A Madrasta

95 Penúltimo Capítulo - Perdão


Notas iniciais
Penúltimo capítulo com um dos momentos mais esperados desta história. Boa leitura e obrigada pelos comentários do capítulo anterior ❤

Penúltimo Capítulo — Perdão.

[...]

— E aí mãe? Como Edward está? Ele, ele... Está vivo? — Isabella indagou aflita assim que sua mãe apareceu na recepção.

— Diga que ele está bem, por favor... — Carlisle pediu com lágrimas nos olhos.

Tinha medo que a praga de Aro se concretizasse e que seu filho morresse de forma violenta, assim como James.

— Ele... — Renée engoliu em seco, pondo as mãos no bolso de seu jaleco — Edward está vivo sim, sobreviveu a cirurgia.

— Graças! — Alice comemorou apontando o dedo para o alto e sentindo um peso enorme sair de seus ombros.

— Mas... — A médica continuou — Seu estado ainda é muito delicado, as próximas horas serão decisivas para sabermos se vai ou não ter sequelas.

— Não tem problema, o importante é que ele está vivo! — Carlisle disse sorrindo.

— Sim, é isso que importa. — Bella concordou dando um sorriso aliviado. — Podemos vê-lo?

— Ainda não, vamos deixar que o paciente descanse mais um pouco. Depois, alguns dos familiares poderão visita-lo por no máximo dez minutos.

— Eu vou ligar pra mansão para avisar a todos que está tudo bem com meu cunhado. — Jasper avisou se afastando deles.

— Quero tanto vê-lo. — Bella falou limpando suas lágrimas — Tenho tanta coisa pra dizer pra ele.

— E você dirá amiga. — Jess disse abraçando a morena com carinho.

~*~

— Elizabeth? — Aro riu ao deparar-se com a matriarca dos Cullens na delegacia — Pensei que estivesse no hospital ou em uma igreja se preparando para velar seu tão querido netinho. — Zombou.

— Velar? — A ruiva riu — Por acaso tem como velar alguém que está vivo? — Ironizou se aproximando do moreno que estava devidamente algemado. — A não ser que esteja falando de si mesmo que já é morto por dentro.

— Que? — O sorriso cínico de Aro simplesmente murchou naquele momento.

— Jasper me ligou há meia hora e disse que meu neto sobreviveu a cirurgia para a sua tristeza, claro.

— Mas como? Eu atirei no peito daquele desgraçado, isso é impossível! — Aro exclamou furioso.

— Como notou não é impossível — Beth sorriu novamente olhando ao seu redor — Sabia que esse ambiente combina perfeitamente com você? Porque seres da sua laia tem que ficar na cadeia mesmo. Sabe... Eu nunca gostei de você, nunca consegui ter algum carinho pela sua figura e sabe por que? Porque no fundo sabia que tinha um monstro invejoso dentro do teu peito. Ainda bem que seu pai não está mais aqui pra ver o lixo de pessoa que você se tornou ao longo dos anos.

— Cale a boca sua velha chata!

— Não calo porque vim aqui pra falar tudo que está entalado na minha garganta, seu idiota! — Apontou o dedo na cara dele — Porque é isso que você é. Um idiota, o Tom daquele desenho do Jerry, que fica perseguindo ele a vida toda mas nunca consegue pega-lo e sabe porque? Porque você é burro e querendo ou não, o bem sempre vai vencer o mal.

— E você são o bem? — Aro gargalhou — Agora os Cullens vão bancar os bonzinhos, é isso mesmo?

— Não. Somos humanos e erramos muito nessa vida mas ao contrário de você, estamos tentando concertar diariamente os nossos erros. Mas quem está atrás das grades aqui é você e se depender de mim, você nunca mais vai ver a luz do sol. — Garantiu o encarando — O que você fez com meu neto foi muito grave, mas tudo bem. Você vai pagar por isso com juros e correção monetária passando o resto dos seus malditos dias sozinho, sem dinheiro, sem absolutamente nada!

— Pois espero mesmo é que seu neto tenha uma piora e morra. — Ele afirmou cheio de rancor.

— Mas não vai. — Vovó sorriu — Você sim vai morrer e não estou falando fisicamente e sim, internamente. A solidão vai te matar lentamente Aro, por todos os dias da sua vida, pode ter certeza disso.

— Pois espero que você vá antes, Elizabeth.

— Veremos. — A ruiva disse piscando, dando as costas para ele e indo embora da delegacia.

~*~

Carlisle pediu que pudesse ser o primeiro a visitar Edward.

E em comum acordo com os outros familiares, o empresário caminhou até a UTI onde encontrou o filho do meio deitado, cheio de aparelhos mas felizmente, despertando da anestesia.

— Carlisle... — O ruivo murmurou piscando os olhos várias vezes pois a luz o incomodava. — Então eu voltei. — Concluiu sorrindo.

— Sim, você voltou para nós. — O loiro confirmou apertando a mão do filho. — E me fez o homem mais feliz do mundo por isso.

— E... Aro? Ele atirou em mim, pai. — Contou sentindo calafrios.

— Eu sei filho, mas ele já está preso e se depender de mim e dos nossos advogados, passará o resto da vida na prisão.

— Tomara... — Edward suspirou — E Bella? Como ela está?

— Preocupada com você assim como o resto da família. Sabia que ela queria te doar sangue?

— Sério?

— Sim, mas não pode por um motivo que ela não explicou direito, aí o Emmett fez a doação no lugar dela. De qualquer forma, isso prova que ela realmente te ama, filho.

— Tomara. Pai, vou ter sequelas? — Apertou ainda mais a mão do loiro.

— Ainda é cedo para dizer, mas mesmo que as tenha, com certeza se recuperará rápido. — Carlisle desviou o olhar — Por que não me disse que a cirurgia do transplante te trouxe problemas? Por que escondeu isso de mim filho?

— Não queria preocupar o senhor mas não adiantou, não é mesmo? — Brincou rindo e fazendo uma careta ao sentir dor. — Obrigado por mais uma vez estar ao seu lado.

— Eu sempre estarei. — Carlisle prometeu beijando a mão dele.

— E meus filhos? Onde estão?

— Lá fora com a Isabella.

— Posso vê-los?

— Sim, Ed.

[...]

— Pai! — Renesmee exclamou correndo até a cama e beijando a testa do ruivo. — Que bom que o senhor está vivo, tivemos tanto medo de te perder.

— Tivemos mesmo. — Anthony deu a volta para o outro lado da cama e segurou a mão do pai.

— Jamais deixaria vocês sozinhos, filhos. — Edward tentou sorrir. — E agora vai ficar tudo bem, vou me recuperar e seremos uma família de verdade, sem medo de que coisas ruins nos aconteçam pois todos os que quiseram nosso mal de alguma forma estão mortos ou presos e assim ficaram para sempre.

— Promete pai? — Renesmee fez biquinho.

— Prometo sim, princesa.

~*~

— Não sei se é a hora disso Alice, mas será que podemos conversar? — Bella sugeriu se aproximando timidamente da morena na recepção do hospital.

— Sim. — Alice cruzou os braços.

— Lembra como éramos amigas? Eu, você e a Rose. Dividimos nossas alegrias, medos, segredos. — Sorriu com as lembranças.

— Mas tudo acabou há onze anos, quando você foi presa e eu omiti uma coisa importante no teu julgamento.

— Pois é. Fiquei presa, depois saí e me vinguei de você destruindo a reputação do seu restaurante. Sim, admito que fui eu que mandei uma pessoa colocar comida estragada na cozinha do seu restaurante. — Contou cabisbaixa.

— É, mas depois de muita luta Jasper e eu conseguimos reabrir o restaurante. — Alice abriu um pequeno sorriso. — E é aquela coisa, eu te fiz mal e você devolveu esse mal na mesma moeda.

— Mas o que fiz foi errado, Alice. Porque você tinha se arrependido, me pedido perdão e mesmo assim eu te ferrei. Confesso que hoje me envergonho do que fiz contigo, mas eu estava tão dominada pelo ódio, pela vingança, que fiz muitas coisas erradas com várias pessoas, inclusive com você.

— Isso é um pedido de desculpas Bella? — A chef arqueou a sobrancelha.

— É sim. Você me perdoa Alice?

— Só se você me perdoar por tudo que te fiz no passado. Você também me perdoa, Bella?

— Eu... — Bella respirou fundo — Sim, eu te perdoo.

— Então também te desculpo. Que tal um abraço? — Alice abriu os braços.

— É uma ótima ideia. — A morena concordou abraçando a cunhada e relaçando seus laços, mesmo depois de tanto tempo afastadas.

~*~

— Como está se sentindo, Edward? — Jasper perguntou pondo a mão sob o ombro do ruivo.

— Com algumas dores, mas bem. — Respondeu se ajeitando na cama. — Quer me dizer alguma coisa?

— Você me conhece mesmo, né? — Jasper riu, passando a mão por seus cabelos cacheados — Vim perguntar se algum dia voltaremos a ser amigos como antes. — Explicou de cabeça baixa. — Desde que te contei o que fiz você não fala direito comigo e é difícil porque sempre fomos amigos e tenho um carinho enorme por você, Ed.

— Jasper, eu...

— Espera, deixa eu falar o que quero primeiro. — O loiro interrompeu trincando o maxilar — O que fiz com você e com Bella foi uma covardia. Eu preferi manter a boa imagem do meu restaurante a ajudar dois grandes amigos. Sempre fui mais na minha, introspectivo, e acho que por isso nunca demonstrei mas quero que saiba que me arrependo amargamente daquela omissão no julgamento e se você me permitir, quero reparar meu erro dando o melhor de mim pra vocês até o fim dos meus dias. E então? Me perdoa?

— Jasper — Edward sorriu — Se tem uma coisa que eu aprendi nisso tudo é que perdoar faz um bem danado pra gente então sim, você está perdoado.

— Obrigado amigo. — O loiro agradeceu o abraçando com todo o cuidado para não machuca-lo.

~*~

— Meu pai está preso, Rosalie? É isso mesmo? — Victória indagou chocada ao telefone, do outro lado do mundo.

A ruiva estava hospedada na suíte do hotel mais chique de Paris ao lado de Douglas, a quem se referia como o pato que iria depenar.

— Sim e acredito que vai demorar muito pra sair daqui afinal, a acusação de tentativa de homicídio vai se juntar as outras por falso testemunho, injúria e difamação que ele já tem. Falar nisso, seu julgamento vai ser daqui alguns meses também.

— Eu sei. — A vilã foi até a janela, onde observou a belíssima paisagem de Paris. — Mas e o Edward? Sobreviveu?

— Se eu disse tentativa de homicídio é porque sim, né? — A policial revirou os olhos. — Enfim, ligamos pra te avisar porque seu pai vai precisar de um advogado dos bons.

— Pois ele que se vire. — Victória deu de ombros — Eu dei muitos conselhos a meu pai, mas ele nunca me escutou. Por isso, ele que arrume um jeito de se defender pois não vou me manchar para ajudar ninguém, não agora que minha vida está finalmente entrando nos eixos. — Justificou ouvindo um barulho e percebendo que Douglas acabara de entrar no quarto. — Preciso desligar, de qualquer forma obrigada por ter me avisado sobre tudo, Rosalie. — Agradeceu desligando e jogando o celular na cama.

— Quem era Vic? — Douglas indagou se aproximando dela.

— Ninguém importante, querido. — Mentiu envolvendo as mãos ao redor do pescoço dele e o beijando ardentemente.

~*~

Finalmente Bella estava frente a frente com Edward.

Depois de receber visitas de inúmeros amigos e parentes, agora o rapaz acabara de receber sua esposa.

— Bella... — Disse a olhando fixamente.

— Você está vivo! — A morena comemorou o abraçando forte, mas se afastou rapidamente quando o viu tossir. — Desculpe — Pediu sem graça.

— É que você me apertou demais e estou com algumas dores ainda. — Edward explicou fazendo careta.

— Imagino, cirurgias nunca são fáceis. — Sentou-se na beira da cama dele.

— Não mesmo, mas nós temos praticamente PhD nisso, não é mesmo? — Brincou gargalhando.

— É... — Bella riu também, mas logo ficou séria. — É hora de termos uma conversa, Edward. Uma conversa... Definitiva.

— É, esse momento finalmente chegou. — Ele concordou coçando sua barba.

— Posso começar? — Sugeriu mordendo o lábio.

— Uhum.

— Pois bem... — Mordeu o lábio de novo, demonstrando que realmente estava nervosa. — Antes de mais nada, não tenho palavras pra te agradecer pelo que fez por mim. Você salvou minha vida e isso não tem preço para mim.

— Eu fiz o que devia ser feito. Você foi esfaqueada, já perdeu um fígado, não aguentaria também levar um tiro. — Brincou novamente — Mas falando sério, não poderia deixar que se machucasse de novo.

— Você sempre me protegeu, não é? Mesmo quando pensei que tivesse me deixado sozinha, ainda assim você tinha dito para o Taylor me proteger no presídio, então a verdade é que você nunca me deixou só de verdade.

— Eu errei muito contigo, Bella.

— Mas eu errei também, todos nós erramos. — Deu de ombros — Mas e daí? Estamos na vida pra isso mesmo, pra errarmos, acertamos, isso é viver.

— O que quer dizer com isso? — O ruivo franziu a testa.

— Que depois de tantos anos finalmente consigo olhar pra você — Com os olhos já marejados de lágrimas, Bella acariciou o rosto dele — E não sentir nada além de amor.

— Espera... Você... Você me perdoou? — Perguntou com os olhos arregalados.

— Sim — A confirmação dela o fez sorrir lindamente — Ter quase te perdido pra morte e visto que você seria capaz de dar a sua vida pela minha, me fez entender que realmente ainda há amor entre nós e se tem amor, tem que ter perdão também. Por isso, hoje posso olhar pra você e sentir algo leve, meu coração está leve porque perdoei você.

— Esse era o maior sonho da minha vida, Bella. — Emocionado, o homem a puxou para si e lhe abraçou forte.

— Mas e você? — O olhou nos olhos. — Me perdoa?

— Pelo quê?

— Por ter te desprezado, te desejado tanto mal e tentado de prejudicar de várias formas. Me arrependo muito disso, Edward.

— Bella — Ele segurou a mão dela — Eu voltei a vida e pretendo aproveitar cada segundo desta nova chance que ganhei do universo. Tudo que mais quero no mundo é ter você cem por cento comigo e agora que tenho, quero mesmo é ser muito feliz. — Falou sorrindo, fechando os olhos e unindo seus lábios aos dela.

Feliz, a morena também fechou os olhos, sentindo a língua quente do rapaz tocar a sua e se entregando de corpo e alma ao sentimento mais lindo do planeta, o amor.

[...]

Um mês depois...

— Tem certeza que quer mesmo ir, amor? — Bella indagou vendo o esposo colocar seu terno. — Você ainda está se recuperando da operação.

— Mas é claro, hoje é um dia muito importante pra nós e para que tudo de certo, precisamos estar juntos como sempre. — Edward respondeu depositando um selinho na boca dela. — E minha recuperação está indo muito bem de acordo com sua mãe, tanto que não tive sequelas, portanto não há com o que se preocupar. — Piscou para a amada.

— Acha que Tanya vai mesmo ser condenada? — A morena mordeu os lábios, enquanto dava um nó na gravata dele.

— Se existir algum tipo de justiça neste país, tenho certeza que sim.

[...]

Toda a família Cullen, menos as crianças, estavam reunidas nos primeiros bancos da platéia do julgamento de Tanya Denali.

Jacob também estava acompanhado de Jessica, sua namorada com quem estava planejando já morar junto. Todos ansiosos por uma possível condenação da advogada.

Foram três dias de testemunhos, acusações e defesa. Tanya tinha um excelente advogado de defesa mas Irina, sua antiga amiga, estava ao lado da acusação como uma das advogadas.

A promotoria pedia pena máxima e diante de tantos depoimentos e provas contra, o juiz estava pronto para anunciar a todos qual seria o resultado daquele julgamento.

— Peço que a ré se levante. — O juiz pediu ao microfone.

— Sim senhor. — A loira concordou se levantando de cabeça baixa, mas por um momento levantou seu olhar.

Seus olhos se encontraram diretamente com os de Isabella, que estava do outro lado do tribunal.

E ela sentiu um enorme peso nos ombros.

Tinha perdido a prima, assim como sua família já que depois de saber toda a verdade, nem mesmo sua tia, Renée, quis ficar ao seu lado.

— A decisão deste júri foi unânime. — Ele contou analisando o papel — Tanya Denali, pelos crimes de dois homicídios qualificados por motivo torpe, este tribunal te condena a prisão perpétua.

— Não... — Tanya murmurou com o olho cheio d'água.

Sabia que sua vida tinha acabado ali.

Alguns que assistiram a condenação lamentaram afinal, se Tanya não tivesse assassinado James no passado, nada daquilo aconteceria e ela continuaria sendo uma advogada de futuro promissor.

Já outros, como Bella, comemoraram pois ela cometeu crimes graves que ferraram a vida de muitas pessoas e portanto, merecia sim aquele triste fim.

Notas finais
Não tinha como dar um título melhor que "perdão" pra este capítulo, né? Hahaha Tanya devidamente condenada já para a nossa alegria XD Bella não doou sangue por que? Teorias? Ai, ai... Não percam o último capítulo, hein? Vem muitas surpresas por ai Quem quiser recomendar está história neste momento tãooo importante dela iria me deixar muitooo, mas muito feliz!! Sejam legais comigo como fui com vocês afinal, deixei o Ed viver hahaha Ah, e não deixem de comentar ❤