— Então, Harry. De quem vocês falavam? – Pergunto, embora eu já saiba a resposta.

— Francis! – Diz ele enquanto fazia uma careta. – Ele estuda na mesma faculdade que o Duda.

— E como o conheceu? – Estou curiosa, admito.

— Ah, uma festa lá da faculdade mesmo. Os calouros ganharam convite e poderiam levar uma companhia. Eu fui com Duda. – Diz enquanto colocava o mousse no congelador e depois virou e recostou-se na bancada olhando pra mim. – Era uma festa pros calouros, sabe? Mas isso não impedia os veteranos de irem também. Francis é veterano de Medicina. Ele vai começar o ultimo semestre agora.

— Hum, médico. É uma bela profissão. – Comento impressionada.

— Sim, sim. Bom, voltando ao assunto. – Diz rindo de leve. – Assim que chegamos à festa, Duda me arrastou para o bar é claro. Aquele lá adora uma boa bebida. Sentamos na ponta do balcão enquanto bebíamos algo que não me lembro mais o que era. Passados alguns minutos, eles chegaram. Os veteranos de Medicina. Eram sete rapazes e três moças. Sabe aqueles tipos que você olha e diz que são atores de series americanas? Lindos de matar. – Diz ele rindo mais alto agora. – Pareciam até uma pintura de tão bonitos.

— Ah, sei sim. E como sei. – Digo rindo junto a Mione que estava ao meu lado ainda. Rony fez um bico enorme e ficou lá emburrado quando Mione concordou conosco.

— Pois foi o que vi quando olhei pra eles. Como eu já tinha deixado claro ao Duda que não sairia daquele balcão pra o ouvir falar de coisas que não entendo, ele só os cumprimentou de longe e ficou lá comigo, já que eu ameacei de ir embora se ele se quer pensasse em me deixar sozinho em algum momento no meio de gente que não conheço.

Nesse momento ele olha para a porta e fala algo em ofidioglossia pouco antes que eu pudesse ver Nagi rastejando até ele e subindo em seu colo. Ele murmura algo mais com uma cara de preocupado.

— Algum problema? –Rony pergunta.

— Ela disse que o Draco tá no quarto do Duda e que saiu do quarto da Val com uma cara estranha. Eu devo me preocupar? – Pergunta olhando pra mim enquanto ajeitava Nagi em seus ombros.

— Não, ele estava com um mau humor do cão agora a pouco, mas dei chocolate branco pra ele. – Digo tranquilamente.

— Chocolate branco? – Pergunta Harry com uma das sobrancelhas arqueadas e um sorriso divertido nos lábios.

— É chocolate branco o deixa docinho, docinho.

— Bom saber. – Diz enquanto lambia os lábios.

— Enfim, continue a contar. Por favor.

— Ok, ok. Onde parei mesmo? – Diz coçando a cabeça em duvida. – Ah, sim. Lembrei. Continuando... Depois de uns minutos que mais pareceram horas pra mim, por que aquilo lá estava muito chato, as meninas do grupo deles escolheram um dos meninos e os arrastaram pra pista de dança. Dos quatro que ficaram dois foram “a caça”. Dois ficaram no balcão conversando, Fernando e Francis. Claro que dei uma boa olhada e o tal Fernando me chamou a atenção, mas ele era obviamente hetero. Sem contar que tinha uma aliança dourada no dedo que ele não fazia questão alguma de esconder. Trágico. – Diz balançando a cabeça de um lado pro outro enquanto estalava a língua. Eu claro, só dou risada.

— E porque ele chamou tanto a sua atenção?

— Ah, Val. Isso não importa né. – Diz desviando o olhar pra baixo enquanto acariciava as escamas de Nagi e suas bochechas se tingiam de vermelho vivo.

— Loiro de olhos azuis. – Sussurra Mione no meu ouvido e não precisou de mais nada pra que eu percebesse o que chamou a atenção.

— Enfim... – Ele gagueja um pouco e retoma sua narrativa enquanto eu sorria achando fofo. – Eu fiquei observando a pista enquanto falava com Duda sobre coisas aleatórias e depois de um tempo ele me cutucou e disse que o Francis não tirava os olhos de cima de mim. Quando olhei pra ele, no mesmo segundo ele abriu um daqueles sorrisos que só aqueles galãs de novela sabem fazem, sabe? Ele levantou, deu um tapinha nas costas no Fernando, disse algo que o fez olhar pra mim e virar de novo pra frente dando um “soquinho” no ombro do Francis antes de levantar e sair de lá. Aí ele veio né, quase desfilando numa passarela. Chegou, cumprimentou Duda e perguntou como me chamava. Desde esse momento ele não sai do meu pé por nada. E olhe que já tentei de tudo um pouco. Acredita que até um balde d’agua eu já joguei nele e o cara só foi em casa se trocar e voltou pra me importunar de novo? – Terminar ele com uma expressão indignada no rosto.

— Meu Deus! – Digo rindo alto. – Harry, você tá muito ferrado, amigo. Muito mesmo. – Digo rindo ainda mais.

— Isso, ria da minha desgraça mesmo.

— Desculpe Harry. – Diz tentando parar de rir.

— Tá bom, já chega. – Diz irritado se levantando e indo na direção das escadas segurando Nagi firmemente.

— Aonde vai? — Rony pergunta ainda tentando respirar normalmente.

— Vou verificar se aqueles dois ainda não se mataram lá em cima.

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Entrando em seu quarto pela primeira vez, pude reparar melhor agora na decoração. É algo bem simples, cama, cômoda, uma poltrona no canto perto da janela. A janela tem uma vista para o jardim da casa, pude notar ao chegar ate ela e começar a observar melhor lá fora. Já faz alguns anos que não vinha até a casa dos Black, mesmo sendo da família, minha mãe não se dava muito bem com a Tia Walburga. Por esse motivo, das poucas vezes em que vim ate a casa Black, eu vim acompanhado da Tia Andrômeda. Enfim, foco Draco. Não é isso que você deveria estar pensando no momento. Não é hora pra relembrar.

Viro novamente pra Duda que ainda está grudado na porta, parece que vai sair correndo com o mínimo movimento brusco que eu fizer. Odeio admitir, mas Val estava certa. Eu assustei o garoto.

— Você está bem? – Pergunto andando ate sua cama e me sentando na beira do colchão.

— Sim! – Diz ele gaguejando um pouco. Se não estivesse jogando aquele fulaninho pra cima do meu Harry, eu ate diria que o rapaz é fofo. Enfim, foco Draco. Foco.

— Cara, relaxe. Não vou matar você. – Embora esteja merecendo um pouco de dor. Murmuro baixo, mas pela cara de pânico do coitado, ele ouviu. – Olha, senta aqui e se acalma. Não vou fazer nada. Tá bem?

— Tá. – Diz andando lentamente ate a cama e sentando encostado na cabeceira quase se fundindo a ela. Abraçando suas pernas encolhidas enquanto rodava seu olhar por todos os cantos daquele quarto, menos em mim. Precisa disso tudo? Credo. Não sou um monstro não.

— Olha... – Sento-me mais pro meio do colchão, ainda nos pés da cama, e cruzo minhas pernas pra ficar mais fácil de equilibrar meu corpo naquele colchão fofo e sem nada pra me apoiar. — ... Eu não sou conhecido por ter uma paciência longa e enrolar pra dizer o que preciso, então serei direto ok? – Pergunta retorica claro, mas ele balança a cabeça em afirmação. – Eu vim pra me desculpar pelo modo como falei com você ainda há pouco. Acho que ficou obvio que não estava de bom humor. Embora a culpa seja em parte sua.

— Minha? Por q...

— Ora não se faça de bobo. Eu sei que você sabe. – Digo sentindo minhas bochechas esquentarem. – E sei que você me viu lá fora antes de atender aquele celular. Só não entendo por que me provoca tanto. Primeiro no café, agora isso... Por quê?

— Desculpe... – Diz desviando o olhar ate suas mãos. – Eu só... Só queria saber se você gostava dele, como aparentou no café àquela hora.

— Acho que a resposta esta obvia agora. Só por favor, pare de usar aquele fulaninho pra me deixar com ciúme, isso está me irritando e acredite você não quer me ver irritado, capiche?

— Sim, Senhor! Olha, desculpe pelo Franc...

— Não pronuncie esse nome na minha presença, obrigado. – Digo irritado só de ouvir esse maldito nome.

— Ok, desculpe pelo que ele disse. Ele geralmente não fala essas coisas quando sabe que eu estou ouvindo. Eu não sei por que ele disse hoje. Talvez tenha se esquecido de que eu estava ali também.

— Não gostei do modo dele falar, parece que não sabe aceitar uma negativa. – Faço uma careta só de lembrar tamanha insistência.

— E não aceita mesmo. Sabe aquele tipo de cara, pegador e bonitão? – Afirmo com um balançar de cabeça. – É ele. Está acostumado a ter tudo e todos aos seus pés devido a sua beleza e porte físico. Que cá entre nós, o cara é bonito mesmo. Nem eu nego isso. – Solto um suspiro desanimado. – Ele não tá acostumado a levar “foras”. Harry, até onde eu sei, foi o primeiro a fazer isso. Nunca achei que ele gostasse mesmo do meu primo. Tá mais pra obsessão em tê-lo, só pra provar que ele ainda pode ter tudo que quer. — Merlin queira que eu nunca esbarre com esse cara por aí. Serio.

— Mas, se o Harry não tem interesse algum nesse fulaninho porque ele guardou o urso que ele deu?

— Ele guardou? – Pergunta com uma expressão confusa. Eu aceno um sim com a cabeça pra ele. – Não... Não acredito que tenha guardado. No máximo ele jogou em algum canto e esqueceu que aquilo existia. Até porque já faz muito tempo isso, e quando ele recebeu aquele urso se eu n estou enganado, ele ajudava na reconstrução da sua escola. Eu aposto que ele definitivamente esqueceu-se daquela coisa.

— Mas e se não for isso? E se... – Batidas na porta interrompem sua frase, no segundo seguinte uma brecha é aberta e por ela passa uma cabeça com cabelos espetados.

— Ainda estão com todos os membros? – Pergunta Harry com um sorriso divertido ao olhar pra gente.

— Aparentemente sim. – Digo sorrindo também.

— Ótimo, enquanto subia as escadas eu estava pensando se vocês não topariam tomar sorvete. Naquela sorveteria que tem em Surrey, daquela senhorinha simpática...

— Dona Zizi. Lembro, faz uns meses que não vou lá.

— Pois é então... Topam? – Diz com os olhos brilhando, como negar algo a esses olhos lindos?

— Por mim tudo bem. – Digo levantando e caminhando pra fora do quarto.

— Onde vai? – Pergunta Harry olhando pra mim.

— Ver se você tem algo que não seja tão cafona e que me sirva. Caso contrário, vou ter que diminuir alguma roupa sua. Você tem shorts né? Não da pra sair de calças nesse calor não. – Falo tudo enquanto saio e nem espero resposta.

Volto ao quarto dele e abro o guarda roupas, reviro algumas roupas ate achar um short, visto pra experimentar e claro, ficou enorme. Vou ter que diminuir um pouco na largura e no comprimento. Um floreio de varinha e virou um shortinho curto.

— Será que tá curto demais assim?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.