Notas iniciais
Eu estou sem tempo, por isso reviso depois, desculpem ;-;Minha amiga está aqui em casa, por isso tive pressa em terminar de escrever esse primeiro capítulo. Agradeço a todos do grupo Portal Shugo Chara pelo apoio o Boa leitura!~

A Magia que Para O Tempo

Capítulo 1 — Na mosca

– Ora, mas que dama esbelta a que eu vejo. Meus olhos se enchem de brilho apenas ao admirá-la – O rapaz da banca diz ao perceber a aproximação de uma garota cuja a cabeleireira era rosada. Ao levantar o seu rosto, podia ver seus olhos dourados tão raros e bonitos quanto a mais polida moeda de ouro.

Pegando uma fruta, a jovem já com a outra mão entregava o dinheiro que equivalia ao seu devido preço.

– Tua simpatia é igualmente maravilhosa, meu senhor.

– O que uma moça como tu almeja neste reino?

– Huh? – A garota balbuciou sem perceber.

Percebendo o motivo da expressão confusa que o rosto da jovem a sua frente mostrava, ele logo completava:

– Não me parece que seja nativa daqui.

– Oh... Pois. – A jovem começava a saciar a sua maçã, ficando de costas para o vendedor e o respondendo após engolir um pedaço da fruta: – Venho com o objetivo de visita.

Antes mesmo que o rapaz pudesse perguntar curiosamente a quem a pequena dama iria visitar, a garota de cabelos rosados foi perdida de sua vista na multidão do comércio.

Não muito longe dali, era possível se ver um formoso castelo¹, desenhado pelo melhor arquiteto de todo o Japão na época.

Diferente de outros monumentos de outros reinos, aquele possuía duas cores que, apenas ao olhar, percebia-se como eram compatíveis. As paredes e os muros tinham a cor mais branca que as mais limpas nuvens, que era colocado junto com um azul Royal. Deixando a aparência mais elegante, alguns lugares eram detalhados com uma pequena linha dourada.

Assim como o azul do castelo, olhos juvenis olhavam pela janela do andar do escritório real buscando pela vista que nunca se cansava de contemplar.

– A obra magnífica iniciada por seus ancestrais não é motivo para tanta ousadia em deixar assuntos importantes de lado. Por Buda, Ikuto! Depois você é quem terá a responsabilidade de comandar isso tudo! Tens um compromisso irrevogável com todo o reino! – O adulto sentado na cadeira parou a leitura dos papéis em sua mão e olhou impaciente para o filho.

– Perdão... Poderia dar-me ao menos a permissão de descansar um pouco? Já li o relatório pedido e também cumpri os deveres de hoje – Abaixou o olhar para o chão, esperando por uma resposta negativa.

Pensando profundamente na proposta, o rei batucava os dedos na escrivaninha. Era possível ver o cansaço de Ikuto. Apenas olhando para o seu rosto normalmente perfeito, viam-se olheiras de trabalho imenso. Martelando a cabeça noites e noites, o garoto já sentia-se exausto.

– O quero antes do badalar do sino no salão principal para a reunião com os chefes dos clãs. – Decidiu, por fim.

Contendo um sorriso com dificuldade, o príncipe caminhou para fora do castelo quase saltitante. Por mais que parecesse exagero, era desgastante passar o dia inteiro preso entre quatro paredes martelando o cérebro para resolver questões, lendo e relendo livros.

– Alteza, aonde vai?

– Ir para a cidade. – Vendo o olhar desconfiado que o guarda lhe lançava, o moreno se sentiu desconfortável – Não apronto mais tanto como quando eu era uma criança ingênua. Se preocupar demasiadamente é desnecessário.

– Perdão, vossa alteza.

Assim que Ikuto assentiu, dizendo que não havia nada de errado feito para ser desculpado, o guarda concedeu a permissão da saída, abrindo as portas do castelo para fora.

– Mando uma carruagem, alteza?

– Sim. – Quase se deixou por perder a postura, pois não tinha nem mesmo pensado em como iria para a cidade. A liberdade que possuía era assim tão escassa?

Observando pela janela da carruagem, o jovem príncipe possuía o mesmo olhar perdido e sonhador, apenas se concentrando na paisagem.

Seu encanto que pertencia à paisagem foi totalmente tomado assim que viu alguém usando uma capa cinza sentado em meio aos campos. Assim como ele, parecia perdido na beleza da natureza. A cabeça estava baixa, a capa escura de tecido roxo, aparentemente de malha, cobria totalmente sua cabeça e seu rosto.

– Pare a carruagem! – Ikuto disse gritou. Seu tom de voz quase não foi alta o suficiente para o cocheiro ouvir. As rodas velhas de madeira passando sobre a estrada de chão produziam um barulho continuo.

Já percebendo a aproximação do garoto, o indivíduo da capa abaixou o rosto. Mas não por ter o intuito de se esconder, e sim de observar os campos ao redor.

O príncipe permanecia atrás do admirador da beleza natural, buscando saber a identidade daquele rosto. Por surpresa de Ikuto, antes mesmo que uma palavra dele pudesse ser dita, o anônimo foi quem começou o diálogo.

– Você cresceu tanto, filho... – O jovem escutou uma voz feminina e que parecia um tanto exausta.

Sentiu seu corpo todo arrepiar. Já começava a sentir o seu suor frio nas mãos instantaneamente, seus olhos se arregalaram ao confirmar o que temia ao ver o rosto da mulher: Olhos em um verde intenso, cabelos azuis tais como o dele.

A mulher tinha exatamente a mesma aparência e a voz que a da mãe.

Não pode evitar em encher seus olhos de lágrimas.

Estava esticando a mão para tocá-la e ir abraçá-la, quando sua cabeça criou uma dor tremenda, fazendo sua visão embaraçar suavemente e, apenas em um piscar, uma imagem desagradável lhe veio à mente: uma criança chorando e gritando em meio a casas pegando fogo. Não era necessário escutar nada para poder ler os lábios do pequeno que chamavam pela mãe.

– Alteza? – O guarda que vinha junto ao príncipe percebeu pela sua expressão de dor que algo não estava bem, portanto logo se aproximou para verificar se tudo estava ocorrendo tranquilamente.

– Tch... – Ikuto colocou uma mão em frente ao seu peito para que se afastasse, enquanto a outra mão fazia uma massagem com os dedos nas têmporas.

Ao conseguir recuperar a compostura, o moreno forçou um sorriso e disse que estava tudo bem, mencionando que era melhor que prosseguissem na estrada.

"Malditas alucinações... Até quando pretendem me atormentar? Desde que o acidente ocorreu, não consigo nem ao menos dormir em paz sem pesadelos" Pensou ele, se sentindo mais cansado que antes.

FLASHBACK:

Do quarto de certo jovem príncipe, saiam serviçais correndo de um lado para o outro, apressadas para realizar a ordem do rei. Após um tempo, acalmaram-se e apenas esperavam que desse tudo certo.

– Como ele está?

– Seu corpo ainda está fraco, a febre permanece e... – O homem fez uma pausa. – Ele se remexe e diz palavras sem sentido enquanto dorme, na maioria das vezes chamando pela mãe.

– Não há nada que eu possa fazer? – A preocupação do rei era visível.

O homem a sua frente sacudiu a cabeça em negação:

– Só podemos esperar a sua melhora com o tempo, porém temo que ele ainda tenha esses sonhos desagradáveis e talvez até venha a alucinar... Ainda é uma criança, e isso é previsível depois de tudo o que aconteceu.

Os olhos do monarca só mostravam mais tristeza e frustração:

– Sim...

FIM DO FLASHBACK

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Chegando à cidade próxima da capital, Ikuto saia da carruagem sentindo uma brisa agradável bater no seu pálido rosto. No caminho ainda se sentiu meio tonto por conta do ocorrido, mas logo se recuperou.

Não precisando de caminhar muito, ele avistou de imediato uma multidão se reunindo perto da praça, onde ele não hesitou em ir, sendo movido pela curiosidade.

– O que está havendo aqui, Lautter? – Perguntou calmamente se aproximando do comerciante já conhecido por ele.

– Há quanto tempo, alteza. Parece-me bem exausto. – O moreno concordou com a cabeça e aguardou a sua resposta. – Estão fazendo uma competição com arco e flecha. Como você já sabe, nosso Kukai adora competir.

– Só ele mesmo... – Soltou um breve suspiro, mas logo recuperou a compostura, estufando o peito- Tenho que comprar ingresso para entrar? – Disse em um tom de ironia.

O comerciante negou com a cabeça, já imaginando o que o jovem príncipe iria aprontar.

– Pois então não irei hesitar em participar. – Disse com um sorriso lateral na face. – Ei, Kukai! – Chamou a atenção do moreno e de todos ao redor, que abriram um espaço para o príncipe.

Kukai, que já ia pegando mais uma flecha e desafiando mais alguém, sorriu ao ver Ikuto.

– Ora, ora. Vejo que nem mesmo preciso me dar ao trabalho de desafiar mais alguém. Se aproxime voluntário.

– Voluntário? Não. Quem é o desafiador aqui sou eu, Kukai.

O garoto que já segurava o arco se deixou escapar uma risada com o comentário do outro.

– Vossa alteza está ousada hoje, pois não?

Não foi preciso muito tempo até que a multidão aumentasse mais e todos que passavam deixavam de prosseguir o que estavam fazendo apenas para observar a disputa. Vendo o olhar desafiador de cada um dos adolescentes, era difícil a prateia prever o vencedor.

– Em quem você aposta? – Três moedas de ouro já estavam na palma da mão de um homem, se dirigindo ao conhecido ao seu lado.

– No Kukai, é claro! O príncipe não tem nenhuma chance com ele, afinal Kukai já pratica caça há um bom tempo e utiliza o arco muito mais freqüentemente.

– Eu aposto no príncipe.

Com um ar orgulhoso, Souma Kukai² foi o iniciante da partida. O vento serene e remansado auxiliava na força que deveria ser colocada no disparo. Suas flechas admiráveis nunca o desapontavam, a sua lâmina na ponta perfurava tudo que havia de ser visto. Sem mais delongas, a primeira flecha foi mirada no alvo – Que consiste em um diagrama de anéis concêntricos graduados de dez a seis a partir do centro, identificado pelas cores amarelo, vermelho e azul. – e acertada bem em seu centro, o que mereceu aplausos sincronizados da maioria plateia, enquanto outros apenas cruzavam seus braços em silêncio e aguardavam o próximo jogador.

Caminhando e ficando em sua posição, Ikuto retirava a sua primeira flecha e a colocava cautelosamente no arco. O arco no qual carregava tinha sido um presente e desde recebido, se recusava a competir aquela modalidade sem estar utilizando o seu arco forjado pelas mãos de melhor atributo de todo o reino. O modo como se posicionava era diferente do outro jogador, e este detalhe foi percebido pelos olhos perspicazes das pessoas.

De modo gracioso, a flecha passou despercebidamente pela visão de todos, somente sendo possível se concluir algo assim que a ponta da lâmina perfurou o ponto + do alvo.

Várias partidas foram feitas, mantendo-se o empate e gastando a paciência de alguns apostadores que estavam quase desistindo daquilo, quando então foi a vez de Kukai jogar e um vento mais forte veio em sua direção no mesmo instante que ia atirando sua flecha. O adolescente sentia que algo não estava certo e com isso sua concentração foi perdida, atirando no ponto branco do alvo e provocando a surpresa de muitos.

– Que negligência da sua parte. Pensava que era melhor que isso, Kukai – O príncipe já guardava a sua flecha e segurava um suspiro de “Finalmente!”.

– Não. Não é isso, Ikuto. Você não sentiu isso? Essa sensação estranha... – Atordoado e ligeiramente Kukai sentia seu pulmão travando. Tentava puxar o ar novamente e se acalmar, mas algo o incomodava

– Se fosse um dia qualquer eu até diria que você está a enlouquecer ou apenas criando desculpas, mas realmente por um instante eu senti um frio na barriga e eu tenho certeza que não era o nervosismo ou ansiedade de perder.

O mancebo de cabelos castanho-claro assentiu com a cabeça, quando seus olhos se arregalaram ao ver uma moça formosa que carregava consigo um relógio de corrente e tinha um sorriso direcionado para ele. Piscou algumas vezes até que aquela figura desapareceu de modo enigmático.

– Acho que estou a ficar louco... – Pôs a palma da mão sobre a testa, indicando que não estava a passar bem.

– Ei, está tudo bem?

– Eu espero que fique...

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Com o corpo relaxado na água morna, Ikuto brincava com a água com a mão, perdido em seus pensamentos. Entre esses pensamentos, se perguntando o que seria aquela sensação estranha de quatro dias atrás.

– As vestimentas da fantasia já estão prontas, vossa alteza – Uma das serviçais entrava no quarto do príncipe, antes batendo na porta e obtendo a permissão para a sua entrada.

Apenas com um roupão por ter acabado de sair da banheira, Ikuto se virou ainda com os cabelos sedosos molhados, assentindo e andando até ela. Parou ao lado da porta quando a moça abriu a boca para falar:

– Estão todos apenas te aguardando.

Notas finais
♥ Obrigado por ler, meus nekos. Agradeceria por comentários, favoritos e acompanhamentos ^3^ ¹ No Japão, na maioria das vezes o sobrenome vem em primeiro lugar. ² Se eu não me engano, na realidade no Japão não existiam castelos, e sim, templos.