e ela possuía uma expressão vazia no rosto, como se seu coração nada se contivesse, assim como uma folha em branco.

Mesmo sem poder ver o rosto da loira, Amu podia perceber que lágrimas escorriam pelas bochechas macias dela. O que mais chamou a atenção da rosada foram as correntes que se arrastavam pela neve e ligavam-se às algemas de ferro presas próximas ao tornozelo da pequenina.

– Cuidado –Hinamori disse com uma voz serena, pousando as mãos suavemente sobre os ombros da loira. – O que faz aqui? O que houve contigo?

– Mamãe... –A palavra saia dos lábios dela quase como um sussurro.

– Huh? –Amu tentava compreender, e felizmente conseguiu entender o que a garotinha havia dito a partir da leitura labial.

– Por que você fez isso? Por quê?! Você tinha prometido! –A loira agarrou o vestido cinza de Amu com certa força, ao mesmo que mais lágrimas caiam do rostinho da pequenina, acompanhado de um semblante abatido.

Perplexa.

Essa foi a primeira reação de Amu.

– Acalme-se! Seja quem tenha prometido algo para tu, não fui eu!

– Minha mamãe... –A menina caiu de joelhos no chão, já não suportando o corpo, pois uma febre ardente pesava nela, além da consciência confusa.

FIM DO FLASHBACK

Nee-san... –Ami observava a irmã mais velha que possuía uma expressão de alguém que não teve boas experiências naquele dia, assim a guiando até a cadeira de madeira para que pudesse se sentar.

– Amu –Yaya interveio. –, nos conte o que houve.

A garota de cabelos rosados encarava o chão, para logo depois voltar a atenção para a ruiva à sua frente.

– Desculpe... Eu... Estava perdida em pensamentos – Ela logo mudou de assunto para aquele que devia ser tratado com antecedência: – É o Syo. O levaram, Yaya... Ele irá servir aquele merda do rei!

Tanto Yaya como Ami se surpreenderam com essa resposta.

– Já suponho que não deixarás por assim, não é?

– Não mesmo!

A ruiva se aproximou e acariciou a cabeça de Amu, logo em seguida falando:

– Então vá buscá-lo, Amu. Se tu fosses, eu tenho a certeza de que conseguirás – Com essa ação, Amu sorriu.

– Eu concordo com a Yaya-chan, nee-san.

– Então... –Já se adiantando, Amu levantou-se. – Logo voltarei.

–-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

“Se eu quiser me infiltrar no castelo, tenho de ser discreta.”

Pensou Amu tentando se convencer de que essa era a melhor maneira, o que não era fácil já que as roupas de serviçal que tinha pegado eram um pouco (Lê-se: Muito) apertadas, principalmente no busto.

“Que droga, eu mal consigo respirar direito!”

– Serva... Lucy? –O guarda encarou a rapariga que tinha os cabelos rosados escondidos dentro de um capuz, assim como ela usava esse para poder esconder a face. Amu utilizava vestes simples em tons acinzentados e carregava uma cesta coberta com um pano, como se carregasse algo confidencial lá dentro.

Ela afirmou com a cabeça em resposta, esperando que não suspeitassem, se não teria que partir para um “Plano B” improvisado.

– Pode passar –O guarda permitiu que os portões se abrissem para a entrada da moça, e ao ela passar ao lado dele, completou em um tom de voz malicioso: – Seus seios ficaram bem maiores, Lucy.

– Já pode voltar ao trabalho! –Exclamou Amu, não elevando muito a voz para não ser chamativa, mas sendo o suficiente para que ele ouvisse e ficasse claro que não queria mais papo.

“Caramba... Que guarda tarado!”

Suspirou e absorveu o oxigênio do ar nos pulmões, prosseguindo o seu caminho calmamente e com cuidado, até que escutou os passos de alguém se aproximando, logo se escondendo atrás de uma das paredes e vendo às escondidas quem estava a passar pelos corredores, se alegrando ao saber que uma das pessoas também era o motivo para ter vindo ao castelo. Talvez estivesse se precipitando, mas a vingança era um gosto que ansiava por saborear.

– Está tudo bem com isso, alteza? –Perguntou um garoto que parecia ter mais ou menos a mesma idade que o moreno ao seu lado.

– Tenho muito a pensar ainda.

– O deixarei sozinho então... –Disse o outro logo se separando de Tsukiyomi Ikuto.

Ikuto olhou para os lados como se estivesse verificando algo, adentrando em um corredor com menos claridade, Amu estranhou um pouco por instantes e concluiu que deveria ser onde ficavam os dormitórios.

– Que estranho, ele... –A rosada se perguntava para onde o moreno teria ido, quando foi surpreendida por uma mão que tampou sua boca, abafando seu grito, enquanto a outra mão a puxava pela cintura para dentro de um quarto.

A adolescente tentava se debater, mas o seu corpo estava realmente imobilizado e seus gritos ou berros só seriam mais um insignificante ruído naquele enorme castelo.

– Se tu gritares, não ajudará com a tua fuga despercebida após o resgate.

Novamente tentou se livrar daqueles braços firmes, tendo que apelar para a força bruta dos dentes naquilo que anulava sua voz, conseguindo imediatamente se afastar do moreno que mesmo pelo recente machucado, insistia em não fazer barulho.

– Não precisava fazer isso!

– Precisava. Oh, se precisava! Isso nem é nada comparado ao que mereces. Aliás, como tu sabias qu–

Amu descuidou-se ao achar que não teria nenhum objeto atrás dela, enganando-se e tropeçando, caindo no chão e arrastando o rapaz de olhos azulados ao puxá-lo pela camisa por reflexo.

Ficando por cima da moça e se apoiando no chão, deixando cada uma das mãos de um lado do corpo de Amu, o príncipe encarava os olhos de orbes douradas da adolescente que estavam minimamente arregalados pela surpresa. Apesar da pouca luz do cômodo, a escuridão não era tão intensa para impedi-lo de enxergar, então foi observando cada traço do rosto da rosada, admirando a beleza dela, até que sua atenção foi totalmente tomada pelos seios que estavam levemente amassados. A roupa não ajudava a desviar o olhar, pois estava visivelmente apertada, destacando ainda mais o busto.

“Não posso ser seduzida tão facilmente. Não irei...!”

Pensou Amu, que tentava alertar a si mesma.

“Mas, ele é realmente encantador...”

Naquele momento tão próximo ao corpo daquele homem, a rosada pôde ouvir uma voz, que mais parecia vir do seu subconsciente, dizendo que um tempo precioso havia chegado.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Ah, não sei quando vou mandar a próxima parte, mas pretendo não demorar muito.