A Madrasta
94 Capítulo 93 - Limbo
Notas iniciais
Capítulo 93 — Limbo.
— Edward! — Bella gritou sentindo o ar faltar em seu peito.
No momento em que aquela bala atingiu o peito do CEO, foi como se o mundo tivesse acabado para ela.
— Bella... — Edward a chamou caindo de joelhos no chão e olhando para baixo, vendo que já começara a sangrar por conta do ferimento da bala.
— Não... — Bella cobriu a boca com as mãos para não gritar e olhou para Aro que estava parado sorrindo e observando aquela cena horrenda. — Por que fez isso?!
— Era pra essa bala ter atingido a sua cabeça, Isabella. Mas tudo bem, ele morto vai ser como se você tivesse morrido também. — O moreno respondeu rindo e jogando a arma no chão no momento em que Emmett, que ainda morava na casa dos pais enquanto a sua com Rosalie ainda estava em obras, surgiu na sala.
— Mano? — Correu até o irmão, que agora estava deitado no chão, começando a agonizar. — Você atirou nele? Maldito! — O jogador gritou pegando Aro pelo colarinho e dando um soco em seu rosto tão forte que fez o vilão cair no chão. — Ligue pra emergência Bella! Rápido! — Mandou e trêmula, Bella pegou o telefone do rack e pediu socorro para o marido, enquanto o resto da família Cullen surgia na sala, menos Elizabeth que a pedido de Carlisle ficara no quarto com as crianças para que não vissem aquela tragédia, pois ao escutar o tiro o empresário já imaginou do que se tratava.
— Filho, fala comigo... — Carlisle pediu dando tapinhas no rosto do ruivo, que estava quase perdendo os sentidos. — O que houve aqui?
— Aro atirou no meu irmão, pai. — Emmett explicou discando para a polícia. — Você vai apodrecer na cadeia, eu juro! — Exclamou de punhos fechados, olhando raivosamente para Aro que continuava no chão.
— Está doendo Carlisle? — Aro sorriu bisonhamente — Foi isso que senti quando encontrei James morto no chão daquele hotel. Agora é a sua vez de sentir a mesma dor que eu onze anos atrás.
— EU VOU MATAR VOCÊ! — Carlisle gritou partindo para cima do vilão mas foi segurado por Emmett enquanto Rosalie, ainda de pijama, trazia suas algemas para imobilizar Aro.
— Calma sogro, por favor. — Puxou Aro e o empurrou contra a parede para o algemar. — Aro Volturi, você está preso por tentativa de assassinato. — Avisou séria.
— Bella... — Edward murmurou e a morena se ajoelhou, segurando a mão do ruivo que sorriu para ela.
— Por que fez isso? Por que se jogou na frente daquela bala Edward? — Bella perguntou entre lágrimas.
— Eu jamais deixaria que Aro tirasse a sua vida. — Ele explicou cuspindo sangue — Lembra que eu disse certa vez que morreria por você? Era a mais pura verdade, ta vendo? — Tossiu mais uma vez — Eu jamais viveria em um mundo sem você, Bella... — Começou a fechar os olhos. — Jamais.
— Merda, cadê a ambulância?! — Carlisle perguntou-se indo até a janela, totalmente desesperado.
— Eles estão vindo, fiquem calmos. — Rosalie tentava acalmar os ânimos, mesmo estando com muito medo de perder o cunhado também.
— Eu te amo, Edward. Não feche os olhos, por favor! — Bella suplicou apertando a mão dele, enquanto Emmett tentava estancar o ferimento com as mãos mesmo.
— Eu... Tô tentando, mas não tô... Conseguindo — O ruivo disse já bastante cansado por conta da dor. — Mas só de ouvir que você me ama já sinto uma paz enorme aqui dentro. — Sorriu — Cuide dos nossos filhos, da nossa família porque... Não sei se vou sair dessa.
— Vai sim, você vai! — Bella disse tremendo toda por dentro.
— Se eu não sobreviver, quero ir embora desse mundo tendo o seu perdão. Me perdoa, Bella... Por fa... — Não conseguiu terminar a frase pois fechou os olhos de vez.
— EDWARD! — Bella gritou desesperada. — Ele está morto, Emmett? — Perguntou ao cunhado.
— Não, só perdeu os sentidos. Mas o pulso está tão fraco... Estou com medo. — O moreno disse chorando e recebendo o consolo do pai. — Não quero perder meu irmão.
— Não vamos perdê-lo. — Carlisle assegurou olhando com ódio para Aro.
— Vão sim. — O vilão provocou novamente.
— Cala essa maldita boca! — Rosalie ordenou apertando o braço do bandido com tanta força, que quase o quebrou.
Foi quando todos ouviram sirenes.
Era sinal de que a ajuda finalmente tinha chegado.
Assim que a ambulância chegou os paramédicos atenderam e levaram Edward para o hospital, acompanhado de Carlisle que fez questão de ir com o filho.
A polícia chegara dois minutos depois e prendera Aro em flagrante por tentativa de assassinato que segundo Charlie, se tornaria homicídio caso o genro não sobrevivesse. Antes de levar o criminoso Rosalie jurou que ele jamais voltará a ver a luz do sol. Emmett ficou em casa para dar a notícia a Esme, que estava alheia a confusão pois justamente naquela noite, tinha tomado remédios para dormir por conta da insônia que passou a sentir desde que o filho foi preso. Já Elizabeth entrou em choque com toda aquela tragédia, mas procurou forças para consolar e apoiar os netos naquele momento tão difícil.
Bella foi para o hospital de carro mesmo, assim que Jasper e Alice apareceram na mansão. A chef ficou chocada com o que houve com o irmão e se sentiu culpada por não ter avisado a todos sobre seu pressentimento ruim de horas antes.
— A culpa é toda minha. — Bella disse no caminho, totalmente sem ação. — Edward não pode morrer, não pode... — Repetia baixinho, com os lábios tremendo.
— Ele não vai. — Alice garantiu apertando a mão dela. — Vai dar tudo certo, tem que dar. — Completou e desolada, Bella abraçou a cunhada com força, sendo consolada carinhosamente por ela que esquecera todas as mágoas do passado e apenas tentava concentrar sua energia em torcer para que Edward sobrevivesse aquele tiro.
~*~
— Você vai passar o resto da vida preso se depender de mim... — Charlie disse entrando na delegacia com Aro, Rosalie e os demais policiais.
— Mas não depende, depende dos jurados do tribunal. — Aro respondeu sorrindo — Posso alegar que tive um surto psicótico ou que matei Edward porque ainda achava que tinha sido ele que matou meu filho e...
— Para de viajar, Volturi. — Rosalie apertou o braço dele com mais força ainda — Você está acabado, vai passar o resto dos seus malditos dias em uma cela fria e escura.
— Não tem problema e sabe por quê? — Aro deu de ombros — Porque já consegui o que queria.
~*~
— Como ele está? — Bella perguntou aflita assim que chegou ao hospital, acompanhada de Jasper e Alice.
— Ainda não sei. — Carlisle respondeu passando a mão pelos cabelos — Se meu filho morrer, não sei o que vai ser da minha vida.
— Da nossa vida, pai. — Alice o corrigiu, o abraçando com força no momento em que Renée apareceu.
— Mãe? Diz que Edward está vivo por tudo que é mais sagrado. — Bella suplicou entre lágrimas, recebendo afago de Jasper.
— Pessoal — A médica respirou fundo — Ele está vivo sim... Ainda. — Engoliu em seco — Mas temos que opera-lo imediatamente e preciso da autorização de vocês.
— Eu autorizo, só dizer onde tenho que assinar. — Carlisle disse — Se for salvar a vida dele, assino agora mesmo.
— Então... — Renée mordeu o lábio — Mesmo com a operação, não posso garantir que seu filho vá sobreviver e mesmo que consiga, não posso afirmar que não terá sequelas. Além da bala, os pontos da cirurgia do seu filho se romperam e ele está com uma hemorragia interna. Por isso, vai precisar de uma quantidade razoável de sangue.
— Não tem problema, posso doar para ele. — Bella se ofereceu.
— Sim, sim. — Renée concordou — Enfim, vou iniciar os preparativos para a cirurgia e peço a todos vocês que rezem, pois vamos precisar de toda ajuda possível.
~*~
— Meu filho não pode morrer. — Esme disse abraçando Elizabeth que chorava muito, tanto quanto ela e os netos. — Por que tudo tem que ser tão difícil para nós, Beth?
— Não sei querida, não sei. — Vovó se afastou e fez carinho nos cabelos de Renesmee, que chorava abraçada ao irmão. — Mas meu neto é mais forte do que pensamos, vai sobreviver e um dia ainda lembraremos disso tudo como apenas um dia ruim. — Tentou ser esperançosa.
— Se o papai morrer, o que vai ser de nós? — Renesmee perguntou — Não podemos ficar sem ele, justo agora que nossa família estava unida como sempre sonhamos!
— É tão injusto — Anthony avaliou — Passamos dez anos sem nossa mãe e agora, corremos risco de ficar para sempre sem o papai.
— Vira essa boca pra lá, Anthony. — Esme pediu secando suas lágrimas — Vamos lavar o rosto, ir para o hospital e no caminho, vamos rezar para que o pai de vocês resista a cirurgia e se o destino for bom conosco, vai dar tudo certo ao menos desta vez. — Afirmou tentando ser o mais forte que podia naquele triste momento.
~*~
— Amiga... — Assim que soube do que fizeram com Edward, Jessica foi ao hospital visitar a melhor amiga — Como você está? — Péssima — Bella a abraçou — Dói tanto, Jess. Edward vai pra mesa de cirurgia e vou doar sangue para ele daqui a pouco, mas nem os médicos tem certeza se ele vai ficar bem mesmo.
— Que barra... — A ex-presidiária apertou as mãos da morena — Justo agora que vocês estavam felizes.
— Pois é... — Bella derramou mais algumas lágrimas — E sabe o que é pior? Ele me pediu perdão e eu não tive tempo de responder se o perdoava, Jess. Porque ele desmaiou de dor e se partir, vai ir embora pensando que eu ainda tinha mágoa dele.
— E por acaso você ainda tem Bella? Porque uma coisa é ainda estar apaixonada e passar por cima de tudo para ficar com quem se ama e outra, é perdoar todos os erros que Edward cometeu com você no passado. E aí? Você o perdoou mesmo?
~*~
[...]
Escuridão.
Frio.
Vazio.
Eram tudo Edward via naquele momento.
Até que de repente viu uma luz e caminhou rapidamente até ela.
E quanto mais caminhava, mais claro o ambiente se tornava.
— Que lugar é esse? — Perguntou-se olhando ao seu redor. — Será que eu... Morri?
— Não, você não morreu... Ainda. — Uma voz atrás dele falou e assustado, o ruivo se virou rapidamente tendo uma grande surpresa.
— James? O que faz aqui?
— Vim conversar com você. — O jovem respondeu dando de ombros.
— Não entendo... Você está morto. Se eu estou te vendo é por que morri também?
— Já disse que você não morreu, Edward! Isso tudo aqui é invenção da sua mente. Você criou esse espaço aqui pra se virar durante sua operação, afinal, você não sabe se sairá vivo dela. — James explicou e de repente, Edward se viu em uma mesa de cirurgia sendo operado por Renée e uma equipe médica de um dos melhores hospitais de Nova York.
— Céus... Como posso estar me vendo ali se estou aqui? — Perguntou confuso apontando para seu corpo inerte na mesa de cirurgia.
— Seu corpo está lá, mas sua alma está aqui do meu lado. — James respondeu ainda sorrindo para ele.
— Então isso não é o purgatório? Ou o limbo?
— Definitivamente, não.
— Mas se isso é um espaço que criei na minha mente, por quê eu traria justo você pra esse lugar?! Eu detesto você!
— Detesta mesmo, mas querendo ou não, eu fui importante pra você. — James respondeu pondo a mão sob o ombro dele. — Dá uma olhada ali. — Mandou apontando para um telão preto que do nada, começou a mostrar imagens de Edward na infância brincando com Emmett, Alice e... James. — Nessa época sim éramos felizes, mas não sabíamos. Lembra como você gostava de brincar comigo?
— Lembro sim. Naquela época você era gente. — Fez uma careta.
— Mas e antes disso? E antes de ser adotado pelos Cullens? Você lembra como era sua vida?
— Muito pouco. — Edward suspirou — Meus pais me abandonaram quando eu era muito pequeno. Tive sorte de ter sido adotado pelo Carlisle e pela Esme, caso contrário não sei o que seria de mim.
— Não tem vontade de conhecer seus pais biológicos?
— Sinceramente? Não. Meus pais se chamam Carlisle e Esme Cullen, pra mim não existe ninguém além deles, nem quero que exista. — Sentou-se no chão. James fez o mesmo. — As vezes acho que a insegurança que tenho quanto ao sentimento das pessoas por mim era por conta de ter sido abandonado quando criança, mas isso só Freud ou sei lá, alguma terapia teria a resposta.
— E quanto a Bella?
— Bella, Bella... — Sorriu — Como amo essa mulher. Acho que vou amar pra sempre, mas antes deu vir parar aqui ela não respondeu se me perdoava ou não.
— E você acha que merece esse perdão?
— Não sei...
— Porque se você não se perdoou até hoje, como acha que ela vai conseguir te perdoar?
— Não é tão fácil assim, James! Cometi muitos erros. Meus ciúmes exagerado me atrapalhou muito na época que você morreu porque me deixou cego. E essa cegueira me levou a deixar o amor da minha vida sozinha no momento em que ela mais precisava de mim. Ainda por cima inventei aquela mentira nojenta de que Isabella estava morta e afastei meus filhos dos avós, fiz tanta coisa ruim que acho que o tiro que levei foi até merecido.
— Ninguém merece tomar um tiro, Edward. Nem eu merecia aquelas facadas todas que caraca, doeram muito na época. — Fez uma careta também — Mas preste atenção, Edward. — Pediu e o ruivo o olhou atentamente — Você já pagou seus pecados com juros e correção monetária. Passou dez anos se culpando, vivendo uma mentira e sendo infeliz. Foi desprezado pela mulher que amava, enfrentou um monte de armações e ainda foi preso por um crime que não cometeu. Foi espancado, viu um ser humano morrer na sua frente da forma mais cruél possível e agora, está quase morrendo justamente pelas mãos do meu pai. E em meio a tudo isso, lá estava você tentando aproximar sua mulher dos seus filhos, tentando concertar as coisas. Quer sofrimento maior que isso tudo que você passou durante todos esses anos? Chega de se culpar, de se sentir menor que os outros, Edward! Você não é essa pessoa ruim que acha que é, muito pelo contrário! Você tem bom coração.
— Será mesmo? — Deu um sorriso torto.
— Não tem como dizer que não. — James sorriu de volta para ele. — Eu, Victória, Aro, Billy e até Tanya, minha assassina... Nós sim éramos maus, tínhamos raízes ruins, mas você foi só uma vítima das circunstâncias e das nossas maldades.
— Talvez. Eu devo ser maluco, sabia? Criei toda essa histórinha na minha cabeça só pra conseguir me perdoar. — Riu.
— E você conseguiu?
— Sim. — Edward admitiu ainda sorrindo. — Mas será que vou acordar? Ou vou voltar para aquele lugar frio e escuro?
— Vai depender se já chegou a sua hora ou não. Você acha que sim?
— Não sei... — Passou a mão pelos cabelos — Tenho tanta coisa ainda pra viver, meus filhos pra terminar de criar, meu trabalho, minha família e tem a... Bella. Mas mesmo que jamais acorde, que volte a ver toda aquela escuridão de novo, não me arrependo de ter entrado na frente da Bella e evitado que ela se machucasse.
— Ta vendo? Isso é amor. — James sorriu.
— É... — Suspirou — E agora? O que faço?
— Agora o que te resta é esperar, Edward. Se você acordar, vai poder ter sua segunda chance como sempre sonhou com Isabella. Senão, se você partir... Ai será o fim da sua tão sonhada felicidade.
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