A Magia do Amor
4 Um desejo consumado
Notas iniciais
Com certa dificuldade para levantar, Camus se pôs de pé e se aproximou do escorpiano detendo-se entre suas pernas. Um leve tremor se espalhou pelas costas de Milo que o observou em um silêncio doloroso. Logo, os joelhos do francês cederam por conta de um súbito espasmo e foram de encontro ao chão.
Mirando as íris cor de avelã com nítida preocupação, Milo as considerou por alguns segundos. Não havia raiva ou reprovação implícita por conta do que tinha feito, ao contrário, o aquariano parecia querer devorá-lo. Chocado com essa constatação, ele esperava outra reação do amigo como um soco no nariz ou um chute numa região sensível, então já havia se preparado psicologicamente para isso.
Abaixo dele, os olhos de Camus que transmitiam um estranho fascínio e excitação brilharam ainda mais ao encontrar os azuis do escorpiano. Um tanto quanto perdido e atordoado, o grego sentiu-se quente de repente, ele mal poderia colocar em palavras o quão irreal e confuso aquele momento se tornou. Com sucesso a poção feita por Afrodite se provou muito eficaz; assim que o francês foi beijado pelo outro uma conexão intensa foi criada e ele havia sido cativado definitivamente. Camus era capaz de enxergar uma aura ardente e sedutora ao redor de Milo que o atraia mais e mais para perto dele.
Como um grande felino seu movimento seguinte foi sutil e ousado ao mesmo tempo, o aquariano pressionou as coxas fortes do loiro as usando como apoio para içar seu próprio corpo e escalar para o topo do corpo de Milo. Sentando em seu colo confortavelmente ele o puxou para perto e sussurrou uma ou duas frases em sua língua materna.
O grego por sua vez não entendeu nenhuma delas, mas a entonação sensual e o hálito quente em sua orelha eriçaram todos os seus pelos.
— O que isso quer dizer, Camus? Está bêbado ou algo assim? — Agitado, ele questionou desviando o olhar do ruivo para sua metade de inferior que já começara a latejar. — Pare com isso, você não está no seu normal.
— E você está? Algo embaixo de mim diz que não... — propositalmente, Camus ondulou o quadril sob Milo e este parecia suar como se estivesse debaixo do sol escaldante de 40 graus.
— Pare de brincar comigo — o tom do grego soava como um alerta. — Se afaste agora ou...
— Ou?
— Eu não vou me segurar.
— Não tenho intenção de parar e também... Quem está dizendo para você se segurar? — murmurou entorpecido, encarando os lábios do escorpiano que pareciam mais tentadores do que costumava lembrar — Você me beijou e me provocou primeiro, não lembra? Meu corpo está queimando por sua causa, não vai fazer algo a respeito?
— Camus... Eu falo sério.
Os braços se enlaçaram no pescoço do escorpiano que respirava pesadamente abalado pela proximidade e pelo comportamento do amigo, não conseguia e nem poderia se afastar ao vê-lo daquele jeito tão incomum e desinibido. Era difícil de acreditar, mas a sua fantasia mais profunda estava prestes a se concretizar.
— Je te veux maintenant... (Eu quero você agora)
Naquele momento o desejo falou mais alto que dúvida e Milo só pôde se entregar ao seu anseio mais sincero. Ele o puxou para um beijo repleto de luxúria e volúpia, agarrando os fios escarlates de forma possessiva arrancando um gemido longo de Camus. As mãos buscaram de forma urgente os botões da camisa de linho, estourando um por um para ter acesso à pele clara que ardia em chamas. Separaram-se sôfregos e sem ar trocando um olhar cúmplice cheio de duplos significados. O aquariano buscou apoio sobre o peito de Milo, sem forças para se sustentar estava à mercê daquela febre que só poderia ser aplacada pelo grego.
“Isso não pode ser real”...
Este era o único pensamento que preenchia a mente de Milo e fazia sua cabeça girar. Havia algo errado, aquele não era seu amigo frio e reservado, Camus jamais agiria de tal forma. Por dois anos o escorpiano usou de toda sua criatividade para lhe enviar sinais sutis e não tão sutis de seu amor, na esperança de que ele pudesse compreendê-lo, mas o aquariano nunca demonstrou interesse.
Na verdade, Camus nunca captou estes sinais.
Ele precisava pará-lo e questioná-lo sobre isso, porém com urgência o francês puxou-lhe para outro beijo; tão voraz e arrebatador quanto o primeiro. As mãos do escorpiano deslizaram pelo torso e desceram pelo ventre do ruivo a fim de conhecer e explorar a fundo aquele território, e também pela satisfação de fazê-lo se arrepiar e estremecer a cada toque. Camus por sua vez, só conseguia deixar escapar gemidos de sua boca. Tinha a impressão de que poderia morrer a qualquer momento. Queria gritar, implorar para que Milo lhe tirasse as roupas e o libertasse daquela aflição dolorosa que lhe roubava o juízo, mas ao invés disso, Camus arranhava as costas por debaixo da camiseta em plena angústia e descontrole.
A mente metódica e o senso crítico do aquariano o abandonaram totalmente diante das tórridas sensações nunca sentidas por ele antes. Sem rédeas e nem amarras para segurar, o pouco de lucidez que ainda restava em seu ser escorria como água entre os dedos.
As mãos hábeis correram pelo cós da calça do aquariano que mordia os lábios, ansioso e excitado. Desafivelando o cinto o escorpiano jogou-o para longe dando início a uma carícia ousada por cima do tecido fino, arrancando um grito nada contido de Camus. Visto que o amigo estava duro com a necessidade assim como ele, Milo não quis prolongar o sofrimento de ambos e se livrou das peças de roupas incomodas em tempo recorde. Suspirou deslumbrado quando o viu completamente nu, ofegante e vermelho. Nunca imaginou presenciar tal cena, de modo que guardaria aquela imagem e aquele dia na memória por toda a sua vida.
— Milo... — balbuciou, sendo sacudido por espasmos que subiam e desciam nas terminações de seu corpo. — E-eu não aguento mais, eu te quero...
Em um movimento rápido, o loiro se levantou quebrando a contato entre eles, recebendo um grunhido de protesto. Passou os braços por debaixo dos joelhos de Camus, içando o corpo febril e sedutor, tendo seu pescoço envolvido pelo mesmo em surpresa. Trilhou o longo caminho até o banheiro com o francês em seus braços o olhando de forma provocativa.
Vez ou outra Milo esquecia-se de como voltar a respirar.
A orelha e o pescoço do grego foram severamente punidos pelas provocações ousadas de Camus que chupava e mordia o lóbulo em completo delírio. Excitado como nunca, o dono da orelha em questão puxou uma grande respiração que expandia o tórax lentamente. Sua ereção tinha vida própria, e cada vez que Camus o lambia seu membro lá embaixo parecia pular em expectativa.
Dentro de seu peito um calor escaldante crescia juntamente com uma certeza inegável; aquele homem era a sua perdição, ele tinha a capacidade e o dom de enlouquecê-lo desde sempre. Esconder e conter seus sentimentos se tornou um desafio perturbador a cada dia, agora ele não poderia mais. Como aquela situação se deu, nenhum deles sabia ao certo, mas ele entregaria tudo de si para Camus, incondicionalmente.
Por ele, Milo era capaz de qualquer coisa.
Dentro do pequeno box o fluxo de água morna corria, e o vapor encobria a visão erótica dos dois homens molhados enroscados um no outro, totalmente entregues e sedentos. Beijavam-se com tanta intensidade que vez ou outra eram forçados a se separar. O par de mãos ligeiras deslizou para baixo fazendo um tour mais detalhado pelo corpo de Camus a fim de demarcar cada centímetro com precisão, enquanto a boca experiente atacava os mamilos rosados, os mordiscando os chupando para a total agonia do aquariano.
Camus não fazia ideia até o momento que seus mamilos eram tão sensíveis.
O curso das garras do escorpiano mudou para o voluptuoso traseiro do ruivo, que com muita satisfação ele apertou até que suas palmas ficaram marcadas na pele branca. Sufocando um grito, o francês mordeu o ombro de Milo como uma pequena punição, o levando a um grau mais alto de excitação. Impaciente, virou Camus de costas para si o apoiando contra a parede. As longas e molhadas madeixas vermelhas seguiam finas ondulações pelas costas e a sua bunda empinava na direção do escorpiano.
Era a visão mais excitante que ele poderia imaginar ter em toda sua vida.
Milo deliberadamente esfregou seu membro na fenda de Camus, enquanto distribuía beijos quentes por toda a extensão de seu dorso, o corpo tremia por antecipação. Os braços de Camus agarraram o pescoço de Milo por trás, e ele se pôs a deslizar para cima e para baixo aumentando a fricção.
Foi um golpe duro para seu pobre coração.
A intenção do grego no momento seguinte era prepará-lo para o próximo passo, a ultima coisa que ele queria era machuca-lo, e assim ele precisou fazer uso de seu autocontrole para não fodê-lo até que implorasse por misericórdia. Milo mordeu o lóbulo da orelha de Camus, e se pôs a sussurrar coisas que o fariam morrer de vergonha se estivesse “lúcido”, mas no estado atual em que se encontrara tais palavras eram como combustível que alimentava a fogueira dentro de seu peito.
Os dedos sondaram a passagem acariciando a carne em chamas e uma pequena caricia foi feita no períneo, arrancando um som profundo da garganta de Camus. De forma deliberada, suas pernas se abriram num ângulo maior para que Milo pudesse tocá-lo por inteiro. O dedo escorregadio massageou o pequeno orifício em círculos verificando a passagem. Mesmo que Camus estivesse no auge da excitação, a tensão dificultava a quebra das barreiras naturais do seu corpo, então Milo teria que fazer uso de seu arsenal de técnicas. Sem aviso, a mão do loiro agarrou por trás o comprimento de Camus estimulando vagarosamente. Ora o masturbava lentamente ora aumentava a velocidade e impunha mais pressão, atentando-se as reações do aquariano.
Este por sua vez, parecia se desmanchar sob o toque exigente de Milo.
O toque suave e a textura em sua mão fizeram crescer o desejo de experimentar o sabor de Camus em sua boca. Ao perceber que o francês se aproximava do clímax, Milo o girou em seu próprio eixo e agachou-se para abocanhar o pênis que começara a gotejar, proporcionando a Camus o prazer mais intenso que já tivera.
A língua deslizou pela glande e pelo comprimento vagarosamente enquanto a mão forte o pressionava forçando Camus ao seu limite. Os músculos se contraíram involuntariamente e o coração batia com força dentro do peito, o liquido quente jorrou dentro da boca de Milo que o recebeu abertamente. Como um boneco sem coordenação, o francês foi deslizando até o chão antes de ser aparado pelos braços de seu amante.
— Vamos para o quarto. Você e eu… nós acabamos de começar.
Ainda molhados e a passos trôpegos, ambos caíram na cama em um baque macio. Camus se agarrou a Milo e o prendeu, enlaçando-o pelas pernas de maneira quase agressiva. Os corpos se friccionavam num intenso frenesi, compartilhando o calor de uma nova e uma antiga paixão. A água foi substituída pelo suor, mas nenhum deles pareceu se importar. Afoito e com uma ereção dolorosa, a expectativa de estar dentro de Camus levava Milo a loucura, mas o desejo de lhe proporcionar uma experiência sexual gloriosa mexia com seu orgulho por isso obrigou-se a ir com calma e ser cauteloso com o aquariano. O grego usou uma de suas mãos livres para abrir a gaveta e retirar alguns itens essenciais de lá.
— Você vai me deixar entrar aqui? — o escorpiano sussurrou ao ouvido de Camus que corou em quase todos os tons de vermelho.
Sem obter resposta Milo concentrou-se em tocar a região mais importante.
Novamente os dedos delgados acariciaram o ânus e toda a sua extensão, se atentando a quaisquer sinais de desconforto vindos da parte do francês. O corpo de Camus se agitou com o contato e seu pênis ganhou vida novamente, um arrepio o quebrou e percorreu sua espinha quando o gel lubrificante tocou a pele quente e o escorpiano fez sua primeira investida introduzindo o primeiro dedo. A invasão causou estranheza no primeiro momento e se intensificou ainda mais quando Milo introduziu o segundo digito.
Um tanto quanto aflito ele ficou rígido por algum tempo.
— Eu quero que você se sinta bem, mas você precisa relaxar... Ok?
— M-mas isso dói, Milo... Eu não consigo — choramingou, recebendo um afago do grego que lhe sorria de forma complacente.
— É incomodo só no começo, vai passar. Confia em mim? — Carinhosamente, Milo o aninhou por instantes beijando-o de maneira terna lhe passando segurança — Hm?
— Eu confio.
Para fazê-lo esquecer da dor inicial, o escorpiano o levou a boca mais uma vez empurrando Camus num mar de sensações confusas e sufocantes. Dada essa atenção especial, ele pôde se acostumar com as caricias e aproveitar o máximo das sensações que o outro o proporcionava. Quando julgou tê-lo estimulado o suficiente voltou à atenção a si mesmo e colocou um preservativo, cobrindo-o com uma camada generosa de lubrificante. Sem demora, os dedos foram substituídos pelo pênis que ansiava pelo calor e o abraço de Camus.
Milo empurrou seu comprimento gentilmente parando na metade do caminho quando sentiu o aquariano se remexer embaixo dele. O desconforto e a dor eram visíveis e estavam estampados no rosto afogueado do francês, mas a determinação o fez lutar para segurar as lágrimas.
O loiro fez menção de sair, mas ele o segurou no lugar.
— E-eu vou me acostumar, fique parado — disse com os dentes cerrados, relaxando e soltando aos poucos sua musculatura.
Usando de outro método, o grego mudou de posição o agarrando por trás e ambos ficaram de lado. Milo escorregou para dentro dele sem dificuldades, deixando para trás um rastro de mordidas e marcas avermelhadas no pescoço alvo do aquariano, que arfou ruidosamente. Alucinado com as recém-descobertas sobre alguns de seus pontos chave e zonas erógenas, Camus não conseguia raciocinar direito, sua mente se transformou num completo borrão sem forma.
Ele nunca ousou explorar a fundo seu próprio corpo e ninguém nunca havia o feito tão bem, mas agora o escorpiano executava essa tarefa com maestria.
Quando a dor se tornou mais sutil ele se atreveu a mover os quadris contra os de Milo vagarosamente, um ponto foi atingido em cheio e o corpo do aquariano se retesou no mesmo instante. Espasmos lhe atravessaram os músculos subsequentemente, da cabeça aos pés. Inconscientemente os movimentos de Camus aumentaram, assim como sua busca por mais contato. Seu corpo arremeteu-se fervorosamente contra o de Milo, uma das mãos fincou e pressionou ainda mais o escorpiano em direção a si, como se quisesse fundi-los em uma só pessoa.
Em contrapartida o escorpiano parecia se dissolver a cada investida, era como se fios de alta tensão estivessem enredados em todos os seus membros enviando e espalhando grandes ondas de prazer em forma de energia elétrica. A pele dourada adquiriu brilho por conta da transpiração e seus gemidos que reverberaram pelo cômodo excitaram ainda mais o aquariano que abaixo dele, tremia e se contorcia compulsivamente.
Mantendo-se concentrado no próprio ritmo Milo se dedicou diligentemente a atingir a próstata do outro com eximia precisão, o penetrando com força e velocidade fazendo valer de suas habilidades sexuais. Seu pênis pulsava de forma quase dolorosa e à medida que o francês contraia seu canal e o apertava, Milo se aproximava cada vez mais do descontrole. O vai e vem enlouquecedor enviou os dois amantes a estratosfera, sendo Camus o primeiro a sucumbir e atingir o clímax. O grego o bombeou duramente até que ele gozou sob os lençóis gemendo e chamando seu nome diversas vezes.
O escorpiano se juntou a ele a culminação quando seu pênis foi espremido pelo interior apertado do seu amado francês. Sufocando um grito de satisfação que lhe atravessara o peito como um raio, uma leve tontura tomou conta dele e todo seu corpo se enrijeceu. A beira de um intenso orgasmo, Milo descartou a camisinha e estimulou-se a fim da tão esperada liberação; o liquido branco e viscoso esguichou sobre o bumbum e as costas de Camus o lambuzando.
Agradavelmente saciado e satisfeito o grego tombou sobre o corpo do aquariano inalando o cheiro suave que os fios rubros exalavam, enrolando algumas mechas nas pontas dos dedos. Por cima do ombro, um olhar lânguido e escaldante cravou-se nele exigindo algo a mais, um pouco mais de carinho ou um pouco mais de conforto, Milo não sabia precisar.
Como se o tivesse decifrado, o escorpiano o virou lentamente e o beijou de forma lenta e profunda, arrancando-o do eixo novamente. Havia tanto para ser dito e compartilhado, mas Milo era o tipo de homem que preferia as autenticas demonstrações de afeto a palavras vazias. Talvez ele se valesse de algumas futuramente, mas naquele momento ele só queria desfrutar das sensações maravilhosas e da plenitude que invadiam seu coração.
Os olhos azuis se umedeceram e se fecharam por alguns instantes.
— Eu nunca me senti assim antes... Com ninguém — confessou o francês um pouco sonolento — Meu coração está batendo forte.
— Eu esperei por isso há muito tempo, sabe quão louco meu coração está?
— Me perdoe por isso, Soleil. Acho que você finalmente me pegou.
— O que significa? — arqueou a sobrancelha, curioso.
— O que?
— Soleil...
— É sol, em francês.
— No que eu me assemelho com o sol? Te faço suar?
— Também... — Camus riu — Seu calor me faz querer ficar mais perto e ser abraçado por você.
As pálpebras do aquariano se tornaram pesadas e aninhando-se no peito de Milo ele se entregou ao sono sem ouvir a ultima e mais importante frase de Milo.
— Eu amo você Camus, até o fim.
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