A Magia que Para O Tempo
4 IV: Resgate: Parte I
Notas iniciais
Duas caras.
Essas foram as primeiras palavras que vieram a mente dela para definir o moreno que encontrara na tarde de ontem.
“Ajudar? É sério o que ele disse? Não parecia estar sendo sarcástico. Por acaso ele é louco e não se dá conta do que faz?”
“Botar crianças para ser servas, ou até mesmo escravas, é algo que eu nunca vou aceitar. Não importa quem coloquem contra mim, nunca irei aceitar!”
FLASHBACK:
Uma garotinha perambulava por aquela floresta deserta sem rumo, seus passos eram lentos e ela cambaleava ao andar. Seus pequenos pés de criança tentavam se manter fixos ao chão, seus olhos cor de mel fitavam o chão sem se importar com o que poderia vir na sua frente e ela possuía uma expressão vazia no rosto, como se seu coração nada se contivesse, assim como uma folha em branco.
Mesmo sem poder ver o rosto da loira, Amu podia perceber que lágrimas escorriam pelas bochechas macias dela. O que mais chamou a atenção da rosada foram as correntes que se arrastavam pela neve e ligavam-se às algemas de ferro presas próximas ao tornozelo da pequenina.
– Cuidado –Hinamori disse com uma voz serena, pousando as mãos suavemente sobre os ombros da loira. – O que faz aqui? O que houve contigo?
– Mamãe... –A palavra saia dos lábios dela quase como um sussurro.
– Huh? –Amu tentava compreender, e felizmente conseguiu entender o que a garotinha havia dito a partir da leitura labial.
– Por que você fez isso? Por quê?! Você tinha prometido! –A loira agarrou o vestido cinza de Amu com certa força, ao mesmo que mais lágrimas caiam do rostinho da pequenina, acompanhado de um semblante abatido.
Perplexa.
Essa foi a primeira reação de Amu.
– Acalme-se! Seja quem tenha prometido algo para tu, não fui eu!
– Minha mamãe... –A menina caiu de joelhos no chão, já não suportando o corpo, pois uma febre ardente pesava nela, além da consciência confusa.
FIM DO FLASHBACK
– Nee-san... –Ami observava a irmã mais velha que possuía uma expressão de alguém que não teve boas experiências naquele dia, assim a guiando até a cadeira de madeira para que pudesse se sentar.
– Amu –Yaya interveio. –, nos conte o que houve.
A garota de cabelos rosados encarava o chão, para logo depois voltar a atenção para a ruiva à sua frente.
– Desculpe... Eu... Estava perdida em pensamentos – Ela logo mudou de assunto para aquele que devia ser tratado com antecedência: – É o Syo. O levaram, Yaya... Ele irá servir aquele merda do rei!
Tanto Yaya como Ami se surpreenderam com essa resposta.
– Já suponho que não deixarás por assim, não é?
– Não mesmo!
A ruiva se aproximou e acariciou a cabeça de Amu, logo em seguida falando:
– Então vá buscá-lo, Amu. Se tu fosses, eu tenho a certeza de que conseguirás – Com essa ação, Amu sorriu.
– Eu concordo com a Yaya-chan, nee-san.
– Então... –Já se adiantando, Amu levantou-se. – Logo voltarei.
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“Se eu quiser me infiltrar no castelo, tenho de ser discreta.”
Pensou Amu tentando se convencer de que essa era a melhor maneira, o que não era fácil já que as roupas de serviçal que tinha pegado eram um pouco (Lê-se: Muito) apertadas, principalmente no busto.
“Que droga, eu mal consigo respirar direito!”
– Serva... Lucy? –O guarda encarou a rapariga que tinha os cabelos rosados escondidos dentro de um capuz, assim como ela usava esse para poder esconder a face. Amu utilizava vestes simples em tons acinzentados e carregava uma cesta coberta com um pano, como se carregasse algo confidencial lá dentro.
Ela afirmou com a cabeça em resposta, esperando que não suspeitassem, se não teria que partir para um “Plano B” improvisado.
– Pode passar –O guarda permitiu que os portões se abrissem para a entrada da moça, e ao ela passar ao lado dele, completou em um tom de voz malicioso: – Seus seios ficaram bem maiores, Lucy.
– Já pode voltar ao trabalho! –Exclamou Amu, não elevando muito a voz para não ser chamativa, mas sendo o suficiente para que ele ouvisse e ficasse claro que não queria mais papo.
“Caramba... Que guarda tarado!”
Suspirou e absorveu o oxigênio do ar nos pulmões, prosseguindo o seu caminho calmamente e com cuidado, até que escutou os passos de alguém se aproximando, logo se escondendo atrás de uma das paredes e vendo às escondidas quem estava a passar pelos corredores, se alegrando ao saber que uma das pessoas também era o motivo para ter vindo ao castelo. Talvez estivesse se precipitando, mas a vingança era um gosto que ansiava por saborear.
– Está tudo bem com isso, alteza? –Perguntou um garoto que parecia ter mais ou menos a mesma idade que o moreno ao seu lado.
– Tenho muito a pensar ainda.
– O deixarei sozinho então... –Disse o outro logo se separando de Tsukiyomi Ikuto.
Ikuto olhou para os lados como se estivesse verificando algo, adentrando em um corredor com menos claridade, Amu estranhou um pouco por instantes e concluiu que deveria ser onde ficavam os dormitórios.
– Que estranho, ele... –A rosada se perguntava para onde o moreno teria ido, quando foi surpreendida por uma mão que tampou sua boca, abafando seu grito, enquanto a outra mão a puxava pela cintura para dentro de um quarto.
A adolescente tentava se debater, mas o seu corpo estava realmente imobilizado e seus gritos ou berros só seriam mais um insignificante ruído naquele enorme castelo.
– Se tu gritares, não ajudará com a tua fuga despercebida após o resgate.
Novamente tentou se livrar daqueles braços firmes, tendo que apelar para a força bruta dos dentes naquilo que anulava sua voz, conseguindo imediatamente se afastar do moreno que mesmo pelo recente machucado, insistia em não fazer barulho.
– Não precisava fazer isso!
– Precisava. Oh, se precisava! Isso nem é nada comparado ao que mereces. Aliás, como tu sabias qu–
Amu descuidou-se ao achar que não teria nenhum objeto atrás dela, enganando-se e tropeçando, caindo no chão e arrastando o rapaz de olhos azulados ao puxá-lo pela camisa por reflexo.
Ficando por cima da moça e se apoiando no chão, deixando cada uma das mãos de um lado do corpo de Amu, o príncipe encarava os olhos de orbes douradas da adolescente que estavam minimamente arregalados pela surpresa. Apesar da pouca luz do cômodo, a escuridão não era tão intensa para impedi-lo de enxergar, então foi observando cada traço do rosto da rosada, admirando a beleza dela, até que sua atenção foi totalmente tomada pelos seios que estavam levemente amassados. A roupa não ajudava a desviar o olhar, pois estava visivelmente apertada, destacando ainda mais o busto.
“Não posso ser seduzida tão facilmente. Não irei...!”
Pensou Amu, que tentava alertar a si mesma.
“Mas, ele é realmente encantador...”
Naquele momento tão próximo ao corpo daquele homem, a rosada pôde ouvir uma voz, que mais parecia vir do seu subconsciente, dizendo que um tempo precioso havia chegado.
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