A Magia do Submundo

2 Do Normal ao Sobrenatural


Notas iniciais
Hello! Perdão pela demora, aqui está o segundo capítulo! Primeiramente, quero dar alguns avisos: a primeira parte do capítulo foca mais na vida cotidiana do personagem, e depois as coisas vão ocorrendo. Se coisas ficarem confusas, provavelmente serão explicadas no futuro. Espero que gostem ^^

Jason Godren acordou, mas não queria se levantar. Sua vontade era permanecer a vida toda naquela cama confortável, naquele cobertor quente, naquele sono prazeroso. Mas não podia, precisava se levantar. Precisava ir para a escola dali uma hora.
O garoto levantou preguiçosamente. Olhou para seu quarto perfeitamente arrumado, onde acabara deixando suas roupas jogadas e seus calçados no meio do quarto. Na parede, estava pregado um retrato de quatro pessoas. A primeira era o próprio Jason, com seus cabelos castanhos beirando o negro e olhos da mesma cor; no centro deles, um belo rapaz de cabelos e olhos negros como breu ao lado de uma garota de cabelos ruivos e curtos; o último era um garoto de cabelos loiros e olhos esverdeados. Havia uma janela entreaberta. “Eu deixei aberta ontem?”, indagou-se Jason.
Ele levantou-se, trocou de roupa para seu uniforme — uma camisa branca e uma calça preta — e calçou tênis pretos também. Jason foi até a janela e observou, do segundo andar de sua casa, a cidade em que morava. Podia ver Sellon vendendo suas frutas, podia ver o mercado no horizonte.
O Godren balançou a cabeça, focando-se novamente em se arrumar. Foi até a escrivaninha — onde ficava seu computador — e pegou seu celular, guardando-o no bolso. Jason bocejou, tentado a voltar a dormir, mas afungentou esse pensamento, abriu a porta e desceu as escadas.
Primeiramente, fora até o banheiro, lavar o rosto. Quando se olhou no espelho, notou que seu cabelo estava mais bagunçado do que o normal. “Bem, não é como se precisasse me arrumar por alguém, não é?”, pensou ele. Lavou seu rosto, e quando estendeu a mão para pegar a toalha, ela moveu-se, como se um vento súbito tivesse atingido-a. Jason franziu o cenho, e hesitou por longos segundos antes de secar o rosto.
Jason Godren foi até a cozinha e tomou seu café da manhã, logo em seguida voltando ao banheiro para escovar os dentes. Imaginou ter visto a escova voar para sua mão a três centímetros de distância. “Devo estar imaginando coisas…”, pensou ele, assustado.
Agora pronto, o garoto pegou sua mochila. Antes de sair, no entanto, olhou para o segundo andar novamente. “A mãe ainda não acordou…”, pensou ele. “Devo deixar algum bilhete? Imagino que não…”
Jason Godren saiu de casa. Percebera que a rua estava pouco movimentada, o que era comum naquela área da cidade. Poucas pessoas passavam de carro naquele lugar.
Chegando na esquina da casa, havia um carro parado. Jason aproximou-se do carro e entrou no banco do passageiro. O motorista era um homem não muito alto, com olhos azuis, de cabelos negros e bagunçados e uma barba cheia digna de anões de filmes de fantasia, com uma camisa social branca — cujos botões estavam levemente desconfortáveis pela barriga do homem — e uma jeans preta, e estava fumando um cigarro.

— A bela adormecida demorou — resmungou ele.

— Bom dia para você também, tio Duncan — respondeu Jason revirando os olhos.

— Eu tenho horário, garoto.

— Horário para não fazer merda nenhuma? — indagou o rapaz, fingindo curiosidade.

Duncan e Jason riram juntos, e o carro começou a se mover, balançando quando passou por uma pedra na rua. Enquanto Duncan dirigia até o colégio de Jason, o garoto mexia no celular, distraído.

— E então, como vai sua mãe?

— Está bem. Cansada, claro, mas bem. Ontem ficamos assistindo até tarde — comentou Jason. — Ela ainda não acordou. Você deveria vir nos visitar hoje de noite.

— Haha, se sobrar algum tempo — concordou o tio Duncan.

Duncan era irmão do pai de Jason, que morrera havia muito tempo. Ele era a única ligação de Jason com a família de seu pai.
Conversas surgiram e terminaram em grande velocidade, e então eles chegaram no colégio. Uma construção grande de coloração branca, com dois andares. Jason saiu do carro, despediu-se de seu tio e entrou no colégio.
Pôde ver muitas e muitas pessoas andando por aí. Alunos conversavam, iam para a quadra, faziam alguma lição atrasada de uma semana atrás, dentre outras coisas. Jason apenas ignorou todo o barulho na entrada e continuou caminhando. Não havia muitas pessoas que chegassem a reparar em sua presença.
Finalmente encontrou quem queria encontrar. Um garoto de cabelos loiros e olhos verdes, contando piadas para uma garota ruiva de cabelos longos e lisos.

— … e, ao observar o mundo cruel, o pintinho bradou: “ESTOU CHOCADO”.

Jason, ao ouvir a piada, considerou dar meia volta e fingir que não conhecia a dupla, mas pensou nisso tarde demais, pois o loiro já o havia notado.

— Jay, venha cá. Eu estava contando pra Bia a piada do pintinho que nasceu e…

— Eu ouvi, Robb, não precisa repetir aquela barbaridade.

— Mas foi você que me contou ela! — exclamou Robert, indignado. Bianca olhou para Jason, arqueando a sobrancelha.

— Não sei do que ele está falando — comentou Jason, fingindo inocência.

— Você também me contou aquela do ponto marrom no meio do oceano!

— Cale-se, ameba! — rosnou Jason.

Bianca riu, e após um tempo Jason e Robert acompanharam-na. Após pararem de gargalhar como três hienas com problemas mentais, eles respiraram fundo.

— Fez a sua parte do trabalho? — perguntou Robert, semicerrando os olhos para Jason.

— Sim, Robb, eu sempre faço. E sempre fico com a maior parte — murmurou ele.

— Você nunca reclamou — argumentou Bianca, dando de ombros.

O sinal tocou. Jason, Bianca e Robert foram para sua sala de aula. Suas duas primeiras aula eram de biologia. Jason era bom naquela matéria, mas não gostava muito dela — ou, pelo menos, de algumas partes dela. Seu professor era bom, mas extremamente exigente. Por sorte, embora a produção do trabalho tenha sido complicada e meio bagunçada, a apresentação beirou a perfeição — “a piada do pinto que nasceu neste mundo cruel foi a razão de nossa vitória”, alegara Robert ao final da apresentação.
A aula seguinte prosseguiu com outras duas apresentações, nenhuma tão boa quanto a do trio.
Na terceira aula Jason já estava levemente entediado, e começou a pensar nas coisas estranhas que ocorreram naquela manhã, mas quanto mais pensava naquilo, mais provável parecia que aquilo fosse apenas sua imaginação. Afinal, como aquilo teria acontecido? Por quê?

— Jason, algum problema? — sussurrou Bianca ao seu lado. O rapaz levou um susto.

— Bia, o que foi?

— Bem, você está aí olhando pro nada faz uns cinco minutos.

Jason forçou um sorriso e voltou sua atenção para a aula. Não havia motivo para ocupar sua cabeça com pensamentos inúteis.
Quando o sinal do intervalo tocou, Jason, como sempre, esperou a maioria da turma sair antes de finalmente deixar a sala. Resolveu ir até o refeitório. No caminho, voltou para a companhia de Bianca e Robert.

— Vinte e cinco questões — reclamava Robert, indignado. — Como se não tivéssemos lição de casa suficiente para uma vida.

— Acho que você só está reclamando porque não sabe de nada — comentou Bianca inocentemente.

— Você é cruel, Bia.

Jason sorriu minimamente. Enquanto andava ao lado de seus amigos, sentiu algo estranho. No momento em que o Godren parou, foi como se uma sensação ruim tivesse tomado conta dele. Jason olhou para todos os lados, ciente de que Bia e Robb o encaravam com um olhar estranho. Mesmo assim, o rapaz não podia simplesmente ignorar aquilo.
Subitamente, a sensação desapareceu. O coração de Jason estava acelerado. O que fora aquilo? Não podia ter sido coisa de sua cabeça.

— Jay… Você bebeu? Ficou louco? Foi atropelado por um caracol?

— Robb, às vezes acho que você fala demais. Mas ele tá certo, Jay — pronunciou-se Bianca, preocupada. — Você está bem?

— Sim, sim — disse Jason, sem dar muita atenção.

— Sério?

— Sério, eu tô bem. Só… não dormi direito — mentiu ele descaradamente.

A garota concordou, mas ainda estava pensativa em relação aquilo. Mas não tanto quanto o próprio Jason.
O resto do dia passou normal. Aulas, lições de casa, piadas de Robert que causavam vergonha alheia, etc. Quando as aulas terminaram, Jason despediu-se de Robb e Bia.

— E vê se entra no jogo hoje — comentou Robert. — A party não é a mesma sem o nosso feiticeiro favorito. Ainda mais na parte em que estamos.

— Pode deixar.

Jason então sentou-se no banco próximo ao muro do colégio, enquanto Bia e Robb iam para casa. Passados uns cinco minutos, um carro vermelho chegou e estacionou na frente de Jason. O Godren entrou no carro e beijou sua mãe.
Selena possuía os cabelos do filho, mas seus olhos eram azuis como a superfície de um lago limpo.

— Chegou cedo hoje — comentou Jason. — Na verdade, pensei que o tio Duncan ia me buscar hoje.

— E ele ia, mas teve que resolver alguns assuntos — informou Selena. — Por sorte, eu pude deixar o trabalho com uma amiga e vim aqui te buscar.

Jason nunca soubera qual era a profissão de sua mãe. Ela nunca lhe falou, e aos poucos ele entendera que não deveria perguntar. Duncan sabia, mas seus esforços de tirar a verdade do tio não deram maiores resultados do que com sua mãe.
No caminho — que demorava cerca de vinte minutos —, Selena abordou-o com as perguntas habituais que não ocorriam quando Duncan ia lhe buscar. “Como foi o dia hoje?”; “Qual foi o lanche?”; “Apareceu algum super-herói montado em um dinossauro de armadura?”
Quando chegaram em casa, Selena despediu-se de Jason.

— Ainda tenho muito o que fazer — ela disse, desculpando-se. — A casa é sua, então quero ela inteira quando eu voltar. Não queime ela e não dê festas.

— Eu? Dar festas? É mais provável surgir o dinossauro mesmo.

— Tem razão — concordou Selena dando risada. — Ah, outra coisa: o tio Duncan vem aqui em casa mais tarde. Talvez eu demore um pouco mais, vou comprar algumas coisas.

— Certo. — Ficou na porta de casa, observando o carro de sua mãe desaparecendo na esquina.

*

Havia duas horas que Jason estava sozinho. Já comeu, já terminara a lição de casa e agora subiu novamente para seu quarto. Mudando de ideia, tomou um banho antes.
Após comer, estudar e tomar banho, sentou-se em frente ao computador. Ligou-o e entrou no jogo. Notara que Bia e Robb já estavam prontos.

— Cheguei — anunciou ele.

— Que bom, “Azrael”.

— “Zorys”, “Flare”, para onde vamos? — perguntou Jason (Azrael).

— Estamos entrando no castelo da lua, depois de tanto tempo — informou Bianca (Flare).

— A Bia me ajudou a conseguir o Arco de Milva — comentou Robert (Zorys). — Agora nós dois temos equipamentos lendários. Você pegou a fonte arcana lá na Cidadela?

— Sim — disse Jason. — Acho que estamos prontos para zerar esse jogo.

Assim, o Lorde Feiticeiro Azrael, o Arqueiro Celestial Zorys e a Cavaleira do Dragão Flare adentraram o castelo da lua. Após enfrentarem goblins, homens-lagartos e até mortos-vivos, finalmente chegaram na batalha final.
O dragão negro Aveiratonnard e os três heróis lutaram. Feitiços de fogo, raio e invocação; golpes de espada e habilidades extravagantes; flechas de vários tipos e em alta velocidade. Após mais de uma hora e meia desde que entraram no castelo, finalmente, com um golpe da espada Uivo de Platina de Flare, o grande dragão foi derrotado e morto.

— Isso! Porra! Esse bicho enche nosso saco faz uns dois anos! — gritava Robb, realmente empolgado.

Jason pensava em outra coisa. Já haviam chegado naquele castelo uma vez, um ano antes, com Owen. Mas haviam fracassado. “E, depois daquele acidente, tivemos que fazer isso sem ele…”, pensou Jason, com os olhos lacrimejando.
Ficaram no jogo por mais algum tempo até Jay desligar o computador e sentar na cama. Não sabia o que fazer agora. Já havia lido todos os livros que tinha. Talvez fosse estudar um pouco, ou talvez simplesmente deitasse e dormisse.
Olhou para o relógio na parede — 15:48 — e decidiu estudar um pouco. Foi neste exato momento que ouviu algo. Um barulho. Estranhando o fato de ter vindo justamente do quintal de sua casa, Jason desceu as escadas. Caminhou cuidadosamente até a porta dos fundos, mas quando olhou pelo vidro na porta não viu nada. Nem ninguém.

— Eu não posso estar imaginando isso tudo — disse ele para si mesmo.

Olhou para a pia e localizou uma faca. Inseguro, pegou o instrumento e saiu para os fundos. A grama não parecia especialmente danificada e tudo parecia em ordem. “Eu realmente serei a clássica pessoa dos filmes de terror que resolve explorar o barulho sozinho?”
Tirou seu celular e mandou a mesma mensagem para Robert, Bianca, Selena e Duncan. “Estou indo investigar o clássico barulho de filmes de terror aqui nos fundos. Se eu morrer, foi um serial killer ou algum monstro sobrenatural aleatório.”
Assim, o garoto caminhou pela grama, mas não viu nada. Entretanto Jason ouviu um rosnado e, assim que o garoto se virou, lá estava o responsável pelo barulho. No momento em que o viu, seu coração pulou uma batida e ele quase largou a faca — embora não tivesse certeza se ela lhe teria utilidade.
O que estava no telhado de sua casa era algo que Jason nunca havia visto. A estrutura daquela criatura assemelhava-se a um cão, grande e magro. Não possuía pelos, apenas pele — esta branca como leite —, onde era possível ver suas costelas. Os olhos da criatura eram poços vermelhos e brilhantes, e suas presas da mandíbula superior projetavam-se para fora da boca.
Jason Godren olhou aquela coisa no telhado, mas forçou-se a pensar o mais racionalmente que conseguia. Ele olhou para a porta que dava acesso à casa, esta que ele deixara aberta quando saiu.
O garoto deu passos lentos e cuidadosos na direção da porta, reproduzindo a cena que esperava que iria se desenrolar em sua mente. Quando notou um movimento um pouco mais brusco da criatura, disparou na direção da porta. No mesmo instante, aquele monstro com a forma de um cão cadavérico pulou em sua direção.
Jason estava à frente, então conseguiu subir os quatro degraus que davam para a porta. Quando o cão começou a subir — em uma velocidade assustadora, diga-se de passagem —, Jason fechou a porta com força e trancou-a. A criatura bateu com o corpo na porta, e Jason temeu que o impacto fosse derrubá-la.
Não derrubou, e Jason saiu correndo. Passou pela cozinha e pela sala e saiu pela porta da frente. O jovem correu o mais rápido que conseguia, notando, sem dar especial atenção, que não havia ninguém na rua ou na calçada, nenhum carro, nem mesmo ouvia qualquer som — exceto, talvez, pelos sons que vinham de sua própria casa.
Quando passou pela esquina e atravessou a rua (isso sem cuidado nenhum), ouviu um estrondo atrás de si. Quando, ainda correndo, olhou para trás, viu o cão cadavérico sair de dentro de sua casa. A criatura farejou o ar e então se virou para Jason e “latiu”. O rapaz estava a vários metros de distância, mas suspeitava que seriam necessários segundos para que aquela coisa o alcançasse.
O que era aquela criatura? Como foi parar em sua casa? Estava atrás dele, ou foi uma coincidência trágica? Não importava, nada importava exceto correr.
Enquanto corria, ouvia os passos desesperados da criatura aproximando-se dele. Jason localizou um beco, e então entrou nele sem pensar. Por sorte, não era um beco sem saída. Ele correu ainda mais rápido e começou a escalar a grade. Quando alcançou o outro lado, viu a criatura parar derrapando na entrada do beco. O rapaz começou a descer, desesperado, enquanto a criatura aproximava-se, rosnando e liberando latidos estranhos.
Quando o cão monstruoso estava chegando, Jason pulou da grade para o chão e tornou a fugir. Mal havia saído do beco quando o cão escalou a grade com facilidade assustadora e voltou a persegui-lo.
“Não vou conseguir fugir”, constatou ele, com o medo esmagando seu coração e afetando sua mente. Apertando o punho, lembrou-se que ainda poderia usar a faca para tentar lutar. “Haha, como se eu tivesse alguma chance.”
Continuou a correr até finalmente dar de cara com uma parede. Quando virou-se para fugir, viu o cão branco e magro, seus olhos encontraram o poço vermelho do cão.

— Tsc. Nunca pensei que ia morrer assim — disse ele em um lamento.

O cão avançou. Jason via-o correndo em sua direção, e finalmente pôde notar que o monstro era mais rápido do que ele próprio podia acompanhar. Uma ideia formulava-se rapidamente na mente do jovem.
No momento em que o cão pulou contra ele, Jason rolou para o lado. O que ele não imaginara era que ficaria um pouco tonto quando se levantou, perdendo a oportunidade de atacar o monstro.
Mas o cão não perdeu a oportunidade, e pulou novamente contra Jason, abocanhando seu tornozelo. Jason chutou o cão, e o monstro voltou a atacar, mirando seu rosto. O garoto conseguiu segurar o focinho do cão monstruoso, mas a besta balançava-se com ferocidade, tentando alcançar o rosto de Jason.
Jason finalmente conseguiu segurar a faca com firmeza. Chutou o cão, e enfiou a faca em um de seus olhos, logo em seguida retirando a faca e enfiando-a em diversas partes do cão monstruoso. A criatura uivou e saiu de cima de Jason, mas não correra nem cinco metros antes de tombar no chão, morta.
Jason enconstou-se na parede de tijolos e respirou fundo. Quando começou a pensar no que havia acontecido, ouviu mais barulhos à sua frente. Assim que olhou, viu mais cães cadavéricos. Dezenas e mais dezenas daquelas criaturas.
O garoto olhou para os dois lados da rua, onde várias daquelas criaturas preenchiam a rua. Percebera que todas as suas possíveis saídas estavam bloqueadas. Jason apenas observou conforme aquelas criaturas se aproximavam.
No momento em que elas estavam a menos de dez metros dele, aproximando-se lentamente, Jason fechou os olhos, esperando o ataque.
Mas este não veio.
Quando Jason abriu os olhos, Duncan estava logo na sua frente, entre ele e os cães cadavéricos.

— Tio Duncan?! — exclamou o garoto, estupefato.

Duncan moveu a mão para trás, e um buraco se abriu na parede de tijolos, direcionando o caminho até a floresta que fazia fronteira com aquela área da cidade.

— Sem perguntas! Vá logo, eu alcanço você depois!

— Mas…

— Vá! — rosnou Duncan.

Jason assentiu e saiu correndo, passando pelo buraco na parede e indo até a floresta.
Duncan olhou para os demônios com desprezo.

— Saiam daqui! — ordenou ele, mas não obteve resposta. Então Duncan sorriu de canto. — Muito bem, suas cadelinhas malditas. Deixem-me mostrar que quando eu mando fazerem algo, vocês obedecem.

Dois cães infernais pularam na direção de Duncan, mas com um simples olhar do homem ambos explodiram em chamas. Ele olhou rapidamente para o limitador tatuado em seu pulso.
“Não posso tirar isso aqui”, decidiu Duncan. “E também não preciso. Não para acabar com esses cachorrinhos inúteis.”
Duncan então gargalhou e olhou para os cães infernais.

— Venham todos juntos.

E assim os cães fizeram.

*

Jason cambaleava, alternando entre uma corrida apressada e passos cuidadosos. A floresta, como era de se esperar, era cheia de folhas, galhos e pedras espalhados pelo chão, o que dificultava o movimento. Além disso, a mordida daquele cão ardia e ele parecia mais fraco a cada passo. Mesmo assim, Jason não ousava se demorar demais.
Enquanto andava, também pensava nos acontecimentos anteriores, e no seu tio Duncan. Seria ele um covarde por abandonar seu tio? Duncan poderia matar todos aqueles monstros? “Eu matei um com uma faca. O tio Duncan abriu um buraco na parede só apontando para ela”, relembrou ele. Como seu tio fizera aquilo era algo que ele não queria pensar no momento. Quando aquilo terminasse, perguntaria para ele.
Mas como Duncan o havia encontrado? Não, aquilo não importava. O importante era se distanciar o máximo possível. Se seu tio o achara uma vez, acharia de novo.
Já estava bem mais fundo na floresta quando aquilo ocorreu.
Jason estava ficando cansado, ofegante e com sede, mas não ousaria reclamar disso naquele momento. Decidiu parar por um momento, apenas para recuperar o fôlego. Foi nesse momento que ouviu um barulho vindo do seu lado direito.
Quando Jason olhou, uma dúzia daqueles cães com aspecto de cadáver surgiram em sua visão, rosnando e se aproximando lentamente. O Godren foi se afastando com passos cuidadosos, tentando não tropeçar nem realizar movimentos bruscos. Finalmente bateu com as costas em uma árvore.
Foi aí que os cães atacaram.
A visão de Jason começou a escurecer, e seu corpo a enfraquecer. Quando o primeiro cão cadavérico saltou em sua direção, Jason sentiu algo pingar em seu rosto. Algo líquido.
Então, desmaiou.

*

Havia uma construção alta, talvez um apartamento, próximo ao local onde Duncan confrontava os cães infernais. Acima dessa construção, sentado na borda do terraço, estava uma figura encapuzada com uma túnica preta e uma máscara.
O mascarado encarou a luta entre Duncan e os cães infernais, e então olhou para a floresta. Sorriu por baixo da máscara.

— Bem, ainda não é hora. Mas logo nos encontraremos novamente, príncipe demônio.

Levantou-se, deu as costas à batalha e sumiu com o vento, limpando qualquer vestígio de sua presença.

Notas finais
E então, gostaram? As coisas estranhas acontecem e, depois de ir jogar um RPG aleatório, boom! Cão infernal kkkkk. Quem será esse mascarado? Quem é o "príncipe demônio"? O que o Duncan e o Jason têm a ver com tudo isso? Tam tam taaaaam